Cabra-cega.

 

 * Pádua Marques.

Tinha uma brincadeira no meu tempo de menino que ainda me lembro como se fosse hoje, a cabra-cega. Nunca esteve tão próxima e servindo de exemplo pra o que está acontecendo na política. Quem está acima dos 60 anos há de se lembrar que naquele tempo não existia televisão na Parnaíba e à noite as crianças ficavam brincando umas com as outras na porta da rua.

Cabra-cega era brincadeira de meninos e meninas. Começava com uns poucos, mas depois ninguém dava conta. Uma das meninas corria lá dentro de casa procurando um pedaço de pano, uma fralda, um pedaço de saia que fosse e na volta era escolhido aquele que daria a saída. O chefe da brincadeira dava umas rodadas pra ele ficar zonzo, tonto de onde estava. Fosse menino ou menina. Não tinha esse negócio não.

Cabra-cega. Não sei até hoje quem inventou, mas era brincadeira boa dos tempos dos meninos e meninas de meu tempo. Quem brincou nunca há de esquecer. E vinham mais depois outros e mais outros meninos das outras ruas. Vinham atraídos pelos gritos e risadas. Vinham suados, de calção e sem camisas, brigões, meninos feios, fogoiós e até os com cara de china. Vinham das redondezas, de outras brincadeiras de cowboys, de manchas, de pegar no rabo da raposa, do jogo de bola de meia.

E a gente ficava até a hora de se recolher pra dentro de casa nessas brincadeiras de pegar e soltar uns aos outros. Não havia saliência. Os meninos e meninas menores sempre eram os mais fáceis de serem capturados. Caiam na vez de sofrerem por um bom tempo até que passavam pra outros. Na escola era a mesma coisa. Brincadeiras de mancha. Esta agora sem os olhos cobertos por um pano. Valia a resistência.

Era brincadeira de astúcia. Consistia em descobrir e pegar o colega escondido.  Sendo apanhado, era a hora de começar tudo, fazer tudo, usar de todas as formas pra sair do castigo. Outras brincadeiras do meu tempo de criança tinham as mesmas ou quase o mesmo jeito. Eram pra fazer a gente se sair, tentar passar essa dificuldade pro outro. Como é na política.

E a gente no final da noite antes de pegar o rumo de casa, havia mostrado o quanto era esperto e rápido em se livrar de armadilhas. Porque todas aquelas brincadeiras, fosse no meio da rua ou na escola à hora do recreio, tinham essa coisa de nos testar. Essa mesma agilidade que deve ser testada agora nessas eleições pra presidente. Estamos no meio de uma grande brincadeira de cabra-cega.

Só que desta vez são dois homens com panos nos olhos tentando nos pegar. Jair Bolsonaro e Fernando Haddad são as duas cabras-cegas.  E os meninos e meninas se pondo a correr e se esconder pelos cantos e em cima dos muros e das cercas, por detrás dos carros estacionados na rua, na casa dos vizinhos e atrás uns dos outros. Ou somos nós as cabras-cegas? * Pádua Marques, jornalista e escritor. 

Perspectiva do emprego 2018/2019

Por:*Clemente Ganz Lúcio

Com as diversas inovações tecnológicas, o sistema produtivo, a geração de energia, a comunicação e o transporte têm se modificado intensamente, facilitando a articulação das cadeias produtivas globais e a estruturação de uma nova divisão internacional do trabalho. O sistema financeiro compra empresas e patrimônios naturais, amplia formas de gerar lucro e de acumular e concentrar renda e riqueza. Esse processo exige a prospecção sobre o que será o futuro do trabalho e do emprego.

 Um bom ponto de partida é entender a situação da dinâmica econômica e regulatória do mercado de trabalho, o que está acontecendo e quais as perspectivas para o emprego. A OIT (Organização Internacional do Trabalho) disponibilizou duas importantes publicações: Perspectivas Sociales y del Empleo en el Mundo – tendencias 2018 (OIT, Genebra, 2018) e Panorama Laboral 2017 América Latina y Caribe (OIT, Lima, 2017). Esses documentos reúnem informações e análises preciosas.

A força de trabalho mundial é da ordem de 3,3 bilhões de pessoas, das quais mais de 190 milhões estão desempregadas. Aumenta o contingente dos desalentados, pessoas que desistem de procurar empregos.

A América Latina e o Caribe reúnem uma força de trabalho de 300 milhões de pessoas, com 20 milhões de desempregados e quase 36% dos ocupados em empregos vulneráveis.

A OIT estima que 42% dos empregos no mundo são desprotegidos, número que cresce desde 2012. Há, portanto, um fenômeno estrutural de aumento dos empregos vulneráveis (trabalhadores por conta própria, trabalhadores familiares auxiliares e assalariados sem registro) em um contexto de altas taxas de desemprego de longa duração. Nos países emergentes, os empregos vulneráveis atingem 76% das ocupações.

Cerca de 300 milhões de trabalhadores recebem salários inferiores a 1,90 dólar por dia. Nos países em desenvolvimento, a força de trabalho em situação de extrema pobreza ultrapassa 114 milhões de pessoas, o que equivale a 40% de todos aqueles que estão empregados nessas regiões. A pobreza moderada (situação na qual está quem recebe entre 1,9 e 3,1 dólares por dia) atinge 430 milhões de trabalhadores.

São imensas as desigualdades de gênero: as mulheres ganham menos e ocupam a maioria dos empregos vulneráveis. Os jovens enfrentam restrições para o acesso a um posto de trabalho precário e convivem com taxas de desemprego três vezes superiores às dos adultos

 O emprego rural já não é mais substituído pelo industrial e urbano. A ocupação rural é eliminada e agora suprida por um posto no segmento dos serviços, a maioria de baixa qualidade, precária e vulnerável, com pequenos salários. Enquanto isso, o emprego industrial entra em declínio. A desindustrialização precoce dos países emergentes compromete o desafio de alçar e emparelhar o desenvolvimento produtivo dessas nações ao das desenvolvidas

]O crescimento econômico está anêmico, com baixo investimento privado, escassez de demanda (baixos salários, empregos precários e inseguros etc.), desigualdade crescente de renda e riqueza, o que esteriliza ainda mais a demanda

O processo civilizatório a partir do emprego regride. Montam-se armadilhas e os conflitos vão aumentar. Tempos de tempestades

*Clemente Ganz Lúcio é  Sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e do Grupo Reindustrialização 

ANÁLISE: Crescimento de Bolsonaro é mais vigoroso que ritmo de Haddad

 

A primeira pesquisa Ibope/Estado/TV Globo do segundo turno das eleições 2018, divulgada na segunda-feira, 15, indica Bolsonaro com 59% e Haddad com 41% dos votos válidos, ou seja, excluindo os votos nulos, brancos e indecisos. Uma vantagem enorme para Bolsonaro, cuja força política foi sentida ao final do primeiro turno, não apenas, aqui, na disputa presidencial, mas, especialmente, na força do PSL, elegendo a segunda maior banca da Câmara.

Na votação para o segundo turno, há os seguintes recortes: sexo, idade, escolaridade e renda familiar. Nestes dois últimos, Haddad tem maior intenção de votos entre os mais pobres – que ganham até 1 salário mínimo –  e entre os menos escolarizados –  que cursaram até a quarta série. Contudo, mesmo nestes recortes, Bolsonaro ganha de Haddad em todos os outros segmentos de renda e de escolaridade. O ex-capitão, também, lidera nos recortes sexo e idade. Com isso, pode-se depreender que o ritmo do candidato do PSL é mais vigoroso que o ritmo do petista, até mesmo no “potencial de voto” e na “certeza do voto”. Bolsonaro tem um eleitor mais convicto e Haddad, por sua vez, já é mais rejeitado que Bolsonaro.

Com esses dados apresentados pela pesquisa, alguns pontos a considerar:

1) Bolsonaro colhe os frutos de ter se firmado – antes dos outros – com maior força como um antipetista e o maior antagonista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava Jato;

2) A estratégia do PT de manter Lula em evidência e até o último momento e ligando-o a Haddad contribuiu sobremaneira para a força do discurso de Bolsonaro;

3) Provavelmente se o PT tivesse retirado Lula de cena e fortalecido a imagem mais centrada de Haddad, hoje, a disputa seria de outra ordem;

4) A campanha de Haddad ao mudar suas cores e subtrair o nome de Lula acusou, tardiamente, o golpe, mas tais mudanças não surtirão efeito, especialmente pela força dos seguidores de Bolsonaro nas redes sociais;

5) Haddad insistirá na ida de Bolsonaro aos debates televisionados, crendo que, com isso, possa frear seu oponente expondo suas fragilidades;

6) Se, por ventura, Bolsonaro for aos debates e seu desempenho for ruim, mesmo assim, terá pouco impacto em sua imagem e em suas intenções de voto, mantendo a vantagem;

7) A tal frente dos democratas – junto com Haddad – contra Bolsonaro não empolgou ninguém, ou seja, nem Marina e nem Ciro, especialmente,  estão dispostos a vincular sua imagem à de Haddad neste momento;

8) A construção narrativa do PT do “nós” contra “eles” conseguiu, só agora, um adversário que luta na mesma sintonia – o PSDB e Marina nunca conseguiram devolver, na mesma moeda, os torpedos discursivos dos petistas;

9) A força de Bolsonaro nas redes sociais rompeu o paradigma da importância do tempo de rádio e televisão; e, finalmente,

10) A não ser que Bolsonaro cometa um erro crasso ou um escândalo de enorme proporção modifique o humor do eleitorado, será muito, muito difícil Haddad superar seu adversário.

informações Estadão

Favorito, Jair Bolsonaro joga parado no 2º turno

Por:Josias de Sousa

O turno final da sucessão presidencial entra na sua segunda semana. E tudo o que o estado-maior do PT conseguiu levar à mesa foi a proposta de formação de um polo de forças democráticas contra Jair Bolsonaro. Acotoveladas pelo petismo nos últimos 14 anos, as forças democráticas ainda não se animaram a responder ao chamamento por uma união em torno de Fernando Haddad.

Ciro Gomes foi para estrangeiro. Marina Silva recolheu-se. Fernamdo Henrique Cardoso diz que há uma porta entre ele e Haddad. Mas esclareceu que ela não se abrirá sem que o PT ajoelhe no milho para expiar os seus pecados. Haddad sonha com o apoio de personalidades como Joaquim Barbosa.

O cenário é francamente favorável a Bolsonaro. A democracia brasileira falhou tanto nos últimos anos que a expressão polo democrático perdeu força. Na cabeça de muitos eleitores, polo é um lugar frio —ideal para que Bolsonaro implemente a sua tática de congelar a campanha, ausentando-se de debates. Forças democráticas viraram um outro nome para corrupção, desemprego, violência e serviços públicos precários.Contra esse pano de fundo,  Bolsonaro pode chegar ao Planalto jogando parado no segundo turno.

A cara do governo será outra

A coligação governista elegeu 24 deputados estaduais de 8 partidos e 8 deputados federais de 6 partidos, além dos dois senadores, cada um de um partido diferente, configurando uma vitória esmagadora contra os adversários. A força eleitoral da chapa governista, porém, pode trazer um problema na composição da equipe que auxiliará o governador na tarefa de administrar o estado, porque terá de montar um time com a necessidade de reduzir a máquina para economizar nas despesas.

É óbvio que quem se elegeu ou o partido com uma bancada, de certo modo numerosa, vai reivindicar mais espaço no governo e pastas de grande relevância no contexto da administração pública estadual. Wellington Dias vai precisar conversar muito com seus aliados para montar uma equipe que satisfaça a todos mas até o limite que ele pode atender. Não é mais possível manter a estrutura atual, principalmente a existência de coordenadorias criadas para acomodar aliados de última hora.

Incluindo o PT, são 9 partidos que fizeram parte do apelidado “chapão” que elegeu 24 deputados estaduais e 8 federais (PT/PP/MDB/PDT/PTB/PR/PSD/PRTB e PC do B) e que portanto vão querer participar. PT/PP e MDB, obviamente, vão querer maior quinhão por serem as maiores bancadas. Juntos representam 16 deputados estaduais e 5 federais, além dos dois senadores, ou seja, vão querer ficar com a maior fatia do bolo dos cargos, porque só a soma deles representa a maioria absoluta na Assembléia.

Por ter entrado no governo somente no final do ano passado, o MDB ocupa no governo apenas um cargo de 1º escalão, no caso a Secretaria de Assistência Social, pois os demais são de 2º, destacando-se apenas o DER (Departamento de Estradas de Rodagem), enquanto os demais são coordenadorias. Agora não. O partido, alegando ter 1 senador, um deputado federal e 6 estaduais vai querer ampliar seus espaços na administração estadual para fazer jus à sua representatividade parlamentar.

O PP, por sua vez, é aliado de primeira hora do PT, estando com o partido desde as eleições de 2014. Por ter 1 senador (agora reeleito), 1 deputado federal e 1 estadual, o PP tem participação, digamos, regular, no governo; Secretaria de Transporte, além do Detran (2º escalão), co-participação na Secretaria de Saúde e diretorias em órgãos e empresas do estado. Nesta eleição, conseguiu eleger, além de Ciro Nogueira, duas deputadas federais e cinco deputados estaduais. Vai reivindicar mais espaços.

Embora tenha ampliado sua bancada estadual de 3 para 5 deputados, o PT perdeu a cadeira de senador conquistada em 2010 e manteve os dois deputados federais. Por ter eleito o governador, o partido continuará mantendo cargos estratégicos no governo, embora tenha que ceder espaços para os aliados. O partido não deve mais ficar com Educação, Saúde, Fazenda e Agricultura. O que parece ter unido os aliados na eleição pode se repetir na composição, desde que os critérios sejam respeitados. A cara do governo neste novo mandato será outra.

Por: 

Eleitores de olhos bem abertos, com a classe política sob descrédito

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Os eleitores são sábios. O recado que deram por meio das urnas foi eloquente. Não querem mais o modelo tradicional que imperou na política. Isso ficou evidente, sobretudo, na renovação histórica do Congresso, com a expulsão de caciques das decisões que movem o destino do país — muitos deles, se ressalte, denunciados por corrupção. Por maiores que sejam as dúvidas sobre a capacidade do futuro Legislativo de atender as demandas da população, o novo reascende a esperança daqueles que torcem por um Brasil melhor.

O Congresso chegou a um nível insuportável de descrédito. Em vez de legislar em prol da maioria, sempre privilegiou um pequeno grupo afeito à corrupção. Num país com tanto por se feito, não há mais espaço para essa política do atraso. É inaceitável que parlamentares eleitos para representar o povo sejam indiciados pela polícia por todo tipo de crime. Chegou-se ao cúmulo de termos deputados propondo leis durante o dia e passando a noite na cadeia. Tivemos de assistir, atônitos, pela tevê, a Operação Lava-Jato fazendo buscas e apreensão em gabinetes da Câmara e do Senado. Como ter o respeito da população? Como acreditar nesse sistema podre, nessa velha política?

MUITO ATENTO – Apesar de todo alento que as eleições do último domingo trouxeram, é preciso ficar muito atento. Teme-se que, por meio de caras novas, o Congresso não só mantenha as práticas nefastas que são históricas, mas, também, impulsione uma onda conservadora que pode pôr fim a avanços importantes. Projetos nesse sentido não faltam no Legislativo. Felizmente, nos últimos anos, todas as tentativas de retrocesso foram barradas pelo bom senso de minorias que gritaram muito alto. Contudo, em meio à onda radical que atormenta o país, qualquer descuido pode ser fatal.

É com esse novo Congresso que o futuro presidente da República terá de governar. Não à toa, economistas, empresários e investidores estão mapeando qual será o tamanho da força que o eleito em 28 de outubro terá para levar adiante projetos de extrema importância para tirar o Brasil do atoleiro.

SEM MAIORIA – Nenhum dos dois candidatos escolhidos para o segundo turno demonstra ter maioria. O PT de Fernando Haddad e o PSL de Jair Bolsonaro terão as duas maiores bancadas da Câmara dos Deputados. Mas precisarão suar a camisa para montar uma coalizão consistente, dada à fragmentação das legendas.

A expectativa é de que o eleito consiga, ainda no primeiro ano, aprovar as duas principais reformas: a da Previdência Social e a tributária. Se conseguir, terá todas as condições para retomar o crescimento econômico, reverter o desemprego e reduzir as desigualdades sociais que só fazem aumentar.

Os especialistas dizem, porém, que todas as mudanças terão de ser feitas ainda no primeiro ano, sob o risco de o descrédito minar a força que todos os governantes costumam ter em início de mandato. Exemplos para isso não faltam.

O Piauí do atraso, a volta da oligarquia

Por: Francisco Jurity

A vida se vive de vitórias e derrotas. O importante é sair da luta de cabeça erguida, combatendo o bom combate, especialmente de uma luta desigual, onde o uso da máquina e do poder econômico fazem a diferença. Claro que sempre foi assim mas, depois do modelo de fazer a política implantado pelo PT Nacional, orientada por Zé Dirceu, instalado no Brasil, ficou mais difícil ainda, para o exercício da democracia. No segundo turno teremos uma resposta em forma de revolta popular, o que ocorrerá em nosso Piauí, cedo ou tarde.

A oligarquia do século passado que ajudamos a derrotar, era menos nociva da que está instalada hoje no Piauí. Porquê? A oligarquia do século passado era constituída por uma ou duas ou três famílias,  Freitas, Gayoso, Portela e meia dúzia de amigos. Agora essa oligarquia petista se mantém no poder, com apoio de um arco de alianças de famílias que se enriqueceram às custas dos cofres públicos, e não mais querem largar o osso.

Usando a fórmula do Zé Dirceu, bota o povo pra pensar com a barriga, como dizia Lula. Acumular dinheiro pra distribuir pro povo e a eleição tá decidida, simples assim. Mas um dia teremos uma lava jato no Piauí e por consequência haverá uma revolução das massas, cansados de serem enganados. Essa é a minha opinião!

Vai dar Bolsonaro no 2º turno

Por: Zózimo Tavares

Hoje trago um levantamento sobre os resultados das eleições presidenciais, desde quando elas foram restabelecidas no Brasil, em 1989.

Na primeira eleição para presidente, no período democrático, foram para o segundo turno os candidatos Fernando Collor (PRN), com 30,47% dos votos, e Lula (PT), com 17,18%.

No segundo turno, Collor venceu a eleição com 53,03% dos votos, contra 46,97% de Lula.

Na eleição de 94, não houve segundo turno. O tucano Fernando Henrique Cardoso FHC venceu no primeiro, com 54,24%, contra 27,07% de Lula.

A eleição seguinte, em 98, também foi decidida já no primeiro turno. FHC se reelegeu com 53,06%, contra 31,71% de Lula.

Em 2002, Lula conseguiu 46,44% dos votos no primeiro turno, contra 23,19% de Serra. No segundo turno, o petista obteve 61,27% da votação e o tucano, 38,72%.

Na eleição de 2006, novamente a parada foi decidida no segundo turno. No primeiro, o presidente Lula conseguiu 48,61% da votação, contra 41,64% de Geraldo Alckmin.

No segundo turno, o presidente foi reeleito com 60,83%, enquanto o tucano ficou com 39,17% dos votos.

Novo segundo turno na eleição presidencial de 2010. A petista Dilma Rousseff conquistou 46,91% dos votos no primeiro turno, contra 32,61% do tucano José Serra.

No segundo turno, ela foi eleita com 56,05, contra 43,95% dos votos conseguidos pelo tucano.

Mais uma vez, a eleição foi decidida no segundo turno em 2014. No primeiro turno, a presidente Dilma alcançou 41,59% da votação e Aécio Neves (PSDB), 33,55%.

No segundo turno, a presidente foi reeleita com 51,64%, contra 48,36% do senador Aécio.

A eleição deste ano também empurrou a decisão final para o segundo turno. No primeiro, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) ficou com 46,03% dos votos, contra 29,28% atribuídos ao candidato do PT, Fernando Haddad.

Resumo da ópera

Ou seja, de 1989 para cá foram realizadas oito eleições presidenciais. Apenas duas delas não tiveram segundo turno, em 94 e em 98, ambas vencidas por FHC.

As outras cinco foram conquistadas pelo candidato com maior votação no primeiro turno. Isto é, o segundo turno apenas confirmou o resultado do primeiro.

A sexta eleição presidencial com segundo turno, que é esta de 2018, ainda está em aberto. Ela só será concluída dia 28.

Porém, pelo histórico das eleições presidenciais e pela análise do cenário político brasileiro, não é difícil arriscar um palpite certeiro sobre o seu resultado.

Os 11 candidatos que não chegaram ao segundo turno obtiveram, juntos, 24,69% dos votos. O candidato do PSL entrou no segundo turno com uma vantagem de mais de 16%, sobre Haddad. Até aqui é a maior diferença imposta a um candidato petista que passa ao segundo turno. 

Bolsonaro precisava de mais 4% dos votos para liquidar a fatura no primeiro turno; Haddad, de pouco mais de 20%.

No segundo turno, ganha quem simplesmente obtiver a metade dos votos mais um. Os eleitores de Haddad não desistem dele. Os de Bolsonaro também não.

Nas eleições presidenciais brasileiras, até hoje, nenhum candidato na segunda colocação virou a votação no segundo turno.

Além do mais, a “onda amarela” chegou à eleição de domingo passado num crescendo.

Portanto, Jair Bolsonaro está virtualmente eleito. O mais é farofa-fá!

A era da ‘fake news’

 

Por:Janguiê Diniz

A tecnologia associada ao uso da internet tem estimulado bastante o desenvolvimento intelectual das pessoas e, se olharmos por esse lado, isto traz um grande benefício. No entanto, o acesso à internet em grande escala também tem corroborado para um sério problema chamado de fake news (“notícias falsas”, em tradução livre).

Nos últimos anos, esse tema tem ganhado muito destaque por causa da quantidade de informações inverídicas que têm circulado nas redes sociais, no aplicativo WhatsApp e em alguns veículos de comunicação. Para se ter uma ideia, segundo o Relatório da Segurança Digital, produzido pelo dfndr lab, laboratório de segurança da PSafe, no Brasil, asfake news tiveram mais de 2.9 milhões de acessos entre janeiro e março de 2018. Ainda de acordo com o levantamento, 95,7% dos conteúdos falsos foram disseminados via WhatsApp.

Os números expressivos não chamam atenção apenas pelo curto prazo, afinal, o impacto que isso tem causado gera um problema preocupante, já que as notícias falsas são repassadas rapidamente e muitas delas podem interferir na vida das pessoas, uma vez que possuem as linhas de difamação, ódio, bizarrices, entre outros. 

O que também impressiona é que esse tipo de negócio é lucrativo para os criminosos. Como o objetivo é lucrar indevidamente a partir de visualizações e cliques em anúncios e páginas, quanto mais usuários impactados, maior o lucro. Isso justifica as chamadas sensacionalistas e mentirosas.

Desta forma, esse assunto chama a atenção e pede da gente o hábito de sempre duvidar das informações compartilhadas na internet, sobretudo aquelas que se tratam de temas polêmicos e alarmistas. É possível se proteger e ficar atento à estrutura do texto, às características da marca dos veículos, ao tamanho da fonte da palavra ‘compartilhe’, ao uso de dados inconsistentes, ao uso de informações que não possuem relação com o assunto abordado, erros gramaticais e de ortografia, entre outros.

(*) *Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional

PDT e PSB esnobam Haddad e não vão fazer campanha contra Bolsonaro

                                                                 No segundo turno, Haddad terá de se virar sozinho

Carlos Newton

Na noite de domingo, quando já se conheciam os resultados da eleição presidencial no primeiro turno, a senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, ligou para Carlos Lupi para marcar uma reunião destinada a acertar o apoio do PDT e de Ciro Gomes ao petista Haddad no segundo turno. O celular tocou, o presidente do PDT conferiu quem fazia a ligação e simplesmente não atendeu. Estava jantando com Ciro Gomes em Fortaleza e na mesma hora decidiram que o PDT daria à candidatura de Haddad apenas “apoio crítico” ou “sem empenho”. Em tradução simultânea, Ciro não vai sair às ruas para fazer campanha defendendo voto em Haddad.

Outras decisões dos pedetistas foi fazer oposição ao provável governo Bolsonaro e lançar a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência em 2022. Ou seja, a próxima campanha presidencial terá caráter permanente.

PSB NO MURO – O PT está tentando também reafirmar o acordo de primeiro turno com o PSB, que garantiu a vitória do governador socialista Paulo Câmara em Pernambuco, com mais de 50% dos votos válidos.

O acordo até interessa ao governador Márcio França, que tenta a reeleição em má situação, porque no primeiro turno o tucano João Doria chegou na sua frente com uma diferença superior a 2 milhões de votos.  

Mas acontece que, para derrotar Dória, França precisará não somente atrair votos do PT (Luiz Marinho teve 12,66%), como também do PMDB (Paulo Skaf conseguiu 21,02%), e de candidatos de outros partidos. Por exemplo, o Major Costa e Silva (DC) teve 3,69%; Rogerio Chequer (Novo) chegou a 3,32%; Rodrigo Tavares (PRTB), alcançou 3,21% e a Professora Lisete (PSOL) obteve 2,51%. Ou seja, esses quatro tiveram quase 13 milhões de votos.    

BOLSONARO REINA – Sonhar ainda não é proibido, mas o fato concreto é que Jair Bolsonaro domina esta eleição. As chances de o petista Fernando Haddad ser eleito no segundo turno são mínimas, quem quiser que se iluda.

Como diz nosso amigo Pedro do Coutto, a “falsa esquerda” que o PT representou no teatro da política fortaleceu a direita de tal maneira no Brasil que os verdadeiros esquerdistas tiveram de submergir e vão demorar a voltar à tona, para dar seguimento ao bom combate preconizado pelo apóstolo Paulo.

É claro que há de chegar um dia em que direita e esquerda não existirão mais, porém isso só acontecerá quando o homem descobrir que a única coisa que interessa é fazer a coisa certa, ao estilo preconizado por Sidarta Gautama, o Buda, que nasceu 560 anos antes de Cristo.

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P.S. – A Bíblia é uma compilação de parte da cultura existente na época. Contém muitos ensinamentos de Buda, Sócrates e outros grandes pensadores 

O confronto é entre duas seitas, lulistas e bolsonaristas, mas viva a democracia!

                                                                                           Charge reproduzida do Arquivo Google

Jair Bolsonaro (PSL) virou onda sob os ventos conservadores que assolam o Brasil, mas a vitória em primeiro turno parecia improvável. A perspectiva era de um segundo turno entre duas seitas políticas, o bolsonarismo e o lulismo, alheias à crítica, à autocrítica e às divergências. A eleição passa, mas essa guerra vai continuar.

Fernando Henrique, em 1994, e Lula, em 2002, tinham uma certa lógica, até onde a política consegue ter alguma lógica. Mas 2018 lembra mais 1989, com o “caçador de marajás” Fernando Collor (seria cômico, não fosse trágico), e 2014, com a “gerentona” Dilma Rousseff (o que é só trágico).

ERA UM TEATRO – Collor crescendo, crescendo, e os brasileiros acreditando, festivamente, nos jargões, no teatro, sem refletir sobre o passado do candidato nem projetar o futuro presidente. Dilma liderou do início ao fim, sem que os eleitores, expostos a um marketing de muita qualidade técnica e pouca ética, enxergassem as pedaladas para driblar a realidade e cair no precipício logo ali.

Assim chegamos a este 7 de outubro com o País sem racionalidade, dividido entre antipetismo e antibolsonarismo. Os eleitores só veem, ouvem e sentem o que querem, sem a dúvida, os prós e contras. Se a seita PT obedece a tudo o que seu mestre Lula mandar, a seita bolsonarista bate continência a todas as ordens do capitão Bolsonaro.

Para o PT, estão errados a Justiça, o MP, a PF, a Receita e a mídia, só Lula está certo. Não interessa que ele tenha dividido o País em “nós e eles”, mergulhado alegremente nas benesses de empreiteiras e bancos, institucionalizado a propina e fatiado a Petrobrás. Só que ele usou os ventos internacionais para dar crédito, consumo e bolsas à vontade e é adorado por um terço da população.

CONTRA O PT – E por que Bolsonaro? “Porque sou contra o PT.” Sim, mas e o Bolsonaro? O que ele já fez, faz, é capaz de fazer? O que ele é, o que pensa? A equipe dele? O risco?

Aí, a resposta é um muxoxo, uma certa preguiça para pensar, admitir que o candidato foi péssimo militar, é péssimo político, meteu a família inteira na política, nunca administrou nem padaria. Um “defensor da família” que já se separou quantas vezes mesmo? Algumas, aliás, de forma bem tumultuada.

Na hora do “vamos ver”, quando passam a festa e a transição e o eleito senta na cadeira para governar, começam os problemas. Em meio à tempestade, com 13 milhões de desempregados, pior ainda. Há, porém, uma diferença clara entre o que poderá ser o início Bolsonaro e o início Haddad.

DOIS ESTILOS – O capitão vai meter o pé na porta, botar pra quebrar, como gostam seus apoiadores. Mas Haddad vai chegar com jeito de professor, fala mansa, agregador. Quando todo mundo se acostumar, quem sabe até gostar, aí é que o PT “toma o poder”. Está na alma do partido aparelhar o Estado: bancos públicos, empresas, instituições, até organismos internacionais.

Quando Bolsonaro vier com tudo, o PT será de grande utilidade. Quando o PT intervier no governo Haddad, se for ele o vitorioso, a militância de Bolsonaro, forjada em junho de 2013 e encorpada pelas redes sociais, estará a postos. O confronto entre governo e oposição é saudável, democrático, mas como não aprofundar a polarização e o ódio que vai se instalando, replicado até mesmo no próprio Supremo?

Tempos difíceis virão com um segundo turno entre candidatos com índices inéditos de rejeição e um governo, seja qual for, que assumirá com déficit monumental, falta de dinheiro para tudo, necessidades urgentes, reformas inadiáveis, empresas fechando, milhões de desempregados e… uma oposição armada até os dentes.

Mas tem boa notícia: quanto maior a ameaça do autoritarismo, mais os brasileiros se lembram do valor da democracia.

Governo faz cabelo, barba e bigode no Piauí

Por:Zózimo Tavares

O governador Wellington Dias é o único político do Piauí com três mandatos no Palácio de Karnak. Ontem, ele quebrou o seu próprio recorde, ao se eleger para o quarto mandato de governador.

Todas as suas eleições para o governo foram conquistadas sempre no primeiro turno.

Em 2002, Wellington Dias conseguiu a sua primeira eleição de governador com 50,95% dos votos válidos, contra 44,06% do governador Hugo Napoleão (PFL) e 3,10% do professor Jônathas Nunes (PMDB).

Ele foi reeleito em 2006 com 61,08%, contra 25% do senador Mão Santa (PMDB) e 12,21% do então ex-prefeito Firmino Filho (PSDB).

Wellington, à época na metade do mandato de senador, venceu nova eleição para o governo, em 2014, pela oposição, com 63,08% dos votos, contra 33,25% do então governador Zé Filho (PMDB). Foi o seu melhor desempenho na disputa para o governo.

Ontem, ele foi reeleito com 55,65 % dos votos.

Marcelo Castro e Ciro Nogueira, os senadores

O novo mandato

O governador disse ontem à noite, em sua primeira entrevista após a reeleição, que depois da vitória tudo parece fácil, mas não foi nada fácil na conquista de seu quarto mandato para o Palácio de Karnak. Ele afirmou que aconteceram milagres.

Wellington Dias garantiu que o novo mandato nada terá a ver com os anteriores, porém não detalhou no que ele será diferente.

Além de renovar o mandato, o bloco do governo conseguiu ontem eleger os dois senadores – Ciro Nogueira (Progressistas) e Marcelo Castro (MDB).

Fez mais: preencheu oito das dez cadeiras de deputado federal e 25 das 30 cadeiras da Assembleia Legislativa.

Como se diz popularmente, fez cabelo, barba e bigode.

Vou votar, sim- mas não para governador do Piauí

 

Não vou votar para governador do Piauí e digo o porquê. Simplesmente porque os institutos de pesquisas – se merecem ou não credibilidade, não sei- já reelegeram Wellington Dias no 1º turno. Em inúmeras e suspeitadíssimas pesquisas. E eu jamais votaria num cara do nível deste governador que está aí. Um homem pequeno, sem alma, sem nada. Aprendiz de feiticeiro, enganador de serpentes, como o denominou o respeitabilíssimo jornalista Zózimo Tavares, em um de seus vários e notáveis livros.

O cara traiu todos aqueles que acreditaram naquele menino pobre, do interior do Piauí, simples, humilde, de um discurso conciliador e que pregava o respeito aos menores, aos menos aquinhoados. Esse cara hoje é Wellington Dias, riquíssimo, poderoso, cercado de puxa-saco, que, como todo bom petista, é capaz de pisar no pescoço da própria mãe para se manter no poder. E pra quê o poder? Para ajudar os pobres? Gerar riquezas e dividi-las com quem necessita? Não. Para tirar o pouco do que o Estado possui e dividir consigo e com meia dúzia de contumazes sugadores de cofres públicas, de índole duvidosa, alguns dos quais comprometidos com a justiça e que buscam um mandato para usufruírem do vergonhoso e imoral foro privilegiado.

Chega! Wellington Dias com mais um mandato de governador? Não, não e não!!! O povo o elegeu em 2002, junto com Lula, e ele, “o índio mais sabido do Brasil”, como disse o próprio Lula, hoje na cadeia, nunca mais saiu do poder até hoje. Sim, o breve hiato que houve foi quando ele traiu o empresário João Vicente Claudino, a quem disse que indicaria seu sucessor, mas optou por indicar seu vice, Wilson Martins, quando se elegeu para senador, após haver declarado que havia falado com Deus e havia decidido que cumpriria 4 anos de mandato mas, o seu deus Lula, pediu que ele entrasse na campanha para senador…. Wellington foi para Brasília, mas a petezada ficou mamando nas tetas do governo Wilson Martins.

E o que Wellington Dias fez pela nossa Parnaíba? Permitiu distribuição de contracheques para uma claque que hoje o aplaude, inclusive os dois ex-prefeitos de Parnaíba- Zé Hamilton e Florentino, que parece não lembrarem e não saberem que Wellington Dias é um daqueles que tem inveja da cidade e da nossa gente. Tirou o pouco que tínhamos. E não foi só a Academia de polícia. Sucateou órgãos importantes, como o IAPEP, hoje Iasp; Detran; educação, saúde, segurança pública, afora as obras que encontrou em andamento que paralisou, a exemplo da estrada para Pedra do Sal, extensão da Avenida São Sebastião, as promessas de Orla da pedra do Sal, Porto dos Tatus, Mercado da Caramuru, Ponte Simplício Dias, reforma do Porto das Barcas, enfim, não vou citar mais porque estou com ânsia de vômito.

Sim, Sr. José Wellington Barroso de Araújo Dias. Sou o mesmo professor e jornalista Bernardo Silva, que há meses escreveu um artigo dizendo que você havia falhado até como ser humano. Sou servidor estadual aposentado, minha mulher está com câncer e teve o tratamento retardado porque no dia que era para iniciar o tratamento no Hospital São Marcos pelo PLAMTA, os convênios estavam suspensos porque o seu governo, irresponsavelmente, pegou o dinheiro que desconta em nossos contracheques e deu a ele uma destinação não sabida. Tenho nojo e vergonha de quem não honra a confianças das pessoas. E o senhor fez isso, com o povo do Piauí. Que Deus tenha piedade de você, de sua alma (se ainda a possui), e dos urubus que o rodeiam. Tenho dito. E PT saudações!!!!

Eleições 2018: o pleito que virou campo de guerra

Por:Janguiê Diniz (*)
As eleições se aproximam e, em 2018, ganham contornos diferentes dos últimos pleitos. Desta vez, o processo está muito mais polarizado. Parece que o Brasil se divide entre esquerda e direita, coxinhas e mortadelas. Essa polarização tem levado a um “ufanismo eleitoral” assustador. Quase não se debate mais política; ao contrário, o que acontece são verdadeiros bate-bocas, discussões acaloradas, xingamentos mútuos. Aparentemente, a situação está mais desrespeitosa do que as brigas de torcidas esportivas.
Se antes política era um assunto saudável de ser debatido, hoje pode até virar caso de polícia. Não se aceita mais o contraditório, a opinião divergente. Parece que, se eu não penso igual a você, nunca nos entenderemos e seremos eternamente rivais. Como se não fôssemos capazes de entender o ponto de vista do outro ou mesmo mudar de ideia.
Até compreendo, apesar de não concordar com toda essa raiva. Afinal, a situação política do País é das piores possíveis. Desse desacerto nos três Poderes, decorrem crises na educação, segurança pública, saúde, economia, enfim, todos os âmbitos da nossa vida. Estamos mergulhados em uma grave crise, acima de tudo moral e institucional. Isso tudo causa uma revolta na população, que se desespera na busca por possíveis soluções – que têm que vir, em parte, de fato, dos políticos que dirigem o País. 
Nesse tempo, os mais exacerbados se agarram a nomes como tábuas de salvação e transformam pessoas – candidatos a cargos eletivos – em quase divindades e atribuem a elas o poder de tirar o Brasil do buraco. Acontece que qualquer outro posicionamento que não aquele que a pessoa estabeleceu como o caminho a ser seguido é tido como errado, qualquer outro candidato é logo taxado como incompetente. Que engano.
Primeiro: por mais bem intencionado que qualquer postulante nesta eleição esteja, não será ele sozinho que irá reverter a situação atual. Ele pode ter a iniciativa, mas precisará da colaboração de diversas instâncias para realizar as melhorias necessárias. Não é uma tarefa fácil, de fato. 
Mas não devemos depositar em uma pessoa a esperança da salvação do país. Isso, inclusive, causa uma “cegueira” que pode ser muito arriscada. Não ver outras possibilidades é um grande erro. Segundo: não há porque brigar tanto, disseminar tanto ódio contra o que pensa desigual. Defender uma convicção política não significa execrar ou achincalhar quem não concorda. É possível discordar, respeitando a outra parte. 
Política não é religião. Político não é Deus. Até porque, em uma democracia, ao menos em tese, o poder emana do povo.
(*)Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional

A idoneidade do tempo e o caráter populacional político brasileiro

Por: Erivelton Fontenele
Um amigo chamado vento pediu ao amigo sol que lhe apresentasse um sujeito íntegro, justo e perfeito. Um sujeito que as virtudes superassem seus defeitos e que seus defeitos fossem capazes de rejeitar as impurezas do passado. O senhor sol então o apresentou um sujeito, nervoso,  mas que ao mesmo atribuía-se a qualidade de calmo e justo, poucos podiam vê-lo, porém todos sabiam sobre suas atitudes de perfeição e equilíbrio moral, sempre dosada pela sabedoria e compassada sobre as maiores virtudes da terra. Este senhor era livre e seus costumes, respeitado por todos, com ele não existe certo ou errado e sim JUSTO E PERFEITO. Aperfeição sempre o acompanha e a justiça faz das suas obras as mais venerada de todos os acontecimento do mundo.
O senhor vento sem compreender o tamanho daquilo que o acompanhava resolveu logo perguntar, ao distinto senhor.
Qual vossa graça? Por que não aparece aos que tanto precisam? Prontamente a resposta se sucedeu aos questionamentos e logo um clima de sabedoria e fraterno emoção tomou conta do cenário. Era clima de Natal e muitos aguardavam ansiosos a chegada de um novo amanhecer.
Respondendo o e então um ensurdecedor silêncio é um verdejante clima de amor “EIS QUE POR VÓS ME CHAMO TEMPO” e vos digo que sempre estive com todos inclusive com vós que com sua incredulidade nunca nos respeitas-te. Porém sempre estarei ao teu lado e nunca te abandonarei nem a vós nem a todos que sobre esta TERRA estiveres. Dizem por muitas as vezes que sou carrasco e cruel! Porém os digo que nada mais sou do que um grande espelho que reflete se em atos e fatos decorrentes daqueles que a mesmo se reproduzem nas tuas linhas ó senhor vento.
Ao meu amigo sol devo os ponteiros da minha jornada e a sua irmã lua devo as batidas das minhas atitudes.
As raízes foram arrancadas da terra e as sementes guardadas pelos servos dos Reis, o domínio ainda me pertence, no entanto ignorante é o homem que com suas atitudes deslumbra enganosamente que sobre mim e sobre meu grande manto detém o controle. Porém a estes vos digo, não sois digno do caráter do tempo nem livres das punições e de suas disciplinas. Evidenciai pois que mesmo sobre o silêncio e a perjúrio do medo eu serei vosso carrasco e não terei pena de mostraste teu reflexos diante de tuas próprias atitudes.
Um caráter populacional induzido pela corrupção e pelo jogo ininterrupto do controle e do medo cerca os ignorantes e os sufoca, porém vos digo, eu apenas sou como todos me chamam,  O SENHOR TEMPO!
Reflitam meus nobres amigos pois sobre vós estais a consciência.
Não estou aqui pedindo voto para políticos ou dizendo em quem deveis ou deixais de votar, o que vós digo é que desprezo o desrespeito à intolerância o ódio e a insegurança, e impugno e desprezo a tudo aquilo que fere a moral a honra. Se não concordas com opiniões vindouras ou não comunga com outras plenitude de caráter, então respeitais assim como sempre quereis o respeito. Tenha suas preferências políticas e partidárias por respeito aos seus ideais e princípios. Pois sejais vós guiado por sua consciência e moral.

Bois de mangas.

 

 * Pádua Marques

No meu tempo de menino, quando havia meninos livres do computador, dos jogos eletrônicos e do celular, a gente brincava com o que tinha por perto. Tanto fazia serem meninos que moravam no interior, na dita roça, ou meninos que moravam em casas onde havia quintais. E tendo quintais, tinham mangueiras. E tendo as mangueiras, davam mangas. E eram mangas boas e que maduras, a gente comendo se lambuzava todo. Coisa de limpar as mãos nas pernas dos calções encardidos.

Mas tinham também as mangas que não vingavam e acabavam caindo por causa do vento ou alguma outra coisa que derrubava. Essas, agora no chão, iriam servir pra comida de algum animal pequeno, roídas por besouros ou viravam brinquedo na imaginação dos meninos. Era correr em redor atrás de gravetos ou ir lá dentro de casa e pegar uns palitos de fósforos queimados, jogados perto do fogão, e com eles colocar pernas nas manguinhas. Estava criado o boi de manga.

E a gente, os meninos do meu tempo, ficava horas e mais horas brincando com aquelas coisinhas, falando sozinhos, inventando conversas com pessoas, se dizendo donos de fazendas e tudo o mais. Se vendia e se comprava. Se colocava no curral e se dava de comer e beber. E depois se levava pro pasto. E a imaginação voando pra cima da cabeça dos meninos de meu tempo era coisa de milhões de minutos.

E se eram outros e mais meninos havia a disputa de quem mais tinha essa fortuna, as corridas, as vaquejadas, os pequenos currais de gravetos, a venda e a troca de bezerros e garrotes. Os meninos de meu tempo exercitavam de forma mais natural isso que os estudiosos hoje chamam de liderança. E os bois de manga iam com o passar das horas e dos dias sendo esquecidos no fundo do quintal e agora murchos acabavam sem importância.

Assim são os políticos de nosso tempo. Juntam as pequenas mangas caídas entre o povo ignorante. Aquelas bem verdinhas e que não vingaram e muito menos chegaram a ficar de vez. Os meninos de meu tempo, que são os homens e os líderes políticos de hoje, aprenderam de forma muito simples, natural a comandar e ter sob sua influência os menos instruídos. Os bois de manga são o povo que se deixa manejar sem reação e sem grito.

Sabem estes líderes que sem educação, sem estímulo ao trabalho e influenciados pela imprensa irresponsável, principalmente a televisão e as hoje redes sociais, essa massa é facilmente manobrada pra dentro de currais de graveto.  Estamos vivendo neste momento uma transição entre os meninos e os homens. Entre as brincadeiras e a realidade. E quando este momento mágico dos meninos, de conversar com manguinhas verdes passar, a crueldade dos dias volta a fazer parte da vida de todos. *Pádua Marques, jornalista e escritor. Membro da Academia Parnaibana de Letras.

 

Ficar sentado por longo tempo provoca reação que eleva risco de doenças

Mariza Tavares
G1 Rio de Janeiro

A Universidade de Stanford, na Califórnia, mantém há dez anos um centro dedicado à longevidade. Em 2010, a instituição reuniu um grupo de pesquisadores para discutir os riscos do sedentarismo. Já naquela época, o consenso não foi difícil: independentemente da falta de exercício, o fato de permanecer horas sentado representava um risco concreto à saúde. Em maio deste ano, o Baker Institute, uma entidade australiana, e a University of Minnesota reuniram parte daquele mesmo grupo de cientistas para um encontro com o objetivo de revisar as informações disponíveis. Há duas semanas, Stanford divulgou os principais pontos discutidos, reconhecendo que o comportamento sedentário é um desafio contemporâneo.

Do ponto de vista fisiológico, se avançou muito no que diz respeito ao mapeamento dos efeitos nocivos de se ficar sentado. Na verdade, há uma espécie de reação em cadeia provocada pelo sedentarismo que conduz ao risco aumentado para doenças crônicas, como diabetes, demências, acidentes vasculares encefálicos (popularmente conhecidos como AVCs), além de doença arterial periférica e renal.

DIABETES – A relação com o diabetes está baseada na habilidade do corpo de regular a insulina durante longos períodos de inatividade. A função metabólica cai quando há uma redução do número e da intensidade de contrações musculares – o esforço que temos que fazer para nos manter eretos ou em movimento. Isso acarreta a diminuição de açúcar e gorduras que o sangue deveria levar aos músculos.

Para compensar essa queda, o organismo se encarrega de produzir mais glicose e ácidos graxos para restabelecer o equilíbrio. Entretanto, isso só ocorreria se os músculos se movimentassem. Como eles estão parados e a função metabólica se mantém abaixo do que deveria, o resultado é um excesso de açúcar no sangue.

É quando um “segundo sistema” é acionado: o pâncreas produz insulina para controlar a concentração de glicose. O acúmulo de situações como esta pode gerar um distúrbio metabólico que aumenta o risco de diabetes.

CIRCULAÇÃO – Sobre as consequências nocivas para o sistema circulatório: o sedentarismo leva à redução de movimentos que, por sua vez, demanda menos oxigênio para os músculos. Como a pressão sanguínea também diminui quando se está sentado, o resultado é uma menor velocidade do fluxo de sangue para os menores vasos.

Ali estão pequenas células que desempenham um papel-chave, conhecido como função endotelial: regulam tônus vascular, coagulação, manutenção da circulação sanguínea e respostas inflamatórias. Seu comprometimento está associado à aterosclerose. Como o nível de atividade física cai com a idade, o quadro não é nada promissor para os mais velhos.

Nesta terça, o jornal “The Guardian” publicou reportagem mostrando que dez minutos diários de exercício têm efeito benéfico sobre a memória. Estique para 30 minutos – não esqueça de incluir uma caminhada – e fuja do sofá.

Para quem acha que é um caso perdido, basta programar o relógio ou o celular para soar um alarme a cada meia hora: caso esteja sentado (a), passe os cinco minutos seguintes em pé ou se movimentando. É um bom começo.

O sítio e o estado de sítio

Carlos Brickmann

O caminho (que pena!) parece traçado. Vamos ter de escolher entre um candidato de porta de cadeia e um de porta de quartel. Um candidato que se opõe aos esquerdistas mas apoiou as candidaturas presidenciais de Lula e de Dilma, ou o que diz que o candidato a presidir de fato o país é outro, mas a chapa está em nome dele. Um que cita com saudades um campeão da tortura, outro que cita com saudades os campeões da roubalheira.

Que é que acham das mulheres, no campo político, esses candidatos? Um acha normal mulher ganhar menos que homem, outro usa com orgulho, mesclado a seu próprio, o nome do dono da chapa, aquele que convocou as mulheres de grelo duro a brigar por ele. Um disse que teve quatro filhos e, na quinta vez, fraquejou e teve uma filha. O outro, o que é mas não põe o nome, disse que uma antiga companheira de partido, surpreendida por uma operação de busca e apreensão, ficou feliz, achando que os cinco federais que entraram em sua casa, de manhã cedinho, “tinham caído do céu”.

Um candidato não tem programa de governo. Seria difícil. Em toda a sua vida, foi estatizante, nacionalista, antiliberal, mas entregou seu projeto econômico a um pregador do liberalismo. O outro candidato tem programa de governo – o que é pior. Como prefeito de São Paulo, ficou longe de cumprir seu plano de metas. Em suma, um candidato de estado de sítio e um candidato de sítio de Atibaia, que é do outro mas está em seu nome.

Minha tarde feliz com alunos do IFPI

Por Camila Neto

Na tarde desta segunda-feira(24) tive a oportunidade de falar sobre minha profissão com alunos do 2º ano de Informática da IFPI. Confesso que a princípio me veio um pouco de receio mas, quando se trata de desafio dado, pode ter a certeza que o desafio será aceito concluído com sucesso.

Falei a respeito tipos de gênero informativo. Expliquei a diferença entre entrevista, notícia e reportagem. Discorri um pouco sobre a estrutura da notícia e mostrei algumas matérias.

Relatei que  a mídia divide-se basicamente em veículos eletrônicos (rádio, televisão e Internet) e impressos (jornais e revistas). Cada um destes meios tem suas características próprias. Portanto, a divulgação de notícias depende do conhecimento sobre como funcionam os diferentes veículos de comunicação, para atender plenamente às exigências editoriais e operacionais de cada qual.

Que tarde  incrível! Que turma animada e de curiosidade bem aflorada!  Além de transmitir um pouco da minha experiência (estou engatinhando), pudemos nos referir um pouco sobre a questão assédio no ambiente de trabalho. Outro ponto fundamental  que pontuei foi a necessidade de se trabalhar o jornalismo com ética e de forma imparcial.

Finalizei minha participação com seguinte frase: “Ser jornalista é dividir com o leitor diversas histórias e situações. Essa profissão me fascina a cada dia e não me vejo em outra profissão”.

 

O PT tem bala?

As recentes pesquisas eleitorais para presidente criaram uma situação curiosa. Na semana passada o Ibope conferia 19% das intenções de voto para Fernando Haddad e o Datafolha 16%.

Como as pesquisas estão ocorrendo em intervalos curtos de até 48 horas e ontem o Data Folha ficou de divulgar a sua, o próximo resultado da do Ibope pode trazer um resultado estratégico para a campanha. Se Haddad, no Ibope, tiver menos de 19% significará que chegou ao teto do primeiro turno e manterá viva a disputa com Ciro para o segundo turno.

Se ao contrário, Haddad crescer, seguramente sinalizará que, de fato, se terá Bolsonaro contra o PT no segundo turno. Mas é muito importante lembrar nesse caso o papel de fiel da balança dos eleitores de centro na decisão dos pleitos presidenciais. Basta voltar na história e lembrar que Lula candidato perdeu três eleições até que em 2002 contagiou o ‘centro’ com “A carta ao povo brasileiro”, terminando por ganhar a eleição, repetindo o mandato quatro anos depois, na mesma parceria com os partidos de centro.

Desta feita é Haddad o candidato, que gera todo tipo de especulação e uma delas é: em quem votarão os eleitores do centro? Afinal, o PT tem bala?