Por:Pádua Marques(*)
Outro dia eu e Roger Jacob, uma dessas pessoas com quem gosto de conversar aqui em Parnaíba, falávamos sobre a falta de estrutura da cidade para a realização de muitos eventos e o assunto acabou batendo na porta de um pretenso e mais que necessário centro de convenções. O Roger estava coordenando pra um sábado no auditório da UESPI, campus Alexandre Alves de Oliveira, no bairro de Fátima, um seminário sobre prevenção e combate às drogas, promovido pela Fundação Milton Campos.
E nós falávamos sobre as dificuldades que se tem e sempre se teve nos últimos vinte anos de um espaço para a realização de eventos que reunissem uma quantidade expressiva de pessoas, coisa de cem pra cima. E aí nossas opiniões se coincidiram mais ainda quando falei que esta defesa de um centro de convenções em Parnaíba é um imperativo e que não pode mais esperar. É uma defesa que venho fazendo desde que cheguei aqui por volta de 1993. Quem tiver a curiosidade de procurar nos jornais daquela época vai encontrar editoriais assinados por mim sobre este tema.
Roger Jacob comunga comigo e com outras tantas pessoas que querem dar a Parnaíba as características de cidade moderna e que mais cedo deve se incorporar às tantas da região com aqueles equipamentos necessários pra alcançar e manter investimentos na sua economia, fazer presença e causar boa impressão aos que nos visitam e pretendem ter com ela parceria e investimentos desde pequeno a grande portes. Mais agora, e que ninguém pode ignorar, quando a cidade tem uma população de universitários. Portanto é mais que urgente a instalação de um centro de convenções.
Não tem sentido em Parnaíba serem realizados todos os dias, toda semana e em tudo que é mês, eventos das mais variadas finalidades, públicos e dimensões e seus organizadores andarem com a mão na cabeça á procura de um auditório. Não tem sentido aqui nesta cidade todo dia praticamente serem realizadas, principalmente nos finais de ano, formaturas de cursos de graduação superior e os organizadores andarem feito bestas regateando preços pra alugarem o auditório da Associação Comercial, no Porto das Barcas, o da Universidade Federal ou o da UESPI.
Esses três espaços próprios, sem contar com auditórios menores como os do SESC e do SESI, estes dois últimos na avenida Getúlio Vargas, nem sempre garantem oferta, condições, estrutura e capacidade pra determinados eventos. O certo mesmo seria Parnaíba já ter e há muito tempo seu centro de convenções. E aí me ocorre lembrar um desses casos de edifícios antigos e esquecidos que bem poderiam nessa altura estar ofertando mais um espaço pra eventos, o Igara Clube, na avenida das Nações Unidas, bairro do Carmo.
Pra que está servindo mesmo aquele prédio ali na Beira Rio? Há mais de quarenta anos, me corrijam se estiver errado no cálculo, que está desativado e pelo que se vê a situação não é nada boa. Bem que poderia ter sido aproveitado há mais tempo pra alguma coisa útil. Salvo engano foi vendido pra um grupo empresarial daqui de Parnaíba porque não havia mais condições de ser reativado como clube recreativo. As dívidas eram imensas e a sua sociedade não tinha um vintém pra recuperar sua estrutura e pagar dívidas. Quem sabe uma melhoria aqui outra ali e mais outra acolá teríamos mais um espaço pra ofertar ao mercado de eventos no chamado centro histórico. Qual o quê! Está todo quebrado, danado, servindo de abrigo, de latrina, de esconderijo de maconheiro e de tudo que não presta e que acaba criando um mal estar e desassossego tremendos ao pessoal que tem atividade comercial naquela região.
Voltando ao assunto do centro de convenções, tão bem defendido pelo meu amigo Roger Jacob, me deparo lendo num blog de Parnaíba com a sugestão dos vereadores André Neves, Gustavo Lima e Antonio Cardoso sobre que se instale um centro de convenções. A minha opinião é que seja um centro de convenções novinho em folha, estalando feito cédula de cinquenta contos na aponta dos dedos, com capacidade pra atender eventos de pequeno a grande portes. Um centro de convenções instalado numa região que atenda a todas as regiões pelo acesso fácil. E aí eu defendo novamente a avenida São Sebastião.
Nada de correr pelo lado fácil da gambiarra, de se fazer um arranjo num daqueles prédios do centro histórico que estão esfarelando de podres, da coisa pequena e mal acabada de, como se diz entre gente mais velha e mais experiente, “nada de colocar remendo novo em fundo de calça velha”. E aí eu gostaria de lembrar outro espaço que até esta presente data do dito calendário gregoriano de 2013 ainda não teve quem dissesse pra que está servindo, o Campo das Mercedes, também conhecido por Campo da Burra, entre a Guarita e o velho Curre.
E agora me vem à lembrança questionar sobre a Vila Olímpica de Parnaíba, dado que está com as obras paralisadas e sob uma investigação do Ministério Público Federal. Se ao invés dessa tal vila, certamente que noutro lugar, tivesse sido feito projeto pra um centro de convenções? Como dizia o prefeito Paulo Eudes Carneiro, “sinceramente”, eu não enxergo em curto prazo nenhuma utilidade de uma edificação desse porte e dessa natureza como é esta pretensa vila olímpica. Certamente se concluída dentro de pouco deve ser mais uma dessas ideias mirabolantes e que serão abandonadas por falta de público. Bem ao contrário, se esse dinheiro fosse pra um centro de convenções.
(*)Pádua Marque é jornalista e escritor

