Eu ainda me lembro quando eu era menino, e na companhia de meu pai íamos para Teresina num avião da Varig, um bimotor com capacidade para uns quarenta passageiros. Este avião fazia uma escala em Brejo no Maranhão, onde na casa de passageiros tinha um letreiro que dizia RECREIO DOS VIAJANTES. Ali eram vendidos doces dos mais diversos sabores, mas os que eu mais gostava eram o de bacuri e o de buriti, frutas originárias da chapada e dos rios ou córregos, muito comuns no Maranhão. Eram feitos de forma artesanal, mas muitos saborosos. Não levavam os famigerados produtos químicos, como os industrializados de hoje.
Mas voltando ao caso da aviação. Também, já na minha adolescência, quando estudante em São Luis, viajei por diversas vezes num hirondelle (em francês significa andorinha), um avião turbo hélice da empresa Paraense Transportes Aéreos que semanalmente ligava Parnaíba à capital do Maranhão e consequentemente à capital do Pará. Antes disso, outras linhas de aviação serviram nossa cidade com voos regulares .Algumas como a Condor, a Real Aerovias, a Cruzeiro, a Panair do Brasil – Pan American, além de teco-tecos de pertencentes a particulares. Tivemos até voos internacionais na rota Nova Iorque /Buenos Aires com escala em Parnaíba, feitas por hidroavião da empresa Pan American como narra o escritor João Tércio Solano Lopes ( irmão do radialista Jaime Lins) no seu livro Parnahyba na história da aviação: “O primeiro voo de um avião nas cores da Panair Pan American, em Parnaíba, foi realizado no dia 22 de setembro de 1929, ainda com hidroaviões que transportavam cargas e passageiros na linha Nova Iorque – Buenos Aires, com escala em Parnaíba.” Por se tratar de um hidroavião, a aterrissagem era nas águas barrentas do Rio Igaraçú. Também no mesmo livro o Tércio narra um acidente com um Convair 340 da Cruzeiro do Sul, acontecido no dia 22 de janeiro de 1963. Esse avião trazia 44 passageiros.
Mas, volto atrás. A crise existe sim!Uma política. O país está atravessando uma crise por conta dos roubos e das falcatruas que se instalaram no Brasil por pessoas nas quais confiamos para serem nossos representantes e que agora estão mostrando suas verdadeiras faces. E quanto a nós, o que fazer para que o aeroporto de Parnaíba não venha ser desativado? Acredito que se houver vontade política e interesse das autoridades o problema será solucionado. E termino com a seguinte pergunta: tem lógica fazer um aeroporto internacional em Cajueiro da Praia e outro em Barra Grande? Não seria jogar fora nosso dinheiro e criar mais elefantes brancos? Com a palavra o governo do estado ou a quem de direito.


Ronaldo Lemos – Folha de S.Paulo
















