O movimento anti-PT no interior do Piauí ganhou força nesta reta final, segundo relatos que chegam à coluna. A mobilização, descrita como crescente nas últimas duas semanas e mais intensa nas últimas 72 horas, põe o Palácio de Karnak de orelha em pé. Os gritos são contra Lula e favoráveis a Flávio Bolsonaro, mas seria um erro imaginar que esse sentimento não possa alcançar o PT piauiense na urna. Na avaliação da coluna, é essa possibilidade que assusta o palácio. O discurso de vitória antecipada esbarra em um movimento que ganhou as ruas e pode influenciar outras escolhas do eleitor. A ausência de ataques diretos a Rafael Fonteles nessas manifestações não representa um salvo-conduto para o governo.

O recado pode começar na eleição presidencial e continuar nos demais votos. No Senado, Ciro Nogueira pode ser o principal beneficiário dessa mobilização, concentrando uma parcela do voto contrário ao PT. A insistência de Rafael em pedir votos para seus dois candidatos pode ser lida como preocupação com essa transferência. O Karnak precisa garantir votos para a chapa inteira, enquanto os manifestantes sinalizam disposição de contrariar o partido do governador. O governo corre o risco de não conquistar as duas vagas que pretende. Perder ambas é uma possibilidade política, embora as manifestações, sozinhas, não permitam apontar esse resultado como tendência. A reta final deixa um recado: estrutura de campanha não garante voto transferido, e confiança de palácio não encerra eleição. Quem decide é o eleitor.(Silas Freire)