Diversas denúncias recebidas apontam uma contradição grave entre o discurso oficial do governo Rafael Fonteles sobre o armamento da Polícia Militar do Piauí e a realidade enfrentada pelos policiais nas ruas. Segundo os relatos, pouquíssimos dos policiais recém-formados receberam as novas armas.
A maioria da tropa estaria operando com armamento antigo e sucateado. Policiais lotados fora da capital são obrigados a viajar fardados e desarmados, pois empresas de ônibus se recusam a transportar passageiros fardados armados, o que os força a arcar com o custo da própria passagem. Os relatos indicam ainda que parte das Glocks adquiridas permanece parada em um batalhão da PM sem distribuição, e que o Estado teria comprado as armas sem garantir a munição compatível, sem previsão definida para continuidade das entregas.

A contradição se torna mais evidente quando confrontada com o que o governo anunciou. Em 20 de março de 2026, o governador Rafael Fonteles realizou solenidade oficial no Quartel do Comando-Geral da PM, em Teresina, para celebrar a entrega de 7.071 pistolas semiautomáticas Glock às polícias Civil e Militar do Piauí. O secretário de Segurança Pública, Antônio Luiz, declarou na ocasião que “pela primeira vez na história, cada policial passa a contar com uma pistola Glock de alta qualidade”.
O investimento declarado foi de R$ 24 milhões, parte financiada pelo Fundo Nacional de Segurança Pública. O contrato com a Glock América S.A havia sido firmado em novembro de 2024 pela Secretaria de Segurança Pública, no valor de R$ 14.483.882,85, por inexigibilidade de licitação, registrado no TCE-PI sob o número 077/2024. Das 7.071 unidades anunciadas, 5.694 seriam destinadas à Polícia Militar.
O que não se verifica com a mesma facilidade é se as armas chegaram à mão de quem patrulha as ruas. (Fonte: O Piauiense)