O currículo do governador Rafael Fonteles (PT) impressionou e ajudou a colocá-lo entre os cotados para o Ministério da Fazenda. Matemático e mestre em Economia Matemática, ganhou projeção como nome técnico para comandar a economia brasileira. Quando a imprensa nacional e instituições financeiras passaram a examinar os resultados do Piauí, porém, apareceram números que cobram explicações. Segundo a Folha de S.Paulo, o déficit primário acumulado no período analisado de sua gestão atingiu R$ 3,7 bilhões, contra R$ 147 milhões negativos na administração anterior.

Os investimentos cresceram, mas o resultado primário piorou, e o Estado descumpriu as metas desse indicador em 2023 e 2025. A cobrança tem um agravante: Rafael foi secretário da Fazenda de Wellington Dias antes de chegar ao governo. Conhecia as contas, comandava a política fazendária e participou da gestão anterior. Sua responsabilidade pela trajetória fiscal do Piauí, portanto, começou antes de assumir a cadeira de governador.
Com gestores do mercado relativizando o entusiasmo por seu nome, a piora do resultado primário pode se transformar em obstáculo político à indicação. O currículo abriu a discussão sobre Rafael na Fazenda. Agora, os resultados do Piauí exigem que ele demonstre por que merece administrar as contas do Brasil. (Silas Freire)