Tem uma coincidência que salta aos olhos na corrida pelo Senado em 2026, no Piauí. Os principais nomes da disputa fizeram questão de reservar um lugar para a família na chapa. Quando não foi a esposa, foi o filho. Quando não foi o irmão, foi o sobrinho. Se não entrou como suplente, apareceu como candidato a deputado federal ou estadual. O importante era manter o sobrenome na urna. Aí fica difícil subir no palanque para condenar o chamado nepotismo eleitoral ou posar de defensor da renovação política.

Na hora de montar o próprio grupo, quase todos seguiram a mesma receita: primeiro os de casa. Parece que, para essa turma, talento e vocação política são hereditários. Os parentes dos outros nunca servem. Os próprios, curiosamente, sempre encontram uma vaga. O eleitor tem todo o direito de perguntar: se todos fazem a mesma coisa, quem ainda pode apontar o dedo para o adversário? No fim, muda o discurso, muda o partido, muda o lado da mesa. Mas a prática continua a mesma: na política piauiense, a família segue sendo um dos maiores patrimônios eleitorais. (Silas Freire)