O governador do Piauí, Rafael Fonteles, apresenta nesta quarta-feira (21), no Palácio de Karnak, os indicadores da Saúde Pública do Estado entre 2022 e 2025. Entre os dados destacados pelo chefe do Executivo está a redução de quase 90% no tempo de espera para cirurgias eletivas, além do avanço do programa Piauí Saúde Digital e da queda na mortalidade infantil.
Durante a apresentação, Rafael Fonteles reforça que os números demonstram o compromisso do governo com a ampliação do acesso à saúde, modernização das unidades e fortalecimento das políticas públicas do setor.

No entanto, fora do ambiente institucional, o discurso do governador é colocado em xeque pela própria população.
Nas redes sociais, usuários do Sistema Único de Saúde questionam os indicadores apresentados pelo governo e afirmam não perceber, na prática, a melhora anunciada. Relatos de demora para consultas, exames e cirurgias continuam sendo recorrentes, especialmente no interior do Estado.
“Se caiu quase 90%, por que ainda tem gente esperando meses por cirurgia?”, questiona um internauta em uma das publicações que repercutiram após a divulgação prévia dos dados.
Outro ponto levantado por usuários é que os indicadores apresentados pelo governador não refletem a realidade vivida nas unidades de saúde, onde ainda são registradas superlotação, falta de profissionais e dificuldades no acesso a especialistas.
Embora o governo destaque mais de 1,3 milhão de atendimentos realizados pelo programa Piauí Saúde Digital, parte da população afirma que o serviço não alcança de forma efetiva quem mais precisa, seja por limitações tecnológicas, seja pela ausência de acompanhamento presencial quando necessário.
A apresentação de Rafael Fonteles, portanto, expõe um contraste evidente: os números oficiais apontam avanços expressivos, mas a percepção popular segue marcada por insatisfação e desconfiança.
O desafio do governo, agora, vai além de apresentar indicadores positivos. A cobrança que emerge das ruas e das redes é clara: transformar estatísticas em melhorias que sejam sentidas, de fato, por quem depende do SUS no Piauí.(Encarando)