necessitava fazer um eletrocardiograma de um familiar e havia buscado o sistema
de saúde municipal sem, contudo, obter sucesso. Informaram-na que o exame só
poderia ser realizado entre 60 e 90 dias, um absurdo.
vai muito mal em nosso país, daí as razões manifestadas nos protestos que se
espalham Brasil afora trazendo como uma das principais reivindicações a melhoria da
política pública de saúde.
A rede privada ainda é insuficiente,
onde as especialidades mais importantes não têm um plantão de atendimento a contento. Ou seja, há casos que
nem com dinheiro se resolve. Já o sistema público, em que pese a
municipalização da saúde em regime plenificado, ainda não atende aos usuários do SUS com eficácia.
pela rede municipal, no entanto o que se verifica é uma enorme lacuna nessa política
pública, transferindo-se esta responsabilidade, em boa medida, ao sistema
estadual.
consequências. Colhi uma informação com o Coordenador de Controle Interno
do Hospital Dirceu Arcoverde (HEDA), Sr. Paulo Araújo, dando conta de que dos
180 atendimentos diários realizados, em média, no HEDA, cerca de 40% são
provenientes de problemas para atendimento básico de saúde, ou seja,
ambulatoriais. Estes deveriam ser realizados nos Postos de Saúde da rede
municipal. Mas, como não funciona bem o sistema, “deságua” no HEDA.
algoz, posto que, mesmo com uma carga de deficiências técnicas e financeiras, tem que
desempenhar a sua missão que é o atendimento de urgência e emergência e, sobretudo,
cobrir a lacuna dos municípios da microrregião.Isso mesmo fazer o papel DOS
MUNICÍPIOS, pois são 43 entre os estados do Piauí, Ceará e Maranhão. Um
absurdo! A principal atividade deles resume-se, na sua maioria, em transferir o
paciente ao HEDA, como quem passa a “batata quente” adiante. A manutenção do
funcionamento de uma ambulância é, então, a grande política pública realizada
pela maioria dos municípios.
repassa cerca de R$ 1.200.000,00 (hum milhão e duzentos mil reais) por
transferência do Ministério da Saúde para o HEDA. Um mero procedimento antes feito pela
secretaria estadual de saúde, ou seja, não interfere nos recursos municipais, não é
tirado do que é destinado à atenção básica.
hospital da região a permitir uma assistência diária a uma população de cerca
de 1.200.000 habitantes. Bem ou mal é para o HEDA que todos nós corremos quando
necessitamos. Com a implantação das previstas faculdades de medicina na
cidade de Parnaíba espera- se que a saúde na região ganhe vitalidade, antes disso
pela obrigação constitucional seria
justo que nossos gestores aplicassem devidamente os recursos que são
disponibilizados para importante e deficiente política pública.
executado os programas federais. E, diga-se de passagem, alguns mal gerenciados.
Poucos são os investimentos com recursos do tesouro municipal. O que deveria era ser
realizada uma grande auditoria e conferência regional para que os gestores
assumissem suas responsabilidades em cada esfera de poder. O município cuidando devidamente da
atenção básica desafogaria o atendimento ambulatorial feito no HEDA, além
de dar mais qualidade ao atendimento à população. Não queremos muito, apenas que
apliquem corretamente os recursos públicos! Isso feito, seria suficiente para termos
um serviço mais humano e eficaz! (*) Fernando A. L. Gomes, sociólogo.



























