Evasivas irônicas?
Rafael Fonteles (PT) tem fugido de temas e perguntas espinhosas com ironias que não convencem. É recorrente o governador do Piauí responder a jornalistas que não sabia, que não foi informado e, na última vez em que usou esse subterfúgio, dizer que nem sabia que seu companheiro na chapa de reeleição tinha comparecido a um evento na casa do atual vice-governador do Piauí.
Pega mal porque, numa sociedade, todos sabem de tudo, mesmo o que não precisam ou não querem saber.
Onde estava o vice
O jornalista Gustavo Almeida, esse, sim, com fina ironia, publicou um texto em seu portal Dito Isto, no qual sugere, no título, que o governador não sabe por onde anda seu companheiro de chapa, o ex-secretário de Educação Washington Bandeira.
O jornalista sugeriu que o governador “se fez de doido” diante da pergunta de jornalistas sobre a presença de Bandeira num evento de Themistocles Filho e de sua esposa, a prefeita de Esperantina, Ivanária Sampaio.
“Nem tava sabendo”
À indagação dos jornalistas sobre o encontro do vice com o senador Ciro Nogueira durante o evento, o governador fingiu ironia: “Ele estava lá? Eu nem estava sabendo”.
É evidente que sabia e mais claro ainda que Rafael tentou ser irônico num assunto em que caberia algo mais protocolar, como informar ao distinto público que encontros entre pessoas em eventos sociais não passam disso.
Heráclito, o craque do jogo
Se foi a assessoria do governador que recomendou a ele “se fazer de doido”, como sugere o jornalista Gustavo Almeida, ou se é ele próprio quem achou por bem assim agir, vai aqui um conselho grátis: resgatem os vídeos de respostas evasivas do ex-senador Heráclito Fortes. Este tinha por hábito não deixar nada sem resposta e, como sabia o que era ironia, fazia isso com rara competência.
Bom uso
Rafael Fonteles nunca foi irônico, nem engraçado, nem popularesco — que é diferente de popular, compreendam! Ele é sisudo, a despeito de ser jovem, e poderia usar a seu favor essa característica.
Poderia ser mais formal. Ao tentar ser ou parecer irônico na medida do “se faz de doido”, o máximo que consegue é virar meme, servir de piada, transmitir um natural pedantismo e, pior, ser visto como alguém desinformado — o que é ruim para quem comanda um orçamento anual de R$ 23 bilhões.(Portalaz/Direto da Redação)-