O vice-governador Zé Filho passou algumas semanas sumido da mídia e dos meios políticos. Concentrou suas forças na recuperação de sua saúde, surpreendido que foi com uma lesão na panturrilha esquerda. Andou por Fortaleza e São Paulo, em tratamento intensivo. Na sexta-feira, reapresentou-se publicamente, como curado.
Seu primeiro contato político foi com o governador Wilson Martins, que confirmou sua decisão de sair em abril para concorrer ao Senado. O governador repassou diversos assuntos com o seu vice e acertou para amanhã, segunda-feira, o início da transição de governo. O objetivo é que Zé Filho se inteire da gestão e que ela siga sem atropelos.
Durante a ausência do vice-governador, houve especulação de todo tipo, alimentada em grande parte pelo seu silêncio. A principal delas é que, depois de sentar na cadeira, imprimirá estilo próprio, revisará os acordos feitos e não arregaçará as mangas da camisa para eleger o deputado federal Marcelo Castro como seu sucessor.
Este é, evidentemente, o sonho dourado do bloco de oposição liderado pelo senador Wellington Dias. E foram o PT, o PTB e o PP os responsáveis pela propagação dessa ideia. Para tanto, apostaram no desapontamento do vice com seus companheiros de partido e aliados, que rifaram sua candidatura ao governo, tida como natural.
Através de porta-vozes, o vice-governador tem dito que cumprirá os acordos feitos. Ou seja, a aliança alinhavada pelo governador Wilson Martins será por ele sacramentada, a partir de abril. Nesse caso, a oposição está apenas perdendo seu tempo ao jogar suas fichas no rompimento do vice ou mesmo que ele venha a fazer corpo mole na campanha.
É fato que, a princípio, Zé Filho tem motivos para não vestir com tanto fervor a camisa do candidato do governo. Mais motivos ainda ele tem para não votar no candidato do PT ou facilitar a vida dele. É fato também que ele vai pegar o governo com Marcelo Castro praticamente na lona. Se o candidato do PMDB deslanchar, os louros serão de Zé Filho.
Por que ele iria jogar isso fora?Por: Zózimo Tavares
