Nesta terça-feira (25), a médica Lúcia Santos, candidata ao Governo do Piauí pelo PSDB, declarou, em entrevista ao Viagora, que a saúde digital implementada no estado não tem efetividade e criticou a “privatização” do setor a partir da contratação de Organizações Sociais de Saúde para administração dos hospitais públicos.
A candidata, que preside o Sindicato dos Médicos do Piauí (Simepi), questionou a real destinação dos recursos investidos na saúde digital e explicou que o Estado destina cerca de R$ 15 milhões para o programa, mas não se vê resultados devido à baixa adesão por parte da população.

“Na saúde digital, são gastos R$ 15 milhões todo mês e ela não é utilizada. A gente não sabe para onde é que está indo este dinheiro. Eu costumo dizer que eu faço um desafio para encontrar alguém que esteja utilizando a saúde digital. Esse serviço é baseado em toda a população piauiense; é como se todos nós fizéssemos uma consulta com médico especializado pela saúde digital todo mês, mas isso não acontece. Eu não encontro ninguém que utilize a saúde digital, até porque ela não funciona mesmo”, explicou.
Para Lúcia Santos, o Piauí privatizou a saúde pública com um modelo de gestão que prioriza o lucro em detrimento da qualidade do atendimento.
“Quando o governador colocou entidades privadas para administrar os hospitais, ele privatizou a saúde pública, e essas empresas privadas não vão priorizar a gente. Nós já fizemos um levantamento, com várias pessoas pesquisando, até mesmo do jornalismo, e já temos essa discussão de que eles ficam com pelo menos 50% do lucro do dinheiro que eles recebem”, declarou.
A médica ainda destacou que a indicação política dentro das unidades de saúde tem prejudicado a qualidade do serviço.
“O que se vê lá dentro é muita politicagem. Vai o bilhete dos políticos indicando pessoas que não têm qualificação para trabalhar, ferindo o erário público, desviando e fazendo do serviço público verdadeiros currais eleitorais”, pontuou.(Letícia Dutra)