O Piauí de hoje tem 84,46% de toda a receita corrente comprometida com o pagamento de dívida. O dado não é opinião minha, está nos Relatórios de Gestão Fiscal que o próprio governo envia ao Tesouro Nacional. É documento oficial, obrigatório por lei.
Em 2022, esse percentual era de 67,1%. Em três anos, subiu mais de 17 pontos. A dívida saltou de R$ 9,07 bilhões para R$ 15,45 bilhões, um crescimento de 70,3%. No mesmo período, a nossa receita cresceu 38,6%. A dívida corre quase duas vezes mais rápido que a nossa capacidade de pagar.
Enquanto isso, o discurso oficial segue vendendo cada novo empréstimo como investimento em saúde, educação e infraestrutura. Mas os próprios números mostram outra coisa: o Piauí foi o estado que mais contratou operações de crédito no terceiro quadrimestre de 2025 no país inteiro, à frente de Ceará e Roraima.
Cumprir o limite legal não é o mesmo que ter responsabilidade fiscal. Estar dentro da lei não significa estar cuidando bem do dinheiro do povo. Significa que, ano após ano, uma fatia cada vez maior de tudo que o Piauí arrecada já nasce comprometida antes mesmo de chegar aos hospitais, às escolas e às estradas que realmente precisam desse recurso.
Mais de 84% da nossa receita já tem dono. E quem vai pagar essa conta não é quem assina o contrato hoje. É o piauiense de amanhã.(Fonte: O Piauiense)