No Piauí o jogo de damas virou xadrez: Heráclito está de volta

Quem caminha pelos tapetes vermelhos de Brasília e conhece o cheiro de café fresco nos bastidores do Palácio do Planalto sabe: na política, o que não é estratégia, é destino. E Gilberto Kassab, o “mago” da articulação nacional, não deixa nada ao acaso. Não se iludam, a movimentação de trazer Heráclito Fortes para o núcleo duro do PSD em São Paulo é muito mais que um ato de respeito a um velho aliado; é uma operação milimétrica, uma jogada cirúrgica, que faz tremer o tabuleiro piauiense e atinge diretamente o coração do império de Ciro Nogueira.

Heráclito Fortes - Foto: ReproduçãoHeráclito Fortes – Foto: Reprodução

O PSD traz de volta o maior operador político da história, vocês achavam que era o Ciro? Esquece, Heráclito é o mestre, ele criou essa função.

Heráclito Fortes nunca foi um político de cercado. Seu habitat sempre foi o trânsito livre entre os Poderes. Ao ganhar um assento estratégico sob a bênção de Kassab, ele deixa de ser apenas um nome histórico para se tornar um emissário nacional com base no Piauí. Vocês entendem o peso disso?

Kassab está enviando um recado cheio de códigos, mas audível aos endereçados no Nordeste: o PSD não quer mais ser apenas o “maior partido do Brasil” em números de prefeituras; ele quer ser o dono da narrativa de centro. Com Heráclito, o partido recupera um canal vital com o eleitorado conservador e pragmático que, até então, só tinha uma direção para olhar: o Progressistas.

Heráclito Fortes - Foto: ReproduçãoHeráclito Fortes – Foto: Reprodução

Ciro sempre jogou com o trunfo de ser o “único interlocutor forte”. Heráclito, com o selo paulista e a caneta de Kassab, quebra essa exclusividade. O PIAUÍ É O ESTADO ONDE VOCÊ ACORDA ELEITO E DORME SEM MANDATO, DORME GOVERNADOR E ACORDA CASSADO.

Isso porque aqui a política é feita de “âncoras”. Até ontem, Ciro Nogueira era o único porto seguro para quem buscava estrutura nacional e influência em Brasília sem passar pelo crivo do Planalto. A partir de agora, o cenário muda, prefeitos e lideranças médias, que antes gravitavam em torno do PP por falta de opção, agora veem no PSD de Kassab/Heráclito uma porta de entrada VIP no governo federal e em São Paulo. O X da questão, 2026.

Não se enganem, a jogada não é um ataque frontal a Ciro Nogueira, mas um cerco preventivo. E que uma coisa fique bem clara, para Ciro, o custo da política acaba de subir.

Anotem essa frase: “Na política do Piauí, quando o tabuleiro fica mais complexo, o preço da lealdade sobe e o tempo da articulação encurta.”

Com o PSD agora mostrando todas as cartas da manga (ou quase), Ciro será obrigado a antecipar o jogo, isso implica em blindar seus prefeitos com mais vigor, se é que vocês me entendem, para evitar a migração silenciosa.

É obrigado a negociar em duas frentes, isso porque o PSD agora tem tamanho para ser o “fiel da balança”. Em uma eleição majoritária, quem tiver o PSD ao lado larga com uma vantagem estrutural que pode decidir o pleito.

A SIMEAOZADA VEM AGORA.

Kassab joga para 2026 e 2030. Ele sabe que Heráclito Fortes conhece cada curva da BR-316 e cada gabinete da Esplanada. Ao empoderar o “Velho cacique” em solo paulista, Kassab cria uma terceira via de influência que dilui o poder da oposição tradicional e desafia a hegemonia governista.

Heráclito Fortes - Foto: ReproduçãoHeráclito Fortes – Foto: Reprodução

No Piauí, o jogo de damas nas calçadas de Demerval Lobão virou xadrez de alta performance na Frei Serafim. Ciro Nogueira continua sendo um mestre, mas agora ele terá que olhar para o lado e encarar um PSD que não aceita mais ser coadjuvante. Heráclito voltou, e posso garantir, não foi para passear no Riverside. (Lupa1)

Coluna Pauta, Prosas e Copos – por Aldo Simeão

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