
O ex-presidente do PT José Genoino se posicionou contra a ida de Rafael Fonteles para o Ministério da Fazenda. Em entrevista ao Bom Dia 247, o dirigente questionou a apresentação do governador reeleito do Piauí como um nome capaz de agradar ao mercado financeiro. Para ele, a escolha deve responder às prioridades populares que sustentaram a vitória de Lula.
Genoino manifestou respeito por Fonteles, mas argumentou que o petista recebeu dos piauienses a missão de continuar governando o estado. Também avaliou que assumir a Fazenda poderia expor sua liderança a um desgaste político, diante dos conflitos envolvidos na condução da economia. “O mercado quer mandar mesmo quando ele perde a eleição”, afirmou.
A resistência de Genoino está ligada ao significado político da indicação: ele rejeita que a aceitação pelos agentes financeiros determine a composição do governo.
Na avaliação do ex-presidente petista, Lula precisa negociar com esses setores mantendo como referência os compromissos assumidos com a população. Entre as prioridades defendidas estão valorização salarial, redução do endividamento das famílias e enfrentamento dos juros elevados. Sem apresentar um candidato alternativo, Genoino afirmou confiar na decisão de Lula.
Para sustentar sua posição, Genoino recuperou a escolha de Antonio Palocci para a Fazenda no primeiro governo Lula. Na avaliação dele, a saída de Palocci da Prefeitura de Ribeirão Preto para assumir o ministério sinalizou, naquele momento, uma concessão às pressões do mercado. A referência foi utilizada para questionar os critérios políticos que devem orientar a montagem da nova equipe econômica.
O dirigente também criticou a austeridade fiscal, as privatizações e a influência crescente dos interesses financeiros sobre as decisões públicas. Para Genoino, subordinar o governo a essa orientação pode afastá-lo das necessidades da população e enfraquecer os vínculos construídos durante a disputa eleitoral. Sua defesa é que a negociação econômica comece pelas propostas do governo eleito, preservando o compromisso com quem garantiu a vitória nas urnas. (pensarpiaui)