O Nordeste, um dos principais sustentáculos eleitorais do presidente Lula, poderá enfrentar o maior aumento nas tarifas de energia elétrica do país em 2027. Segundo projeção da consultoria Thymos Energia, a alta regional deve alcançar 9,58%, enquanto a média brasileira deverá cair aproximadamente 2%. No Sul, a previsão é de redução de 7,59%; no Sudeste, de 5,14%. O contraste impõe uma cobrança política ao governo: a região que oferece apoio decisivo ao presidente poderá receber uma conta mais pesada justamente quando outras partes do Brasil terão alívio.

Para as famílias nordestinas, discurso de proteção aos mais pobres precisa aparecer também no orçamento doméstico. Parte da pressão prevista decorre do fim de medidas temporárias que ajudaram a conter os reajustes em 2026, com a antecipação de recursos pagos por hidrelétricas pelo uso de bens públicos. Também pesam os custos de compra e distribuição de energia. O alívio temporário, portanto, não resolveu a pressão sobre as tarifas da região.
Os percentuais são projeções e dependerão dos processos tarifários de cada distribuidora. Politicamente, Lula terá de explicar essa contradição. O Nordeste merece mais do que agradecimentos em palanque: merece uma política capaz de proteger seu poder de compra. Se a previsão se confirmar, o apoio nas urnas virá acompanhado de uma amarga cobrança na conta de luz.(Silas Freire)