Por:ZózimoTavares
Entra governo e sai governo e a história se repete. Quem está saindo, cuida de espalhar na propaganda oficial que o Estado está uma maravilha. Foi assim no Governo Wellington Dias (2003/2010), quando se dizia que era feliz quem vivia aqui e se empenhou em colocar na cabeça do piauiense que estava se vivendo um período de progresso e crescimento nunca antes visto por essas bandas.
Bastou iniciar o Governo Wilson Martins e descobriu-se que, na verdade, o Estado estava quebrado, para usar o termo utilizado pelo então governador. Mas eis que, já no final da gestão de Wilson, tudo mudou. Alcaçamos o patamar de um estado desenvolvido, um Novo Piauí, como dizia o slogan das peças bem produzidas exibidas na TV. E todo mundo se perguntava onde diabos ficava mesmo esse Novo Piauí.
Pois bem, Zé Filho (PMDB) assumiu o governo e descobriu o Piauí no “fio da navalha” – os limites de gastos com pessoal estourados, débitos com fornecedores, obras paralisadas, suspensão de contratações e ameaça de demissão de servidores terceirizados para tentar equilibrar as finanças.
O que se estranha nesse roteiro de filme repetido é que é preciso a troca de comando no Palácio de Karnak para que as verdades sobre a situação econômico-financeira do Estado venham à tona. Oposição, a quem caberia denunciar eventuais desvios, não existe mais. A Assembleia Legislativa, onde poderia haver um trabalho de vigilância e de denúncia sobre os atos de governo, se oposição houvesse, virou uma extensão do próprio Poder Executivo.
Os órgãos de controle externo, por sua vez, parecem inertes e apáticos diante do que acontece no governo. Pelo que se viu nos últimos dois governos, não é exagero afirmar, lamentavelmente, que é sem efeito concreto o trabalho de fiscalização preventiva de órgãos como Tribunal de Contas do Estado, Controladoria Geral do Estado e da União, do Ministério Público Federal e Estadual e da própria Polícia Federal.
Esse trabalho de fiscalização talvez funcione nos municípios pequenos, mas é só. Em nível de Estado, pouco ou nada tem produzido de concreto.
