Os cearenses estão mais à frente de nós?

 Por:Pádua
Marques(*)
Numa noite dessas estando eu numa daquelas situações
de curiosidade do “gato quando quer encontrar comida em cozinha que já está
fechada”, fiquei escarafunchando pela internet e acabei caindo num site da Zona
de Processamento de Exportações do Pecém, a ZPE Ceará. Aí me lembrei da nossa
aqui do Piauí e que está sendo montada faz um bom tempo em Parnaíba lá pros
lados do Sabiazal, tem dado muita dor de cabeça pro Mirócles e aonde até bem
pouco tempo o que muito havia era calango, cupim e formiga de fogo.
Menino, aquele site falando logo de ZPE caiu assim
feito um copo de café com leite em plena três horas da tarde. Uma beleza. E de
tanto ouvir falar na nossa aqui do Piauí fui me empolgando com todos aqueles
números, me interessei e fui entrando, entrando feito rato quando está caçando
comida e não imagina a armadilha que tem pela frente. Meu São Mandu Ladino, mas
que felicidade eu vi em tudo aquilo! Seria um milagre estar na frente de todas
aquelas notícias e falando logo de quê, ZPE, que foi no que mais se falou nesta
terra da Parnaíba nos últimos quatro anos?
Os cearenses, nossos vizinhos bem daqui do lado de
casa estão com sua Zona de Processamento de Exportações prontinha pra entrar em
operação. Até duas companhias já estão se instalando, a Companhia Siderúrgica
do Pecém, primeira empresa brasileira  a
operar no regime de ZPE e que está orçada em mais de US$ 8 bilhões, sendo US$
5,1 bilhões destinados à implantação da primeira fase com uma área total de 989
hectares. A CSP tem como acionistas a Vale do Rio Doce S/A, com 50%, a Dongkuk
com 30% e a Posco com 20%.
Estão previstos quinze mil empregos diretos e oito
mil indiretos a gerar na fase da construção e quatro mil empregos diretos e dez
mil indiretos quando estiver operando. A produção estimada de placas de aço é
de três milhões de toneladas ao ano até 2015, portanto daqui a dois anos,
quando da conclusão da primeira fase e seis milhões de toneladas ao ano até
2018, quando da conclusão definitiva. A outra empresa é a Vale Pecém, já
aprovada pelo Conselho Nacional de ZPEs e autorizada a se instalar naquele
empreendimento.
A Vale Pecém , nem precisaria dizer porque até menino
sabe, é empresa da Vale do Rio Doce S/A, empresa que tem tanto empregado e mais
dinheiro que nós tudo juntos e mais o pessoal das prefeituras da região. É
voltada pro oferecimento de minério de ferro à CSP, desse ferro que antigamente
se fazia coisa de cozinha tal e qual panela, chaleira, frigideira, ferro de
engomar, grelha, espeto, bigorna, ferro de sapateiro e pra encurtar caminho,
fazer trilho pra modo depois o trem sair daqui cheinho de caboclo correndo por
cima daqui até Teresina pra depois eles se perderem no shopping de lá.
De lá pra cá vinha trazendo farinha branca e de
puba, leitão, cabrito, menino, mulher pra se consultar com o doutor João Silva
e velho mouco pra se consultar com o doutor Walterdes Sampaio na Santa Casa de
Misericórdia, trazia tapioca molinha, molinha, laranja, limão doce, milho verde
na espiga. E as serraninhas, desconfiadas, roendo as unhas, se admirando de
tudo, mangando umas das outras vinham pra perto da plataforma ver a passagem do
trem que descia pra Parnaíba. E de lá de dentro daqueles povoados de deus
–me-livre, aonde dava carrapicho até no meio da canela vinha muita gente
estudar aqui, fazer família e filhos pra depois saírem pelo mundo.
Eu acabei ficando tão empolgado, visto a gente aqui
no Piauí dentro em breve, se Deus quiser, ter uma bicha dessas, essa tal de
ZPE, que acabei enveredando pelo passado, porque menino é bicho besta pra se
lembrar de coisa. E se tiver danação pelo meio, então nem se fala. Mas voltando
à história da ZPE do Pecém, a cearense é autorizada a   operar o pátio de minério de ferro e pelotas
fornecendo à CSP e ao beneficiamento de  matéria-prima.
Serão investidos US$ 96,7 milhões na implantação com uma expectativa de gerar
180 empregos diretos em 2015.
E me larguei a imaginar que a gente pode ter uma ZPE
dessas. Bem que não é coisa assim de um estalar de dedos. Não é coisa mais pra
o meu e o bico de muita gente. Carece de muita conversa política, visibilidade,
muito convencimento entre a classe política e a empresarial, muita concessão.
Mas não custa acreditar, precisa ser persistente, assim como têm acreditado
outros, os que idealizaram e aqueles que mesmo com todas as ondas pessimistas
continuaram remando pra que um dia dê certo. Porque não é possível que a gente
deixe os cearenses ficarem a vida toda no banco da frente.
(*)Pádua
Marques é jornalista e escritor

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