O Ministério Público do Piauí, por meio promotor de Justiça Antenor Filgueiras Lôbo Neto, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Parnaíba, abriu investigação contra o secretário de Administração e Fazenda do município de Ilha Grande Antônio Defrisio Ramos Farias, por suspeita de lavagem de dinheiro público envolvendo contratos milionários firmados pela prefeitura da cidade. A medida foi formalizada após o encerramento do prazo inicial de apuração e da necessidade de aprofundar as diligências relacionadas aos fatos denunciados.

Segundo o procedimento, a Notícia de Fato foi registrada em 13 de agosto de 2025 e teve como objetivo inicial verificar a existência de irregularidades em contratos administrativos de alto valor celebrados pela gestão municipal. Durante essa fase, o Ministério Público expediu ofícios à Ouvidoria do órgão e à Procuradoria do Município de Ilha Grande, solicitando informações sobre os fatos narrados na denúncia e a manifestação formal da administração municipal acerca da regularidade das contratações.
Em resposta, a Procuradoria do Município informou que, após análise interna junto aos setores competentes, não foram identificadas irregularidades nos contratos firmados, nem indícios de lavagem de dinheiro ou movimentações financeiras atípicas. A manifestação destacou que as contratações observaram os princípios constitucionais da administração pública e seguiram as regras da Lei Federal nº 14.133/2021, com fiscalização do controle interno e divulgação dos atos no Portal da Transparência.
Mesmo diante dessa resposta, o Ministério Público considerou que o decurso do prazo de 120 dias da Notícia de Fato e a existência de pontos ainda não esclarecidos justificaram a conversão do procedimento. Com isso, foi instaurado o Procedimento Preparatório, instrumento utilizado para reunir elementos iniciais que possam subsidiar eventual instauração de Inquérito Civil, conforme previsto nas normas do Conselho Nacional do Ministério Público.
A portaria determina, entre outras providências, a comunicação da instauração ao Conselho Superior do Ministério Público e ao Centro de Apoio Operacional de Combate à Corrupção e Defesa do Patrimônio Público, além da publicação oficial do ato. Também foi requisitada à Procuradoria-Geral do Município de Ilha Grande a apresentação de documentação adicional que comprove a regularidade dos contratos analisados, no prazo de 30 dias. O procedimento é conduzido pelo promotor de Justiça Antenor Filgueiras Lôbo Neto, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Parnaíba.