Drones e WhatsApp estão na guerra tecnológica contra o crime organizado no Piauí

Helicóptero é usado para localizar criminosos e apoiar ações em terra
Helicóptero é usado para localizar criminosos e apoiar ações em terra

A sofisticação dos grupos criminosos no Piauí tem encontrado uma resposta à altura: a adoção de novas tecnologias e estratégias de inteligência pela polícia estadual. Enquanto facções se organizam por meio de aplicativos de mensagem e utilizam ferramentas modernas para seus ilícitos, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI) intensifica o uso de equipamentos avançados e cria estruturas especializadas para combater as novas modalidades de crime.

Nesta quinta-feira (15), a Polícia Civil do Piauí prendeu integrantes de uma organização criminosa que usava grupos no WhatsApp para comandar ações, incluindo homicídios. A facção atuava nos municípios de Porto e Nossa Senhora dos Remédios, no Norte do estado, e estava envolvida em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e assassinatos. A investigação revelou que o aplicativo era a ferramenta central para a coordenação dos crimes e a comunicação entre os membros.

Essa não é uma realidade isolada. O crime organizado no estado tem se modernizado, utilizando a internet e a tecnologia para:

· Estabelecer comunicação rápida e cifrada via grupos em aplicativos e redes sociais.

· Monitorar áreas e movimentações, inclusive com a possível utilização de chips de telefone, imagens de satélite ou drones.

· Comandar e acompanhar ações criminosas em tempo real.

· Orquestrar fugas e desmobilizações rápidas.

· Localizar e rastrear alvos para a prática de roubos e homicídios.

Drones armas modernas equipam as polícias Civil e Militar do Piauí 

Para enfrentar essa nova dinâmica, a SSP-PI tem investido em contramedidas tecnológicas. No início da semana, policiais utilizaram um drone para localizar e acompanhar trajetos de trajetos de traficantes que fugiam para uma área de mata na cidade de Parnaíba, no litoral piauiense. O uso desses veículos aéreos não tripulados tem se tornado uma ferramenta valiosa para operações táticas, permitindo vigilância aérea segura e eficiente, mapeamento de territórios complexos e perseguição com menor risco para os agentes.

Além do uso operacional de drones, a principal estratégia da pasta tem sido a especialização. A criação de delegacias e núcleos focados em crimes específicos, como a Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC), é um pilar central. Segundo dados da SSP-PI, essa especialização tem rendido frutos. Em 2023, a DRCC foi responsável por diversas operações que desarticularam esquemas de fraudes bancárias, golpes aplicados pela internet e grupos de difusão de pornografia infantil.

O secretário de Segurança Pública do Piauí, Chico Lucas, destaca a importância do investimento em inteligência e tecnologia. Ele aponta que a modernização do aparato policial é essencial para proteger a população de criminosos que também se atualizam. “O objetivo é criar um desequilíbrio a favor da lei, onde a capacidade de investigação e ação do Estado supere a dos grupos ilegais”, diz o secretário.

A “guerra tecnológica” no Piauí ilustra um conflito atual em todo o país: a corrida entre a polícia e o crime pela dominação do ambiente digital e pelo uso das ferramentas mais avançadas. A aposta do estado em drones, inteligência cibernética e delegacias especializadas mostra um caminho para enfrentar os desafios da criminalidade no Brasil.

Treinamento da tropa para uso de novos equipamentos e veículos como helicópteros tem sido constante

(Por:Luiz Brandão)

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.