O que foi apresentado pelo governo do Estado como um marco histórico para o Piauí começa a se transformar em uma operação cercada de dúvidas, frustrações e informações desencontradas. O Conta 2, embarcação de menor porte que deixou anteontem o Porto de Luís Correia para levar o primeiro carregamento de minério ao Marine Victory, que aguardava a cerca de 30 quilômetros da costa, não teria conseguido concluir a operação de transbordo. Segundo informações que circulam nos bastidores, o Conta 2 teria iniciado o retorno para o porto, mas não teria chegado a Luís Correia.

Também não teria conseguido realizar o transbordo com o navio maior. O episódio é tratado com tensão dentro da estrutura responsável pela operação. Há relatos de pressão sobre servidores e de orientação para que não sejam repassadas informações sobre o que realmente aconteceu. E surgiu ainda uma informação que, até o momento, não foi confirmada oficialmente: a de que o Marine Victory poderia deixar a região e seguir viagem. Se isso for confirmado, será um duro golpe para o governo. Afinal, uma operação apresentada como símbolo da capacidade logística do Piauí pode terminar justamente no momento em que deveria começar.
O problema é que grandes operações não podem ser feitas na base do improviso, da pressa e da propaganda. O resultado dessa tentativa de fazer tudo “nas coxas” pode estar aparecendo agora: uma operação frustrada, um governo pressionado e muitas perguntas sem resposta. O Piauí esperava o início de uma nova rota de exportação. Até agora, o que aparece é uma sucessão de problemas e contradições. E, se o Marine Victory realmente for embora, o sonho vendido como marco histórico poderá terminar como um dos maiores vexames logísticos do governo estadua. (Silas Freire)