O direito natural

Por:Zózimo Tavares
O governador Zé Filho tem três meses pesados pela frente. E não se está aqui falando das demandas próprias da gestão governamental. O peso maior será a pressão que cairá sobre ele quanto a uma possível candidatura à reeleição. E ele só tem os próximos dois meses e 24 dias para mudar o que vem dizendo hoje (que não vai ser candidato), já que as convenções partidárias para homologação das candidaturas ocorrem até o final de junho.
Até lá, vai chover de gente – aliados e adversários, amigos e intrometidos – a incentivá-lo e instigá-lo a se candidatar. Ok, Zé Filho já disse que é homem de palavra, que desistiu livre e espontaneamente de ser candidato porque “ninguém é candidato de si mesmo”. Mas… É verdade também que o deputado federal Marcelo Castro, escolhido pelos partidos da base aliada para carregar o bastão da candidatura governista, pegou gosto pela coisa e colocou a campanha – ou melhor, a pré-campanha – na rua. 
O problema é que, como diz Zé Filho, ninguém é candidato de si mesmo… e nem de partido. Nesses tempos em que os políticos são monitorados 24 horas por dia e podem ter seus nomes e imagens destruídos em segundos nas redes sociais, as candidaturas dependem cada vez mais da aceitação do cidadão perante o eleitorado. E menos da escolha pura e simples de dois, cinco ou dez partidos, ou do poderio econômico do candidato.
Há um outro elemento a pesar a favor de Zé Filho nesse dilema shakespeariano de ser ou não ser candidato. É a questão do “direito de ser”. A propósito, vale a referência ao que postou ontem no Facebook o advogado e empresário Danilo Damásio: “O Direito Natural é constituído de princípios fundamentais que não mudam! Portanto, é um direito natural meu respirar, comer, fazer minhas necessidades fisiológicas, etc… Alguém pode me privar de fazer isso. E posso me comprometer a não fazer (…)! Mas se não honrar o meu compromisso ninguém poderá me ver como traidor!”
Continua Danilo: “Ser candidato à reeleição é um direito natural do Zé Filho! A lei assim o permite e é uma tradição perfeitamente aceita em nossa sociedade! Vamos supor que o homem faça um bom governo, que tenha bons índices de aprovação e que queira usufruir do seu direito natural de pleitear a reeleição. Poderá ser acusado de trair o Marcelo Castro, que há uns meses atrás apoiava a candidatura do Wellington Dias!? Entendo que não!”.

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