O empresário Valdeci Cavalcante, presidente da Fecomércio-PI, voltou a fazer críticas ao modelo de desenvolvimento adotado no Piauí. Segundo ele, o Estado continua apresentando uma situação preocupante: o número de pessoas beneficiárias do Bolsa Família seria quase o dobro do contingente de trabalhadores com carteira assinada. Para Valdeci, esse cenário não pode ser apresentado como sinônimo de desenvolvimento. Afinal, desenvolvimento sustentável pressupõe geração de emprego, renda, autonomia e oportunidades para que as pessoas possam viver do próprio trabalho.

A crítica é dura, mas merece reflexão. Se um Estado precisa manter um contingente de beneficiários de programas sociais muito superior ao de trabalhadores formalizados, há algo estrutural que precisa ser discutido. Benefício social é fundamental para quem precisa, mas não pode substituir permanentemente emprego e renda. O discurso oficial de desenvolvimento, portanto, precisa ser confrontado com a realidade econômica e social.
Um Piauí em que a dependência de benefícios sociais supera amplamente a quantidade de empregos formais corre o risco de transformar assistência em dependência. Como resumiu Valdeci, isso não seria desenvolvimento. E a imagem é ainda mais forte: um Estado que não consegue libertar sua população da dependência permanente de benefícios corre o risco de manter seus cidadãos economicamente escravizado. (Silas Freire)