O projeto do Porto de Luís Correia voltou a ser o foco das discursões e já provoca divergências até mesmo entre integrantes da base governista. Nos bastidores, aliados avaliam que a forma como o governo pretende apresentar os avanços da obra pode gerar desgaste político, especialmente se a expectativa criada não for correspondida. A possibilidade de inaugurar uma etapa da estrutura antes de sua plena operação , pode ser uma estratégia que poderá ampliar ainda mais desconfiança de parte da população.

Nas redes sociais, observa-se um volume significativo de comentários da população, incluindo especialistas que manifestam ceticismo quanto ao funcionamento do porto como terminal de exportação de grande porte. Segundo o governo, a operação inicial prevê que navios de maior calado permaneçam em alto-mar, enquanto embarcações menores fariam o transporte da carga até eles. Para defensores do projeto, trata-se de um modelo técnico utilizado em determinadas operações portuárias. Já opositores sustentam que a iniciativa poderá ser interpretada por parte do eleitorado como uma demonstração de resultados antes de o empreendimento atingir sua capacidade plena.
A discussão também divide opiniões dentro da base aliada. Há quem considere importante apresentar à população os avanços alcançados e demonstrar que o projeto está saindo do papel. Outros, porém, avaliam que seria mais prudente aguardar uma etapa mais consolidada da operação, evitando criar expectativas que possam resultar em desgaste político. O Porto de Luís Correia poderá se transformar em um dos temas centrais do debate eleitoral, tornando-se um ativo para o governo caso as entregas correspondam às expectativas, ou um foco de críticas caso persistam dúvidas sobre sua operacionalidade e seus resultados. (Silas Freire)