As declarações recentes do ministro Wellington Dias e do governador Rafael Fonteles sobre a escolha do vice na chapa governista de 2026 revelam uma sintonia apenas aparente. Publicamente, não há confronto. Nos bastidores, porém, cresce uma evidente “guerra fria” dentro do grupo que comanda o Piauí há duas décadas. Wellington Dias tem sustentado que a definição do vice ocorrerá “no momento oportuno”, a partir de uma ampla discussão que envolva não apenas o PT, mas também os partidos aliados que compõem a base majoritária do governo.

W. Dias X Rafael Fonteles: Disputa nos bastidores
O discurso reforça a lógica histórica de construção coletiva e equilíbrio interno da coalizão. Rafael Fonteles, por sua vez, afirma que todos serão ouvidos, mas não esconde movimentos concretos que indicam decisão praticamente tomada. A saída de Washington Bandeira da secretaria e sua movimentação política como potencial vice é vista como um gesto claro de que o governador pretende formar uma chapa com alguém de sua inteira confiança, reduzindo interferências externas. Embora não haja discordância explícita entre ambos, o contraste entre a fala conciliadora de Wellington e a prática centralizadora de Rafael evidencia um embate estratégico.
Se Rafael “peitar” Wellington, corre o risco de abrir mão da experiência política do ex-governador no palanque e, com isso, fortalecer a oposição em um cenário eleitoral mais competitivo. Por outro lado, ao atender integralmente às orientações de Dias, Rafael tende a limitar seu projeto de poder próprio, comprometendo a consolidação de um domínio político mais amplo no estado e, futuramente, em âmbito nacional. A definição do vice, portanto, vai além de um nome: simboliza quem, de fato, dará as cartas na sucessão de 2026 e até onde vai a autonomia do atual governador dentro do grupo que o elegeu. (Comentário de Silas Freire)


























