Lula avisou que só gravará vídeo eleitoral para um dos candidatos ao Senado da chapa governista no Piauí. A estratégia tem uma razão política: preservar uma porta aberta para o União Progressista, uma das maiores forças do Centrão e que tem no Piauí uma de suas principais lideranças, o senador Ciro Nogueira, candidato à reeleição. Por isso, Lula evita fechar essa porta já no primeiro turno.

A decisão colocou Rafael Fonteles numa verdadeira sinuca de bico. O governador terá de escolher entre Marcelo Castro e Júlio César para dividir a imagem de Lula na campanha. Se escolher um, o outro zanga. Por isso, Rafael ainda não foi gravar com o presidente. Todos os outros candidatos governistas ligados a Lula já gravaram seus vídeos eleitorais com o presidente. Rafael, até agora, ainda não foi. Existe ainda uma alternativa: Lula não gravar para nenhum dos dois candidatos ao Senado.
Mas essa saída teria um custo político alto para a base governista, pois enfraqueceria o discurso de que Marcelo Castro e Júlio César contam com o apoio direto do presidente Lula na disputa pelas duas vagas do Senado. A sinuca está armada: Rafael precisa decidir entre Marcelo e Júlio César, sabendo que qualquer escolha poderá desagradar o outro. Enquanto isso, Lula mantém sua estratégia de não fechar a porta para o União Progressista e para uma eventual composição no segundo turno.(Silas Freire)