O Datafolha, instituto de pesquisas do Grupo Folha, é considerado o último levantamento divulgado com credibilidade para embasar esta análise. E, na leitura do primeiro voto, se há um nome que aparece mais consolidado, é Ciro Nogueira: 24%, contra 19% de Marcelo Castro e 14% de Júlio César. Nesse recorte, é a oposição que está na dianteira da primeira escolha do eleitor. O empate técnico aparece em outra leitura, que agrega as duas escolhas: Ciro e Marcelo têm 17% cada, e Júlio César, 15%. Essa soma não distingue a primeira da segunda preferência e não apaga a vantagem de Ciro no primeiro voto. É um cenário diferente que, na avaliação da coluna, o Karnak tenta transformar em outra imagem: a de superioridade dos candidatos governistas. Mas o primeiro voto tem resultado objetivo: Ciro está na frente.

E é justamente essa fotografia da pesquisa que vem sendo confrontada por uma narrativa cada vez mais intensa no campo governista. A coluna recebeu informações de bastidores de que veículos da web estariam recebendo pagamentos do governo entre R$ 200 mil e R$ 300 mil nesta semana. Segundo essas fontes, a finalidade seria intensificar a narrativa favorável aos governistas e transmitir a sensação de enfraquecimento da oposição. Os valores e a finalidade dos pagamentos ainda precisam ser comprovados documentalmente.
Mas há um fato que pode ser observado: nos últimos dias, vários veículos passaram a explorar justamente o recorte que reúne os dois votos, deixando em segundo plano aquele que mostra a primeira escolha do eleitor. É uma diferença importante. Uma coisa é apresentar integralmente os números do Datafolha. Outra é escolher apenas o recorte que interessa para construir determinada leitura da disputa. E, quando isso acontece em massa, às vésperas de uma eleição, o eleitor precisa ter cuidado para não confundir interpretação com resultado de pesquisa.(Silas Freire)