Lula venceu no Piauí com 70,99% dos votos válidos, mantendo o estado como seu maior reduto percentual no Brasil. Mas houve recuo: em 2022, recebeu 74,25%. No sentido contrário, Flávio Bolsonaro alcançou 24,09%, acima dos 19,90% obtidos pelo pai no primeiro turno de quatro anos atrás. O domínio lulista permanece amplo, mas a direita avançou 4,19 pontos percentuais. Agora, a expectativa política é que esse crescimento receba o reforço do grupo de oposição estadual, com Joel Rodrigues e Ciro Nogueira entrando na campanha de Flávio.

Nacionalmente, a cúpula de União Brasil e Progressistas já sinaliza apoio ao candidato do PL no segundo turno, movimento que pode dar estrutura e articulação ao palanque bolsonarista no Piauí. Se essa adesão se concretizar, a direita poderá reunir a militância que já foi às ruas com as lideranças e bases municipais da oposição.
Uma participação ativa de Ciro na articulação nacional, acompanhada do empenho de Joel no estado, pode engrossar as fileiras de Flávio e ampliar o voto contrário a Lula. Na avaliação da coluna, esse é o desafio da oposição: transformar aproximação partidária em campanha efetiva. O Piauí continua sendo a fortaleza de Lula, mas o segundo turno oferece à direita a oportunidade de avançar mais dentro desse território.(Silas Freire)