A Cidade Verde e outros portais apagaram a publicação que informava que as exportações de minério pelo Porto Piauí começariam nesta segunda-feira. O episódio acontece justamente quando aliados do governo passaram a repetir o discurso de que as exportações já estariam em andamento, quase como se houvesse uma orientação para sustentar essa narrativa. O deputado federal Flávio Nogueira e o suplente de deputado estadual Ziza Carvalho chegaram a afirmar que o minério já estava sendo exportado e que as cargas já haviam chegado à China.
O apagamento da publicação reforça a percepção de que nem o próprio governo tem segurança para afirmar quando ocorrerá a primeira operação comercial efetiva. Colocar um porto em funcionamento é um processo complexo, sujeito a testes, ajustes e mudanças de cronograma.

A preocupação é maior porque o Porto Piauí sempre foi cercado por dúvidas sobre sua viabilidade econômica. O baixo calado da costa impede que grandes navios graneleiros atracem no litoral piauiense. Assim, a operação depende do chamado transhipment, em que embarcações menores levam a carga até um navio de grande porte fundeado em alto-mar. Essa etapa adicional encarece significativamente a logística e reduz a competitividade do porto.
Nem mesmo o Konta II, navio graneleiro utilizado nesse tipo de operação, consegue navegar até a costa do Piauí por causa das limitações de calado. Isso demonstra que o principal desafio do projeto continua existindo.
Nesse contexto, cresce a impressão de que há uma corrida para produzir uma primeira operação e permitir que o governador Rafael Fonteles diga que entregou um porto funcionando. Mas uma movimentação isolada não responde à pergunta mais importante: o Porto Piauí será economicamente sustentável ou apenas servirá como vitrine política?
Mais importante do que divulgar a saída da primeira carga é demonstrar que existe um modelo capaz de operar continuamente, com competitividade e sem custos logísticos que inviabilizem o empreendimento.(Fonte: O Piauiense)