Vai ter Copa

Do blog de Renato Riella – (Jaime Sautchuk)
 A campanha “Não vai ter Copa!”, levada por alguns grupos que se dizem insatisfeitos com a situação do país, poderá até causar algum tumulto, gerar barulho e ganhar a mídia internacional. Mas, em nada irá alterar o cronograma do evento esportivo em si, que segue de acordo com o previsto.

Em verdade, a campanha é muito mais uma torcida contra os jogos do que um movimento concreto, e não tem a mínima chance de vitória. É uma volta ao tempo das bruxarias. Seus próceres esperam, talvez, alguma catástrofe, uma desgraça qualquer que comova a nação. E que mate muita gente.
A própria crítica à reforma e construção de novos estádios consegue pouca repercussão. Pode-se até aceitar como procedente a crítica a alguns exageros, como o do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, mas de resto cai no vazio. Até porque são obras necessárias, que ficarão para o futuro.
Dizer que esse dinheiro poderia ser aplicado em saúde e educação, por exemplo, é falsear a realidade. Primeiro, porque o esporte também é saúde e educação. Ademais, os gastos com os estádios parecem monstruosos, mas ficam pequenos quando confrontados com os itens orçamentários dos setores repetidamente citados.
O secretário-geral do Ministério do Esporte, Luiz Fernandes, dá alguns números. Por exemplo: os estádios, juntos, vão custar pouco mais de R$ 8 bilhões. Portanto, menos de 1% do total gasto pela União em saúde e educação nos últimos quatro anos, que é de R$ 840 bilhões.
Vale lembrar, também, que o grosso dos investimentos nessas arenas é privado. Mesmo que, em boa parte, sejam financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas é dinheiro emprestado, como em outro empreendimento qualquer.

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