O governador Rafael Fonteles tentou virar o jogo da cobrança sobre a falta d’água no debate da TV Clube, nesta terça-feira (29). Ao perguntar por que Joel Rodrigues não resolveu o abastecimento de Floriano enquanto foi prefeito, levou a responsabilidade para o terreno municipal. Joel respondeu que o serviço era prestado pela Agespisa, empresa estadual. A pergunta voltou contra o próprio governador: quem comandava a empresa que deveria fazer a água chegar? Politicamente, a manobra é cômoda para o Karnak: os problemas ficam no colo dos prefeitos, enquanto o governo procura escapar do desgaste.

Mas a deficiência da antiga Agespisa também exige explicações de quem a administrava. Trocar o prestador do serviço não apaga essa história nem encerra a cobrança por resultados. E os prefeitos que apoiam Rafael, como recebem essa conta? São eles que encontram o morador na rua, ouvem a reclamação e enfrentam a cobrança pela torneira seca. Servem para pedir votos ao governador, mas também terão de carregar o desgaste do abastecimento? O povo precisa de água e de resposta. Se o problema é complexo, cabe ao governador mostrar capacidade de enfrentá-lo. Empurrar a cobrança para as prefeituras pode ajudar no discurso eleitoral. Na torneira, não resolve nada. (Silas Freire)