O Porto de Luís Correia poderá ser a maior derrota administrativa do Governo Rafael Fonteles: nada de hidrogênio verde

Operação no Porto Piauí deve iniciar com exportação de minério

Olha o navio do minério. Bom para quem está recebendo as diárias

O pesadelo do homem

Há governos que fracassam por falta de dinheiro. Outros, por falta de ideias. Mas existem aqueles que fracassam justamente naquilo que escolheram como vitrine. E, se as informações que circulam sobre a paralisação da operação de embarque de minério no Porto Piauí se confirmarem, o governo Rafael Fonteles poderá estar diante da sua maior derrota administrativa.

Símbolo?

O Porto de Luís Correia foi vendido como símbolo da modernização do Estado. O próprio Governo anunciou o início da operação com enorme entusiasmo, destacando a exportação de mais de 110 mil toneladas de minério de ferro por meio do sistema de transhipment, modalidade em que embarcações menores levam a carga até navios de grande porte posicionados em águas profundas. 

Montanha de minério 

O problema é que inaugurar é uma coisa. Operar é outra completamente diferente.
Se, passados cerca de 45 dias, uma montanha de minério continua parada à espera de uma operação que simplesmente não acontece, há apenas duas hipóteses. Ou a empresa privada está acumulando prejuízos gigantescos pelo descumprimento de contratos de exportação, ou o próprio Estado será chamado a responder pelos danos decorrentes de uma infraestrutura pública que não entregou aquilo que prometeu.
E qualquer uma das duas hipóteses é devastadora.

Problema antigo

O mais grave, entretanto, é que esse problema não nasceu agora. Ele foi plantado lá atrás, quando se abandonou o projeto originalmente concebido para o porto.
Durante décadas, a concepção técnica previa um cais em posição muito mais próxima da saída para o mar. A solução reduziria significativamente a extensão do canal de navegação, diminuiria os custos permanentes de dragagem e facilitaria a operação portuária. Mas resolveram reinventar aquilo que já havia sido pensado.

Opção equivocada

Optou-se por um canal muito maior, muito mais caro e infinitamente mais dependente de dragagens constantes. Era uma escolha que carregava um risco evidente: quanto maior o canal, maior a tendência de assoreamento, maior o custo de manutenção e maior a probabilidade de paralisações operacionais.
Agora, tudo indica que a realidade está cobrando a conta.

Novas autorizações 

O próprio Governo já anunciou novas autorizações para aprofundar novamente o canal, reconhecendo, na prática, que a manutenção da profundidade é um desafio permanente. 
Isso leva a uma pergunta inevitável: os estudos que embasaram esse modelo estavam corretos?
Porque uma obra pública não pode depender de sucessivas dragagens milionárias apenas para continuar funcionando poucos dias após sua inauguração operacional.
Isso merece resposta. O espaço está disponível.-los.(Portalaz)

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