O Governo do Estado reuniu cerca de cinco mil pessoas no Atlantic City para um evento apresentado como espaço de debate sobre propostas e estratégias para a reeleição do governador Rafael Fonteles. O auditório ficou cheio. Mas a pergunta que ficou no ar é: cheio de quem? Entre lideranças políticas, deputados e secretários, o que predominava era a presença de ocupantes de cargos comissionados, terceirizados e pessoas ligadas a fornecedores do Estado.

Uma demonstração de força da máquina administrativa que, ao mesmo tempo, evidencia a dificuldade crescente de mobilização espontânea. A política piauiense parece viver uma contradição. Os eventos estão cheios, mas o entusiasmo popular anda cada vez mais raro. A militância foi substituída pela estrutura. A adesão espontânea deu lugar ao comparecimento por conveniência, compromisso funcional ou simples receio de desagradar quem ocupa posições de poder.
E o fenômeno não é exclusivo do Palácio de Karnak. Em eventos ligados ao vice-prefeito Jeová Alencar, também são frequentes os comentários sobre a forte presença de terceirizados da Prefeitura de Teresina. O que deveria ser demonstração de força política acaba levantando dúvidas sobre a real capacidade de mobilização dos grupos. No fim das contas, lotar um auditório é fácil quando se tem a máquina à disposição. Difícil é encher um espaço apenas com a força das ideias e da participação voluntária. É justamente essa ausência que torna os auditórios cheios e a política cada vez mais vazia. (Silas Freire/Encarando)






























