A reta final da campanha no Piauí virou um bombardeio de pesquisas e manchetes com cheiro de fatura liquidada. Levantamentos contratados por veículos de comunicação mostram Rafael Fonteles com larga vantagem, enquanto a propaganda política tenta vender a ideia de que o governo também já resolveu as duas vagas do Senado. Mas o Datafolha mostrou uma disputa apertada entre os três primeiros nomes para essas duas cadeiras. Eleição para o Senado, portanto, está longe de ser conta fechada. É aí que a estratégia causa estranheza.

Se a vitória de todos os candidatos majoritários do governo estivesse tão garantida quanto sugerem algumas manchetes, por que insistir tanto no “já ganhou” enquanto o time de Rafael segue trabalhando com força pelo estado? Campanha intensa é natural. O curioso é querer passar tranquilidade absoluta ao eleitor e, ao mesmo tempo, agir como quem sabe que ainda há voto a conquistar. Pesquisa registra intenção de voto no momento em que foi feita. Não apura urna antes da hora. A repetição do discurso de vitória pode até buscar desanimar adversários, mas também deixa uma pergunta incômoda para o Karnak: quem já ganhou precisa convencer o Piauí disso todos os dias? (Silas Freire)