TCE põe freio em contrato milionário e expõe desgaste de aliado político do governo

A decisão do Tribunal de Contas do Estado de suspender novas ordens de serviço e restringir pagamentos em contrato da Secretaria dos Transportes do Piauí trouxe para o centro do debate uma empresa ligada ao empresário conhecido como Filipinho, apontado nos bastidores políticos como um dos parceiros mais próximos do governador Rafael Fonteles. A medida cautelar foi adotada após auditoria do TCE identificar falhas na execução de obras de pavimentação na região Norte do Estado e apontar indícios de sobrepreço estimados em aproximadamente R$ 2,4 milhões em um contrato superior a R$ 70 milhões.

Segundo o relatório técnico, os auditores encontraram problemas de qualidade na execução dos serviços, além de inconsistências que motivaram a intervenção da Corte de Contas. Diante do cenário, o Tribunal determinou a suspensão de novas ordens de serviço e impôs restrições a pagamentos relacionados ao contrato até que os fatos sejam esclarecidos. O episódio gera desgaste político porque atinge uma empresa associada a um aliado do governador e reforça os questionamentos da oposição sobre a fiscalização das obras públicas executadas pelo Estado.

Embora os responsáveis ainda tenham direito ao contraditório e à ampla defesa, a decisão do TCE sinaliza que os órgãos de controle encontraram elementos suficientes para interromper a continuidade do contrato. Em um governo que tem a infraestrutura como uma de suas principais vitrines administrativas, a atuação do Tribunal coloca sob escrutínio não apenas a qualidade das obras executadas, mas também a relação entre grandes contratos públicos e grupos empresariais com forte trânsito político junto ao poder estadual. (Silas Freire/Encarando)

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