O governador Rafael Fonteles tenta vender a ideia de que o Piauí já exporta minério de ferro pelo Porto Piauí, em Luís Correia. A realidade é outra: o minério continua saindo pelo Porto do Pecém, no Ceará, e há razões econômicas e operacionais para isso.
Após centenas de milhões investidos, o porto possui calado de apenas 7 metros. Navios cargueiros internacionais exigem cerca de 14 metros. A solução do governo é o transhipment: transferir a carga para barcaças e embarcar em alto-mar. Em outras palavras, o porto não comporta os navios necessários e precisa de uma etapa adicional e cara para concluir a exportação.

Enquanto o Porto do Pecém tem custos consolidados e infraestrutura pronta, a operação piauiense acrescenta etapas complexas. Se fosse claramente mais vantajosa, o mercado já adotaria esse modelo. Fica a dúvida: a operação faz sentido econômico ou serve como marketing político?
O risco ambiental também é ignorado. O transporte por rodovias aumenta o tráfego pesado e o risco de acidentes. Operações de transbordo em alto-mar exigem planejamento rigoroso, e a população quase nada ouviu sobre isso.
Sobre os impostos “perdidos para o Ceará”: exportações minerais são isentas de ICMS desde a Lei Kandir. A CFEM é distribuída conforme o local de extração, não pelo porto de embarque. O minério sair pelo Ceará não significa perda de arrecadação para o Piauí.
E os prazos? Primeiro “inauguraram” um porto que era só contêineres empilhados. Depois vieram promessas de um grande terminal. Agora fala-se vagamente em “algum momento de 2026”, de preferência antes da eleição. Quando os cronogramas mudam constantemente, surge a pergunta: o calendário é definido pela engenharia ou pela política?
O Piauí tem reservas minerais reais e potencial exportador. O problema não é planejar esse futuro, é apresentar promessa como realidade consolidada. Transformar propaganda em porto não faz o porto funcionar. (Fonte: O Piauiense)