Por:Benjamin Santos
Exatamente há quatro anos este jornal(O Bembém)
abriu duas páginas sobre o Troca-troca. Um extenso e detalhado perfil do que
existia e acontecia naquele lugar que já foi chamado Areal da Santa Casa, Largo
da Santa Casa, Campo da Santa Casa, Praça da Santa Casa e que se tornou,
oficialmente, Praça Antônio do Monte (um nome que nunca pegou na boca-do-povo)
e por fim, se tornou o popular (no sentido de que é uma praça realmente do povo)
Troca-Troca. Nenhum outro lugar da cidade é mais odiado e temido por todas as
outras camadas sociais que não o frequentam.
abriu duas páginas sobre o Troca-troca. Um extenso e detalhado perfil do que
existia e acontecia naquele lugar que já foi chamado Areal da Santa Casa, Largo
da Santa Casa, Campo da Santa Casa, Praça da Santa Casa e que se tornou,
oficialmente, Praça Antônio do Monte (um nome que nunca pegou na boca-do-povo)
e por fim, se tornou o popular (no sentido de que é uma praça realmente do povo)
Troca-Troca. Nenhum outro lugar da cidade é mais odiado e temido por todas as
outras camadas sociais que não o frequentam.
Quatro anos depois daquela edição, O Bembém volta ao
Troca, levado pelas muitas notícias e boatos de que a prefeitura vai acabar com
tudo aquilo e levar os mercadores para outro lugar. Acontece que qualquer
mudança ali será uma situação de nível altamente social. É que aquele lugar é
um retrato da miséria e, ao mesmo tempo, da humanidade da Parnaíba. Um panorama
das camadas mais baixas da cidade em convívio contínuo e contíguo com as
classes mais altas, que têm escola por ali e têm lojas e passam em seus carros de
alto valor com medo até de olhar para a praça. No entanto, nenhum outro lugar
da Parnaíba retrata melhor a desigualdade econômica e cultural da polis. Ali
convivem em igualdade homens e mulheres do bem, trabalhadores que dali retiram
o sustento de suas famílias, moradores de cidades periféricas que vêm à PHB por
um dia, marginais de pequenos furtos, marginais de grandes assaltos (sem que eu
os identifique), assassinos, ex-presidiários, pobres miseráveis que dormem na
rua, doentes mentais engolidos pela cidade (enxotados e espancados pelo próprios
usuários da Praça), fulano-de-tal que foi soldado e hoje é mendigo, sicrano-de-tal
que era casado e chefe-de cozinha e foi enganado pela mulher, veio pra cá e
hoje vive na rua…
Troca, levado pelas muitas notícias e boatos de que a prefeitura vai acabar com
tudo aquilo e levar os mercadores para outro lugar. Acontece que qualquer
mudança ali será uma situação de nível altamente social. É que aquele lugar é
um retrato da miséria e, ao mesmo tempo, da humanidade da Parnaíba. Um panorama
das camadas mais baixas da cidade em convívio contínuo e contíguo com as
classes mais altas, que têm escola por ali e têm lojas e passam em seus carros de
alto valor com medo até de olhar para a praça. No entanto, nenhum outro lugar
da Parnaíba retrata melhor a desigualdade econômica e cultural da polis. Ali
convivem em igualdade homens e mulheres do bem, trabalhadores que dali retiram
o sustento de suas famílias, moradores de cidades periféricas que vêm à PHB por
um dia, marginais de pequenos furtos, marginais de grandes assaltos (sem que eu
os identifique), assassinos, ex-presidiários, pobres miseráveis que dormem na
rua, doentes mentais engolidos pela cidade (enxotados e espancados pelo próprios
usuários da Praça), fulano-de-tal que foi soldado e hoje é mendigo, sicrano-de-tal
que era casado e chefe-de cozinha e foi enganado pela mulher, veio pra cá e
hoje vive na rua…
Toda a horrível miséria que se estampa no romance de Hugo,
Os Miseráveis, parece ter sido transportada pro Troca da Parnaíba. Por tudo
isso, qualquer ação de desmonte do Troca tem que ser planejada e executada com
especial reconhecimento dos valores humanos que existem ali. Não pode ser
pensada apenas como uma maneira de extirpar do seio da cidade um ambiente que
amedronta, assusta e espanta as classes mais elevadas. Com o passar desses
quatro anos, o ambiente ficou visivelmente mudado: muitos buracos novos, muitas
bancas de celular e produtos afins e mais mesas de jogo: baralho, bingo e
caipira. O cenário social, porém, é o mesmo: parece que são as mesmas pessoas,
apenas vestidas de outro modo ( mais fashion ou mais miseráveis) e com novas
gírias. E, tal como em 2010, o Troca continua a aparecer em manchetes de saites
e televisões com matérias policiais e de
repúdio à existência do lugar. Um detalhe: a partir da extinção, que vai haver,
será impossível escrever-se uma História Social da Parnaíba sem um capítulo
para o Troca-troca. Só que os historiadores de hoje não conhecem a realidade do
Troca, nenhum deles jamais mergulhou naquele emaranhado de barracas, bancas e
seres vivos.
Os Miseráveis, parece ter sido transportada pro Troca da Parnaíba. Por tudo
isso, qualquer ação de desmonte do Troca tem que ser planejada e executada com
especial reconhecimento dos valores humanos que existem ali. Não pode ser
pensada apenas como uma maneira de extirpar do seio da cidade um ambiente que
amedronta, assusta e espanta as classes mais elevadas. Com o passar desses
quatro anos, o ambiente ficou visivelmente mudado: muitos buracos novos, muitas
bancas de celular e produtos afins e mais mesas de jogo: baralho, bingo e
caipira. O cenário social, porém, é o mesmo: parece que são as mesmas pessoas,
apenas vestidas de outro modo ( mais fashion ou mais miseráveis) e com novas
gírias. E, tal como em 2010, o Troca continua a aparecer em manchetes de saites
e televisões com matérias policiais e de
repúdio à existência do lugar. Um detalhe: a partir da extinção, que vai haver,
será impossível escrever-se uma História Social da Parnaíba sem um capítulo
para o Troca-troca. Só que os historiadores de hoje não conhecem a realidade do
Troca, nenhum deles jamais mergulhou naquele emaranhado de barracas, bancas e
seres vivos.
(Extraído do jornal “O Bembém)
Fotos:Bernardo Silva