As eleições de 2026 deixaram a oposição com um dos menores espaços já registrados na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi). Dos 30 deputados estaduais eleitos para a próxima legislatura, apenas três estarão no campo adversário ao governador Rafael Fonteles (PT), enquanto outros 27 integram partidos ou grupos que apoiaram sua reeleição.

Com oposição menor, fiscalização do Governo na Assembleia Legislativa vira debate no Piauí
A nova configuração acompanha a ampla vitória do governador nas urnas e consolida a força política do grupo governista dentro do Legislativo estadual. Ao mesmo tempo, a diferença numérica entre situação e oposição levanta questionamentos sobre a capacidade de fiscalização do Executivo e a manutenção do contraditório dentro da Casa.
A Assembleia não atua apenas na votação de projetos enviados pelo Governo. Entre suas atribuições estão a fiscalização dos atos do Executivo, a análise do orçamento estadual, a apreciação de operações financeiras, a realização de audiências públicas e o acompanhamento de políticas que interferem diretamente na vida da população.
Uma oposição formada por apenas três parlamentares terá menor capacidade numérica para barrar matérias, aprovar requerimentos contra a vontade da maioria ou alterar propostas de interesse do Governo. Isso, porém, não significa que os 27 deputados governistas estejam impedidos de fiscalizar ou divergir do Executivo. A independência entre os Poderes permanece como uma das bases do funcionamento institucional.
O resultado das urnas também precisa ser considerado como uma decisão do próprio eleitorado. Ao reeleger Rafael Fonteles e formar uma Assembleia amplamente favorável ao seu grupo político, os piauienses deram condições para que o Executivo tenha maior facilidade de aprovar sua agenda nos próximos quatro anos.
O desafio será equilibrar governabilidade e fiscalização. A reportagem especial do Jornal O Dia ouviu o historiador e cientista político, Ricardo Arraes, e o deputado oposicionista Gustavo Neiva (Progressistas), onde puderam dar suas visões acerca de como uma oposição reduzida pode dificultar a capacidade de fiscalização do Executivo e a análise de pautas contraditórias, a fim de dar um contraponto e aprofundamento de questões não somente favoráveis às ações em favor do Governo do Estado.(O Dia)