O concurso da Polícia Civil do Piauí deixou de ser apenas uma seleção pública para virar assunto dominante nas rodas de concurseiros e nas redes sociais. Entre os quase 20 mil inscritos, a avaliação é praticamente uníssona: a prova aplicada foi fora de qualquer parâmetro aceitável, com grau de dificuldade considerado absurdo, atípico e incompatível com concursos da área.

Não foram apenas candidatos ocasionais que reclamaram. Concurseiros profissionais, gente que vive de prova em prova, e até candidatos com formação técnica elevada alguns com experiência em inteligência artificial e áreas complexas do conhecimento relatam que não conseguiram concluir a prova. Outros classificam o exame como “descolado da realidade” e “sem relação prática com a função policial”. A banca examinadora, um instituto de fora contratado pelo governo do Estado, agora precisa explicar: qual o sentido de uma prova desse nível? Qual o critério adotado? Selecionar bons policiais civis ou aplicar uma prova quase inacessível, que elimina em massa? E a pergunta mais sensível vem a seguir. Alguém vai passar. Em uma prova que quase ninguém conseguiu resolver, quem serão os aprovados?
É nesse ponto que o alerta se acende. A história recente de concursos da própria Polícia Civil do Piauí recomenda cautela. Já houve casos de casais aprovados, pessoas ligadas a autoridades e situações que levantaram suspeitas e questionamentos públicos. Diante disso, a combinação de uma prova considerada “do outro mundo” com um histórico que exige vigilância torna obrigatório o acompanhamento rigoroso da lista final.Não se trata de acusar, mas de fiscalizar.
Quando uma prova é quase unanimemente classificada como exagerada, estranha e fora do padrão, a transparência deixa de ser opcional. O resultado desse concurso precisa ser examinado com lupa e, se necessário, com olhos de águia. Porque concurso público não pode ser um mistério, muito menos um privilégio disfarçado de mérito. (Silas Freire)