Rafael não quer só indicar o seu vice preferido. Ele trabalha para comandar o próximo ciclo petista

O governador Rafael Fonteles é um matemático nato e, como tal, não é movido por emoções, muito menos por afetos partidários ou lealdades históricas. Ele opera por cálculo. Diria cálculos de curto, médio e longo prazo.

Quem observava de fora imaginava uma convivência pacífica entre ele e o senador e ministro Wellington Dias, mas quem conhece as engrenagens do Karnak sabe que há uma “guerra fria” em curso há tempos — não por espaço imediato, mas pela definição de quem comandará o próximo ciclo político do Estado e o futuro do próprio PT. Rafael compreende que não pode enfrentar Wellington frontalmente agora. Dias ainda controla símbolos e mantém trânsito privilegiado em Brasília.

Wellington Dias é mais que um líder: é um marco histórico.

Mas o ponto central — aquele que poucos verbalizam — é o seguinte: Rafael não quer herdar o grupo de Wellington. Ele quer substituí-lo.

Wellington Dias e Rafael FontelesWellington Dias e Rafael Fonteles

Há uma diferença brutal entre ser sucessor e ser fundador. O sucessor administra legado. O fundador inaugura era. Para inaugurar uma era, é preciso que a anterior se esgote. E é aí que entra o jogo estratégico.

Rafael aposta no tempo — e, claro, no poder da máquina. Governadores compreendem algo que adversários subestimam: o tempo tende a favorecer quem ocupa a cadeira principal. A caneta produz realidade. E realidade produz narrativa.

Enquanto isso, Wellington reage forte. Seu capital simbólico permanece alto. Uma candidatura própria seria devastadora internamente — ainda que improvável. Ele sabe que uma ruptura aberta teria custo nacional para o partido.

No meio desse xadrez surge outro elemento: Regina Sousa. Símbolo orgânico do petismo raiz, ponte direta com Lula e respeitada pela militância, Regina representa o fio ideológico que impede uma transição brusca demais. Sua presença pode funcionar como cláusula de equilíbrio entre o passado e o futuro.

Regina Sousa - Foto: Lupa1Regina Sousa – Foto: Lupa1

O PT piauiense vive, portanto, uma transição delicada. De um lado, a velha guarda estruturada por Wellington Dias. De outro, a geração técnica e gerencial encarnada por Rafael Fonteles. Não é apenas uma disputa de nomes — é um embate de estilos, métodos e visão de poder.

Sem romantismo: Rafael não está apostando numa eleição específica. Está apostando no fim de um ciclo político. E, quando um governador aposta no fim de um ciclo, é porque acredita que será ele quem escreverá e comandará o próximo.

No Piauí, o que está em jogo não é 2026. É o protagonismo da próxima década. (Lupa1)

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