o ministro da Saúde, deputado federal Marcelo Castro, será reeleito hoje presidente do PMDB do Piauí
O PMDB que reconduz hoje o deputado federal Marcelo Castro à sua presidência regional no Piauí parece o mesmo, mas não é. O partido vem de uma derrota na disputa pelo Governo do Estado, na qual sacrificou por antecipação o seu próprio presidente que hoje reelege em chapa de consenso, e não se reencontrou ainda na oposição.
A situação do PMDB é muito parecida com a do PFL, no final dos anos 80. Depois de perder o governo para o PMDB, em 1986, os pefelistas estavam sem chão e sem plano. Alguns já se preparavam até para cair nos braços do governo Alberto Silva. De repente, o senador Hugo Napoleão sai ministro da Educação e o partido volta à euforia oposicionista de antes.
O entusiasmo nas hostes pefelistas foi tamanho que o partido acabou ganhando as eleições de 1990 para governador, embora Hugo Napoleão já não estivesse mais no MEC. Sem a ida do senador para o Ministério, certamente o seu partido teria definhado antes das eleições para o governo.
Agora, o PMDB teoricamente está na oposição. Mas ficou tão mal acostumado na garupa do governo que não se vê qualquer movimento do partido no sentido de enfrentar o governador Wellington Dias, de quem já foi aliado apaixonado e por quem foi derrotado nas eleições do ano passado.
A ascensão do seu presidente regional ao Ministério da Saúde dará, sem dúvida, ânimo novo ao partido, especialmente com vistas às eleições de 2018. Marcelo Castro passa a ser o nome natural do PMDB para o Karnak. A viabilidade de sua eventual candidatura dependerá, tão-somente, de sua disposição de concorrer outra vez e de seu desempenho na pasta.
Diante dessa possibilidade, é provável que o governador Wellington Dias ponha em execução, a partir de agora, uma velha operação política: a de chamar, isoladamente, lideranças do partido para seu governo, como forma de esvaziar a sigla. Há apenas dois problemas: ainda cabe mais um no governo? Outro: sua ‘chave 14’ é tão eficaz quanto conhecida.
Se, com o ministro da Saúde, o PMDB do Piauí estiver vacinado contra esse tipo de investida governista, então é um forte candidato a recuperar o seu espaço na política estadual.
Por:Zózimo Tavares
