Marina Silva precisa dar ‘voto crítico’ a si mesma

Por:Josias de Sousa

A seis dias do término do segundo turno, Marina Silva emergiu para declarar o seu “voto crítico” em Fernando Haddad. Moveu-se por rejeição a Jair Bolsonaro. Ao justificar sua opção, explicou que “pelo menos” o candidato petista ”não prega a extinção dos direitos dos índios, a discriminação das minorias, a repressão aos movimentos, o aviltamento ainda maior das mulheres, negros e pobres”.

Cumprido o protocolo, Marina precisa agora conceder um “voto crítico” a si mesma. Costuma dizer que não deseja “ganhar perdendo”. Prefere “perder ganhando” —como em 2014, quando a pancadaria de Dilma Rousseff deixou-a fora do segundo turno, mas com um patrimônio de 22 milhões de votos. E com uma biografia sem pesticidas e alianças esdrúxulas.

Em 2018, Marina perdeu perdendo. Entrou na disputa como uma candidata altamente competitiva, a bordo de um partido sem menções na Lava Jato. Terminou numa constrangedora oitava colocação, com pouco mais de 1 milhão de votos. A Rede, sua legenda, terá de fundir-se a outro partido para não desaparecer.

No texto que redigiu para justificar seu gesto, Marina reconheceu: “Sei que, com apenas 1% de votação no primeiro turno, a importância de minha manifestação, numa lógica eleitoral restrita, é puramente simbólica. Mas é meu dever ético e político fazê-la.”

Apoiando criticamente a si mesma, Marina talvez perceba que não terá futuro político sem ajustar o seu português ao linguajar da rua. De resto, deve se abster de tomar chá de sumiço pelos próximos quatro anos. Sob pena de suas manifestações perderem até mesmo o valor “puramente simbólico.”

Midia luta desesperadamente para eleger Haddad e se livrar de Bolsonaro

                                                                                                    Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Na democracia, é preciso saber ganhar e saber perder, porque a principal regra é a alternância do poder. Mas na cleptocracia à brasileira, tenta-se ganhar a todo custo, seja nas urnas eletrônicas de baixa confiabilidade, seja no tapetão do Tribunal Superior Eleitoral. Agora, antes mesmo de se realizar o segundo turno, o PT e o PDT já se apressaram em recorrer ao TSE para pedir a cassação da chapa do PSL. 

Não há nenhuma prova material, consistente. Sabe-se, com certeza absoluta, que Jair Bolsonaro ou qualquer outro candidato não tem a menor condição de exercer controle sobre as redes sociais de seus admiradores. Mesmo assim, a direção do PDT encaminhou ao TSE, na sexta-feira, um pedido para anular as eleições. Além de não apresentar nenhuma prova material, nada nada, o partido pediu que a Justiça encontre as provas a respeito, vejam que maluquice – as provas para sustentar o processo eleitoral ficarão para depois.

FAKE ESCÂNDALO – O mais incrível é que toda a imprensa entrou na onda do “fake escândalo” criado pela Folha de S.Paulo, possibilitando a ruidosa repercussão de uma denúncia que não tem a menor confirmação e a mídia irresponsavelmente age como se o PT e os demais partidos também não tivessem usado as mesmas armas do PSL.

A imprensa está toda do lado do petista Fernando Haddad, que representa o criador do maior esquema de corrupção político-administrativa da História Universal. E isso acontece  porque todos sabem que vão perder faturamento com Jair Bolsonaro na Presidência w  estão produzindo “fakes escândalos”, uns atrás dos outros. O Estadão é o único que ainda tenta disfarçar, com seguidos editoriais atacando Lula da Silva e o PT. Mas o noticiário do jornal e as matérias distribuídas pela Agência Estado e pelo Estadão Conteúdo batem o tempo todo em Bolsonaro e poupam Haddad, que é sinônimo de faturamento garantido.

BRASIL DITADURA – A campanha difamatória contra Bolsonaro é implacável. No Jornal Nacional da TV Globo, há alguns dias foi divulgada com estardalhaço uma pesquisa indagando se o povo acha possível o Brasil voltar a ter outra ditadura. Diz o Datafolha que  50% dos entrevistados acharam ser possível. Só que, estrategicamente, não foi perguntado se a ditadura seria de direita ou esquerda, para associar diretamente a possibilidade de golpe apenas a um possível governo Bolsonaro…

A imprensa joga duro quando se trata de preservar seu faturamento com recursos púbicos. A crise é devastadora e já levou a Editora Abril à recuperação judicial, que é um codinome da antiga concordata. Outras grandes empresas estão balançando. E nesse clima la nave va, sempre fellinianamente. 

De ética, Arrogância e Felonia

Por: José Olimpio Leite de Castro (*)

Ao fazer um alerta sobre a intenção criminosa do PT de simular um atentado contra Hdaddad, às vésperas da eleição para criar um clima de comoção e tentar virar o jogo, fui atacado ferozmente pela matilha de cães amestrados da esquerda e do petismo.

Fui rotulado de aético, fascista, jumento e outros adjetivos simpáticos.

Não repliquei na oportunidade, dei o calado por resposta, pois não costumo perder meu tempo e meu latim com gente desqualificada.

Mas, a intervenção do atual presidente do Sindjor-PI, Luiz Carlos Oliveira, endossando o discurso de meus agressores, me fez romper o silêncio e esclarecer o que se segue:

Fiz o alerta no intuito de contribuir para que fosse abortada a possível trama criminosa que teria por objetivo fraudar a vontade popular. Uma possibilidade que não se pode descartar.

O PT e seus áulicos são capazes das coisas mais sórdidas para atingir seus objetivos. Não sinto, portanto, o menor remorso por ter alertado os simpatizantes de Bolsonaro.

Em meio aos meus agressores, um grupelho de jornalistas que diz primar pelos preceitos básicos da ética e do bom jornalismo, mas que repercute como um mantra o discurso do “golpe e do prisioneiro político”, sem o menor pudor.

Quase todos, com raríssimas exceções, vivem pendurados em sinecuras na Assembleia ou no Governo do Estado.

São as mesmas figurinhas carimbadas que faziam oposição à minha gestão no Sindjor-PI.

Omissos e irresponsáveis nas críticas, nunca deram a menor contribuição à luta dos jornalistas piauienses. A maior parte sequer é filiada ao Sindicato.

Ocupando cargos de confiança nas empresas de comunicação ou em assessorias de imprensa no setor público, esses “zelosos profissionais” confundem a prática do bom jornalismo com puxa-saquismo.

Um deles frequenta os melhores salões, sempre explorando a futilidade dos novos ricos e das dondocas, que financiam a sua vida fácil, mas insignificante. Só abre a boca para falar mal do Sindicato e de seus dirigentes.

A figura que iniciou a polêmica, coitada, é a personificação do fracasso. A postura arrogante e petulante são apenas formas de esconder a sua frustração.

Sem brilho, vive agarrada a um contracheque na Assessoria de Imprensa da Alepi, por generosidade de algum político, mas se julga a rainha da cocada preta.

O ódio dessa gente contra minha pessoa teve início quando eu presidi o Sindjor-PI e não permiti que a entidade se tornasse um apêndice do PT.

Piorou quando denunciei o aparelhamento da Fenaj, hoje transformada num antro petista.

Agora, na reta final da campanha presidencial, a petralhada e seus assemelhados se tornaram mais agressivos diante da iminente derrota nas urnas.

Mas, para encerrar, vamos à intervenção do presidente do Sindjor-PI.

O jornalista Luiz Carlos Oliveira, que foi vice-presidente do Sindicato nas minhas duas gestões e foi eleito presidente com o meu apoio, disse que eu não falava pelo Sindicato. O que é verdade.

Mais adiante, ressaltou que “A entidade, como representante da categoria, é plural, sempre saiu em defesa da democracia, da liberdade de expressão e condenou, sempre, atitudes fascistas, de censura e contra qualquer tipo de preconceito.”

O senhor Luiz Carlos , que hoje me rotula de fascista, testemunhou a minha luta em defesa da liberdade de imprensa e de expressão, sabe que combati sem tréguas a censura e as perseguições e violência contra o jornalista.

Sabe que nunca tergiversei na luta para que a classe patronal assegurasse salários dignos e boas condições de trabalho à nossa categoria.

Mesmo sabendo de tudo isso, estando ao meu lado nessas lutas todas, o presidente do meu Sindicato me rotula de fascista por não votar no candidato do PT.

Ninguém escapa da felonia, é certo, mas confesso que nunca esperei que o jornalista Luiz Carlos Oliveira tivesse a cultura do escorpião. Foi uma surpresa desagradável.

No entanto, não rasgarei minha filiação. Pelo contrário. Continuarei contribuindo e estarei dentro do Sindjor-PI para assegurar que ele não se transforme numa entidade de pelegos.

Bolsonaro 17!

(*) José Olimpio Leite de Castro é jornalista, escrito, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Piauí

A ascensão do empreendedorismo online

Por: Janguiê Diniz(*)

Não restam dúvidas que o aumento no número de acessos à internet tem contribuído para uma série de fatores, como à informação de maneira rápida e eficiente, à conexão com as pessoas de outras cidades e até países, ao entretenimento, além de vários outros fatores que são benéficos para uma sociedade globalizada.

Atrelado a tudo isso, existe um segmento em especial que tem ganhado destaque e chamado a atenção de muitas pessoas: o mercado digital ou empreendedorismo online.  Para reforçar o que eu digo, certamente, você conhece alguém que tem algum tipo de negócio online, ou até mesmo você deve fazer isso.

Para se ter uma ideia da dimensão e do quanto o segmento está ganhando força, de acordo com dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o E-commerce brasileiro, que é umas das fatias do mercado digital, deve crescer 15% em 2018 e chegar a R$ 69 bi de faturamento. Além disso, a soma de pedidos nas lojas virtuais pode chegar a R$ 220 milhões.

Mas, além de produtos físicos, os negócios online também podem se classificar como negócios digitais e aí entram os cursos online, blogs, canais do YouTube e soluções tecnológicas em geral. Todas essas maneiras também movimentam a economia e estão fazendo com que muitas pessoas levantem montantes financeiros exorbitantes.

Sem necessariamente focar nos tipos de produtos, meu interesse neste artigo é retratar todas as variáveis positivas que podem servir de estímulo para quem se identifica com o segmento. Os pontos fortes são o baixo investimento da infraestrutura inicial, os horários de venda e atendimento flexíveis, a facilidade de atingir muitas pessoas com impacto direto e o retorno imediato, tanto de feedbacks quanto monetário.

Trazendo essa realidade à tona, se você se identifica com o formato e pretende atuar no segmento, meu conselho é: estude o mercado, identifique o nicho de atuação, se especialize e esteja ciente de que o mercado está em constante adaptação e por isso, requer de você olhos atentos e em constante aperfeiçoamento.

(*)Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional –

Cidade berço do Bolsa Família dá 93% ao PT (…e teme vitória de Bolsonaro)

Questão partidária pouco importa na área de maior votação de Haddad no 1º turno; após 15 anos, moradores ainda dependem de benefício

João Pedro Pitombo e ealo de Almeida

GUARIBAS (PI)

Quando foi divulgado o boletim da única urna do povoado de Cajueiro, município de Guaribas (a 642 km de Teresina), o burburinho começou.

“Tu sabe quem foi?”, questionou Salvador Pereira dos Santos, 26. “Eu sei, foi da sua família”, retrucou um amigo. “Da minha nada. Meu primo disse que ia votar, mas era brincadeira, moço”, justificou o primeiro, em tréplica.

No distrito no qual vivem cerca de 300 moradores, apenas oito eleitores votaram em Jair Bolsonaro (PSL), candidato que terminou o primeiro turno em primeiro lugar na disputa pela Presidência da República.

No restante da cidade não foi diferente: foram 58 votos para Bolsonaro contra 2.785 —ou 93,24% do total de votos— de Fernando Haddad (PT), o que fez de Guaribas o principal reduto petista do país nesta eleição.

Essa é a segunda vez que essa pequena cidade encravada na fronteira entre o Piauí e a Bahia ganha notoriedade nacional. A primeira foi em 2003, no início da gestão Lula, quando tinha o segundo pior desenvolvimento econômico e social do país e, por isso, foi escolhida como cidade-piloto para implantação do Fome Zero, programa que foi embrião do Bolsa Família.

Guaribas é uma cidade isolada de uma região pouco povoada do sertão nordestino. Seu principal acesso é uma estrada de terra de 52 km na qual é raro que carros sem tração nas quatro rodas não fiquem atolados.

Tem cerca de 4,5 mil habitantes e 1.078 beneficiários do programa Bolsa Família, única fonte de renda fixa da maioria da população. A agricultura de subsistência é a principal atividade, mas a seca que fere o solo arenoso faz com que a produção agrícola seja quase inexistente.

“Aqui, é o dia inteiro carregando balde de água na cabeça. A gente pega nas cabimbas [poços improvisados] que nós mesmo cavamos”, diz Eunice Jurema da Trindade, 58, moradora do povoado Queimadas de Angicos, onde a água encanada ainda não chegou.

Em Guaribas, o voto no PT tem zero de ideologia. Ninguém fala em direita ou esquerda, comunismo ou liberalismo. Não à toa o candidato a deputado federal mais votado na cidade foi Heráclito Fortes (DEM), um dos mais ferrenhos opositores do PT e que votou pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff —mas que foi apoiado pelo prefeito Claudinê Matias (PP).

Na hora da urna, a conta é simples: se a vida melhorou, votam no mesmo grupo político. Escândalos de corrupção e a prisão de Lulapouco importam. Em geral, predomina o sentimento de que todo político é corrupto e, “se Lula roubou, foi para ajudar aos pobres”, como diz o agricultor Joel Ferreira dos Santos, 55.

Sobre Jair Bolsonaro, pouco se sabe e até mesmo seu nome gera confusão. O candidato favorito a vencer no segundo turno das eleições foi chamado de Bolsoná, Bolsonário, Mecionário e até Missionário.

“Esse Missionário [Bolsonaro] para mim é um candidato que olha para os ricos. Ele é igual ao presidente que está aí hoje, o Michel Penha [Temer]. Tenho medo que vença e prejudique os pobres”, reclama o aposentado José Pereira da Trindade, 75, morador do povoado de Lagoa do Baixão.

Na outra ponta geracional, a pedagoga Cleudiane Matias, 26, diz se informar sobre os candidatos pela televisão e pela internet, usando a rede de wi-fi da única escola da comunidade. E critica propostas de segurança pública de Bolsonaro.

“Essa ideia de bandido bom é bandido morto choca o povo nordestino. Somos muito da ideia de que enquanto há vida há esperança”, diz ela, que segue votando no PT mesmo sendo uma dos cerca de 13 milhões de desempregados do país.

No povoado de Queimadas do Angico, também na zona rural, apenas 12 eleitores Bolsonaro. O sentimento de mudança não está no discurso dos moradores da pequena vila onde não há água encanada e as famílias consomem uma água barrenta retirada de poços improvisados cavados pelos próprios moradores.

“Se esse cabra ganhar, o Nordeste está morto”, diz a agricultora Iaraci Ribeiro da Rocha, 65, enquanto faz troça da proposta e flexibilizar o porte de armas: “Vou comprar uma. E aí, se alguém falar de mim, é tiro”, gargalha.

A três quilômetros dali, em Cajueiro, Bartolomeu dos Anjos, 35, assume-se como um dos votos de Bolsonaro do povoado. Diz que votou nele por tê-lo considerado um candidato experiente e também para “ser do contra”.

Para o segundo turno, no entanto, diz ter mudado de ideia: “Fiquei preocupado com a proposta dele para o meio ambiente”, diz Bartolomeu, que atua como brigadista no combate a incêndios do parque da Serra das Confusões, que margeia a cidade.

Mesmo assim, diz estar otimista quanto a um provável do governo Bolsonaro e aposta que o capitão reformado sairá vencedor em Guaribas.

“Ele ainda não tem o nosso apoio, mas quer. Se ele não for besta, vai trabalhar muito pelo Nordeste pra ter o nosso voto. E aí Lula não vai ter vez.”

 ‘AQUI SÓ VOTAMOS NO CANDIDATO QUE LULA ALUMIOU’, DIZ MORADORA

Mesmo com dores nas costas e um dos olhos quase cego por causa de catarata, a agricultora aposentada Maria Vicença Martins da Rocha, 57, ergue as duas netas no colo e sorri.

As gêmeas Isabele e Isabela, 2, refletem a passagem de bastão na família, com a chegada de uma nova geração atendida pelo programa Bolsa Família.

Com oito filhos e sete netos, Vicença é uma das pioneiras do programa. Há 15 anos, a Folha visitou sua casa dois meses após o Fome Zero ter sido lançado por Lula, recém-empossado presidente com a promessa de erradicar a fome no país.

Na época, Vicença morava numa casa de taipa que servia também como armazém para o feijão colhido na roça. O arroz, comprado com os R$ 50 que recebia do benefício, não durava dez dias, enquanto carne e legumes não chegavam nem perto da mesa da família.

Hoje ela afirma que a vida melhorou: a casa ganhou eletricidade, reboco, pintura, móveis e eletrodomésticos. Só não abandonou o fogão a lenha —quando não há dinheiro para o gás, vendido por R$ 80 o botijão, ela recorre ao carvão. 

Da porta para fora, a situação da cidade não mudou muito. Guaribas segue com infraestrutura precária e quase 100% das famílias da cidade dependem do Bolsa Família. Mesmo assim, Vicença diz que vai votar em Haddad, a quem conheceu pouco menos de dois meses pelo noticiário e pelo horário eleitoral. 

“Aqui, nós só votamos no candidato que Lula alumiou.”

(Blog do Magno Martins)

Eleições 2º turno: “O pacificador”

Por: Arimateia Azevedo

Dentro de uma semana os brasileiros voltam às urnas para escolher o seu novo presidente. O eleito terá uma série de desafios a vencer, como retomar uma rota de crescimento da economia, melhorar a confiança dos investidores estrangeiros, reduzir despesas públicas, o que implica em medidas amargas, como a reforma da Previdência.

isso é parte de um pacote de ações que todos os governos brasileiros prometem desde a redemocratização, mas que nunca cumprem ou quando cumprem o fazem pela metade. Todos têm consciência, com efeito, de que é preciso adotar medidas duras para que o país volte aos trilhos e siga com segurança num caminho de desenvolvimento. Ocorre é que desde 2014, a eleição no Brasil não termina quando acaba.

Desde 2014 vivemos um permanente estado de beligerância que produziu o impeachment de uma presidente, um governo pífio do sucessor, sequestrado por seus próprios escândalos, e descambou para uma divisão ideológica da sociedade que agora se impõe entre duas propostas muito antagônicas e radicais. O clima de tensão prossegue e a tarefa do eleito será bem mais que consertar estragos econômicos. Precisará ele de uma concertação para o bem do país, o que significa pacificar antes de governar.

Cabra-cega.

 

 * Pádua Marques.

Tinha uma brincadeira no meu tempo de menino que ainda me lembro como se fosse hoje, a cabra-cega. Nunca esteve tão próxima e servindo de exemplo pra o que está acontecendo na política. Quem está acima dos 60 anos há de se lembrar que naquele tempo não existia televisão na Parnaíba e à noite as crianças ficavam brincando umas com as outras na porta da rua.

Cabra-cega era brincadeira de meninos e meninas. Começava com uns poucos, mas depois ninguém dava conta. Uma das meninas corria lá dentro de casa procurando um pedaço de pano, uma fralda, um pedaço de saia que fosse e na volta era escolhido aquele que daria a saída. O chefe da brincadeira dava umas rodadas pra ele ficar zonzo, tonto de onde estava. Fosse menino ou menina. Não tinha esse negócio não.

Cabra-cega. Não sei até hoje quem inventou, mas era brincadeira boa dos tempos dos meninos e meninas de meu tempo. Quem brincou nunca há de esquecer. E vinham mais depois outros e mais outros meninos das outras ruas. Vinham atraídos pelos gritos e risadas. Vinham suados, de calção e sem camisas, brigões, meninos feios, fogoiós e até os com cara de china. Vinham das redondezas, de outras brincadeiras de cowboys, de manchas, de pegar no rabo da raposa, do jogo de bola de meia.

E a gente ficava até a hora de se recolher pra dentro de casa nessas brincadeiras de pegar e soltar uns aos outros. Não havia saliência. Os meninos e meninas menores sempre eram os mais fáceis de serem capturados. Caiam na vez de sofrerem por um bom tempo até que passavam pra outros. Na escola era a mesma coisa. Brincadeiras de mancha. Esta agora sem os olhos cobertos por um pano. Valia a resistência.

Era brincadeira de astúcia. Consistia em descobrir e pegar o colega escondido.  Sendo apanhado, era a hora de começar tudo, fazer tudo, usar de todas as formas pra sair do castigo. Outras brincadeiras do meu tempo de criança tinham as mesmas ou quase o mesmo jeito. Eram pra fazer a gente se sair, tentar passar essa dificuldade pro outro. Como é na política.

E a gente no final da noite antes de pegar o rumo de casa, havia mostrado o quanto era esperto e rápido em se livrar de armadilhas. Porque todas aquelas brincadeiras, fosse no meio da rua ou na escola à hora do recreio, tinham essa coisa de nos testar. Essa mesma agilidade que deve ser testada agora nessas eleições pra presidente. Estamos no meio de uma grande brincadeira de cabra-cega.

Só que desta vez são dois homens com panos nos olhos tentando nos pegar. Jair Bolsonaro e Fernando Haddad são as duas cabras-cegas.  E os meninos e meninas se pondo a correr e se esconder pelos cantos e em cima dos muros e das cercas, por detrás dos carros estacionados na rua, na casa dos vizinhos e atrás uns dos outros. Ou somos nós as cabras-cegas? * Pádua Marques, jornalista e escritor. 

Perspectiva do emprego 2018/2019

Por:*Clemente Ganz Lúcio

Com as diversas inovações tecnológicas, o sistema produtivo, a geração de energia, a comunicação e o transporte têm se modificado intensamente, facilitando a articulação das cadeias produtivas globais e a estruturação de uma nova divisão internacional do trabalho. O sistema financeiro compra empresas e patrimônios naturais, amplia formas de gerar lucro e de acumular e concentrar renda e riqueza. Esse processo exige a prospecção sobre o que será o futuro do trabalho e do emprego.

 Um bom ponto de partida é entender a situação da dinâmica econômica e regulatória do mercado de trabalho, o que está acontecendo e quais as perspectivas para o emprego. A OIT (Organização Internacional do Trabalho) disponibilizou duas importantes publicações: Perspectivas Sociales y del Empleo en el Mundo – tendencias 2018 (OIT, Genebra, 2018) e Panorama Laboral 2017 América Latina y Caribe (OIT, Lima, 2017). Esses documentos reúnem informações e análises preciosas.

A força de trabalho mundial é da ordem de 3,3 bilhões de pessoas, das quais mais de 190 milhões estão desempregadas. Aumenta o contingente dos desalentados, pessoas que desistem de procurar empregos.

A América Latina e o Caribe reúnem uma força de trabalho de 300 milhões de pessoas, com 20 milhões de desempregados e quase 36% dos ocupados em empregos vulneráveis.

A OIT estima que 42% dos empregos no mundo são desprotegidos, número que cresce desde 2012. Há, portanto, um fenômeno estrutural de aumento dos empregos vulneráveis (trabalhadores por conta própria, trabalhadores familiares auxiliares e assalariados sem registro) em um contexto de altas taxas de desemprego de longa duração. Nos países emergentes, os empregos vulneráveis atingem 76% das ocupações.

Cerca de 300 milhões de trabalhadores recebem salários inferiores a 1,90 dólar por dia. Nos países em desenvolvimento, a força de trabalho em situação de extrema pobreza ultrapassa 114 milhões de pessoas, o que equivale a 40% de todos aqueles que estão empregados nessas regiões. A pobreza moderada (situação na qual está quem recebe entre 1,9 e 3,1 dólares por dia) atinge 430 milhões de trabalhadores.

São imensas as desigualdades de gênero: as mulheres ganham menos e ocupam a maioria dos empregos vulneráveis. Os jovens enfrentam restrições para o acesso a um posto de trabalho precário e convivem com taxas de desemprego três vezes superiores às dos adultos

 O emprego rural já não é mais substituído pelo industrial e urbano. A ocupação rural é eliminada e agora suprida por um posto no segmento dos serviços, a maioria de baixa qualidade, precária e vulnerável, com pequenos salários. Enquanto isso, o emprego industrial entra em declínio. A desindustrialização precoce dos países emergentes compromete o desafio de alçar e emparelhar o desenvolvimento produtivo dessas nações ao das desenvolvidas

]O crescimento econômico está anêmico, com baixo investimento privado, escassez de demanda (baixos salários, empregos precários e inseguros etc.), desigualdade crescente de renda e riqueza, o que esteriliza ainda mais a demanda

O processo civilizatório a partir do emprego regride. Montam-se armadilhas e os conflitos vão aumentar. Tempos de tempestades

*Clemente Ganz Lúcio é  Sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e do Grupo Reindustrialização 

ANÁLISE: Crescimento de Bolsonaro é mais vigoroso que ritmo de Haddad

 

A primeira pesquisa Ibope/Estado/TV Globo do segundo turno das eleições 2018, divulgada na segunda-feira, 15, indica Bolsonaro com 59% e Haddad com 41% dos votos válidos, ou seja, excluindo os votos nulos, brancos e indecisos. Uma vantagem enorme para Bolsonaro, cuja força política foi sentida ao final do primeiro turno, não apenas, aqui, na disputa presidencial, mas, especialmente, na força do PSL, elegendo a segunda maior banca da Câmara.

Na votação para o segundo turno, há os seguintes recortes: sexo, idade, escolaridade e renda familiar. Nestes dois últimos, Haddad tem maior intenção de votos entre os mais pobres – que ganham até 1 salário mínimo –  e entre os menos escolarizados –  que cursaram até a quarta série. Contudo, mesmo nestes recortes, Bolsonaro ganha de Haddad em todos os outros segmentos de renda e de escolaridade. O ex-capitão, também, lidera nos recortes sexo e idade. Com isso, pode-se depreender que o ritmo do candidato do PSL é mais vigoroso que o ritmo do petista, até mesmo no “potencial de voto” e na “certeza do voto”. Bolsonaro tem um eleitor mais convicto e Haddad, por sua vez, já é mais rejeitado que Bolsonaro.

Com esses dados apresentados pela pesquisa, alguns pontos a considerar:

1) Bolsonaro colhe os frutos de ter se firmado – antes dos outros – com maior força como um antipetista e o maior antagonista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava Jato;

2) A estratégia do PT de manter Lula em evidência e até o último momento e ligando-o a Haddad contribuiu sobremaneira para a força do discurso de Bolsonaro;

3) Provavelmente se o PT tivesse retirado Lula de cena e fortalecido a imagem mais centrada de Haddad, hoje, a disputa seria de outra ordem;

4) A campanha de Haddad ao mudar suas cores e subtrair o nome de Lula acusou, tardiamente, o golpe, mas tais mudanças não surtirão efeito, especialmente pela força dos seguidores de Bolsonaro nas redes sociais;

5) Haddad insistirá na ida de Bolsonaro aos debates televisionados, crendo que, com isso, possa frear seu oponente expondo suas fragilidades;

6) Se, por ventura, Bolsonaro for aos debates e seu desempenho for ruim, mesmo assim, terá pouco impacto em sua imagem e em suas intenções de voto, mantendo a vantagem;

7) A tal frente dos democratas – junto com Haddad – contra Bolsonaro não empolgou ninguém, ou seja, nem Marina e nem Ciro, especialmente,  estão dispostos a vincular sua imagem à de Haddad neste momento;

8) A construção narrativa do PT do “nós” contra “eles” conseguiu, só agora, um adversário que luta na mesma sintonia – o PSDB e Marina nunca conseguiram devolver, na mesma moeda, os torpedos discursivos dos petistas;

9) A força de Bolsonaro nas redes sociais rompeu o paradigma da importância do tempo de rádio e televisão; e, finalmente,

10) A não ser que Bolsonaro cometa um erro crasso ou um escândalo de enorme proporção modifique o humor do eleitorado, será muito, muito difícil Haddad superar seu adversário.

informações Estadão

Favorito, Jair Bolsonaro joga parado no 2º turno

Por:Josias de Sousa

O turno final da sucessão presidencial entra na sua segunda semana. E tudo o que o estado-maior do PT conseguiu levar à mesa foi a proposta de formação de um polo de forças democráticas contra Jair Bolsonaro. Acotoveladas pelo petismo nos últimos 14 anos, as forças democráticas ainda não se animaram a responder ao chamamento por uma união em torno de Fernando Haddad.

Ciro Gomes foi para estrangeiro. Marina Silva recolheu-se. Fernamdo Henrique Cardoso diz que há uma porta entre ele e Haddad. Mas esclareceu que ela não se abrirá sem que o PT ajoelhe no milho para expiar os seus pecados. Haddad sonha com o apoio de personalidades como Joaquim Barbosa.

O cenário é francamente favorável a Bolsonaro. A democracia brasileira falhou tanto nos últimos anos que a expressão polo democrático perdeu força. Na cabeça de muitos eleitores, polo é um lugar frio —ideal para que Bolsonaro implemente a sua tática de congelar a campanha, ausentando-se de debates. Forças democráticas viraram um outro nome para corrupção, desemprego, violência e serviços públicos precários.Contra esse pano de fundo,  Bolsonaro pode chegar ao Planalto jogando parado no segundo turno.

A cara do governo será outra

A coligação governista elegeu 24 deputados estaduais de 8 partidos e 8 deputados federais de 6 partidos, além dos dois senadores, cada um de um partido diferente, configurando uma vitória esmagadora contra os adversários. A força eleitoral da chapa governista, porém, pode trazer um problema na composição da equipe que auxiliará o governador na tarefa de administrar o estado, porque terá de montar um time com a necessidade de reduzir a máquina para economizar nas despesas.

É óbvio que quem se elegeu ou o partido com uma bancada, de certo modo numerosa, vai reivindicar mais espaço no governo e pastas de grande relevância no contexto da administração pública estadual. Wellington Dias vai precisar conversar muito com seus aliados para montar uma equipe que satisfaça a todos mas até o limite que ele pode atender. Não é mais possível manter a estrutura atual, principalmente a existência de coordenadorias criadas para acomodar aliados de última hora.

Incluindo o PT, são 9 partidos que fizeram parte do apelidado “chapão” que elegeu 24 deputados estaduais e 8 federais (PT/PP/MDB/PDT/PTB/PR/PSD/PRTB e PC do B) e que portanto vão querer participar. PT/PP e MDB, obviamente, vão querer maior quinhão por serem as maiores bancadas. Juntos representam 16 deputados estaduais e 5 federais, além dos dois senadores, ou seja, vão querer ficar com a maior fatia do bolo dos cargos, porque só a soma deles representa a maioria absoluta na Assembléia.

Por ter entrado no governo somente no final do ano passado, o MDB ocupa no governo apenas um cargo de 1º escalão, no caso a Secretaria de Assistência Social, pois os demais são de 2º, destacando-se apenas o DER (Departamento de Estradas de Rodagem), enquanto os demais são coordenadorias. Agora não. O partido, alegando ter 1 senador, um deputado federal e 6 estaduais vai querer ampliar seus espaços na administração estadual para fazer jus à sua representatividade parlamentar.

O PP, por sua vez, é aliado de primeira hora do PT, estando com o partido desde as eleições de 2014. Por ter 1 senador (agora reeleito), 1 deputado federal e 1 estadual, o PP tem participação, digamos, regular, no governo; Secretaria de Transporte, além do Detran (2º escalão), co-participação na Secretaria de Saúde e diretorias em órgãos e empresas do estado. Nesta eleição, conseguiu eleger, além de Ciro Nogueira, duas deputadas federais e cinco deputados estaduais. Vai reivindicar mais espaços.

Embora tenha ampliado sua bancada estadual de 3 para 5 deputados, o PT perdeu a cadeira de senador conquistada em 2010 e manteve os dois deputados federais. Por ter eleito o governador, o partido continuará mantendo cargos estratégicos no governo, embora tenha que ceder espaços para os aliados. O partido não deve mais ficar com Educação, Saúde, Fazenda e Agricultura. O que parece ter unido os aliados na eleição pode se repetir na composição, desde que os critérios sejam respeitados. A cara do governo neste novo mandato será outra.

Por: 

Eleitores de olhos bem abertos, com a classe política sob descrédito

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Os eleitores são sábios. O recado que deram por meio das urnas foi eloquente. Não querem mais o modelo tradicional que imperou na política. Isso ficou evidente, sobretudo, na renovação histórica do Congresso, com a expulsão de caciques das decisões que movem o destino do país — muitos deles, se ressalte, denunciados por corrupção. Por maiores que sejam as dúvidas sobre a capacidade do futuro Legislativo de atender as demandas da população, o novo reascende a esperança daqueles que torcem por um Brasil melhor.

O Congresso chegou a um nível insuportável de descrédito. Em vez de legislar em prol da maioria, sempre privilegiou um pequeno grupo afeito à corrupção. Num país com tanto por se feito, não há mais espaço para essa política do atraso. É inaceitável que parlamentares eleitos para representar o povo sejam indiciados pela polícia por todo tipo de crime. Chegou-se ao cúmulo de termos deputados propondo leis durante o dia e passando a noite na cadeia. Tivemos de assistir, atônitos, pela tevê, a Operação Lava-Jato fazendo buscas e apreensão em gabinetes da Câmara e do Senado. Como ter o respeito da população? Como acreditar nesse sistema podre, nessa velha política?

MUITO ATENTO – Apesar de todo alento que as eleições do último domingo trouxeram, é preciso ficar muito atento. Teme-se que, por meio de caras novas, o Congresso não só mantenha as práticas nefastas que são históricas, mas, também, impulsione uma onda conservadora que pode pôr fim a avanços importantes. Projetos nesse sentido não faltam no Legislativo. Felizmente, nos últimos anos, todas as tentativas de retrocesso foram barradas pelo bom senso de minorias que gritaram muito alto. Contudo, em meio à onda radical que atormenta o país, qualquer descuido pode ser fatal.

É com esse novo Congresso que o futuro presidente da República terá de governar. Não à toa, economistas, empresários e investidores estão mapeando qual será o tamanho da força que o eleito em 28 de outubro terá para levar adiante projetos de extrema importância para tirar o Brasil do atoleiro.

SEM MAIORIA – Nenhum dos dois candidatos escolhidos para o segundo turno demonstra ter maioria. O PT de Fernando Haddad e o PSL de Jair Bolsonaro terão as duas maiores bancadas da Câmara dos Deputados. Mas precisarão suar a camisa para montar uma coalizão consistente, dada à fragmentação das legendas.

A expectativa é de que o eleito consiga, ainda no primeiro ano, aprovar as duas principais reformas: a da Previdência Social e a tributária. Se conseguir, terá todas as condições para retomar o crescimento econômico, reverter o desemprego e reduzir as desigualdades sociais que só fazem aumentar.

Os especialistas dizem, porém, que todas as mudanças terão de ser feitas ainda no primeiro ano, sob o risco de o descrédito minar a força que todos os governantes costumam ter em início de mandato. Exemplos para isso não faltam.

O Piauí do atraso, a volta da oligarquia

Por: Francisco Jurity

A vida se vive de vitórias e derrotas. O importante é sair da luta de cabeça erguida, combatendo o bom combate, especialmente de uma luta desigual, onde o uso da máquina e do poder econômico fazem a diferença. Claro que sempre foi assim mas, depois do modelo de fazer a política implantado pelo PT Nacional, orientada por Zé Dirceu, instalado no Brasil, ficou mais difícil ainda, para o exercício da democracia. No segundo turno teremos uma resposta em forma de revolta popular, o que ocorrerá em nosso Piauí, cedo ou tarde.

A oligarquia do século passado que ajudamos a derrotar, era menos nociva da que está instalada hoje no Piauí. Porquê? A oligarquia do século passado era constituída por uma ou duas ou três famílias,  Freitas, Gayoso, Portela e meia dúzia de amigos. Agora essa oligarquia petista se mantém no poder, com apoio de um arco de alianças de famílias que se enriqueceram às custas dos cofres públicos, e não mais querem largar o osso.

Usando a fórmula do Zé Dirceu, bota o povo pra pensar com a barriga, como dizia Lula. Acumular dinheiro pra distribuir pro povo e a eleição tá decidida, simples assim. Mas um dia teremos uma lava jato no Piauí e por consequência haverá uma revolução das massas, cansados de serem enganados. Essa é a minha opinião!

Vai dar Bolsonaro no 2º turno

Por: Zózimo Tavares

Hoje trago um levantamento sobre os resultados das eleições presidenciais, desde quando elas foram restabelecidas no Brasil, em 1989.

Na primeira eleição para presidente, no período democrático, foram para o segundo turno os candidatos Fernando Collor (PRN), com 30,47% dos votos, e Lula (PT), com 17,18%.

No segundo turno, Collor venceu a eleição com 53,03% dos votos, contra 46,97% de Lula.

Na eleição de 94, não houve segundo turno. O tucano Fernando Henrique Cardoso FHC venceu no primeiro, com 54,24%, contra 27,07% de Lula.

A eleição seguinte, em 98, também foi decidida já no primeiro turno. FHC se reelegeu com 53,06%, contra 31,71% de Lula.

Em 2002, Lula conseguiu 46,44% dos votos no primeiro turno, contra 23,19% de Serra. No segundo turno, o petista obteve 61,27% da votação e o tucano, 38,72%.

Na eleição de 2006, novamente a parada foi decidida no segundo turno. No primeiro, o presidente Lula conseguiu 48,61% da votação, contra 41,64% de Geraldo Alckmin.

No segundo turno, o presidente foi reeleito com 60,83%, enquanto o tucano ficou com 39,17% dos votos.

Novo segundo turno na eleição presidencial de 2010. A petista Dilma Rousseff conquistou 46,91% dos votos no primeiro turno, contra 32,61% do tucano José Serra.

No segundo turno, ela foi eleita com 56,05, contra 43,95% dos votos conseguidos pelo tucano.

Mais uma vez, a eleição foi decidida no segundo turno em 2014. No primeiro turno, a presidente Dilma alcançou 41,59% da votação e Aécio Neves (PSDB), 33,55%.

No segundo turno, a presidente foi reeleita com 51,64%, contra 48,36% do senador Aécio.

A eleição deste ano também empurrou a decisão final para o segundo turno. No primeiro, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) ficou com 46,03% dos votos, contra 29,28% atribuídos ao candidato do PT, Fernando Haddad.

Resumo da ópera

Ou seja, de 1989 para cá foram realizadas oito eleições presidenciais. Apenas duas delas não tiveram segundo turno, em 94 e em 98, ambas vencidas por FHC.

As outras cinco foram conquistadas pelo candidato com maior votação no primeiro turno. Isto é, o segundo turno apenas confirmou o resultado do primeiro.

A sexta eleição presidencial com segundo turno, que é esta de 2018, ainda está em aberto. Ela só será concluída dia 28.

Porém, pelo histórico das eleições presidenciais e pela análise do cenário político brasileiro, não é difícil arriscar um palpite certeiro sobre o seu resultado.

Os 11 candidatos que não chegaram ao segundo turno obtiveram, juntos, 24,69% dos votos. O candidato do PSL entrou no segundo turno com uma vantagem de mais de 16%, sobre Haddad. Até aqui é a maior diferença imposta a um candidato petista que passa ao segundo turno. 

Bolsonaro precisava de mais 4% dos votos para liquidar a fatura no primeiro turno; Haddad, de pouco mais de 20%.

No segundo turno, ganha quem simplesmente obtiver a metade dos votos mais um. Os eleitores de Haddad não desistem dele. Os de Bolsonaro também não.

Nas eleições presidenciais brasileiras, até hoje, nenhum candidato na segunda colocação virou a votação no segundo turno.

Além do mais, a “onda amarela” chegou à eleição de domingo passado num crescendo.

Portanto, Jair Bolsonaro está virtualmente eleito. O mais é farofa-fá!

A era da ‘fake news’

 

Por:Janguiê Diniz

A tecnologia associada ao uso da internet tem estimulado bastante o desenvolvimento intelectual das pessoas e, se olharmos por esse lado, isto traz um grande benefício. No entanto, o acesso à internet em grande escala também tem corroborado para um sério problema chamado de fake news (“notícias falsas”, em tradução livre).

Nos últimos anos, esse tema tem ganhado muito destaque por causa da quantidade de informações inverídicas que têm circulado nas redes sociais, no aplicativo WhatsApp e em alguns veículos de comunicação. Para se ter uma ideia, segundo o Relatório da Segurança Digital, produzido pelo dfndr lab, laboratório de segurança da PSafe, no Brasil, asfake news tiveram mais de 2.9 milhões de acessos entre janeiro e março de 2018. Ainda de acordo com o levantamento, 95,7% dos conteúdos falsos foram disseminados via WhatsApp.

Os números expressivos não chamam atenção apenas pelo curto prazo, afinal, o impacto que isso tem causado gera um problema preocupante, já que as notícias falsas são repassadas rapidamente e muitas delas podem interferir na vida das pessoas, uma vez que possuem as linhas de difamação, ódio, bizarrices, entre outros. 

O que também impressiona é que esse tipo de negócio é lucrativo para os criminosos. Como o objetivo é lucrar indevidamente a partir de visualizações e cliques em anúncios e páginas, quanto mais usuários impactados, maior o lucro. Isso justifica as chamadas sensacionalistas e mentirosas.

Desta forma, esse assunto chama a atenção e pede da gente o hábito de sempre duvidar das informações compartilhadas na internet, sobretudo aquelas que se tratam de temas polêmicos e alarmistas. É possível se proteger e ficar atento à estrutura do texto, às características da marca dos veículos, ao tamanho da fonte da palavra ‘compartilhe’, ao uso de dados inconsistentes, ao uso de informações que não possuem relação com o assunto abordado, erros gramaticais e de ortografia, entre outros.

(*) *Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional

PDT e PSB esnobam Haddad e não vão fazer campanha contra Bolsonaro

                                                                 No segundo turno, Haddad terá de se virar sozinho

Carlos Newton

Na noite de domingo, quando já se conheciam os resultados da eleição presidencial no primeiro turno, a senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, ligou para Carlos Lupi para marcar uma reunião destinada a acertar o apoio do PDT e de Ciro Gomes ao petista Haddad no segundo turno. O celular tocou, o presidente do PDT conferiu quem fazia a ligação e simplesmente não atendeu. Estava jantando com Ciro Gomes em Fortaleza e na mesma hora decidiram que o PDT daria à candidatura de Haddad apenas “apoio crítico” ou “sem empenho”. Em tradução simultânea, Ciro não vai sair às ruas para fazer campanha defendendo voto em Haddad.

Outras decisões dos pedetistas foi fazer oposição ao provável governo Bolsonaro e lançar a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência em 2022. Ou seja, a próxima campanha presidencial terá caráter permanente.

PSB NO MURO – O PT está tentando também reafirmar o acordo de primeiro turno com o PSB, que garantiu a vitória do governador socialista Paulo Câmara em Pernambuco, com mais de 50% dos votos válidos.

O acordo até interessa ao governador Márcio França, que tenta a reeleição em má situação, porque no primeiro turno o tucano João Doria chegou na sua frente com uma diferença superior a 2 milhões de votos.  

Mas acontece que, para derrotar Dória, França precisará não somente atrair votos do PT (Luiz Marinho teve 12,66%), como também do PMDB (Paulo Skaf conseguiu 21,02%), e de candidatos de outros partidos. Por exemplo, o Major Costa e Silva (DC) teve 3,69%; Rogerio Chequer (Novo) chegou a 3,32%; Rodrigo Tavares (PRTB), alcançou 3,21% e a Professora Lisete (PSOL) obteve 2,51%. Ou seja, esses quatro tiveram quase 13 milhões de votos.    

BOLSONARO REINA – Sonhar ainda não é proibido, mas o fato concreto é que Jair Bolsonaro domina esta eleição. As chances de o petista Fernando Haddad ser eleito no segundo turno são mínimas, quem quiser que se iluda.

Como diz nosso amigo Pedro do Coutto, a “falsa esquerda” que o PT representou no teatro da política fortaleceu a direita de tal maneira no Brasil que os verdadeiros esquerdistas tiveram de submergir e vão demorar a voltar à tona, para dar seguimento ao bom combate preconizado pelo apóstolo Paulo.

É claro que há de chegar um dia em que direita e esquerda não existirão mais, porém isso só acontecerá quando o homem descobrir que a única coisa que interessa é fazer a coisa certa, ao estilo preconizado por Sidarta Gautama, o Buda, que nasceu 560 anos antes de Cristo.

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P.S. – A Bíblia é uma compilação de parte da cultura existente na época. Contém muitos ensinamentos de Buda, Sócrates e outros grandes pensadores 

O confronto é entre duas seitas, lulistas e bolsonaristas, mas viva a democracia!

                                                                                           Charge reproduzida do Arquivo Google

Jair Bolsonaro (PSL) virou onda sob os ventos conservadores que assolam o Brasil, mas a vitória em primeiro turno parecia improvável. A perspectiva era de um segundo turno entre duas seitas políticas, o bolsonarismo e o lulismo, alheias à crítica, à autocrítica e às divergências. A eleição passa, mas essa guerra vai continuar.

Fernando Henrique, em 1994, e Lula, em 2002, tinham uma certa lógica, até onde a política consegue ter alguma lógica. Mas 2018 lembra mais 1989, com o “caçador de marajás” Fernando Collor (seria cômico, não fosse trágico), e 2014, com a “gerentona” Dilma Rousseff (o que é só trágico).

ERA UM TEATRO – Collor crescendo, crescendo, e os brasileiros acreditando, festivamente, nos jargões, no teatro, sem refletir sobre o passado do candidato nem projetar o futuro presidente. Dilma liderou do início ao fim, sem que os eleitores, expostos a um marketing de muita qualidade técnica e pouca ética, enxergassem as pedaladas para driblar a realidade e cair no precipício logo ali.

Assim chegamos a este 7 de outubro com o País sem racionalidade, dividido entre antipetismo e antibolsonarismo. Os eleitores só veem, ouvem e sentem o que querem, sem a dúvida, os prós e contras. Se a seita PT obedece a tudo o que seu mestre Lula mandar, a seita bolsonarista bate continência a todas as ordens do capitão Bolsonaro.

Para o PT, estão errados a Justiça, o MP, a PF, a Receita e a mídia, só Lula está certo. Não interessa que ele tenha dividido o País em “nós e eles”, mergulhado alegremente nas benesses de empreiteiras e bancos, institucionalizado a propina e fatiado a Petrobrás. Só que ele usou os ventos internacionais para dar crédito, consumo e bolsas à vontade e é adorado por um terço da população.

CONTRA O PT – E por que Bolsonaro? “Porque sou contra o PT.” Sim, mas e o Bolsonaro? O que ele já fez, faz, é capaz de fazer? O que ele é, o que pensa? A equipe dele? O risco?

Aí, a resposta é um muxoxo, uma certa preguiça para pensar, admitir que o candidato foi péssimo militar, é péssimo político, meteu a família inteira na política, nunca administrou nem padaria. Um “defensor da família” que já se separou quantas vezes mesmo? Algumas, aliás, de forma bem tumultuada.

Na hora do “vamos ver”, quando passam a festa e a transição e o eleito senta na cadeira para governar, começam os problemas. Em meio à tempestade, com 13 milhões de desempregados, pior ainda. Há, porém, uma diferença clara entre o que poderá ser o início Bolsonaro e o início Haddad.

DOIS ESTILOS – O capitão vai meter o pé na porta, botar pra quebrar, como gostam seus apoiadores. Mas Haddad vai chegar com jeito de professor, fala mansa, agregador. Quando todo mundo se acostumar, quem sabe até gostar, aí é que o PT “toma o poder”. Está na alma do partido aparelhar o Estado: bancos públicos, empresas, instituições, até organismos internacionais.

Quando Bolsonaro vier com tudo, o PT será de grande utilidade. Quando o PT intervier no governo Haddad, se for ele o vitorioso, a militância de Bolsonaro, forjada em junho de 2013 e encorpada pelas redes sociais, estará a postos. O confronto entre governo e oposição é saudável, democrático, mas como não aprofundar a polarização e o ódio que vai se instalando, replicado até mesmo no próprio Supremo?

Tempos difíceis virão com um segundo turno entre candidatos com índices inéditos de rejeição e um governo, seja qual for, que assumirá com déficit monumental, falta de dinheiro para tudo, necessidades urgentes, reformas inadiáveis, empresas fechando, milhões de desempregados e… uma oposição armada até os dentes.

Mas tem boa notícia: quanto maior a ameaça do autoritarismo, mais os brasileiros se lembram do valor da democracia.

Governo faz cabelo, barba e bigode no Piauí

Por:Zózimo Tavares

O governador Wellington Dias é o único político do Piauí com três mandatos no Palácio de Karnak. Ontem, ele quebrou o seu próprio recorde, ao se eleger para o quarto mandato de governador.

Todas as suas eleições para o governo foram conquistadas sempre no primeiro turno.

Em 2002, Wellington Dias conseguiu a sua primeira eleição de governador com 50,95% dos votos válidos, contra 44,06% do governador Hugo Napoleão (PFL) e 3,10% do professor Jônathas Nunes (PMDB).

Ele foi reeleito em 2006 com 61,08%, contra 25% do senador Mão Santa (PMDB) e 12,21% do então ex-prefeito Firmino Filho (PSDB).

Wellington, à época na metade do mandato de senador, venceu nova eleição para o governo, em 2014, pela oposição, com 63,08% dos votos, contra 33,25% do então governador Zé Filho (PMDB). Foi o seu melhor desempenho na disputa para o governo.

Ontem, ele foi reeleito com 55,65 % dos votos.

Marcelo Castro e Ciro Nogueira, os senadores

O novo mandato

O governador disse ontem à noite, em sua primeira entrevista após a reeleição, que depois da vitória tudo parece fácil, mas não foi nada fácil na conquista de seu quarto mandato para o Palácio de Karnak. Ele afirmou que aconteceram milagres.

Wellington Dias garantiu que o novo mandato nada terá a ver com os anteriores, porém não detalhou no que ele será diferente.

Além de renovar o mandato, o bloco do governo conseguiu ontem eleger os dois senadores – Ciro Nogueira (Progressistas) e Marcelo Castro (MDB).

Fez mais: preencheu oito das dez cadeiras de deputado federal e 25 das 30 cadeiras da Assembleia Legislativa.

Como se diz popularmente, fez cabelo, barba e bigode.

Vou votar, sim- mas não para governador do Piauí

 

Não vou votar para governador do Piauí e digo o porquê. Simplesmente porque os institutos de pesquisas – se merecem ou não credibilidade, não sei- já reelegeram Wellington Dias no 1º turno. Em inúmeras e suspeitadíssimas pesquisas. E eu jamais votaria num cara do nível deste governador que está aí. Um homem pequeno, sem alma, sem nada. Aprendiz de feiticeiro, enganador de serpentes, como o denominou o respeitabilíssimo jornalista Zózimo Tavares, em um de seus vários e notáveis livros.

O cara traiu todos aqueles que acreditaram naquele menino pobre, do interior do Piauí, simples, humilde, de um discurso conciliador e que pregava o respeito aos menores, aos menos aquinhoados. Esse cara hoje é Wellington Dias, riquíssimo, poderoso, cercado de puxa-saco, que, como todo bom petista, é capaz de pisar no pescoço da própria mãe para se manter no poder. E pra quê o poder? Para ajudar os pobres? Gerar riquezas e dividi-las com quem necessita? Não. Para tirar o pouco do que o Estado possui e dividir consigo e com meia dúzia de contumazes sugadores de cofres públicas, de índole duvidosa, alguns dos quais comprometidos com a justiça e que buscam um mandato para usufruírem do vergonhoso e imoral foro privilegiado.

Chega! Wellington Dias com mais um mandato de governador? Não, não e não!!! O povo o elegeu em 2002, junto com Lula, e ele, “o índio mais sabido do Brasil”, como disse o próprio Lula, hoje na cadeia, nunca mais saiu do poder até hoje. Sim, o breve hiato que houve foi quando ele traiu o empresário João Vicente Claudino, a quem disse que indicaria seu sucessor, mas optou por indicar seu vice, Wilson Martins, quando se elegeu para senador, após haver declarado que havia falado com Deus e havia decidido que cumpriria 4 anos de mandato mas, o seu deus Lula, pediu que ele entrasse na campanha para senador…. Wellington foi para Brasília, mas a petezada ficou mamando nas tetas do governo Wilson Martins.

E o que Wellington Dias fez pela nossa Parnaíba? Permitiu distribuição de contracheques para uma claque que hoje o aplaude, inclusive os dois ex-prefeitos de Parnaíba- Zé Hamilton e Florentino, que parece não lembrarem e não saberem que Wellington Dias é um daqueles que tem inveja da cidade e da nossa gente. Tirou o pouco que tínhamos. E não foi só a Academia de polícia. Sucateou órgãos importantes, como o IAPEP, hoje Iasp; Detran; educação, saúde, segurança pública, afora as obras que encontrou em andamento que paralisou, a exemplo da estrada para Pedra do Sal, extensão da Avenida São Sebastião, as promessas de Orla da pedra do Sal, Porto dos Tatus, Mercado da Caramuru, Ponte Simplício Dias, reforma do Porto das Barcas, enfim, não vou citar mais porque estou com ânsia de vômito.

Sim, Sr. José Wellington Barroso de Araújo Dias. Sou o mesmo professor e jornalista Bernardo Silva, que há meses escreveu um artigo dizendo que você havia falhado até como ser humano. Sou servidor estadual aposentado, minha mulher está com câncer e teve o tratamento retardado porque no dia que era para iniciar o tratamento no Hospital São Marcos pelo PLAMTA, os convênios estavam suspensos porque o seu governo, irresponsavelmente, pegou o dinheiro que desconta em nossos contracheques e deu a ele uma destinação não sabida. Tenho nojo e vergonha de quem não honra a confianças das pessoas. E o senhor fez isso, com o povo do Piauí. Que Deus tenha piedade de você, de sua alma (se ainda a possui), e dos urubus que o rodeiam. Tenho dito. E PT saudações!!!!

Eleições 2018: o pleito que virou campo de guerra

Por:Janguiê Diniz (*)
As eleições se aproximam e, em 2018, ganham contornos diferentes dos últimos pleitos. Desta vez, o processo está muito mais polarizado. Parece que o Brasil se divide entre esquerda e direita, coxinhas e mortadelas. Essa polarização tem levado a um “ufanismo eleitoral” assustador. Quase não se debate mais política; ao contrário, o que acontece são verdadeiros bate-bocas, discussões acaloradas, xingamentos mútuos. Aparentemente, a situação está mais desrespeitosa do que as brigas de torcidas esportivas.
Se antes política era um assunto saudável de ser debatido, hoje pode até virar caso de polícia. Não se aceita mais o contraditório, a opinião divergente. Parece que, se eu não penso igual a você, nunca nos entenderemos e seremos eternamente rivais. Como se não fôssemos capazes de entender o ponto de vista do outro ou mesmo mudar de ideia.
Até compreendo, apesar de não concordar com toda essa raiva. Afinal, a situação política do País é das piores possíveis. Desse desacerto nos três Poderes, decorrem crises na educação, segurança pública, saúde, economia, enfim, todos os âmbitos da nossa vida. Estamos mergulhados em uma grave crise, acima de tudo moral e institucional. Isso tudo causa uma revolta na população, que se desespera na busca por possíveis soluções – que têm que vir, em parte, de fato, dos políticos que dirigem o País. 
Nesse tempo, os mais exacerbados se agarram a nomes como tábuas de salvação e transformam pessoas – candidatos a cargos eletivos – em quase divindades e atribuem a elas o poder de tirar o Brasil do buraco. Acontece que qualquer outro posicionamento que não aquele que a pessoa estabeleceu como o caminho a ser seguido é tido como errado, qualquer outro candidato é logo taxado como incompetente. Que engano.
Primeiro: por mais bem intencionado que qualquer postulante nesta eleição esteja, não será ele sozinho que irá reverter a situação atual. Ele pode ter a iniciativa, mas precisará da colaboração de diversas instâncias para realizar as melhorias necessárias. Não é uma tarefa fácil, de fato. 
Mas não devemos depositar em uma pessoa a esperança da salvação do país. Isso, inclusive, causa uma “cegueira” que pode ser muito arriscada. Não ver outras possibilidades é um grande erro. Segundo: não há porque brigar tanto, disseminar tanto ódio contra o que pensa desigual. Defender uma convicção política não significa execrar ou achincalhar quem não concorda. É possível discordar, respeitando a outra parte. 
Política não é religião. Político não é Deus. Até porque, em uma democracia, ao menos em tese, o poder emana do povo.
(*)Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional