O funcionário que carregava, sem saber, muito mais do que envelopes e postais, via-se, de repente, cercado por um enxame de molequinhos incontroláveis, doidos para descobrir correspondências endereçadas a senhores com menos de dez anos. O pai de um deles tinha escrito uma carta em inglês, modelo para pedir catálogos de novas linhas de avião de empresas norte-americanas. Distribuída a rodo, de vez em quando resultava em gordos envelopes, com fotos e textos no então indecifrável idioma. Receber aquela “coisa de adulto” era excitante.
Vez por outra, uns privilegiados conseguiam correspondentes no exterior e, através deles, ampliavam o horizonte limitado por mangueiras, matagais e traves improvisadas. Tudo em ritmo lento, que amplificava o prazer do momento fugaz em que aquele braço estendido coloria um mundo cinzento e previsível. E custava tão pouco … Com quantos megabytes se faz um sorriso?
Quem ainda não viu, em bares e restaurantes, por exemplo, grupos de pessoas que mal se sentam e imediatamente colocam celulares na mesa ? Quantos conseguem sair de férias sem carregar notebooks ou dar uma olhadinha diária no computador do hotel ? Ficar desconectado virou aflição, tudo precisa de resposta imediata. Pausa está caindo em desuso.
Como essa aceleração cotidiana impacta os nossos indignados, que continuam nas ruas e introduzem interrogações nas análises convencionais dos fatos políticos ? Uma grande parte deles é da geração Google. O Menino se pergunta como as relações velozes fazem a cabeça dos manifestantes. Não sabe a resposta, ninguém sabe, mas se a pressa for conselheira da ação política, o risco de fracasso será enorme







”Não pensem que eu estou acuada. Vou para cima e vou disputar o nosso legado”. O recado foi transmitido pela presidente Dilma Rousseff, em reunião ontem no Palácio do Planalto, durante duas horas, com 22 deputados do PT, integrantes da coordenação do partido na Câmara, aos quais ela pediu apoio para garantir a governabilidade.










