Rota sem emoções
Nos anos 2000, o Ministério do Turismo lançou a chamada Rota das Emoções, um roteiro turístico integrado criado para promover os estados do Ceará, Piauí e Maranhão como destinos capazes de unir natureza, aventura, cultura e praias. O projeto conectava três dos principais cartões-postais do Nordeste: os Lençóis Maranhenses, o Delta do Parnaíba e a Vila de Jericoacoara.
A rota das emoções do lado do Piauí precisa de mais investimentos e trabalho.
Divulgação
A proposta previa ações conjuntas de divulgação, investimentos em infraestrutura turística e estratégias para fortalecer o turismo regional nos três estados, com ações dos governos federal e estaduais. No entanto, mais de duas décadas depois, os números revelam realidades bastante distintas entre os integrantes da rota.
Dados atuais
Dados divulgados no último dia 8 de maio pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) mostram que Jericoacoara se consolidou como um dos principais destinos turísticos do país, ocupando atualmente a posição de terceiro parque nacional mais visitado do Brasil, com quase 1,4 milhão de visitantes em 2025.
Os Lençóis Maranhenses também vêm registrando crescimento acelerado. Em 2017, o parque recebeu cerca de 89 mil visitantes. Já em 2025, o número saltou para 654.327 turistas, consolidando o destino como um dos principais polos turísticos do Nordeste.
Fluxo turístico
No Piauí, porém, o cenário é diferente. A Reserva Marinha do Delta do Parnaíba, que chegou a registrar 69.218 visitantes em 2023, apresentou queda no fluxo turístico. Em 2025, foram contabilizados 58.241 visitantes, número que representa menos de 9% do movimento registrado nos Lençóis Maranhenses e pouco mais de 4% do total alcançado por Jericoacoara.
Enquanto Ceará e Maranhão ampliam investimentos em infraestrutura, promoção turística e participação em feiras nacionais e internacionais, o Piauí ainda enfrenta críticas pela ausência de uma política mais agressiva de fortalecimento do setor.
A secretaria política
Frequentemente utilizada como espaço de acomodação política para grupos ligados a deputados, a Secretaria de Turismo tem sido alvo de críticas por priorizar ações voltadas ao atendimento de bases eleitorais, com obras de mero apelo político, como calçamento e recuperação de estradas vicinais, em detrimento de políticas estruturantes de fortalecimento do turismo.
Foto: Reprodução
Fábio Novo é o responsável pelo controle do que é turismo, mesmo sem estar em cargos no setor
Para muitos analistas e operadores do turismo, falta ao estado uma estratégia consistente de promoção dos seus principais destinos turísticos em âmbito nacional e internacional. (Portalaz)