Contabilidade: Honrada profissão

Por:Benedito Gomes(*)

Hoje estamos conhecendo, através da contabilidade, o que nossos antepassados iniciaram há milhares de anos antes de Cristo. Os egípcios criaram o papel (papiro) e a pena de escrever – “cálamo”. Com essas descobertas passaram a anotar o que possuíam, registrar e contar os objetos para controle de seus proprietários, talvez o mesmo que fazemos hoje na contabilidade moderna.

Hoje, 25 de abril, comemoramos o dia da contabilidade, profissão utilizada em todas as outras. Da lista de compras do supermercado até o maior complexo industrial ou comercial a contabilidade esta presente.

No dia 25 de abril de 1926 o senador João Lyra Tavares defendeu a regularização da profissão contábil no Brasil, e nós agradecemos o seu esforço para regulamentar a profissão que hoje temos.

Em Parnaíba temos em atividade talvez o mais idoso contador do Piauí: José Rufino Aragão, nascido no dia 09-03-1923, registrado no Conselho Regional de Contabilidade – CRC-PI com o Nº 45 no dia 23- 03-1948; temos José Caldas Borges, nascido no dia 10-05-1933, registrado no CRC-PI sob N° 266 em 28-11-1953;  Arnaldo Mendes de Souza Caldas, nascido em 06-08-1937 registro no CRC-PI com o Nº 478 EM 20-09-1959. E fecho o quarteto com Benedito Gomes da Silva, nascido em 24-02-1942 CRC-PI Nº 1.250 em 26-06-1072. Nominalmente citei apenas quatro, mas são dezenas de profissionais de contabilidade em Parnaíba e milhares em todo o Piauí todos profissionais respeitados, confiáveis e de bom caráter.

Parabenizo contadores e a todos que aplicam a contabilidade no controle, no planejamento e coordenação financeira das empresas.

Parabéns, contabilidade, hoje é seu dia!

(*)Benedito Gomes /Contador UFPI

Tem boi na linha: reforma ainda não foi sancionada

Por: Zózimo Tavares

O governador Wellington Dias ainda não sancionou a reforma administrativa proposta por ele mesmo e aprovada há quase um mês pela Assembleia Legislativa.

O projeto foi encaminhado à Assembleia em fevereiro. Depois de muito estica e puxa, as cinco mensagens que integram a reforma foram aprovadas em redação final no dia 26 de março.

A sanção foi anunciada para os dias seguintes, afinal era com essa reforma que se iniciaria o novo governo.

A reforma foi vendida pelo governo como um sinal dos novos tempos – tempos de austeridade, de fim da gastança desenfreada, de equilíbrio das contas, de investimentos, etc.

A reforma

Essa reforma previa inicialmente a extinção de 19 órgãos estaduais, fusão entre secretarias e absorção de algumas áreas.

A economia anual, pelas contas do governo, chegaria a pelo menos R$ 300 milhões. Com isso, o governo estaria com as mãos livres para prestar os serviços prioritários para a população e manter os investimentos.

O governo tem 30 dias para sancionar a reforma. Esse prazo acaba na sexta-feira, dia 26.

Mas de já fica a dúvida: se o governo não tinha tanta pressa, para que pediu a tramitação dos projetos em regime de urgência na Assembleia?

A demora apenas indica que o governador está indeciso ou que está cedendo às pressões dos petistas e aliados no rateio dos cargos do novo governo.

Além de sancionar as leis da reforma, o governo ainda precisa regulamentar as mudanças através de decretos.

Se isso ainda não ocorreu, é porque tem boi na linha.

Assim, a badalada reforma administrativa dele corre o risco de acabar como a personagem ‘Conceição’, aquela da música do Cauby Peixoto: se existiu, “ninguém sabe, ninguém viu!”.

Wellington quer tirar leite de pedra

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Por: Zózimo Tavares

O governador Wellington Dias ainda bate cabeça para fechar o seu secretariado. Já no quarto mandato à frente do Palácio de Karnak, elegendo-se sempre no primeiro, turno, ele ainda se porta como se estivesse estreando no cargo. Sempre tateando.

Está claro, porém, que a nova equipe não será aquela Brastemp toda, muito menos o secretariado dos sonhos do governador.  Como se diz por aí, vem aí mais do mesmo.

O governador não aprendeu a dizer não. Assim, como das vezes anteriores, a equipe é composta na base do rateio de cargos. É um pregão. Entre os aliados, leva o maior e melhor taco de poder quem tem mais gogó.

A mudança que não veio

Não se pode acusar o governador de não ter tentado mudar esse método de composição de sua equipe. Até que ele tentou. Nessa direção, ensaiou uma reforma administrativa, gestada mais para ganhar tempo do que para enxugar a máquina e torná-la mais eficaz.

Tudo indica, no entanto, que ela não serviu nem para uma coisa nem para a outra, pois os mesmos estão de volta ao primeiro escalão e a máquina se mantém pesada, lenta e voraz em relação aos dinheiros públicos.

Todavia, não se pode censurar o PT e aliados pela pressão descomunal que fizeram por cargos. Ao longo dos três mandatos anteriores de Wellin

gton, eles foram habituados a isso. E ficaram mal acostumados. Não conseguiriam sobreviver de outra forma.

A lição de Wall

Professor de História e político por vocação, Wall Ferraz, prefeito de Teresina três vezes, um exemplo de austeridade administrativa e gestão pública, repetia que adotava uma receita inegociável na composição de suas equipes de trabalho.

Ele dizia que quando se fixava em um nome para seu secretariado, pensava dez vezes antes da nomeação, pois, se o escolhido viesse a fracassar, ele também iria se sentir fracassado.

O governador Wellington Dias jurou que, neste quarto mandato, fará um governo totalmente diferente dos anteriores. Com o time escalado para sua equipe, que só sabe fazer as mesmas jogadas, ele sonha, certamente, em tirar leite de pedra.

Israel, nação inovadora

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Israel é um país do tamanho do estado brasileiro de Sergipe, tem apenas 70 anos de existência e menos de 9 milhões de habitantes. Além disso, está situado em uma região desértica com escassez de recursos. Como poderia, então, esta nação se tornar uma potência no desenvolvimento de tecnologias inovadoras? A resposta vem em dois fatores principais: educação e necessidade.

A educação é uma prioridade israelense e sua sociedade dá grande valor ao conhecimento. Para se ter ideia, o país, com menos de 9 milhões de habitantes, já acumula doze ganhadores do Prêmio Nobel – enquanto o Brasil, que tem 200 milhões de pessoas e 500 anos de história, nunca teve um vencedor.

Além disso, após sua criação, Israel teve um grande desenvolvimento militar, a fim de se proteger de possíveis ameaças externas. Com isso, nas Forças Armadas, passou a ser estimulado o estudo das engenharias, não só para criação de soluções bélicas, mas para várias outras frentes. Isso abriu portas para o desenvolvimento de produtos de tecnologia avançados, um mercado que Israel soube e sabe explorar com propriedade. Hoje, é o país que mais investe em pesquisa e desenvolvimento em relação ao PIB: 4,5%. Além disso, o governo e as universidades trabalham sempre em parceria com a iniciativa privada para expandir o conhecimento e a inovação.

Para se ter ideia, surgiram em Israel startups que hoje são grandes empresas conhecidas mundialmente. Por exemplo, o Waze, aplicativo de navegação por GPS que se tornou quase indispensável para motoristas, surgiu lá. Em 2013, foi comprado pelo Google por US$ 1 bilhão. Já a Mobileye, startup de soluções para mobilidade de carros autônomos, também é israelense e foi adquirida pela Intel pela fortuna de US$ 15,3 bilhões. Ainda é possível citar como criações israelenses o Viber, pioneiro no uso de VoIP, e o ICQ, famoso mensageiro sucesso nos anos 1990 e 2000.

O fator necessidade também foi um grande impulsionador da inovação em Israel. Por estar situado em uma região desértica, o país sempre precisou criar soluções para se manter e par movimentar sua economia. A alta tecnologia foi uma das saídas encontradas. Hoje, 40% das exportações israelenses são de produtos tecnológicos. Some-se a isso a obrigatoriedade do serviço militar para homens e mulheres, a cultura militar incute no pensamento dos jovens o senso de responsabilidade e trabalho em equipe, o que faz com que muitos deixem o Exército já com o desejo de empreender e criar soluções que gerem impacto na sociedade.

Israel é, de fato, um exemplo a ser seguido pelo Brasil, que vem cortando seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento e que, mesmo com um povo bastante criativo e inovador, não consegue liberar todo seu potencial. É fato que, em um país de dimensões continentais, estabelecer políticas que abranjam todo o território e atendam às diversas necessidades da população é mais difícil, mas é um esforço necessário se quisermos nos desenvolver mais e competir internacionalmente. Caso contrário, continuaremos a ser os históricos exportadores de commodities.

Por: Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional

Os brasileiros precisam (re)descobrir o Brasil

Por:Cláudia Brandão

Há 519 anos, os portugueses desembarcavam no Brasil, comandados pela esquadra de Cabral, na Ilha de Vera Cruz. Desde então, esta data é lembrada como o dia do descobrimento do Brasil. O curioso é que, mais de cinco séculos depois desse episódio, os próprios brasileiros ainda estão tentando se descobrir, ou descobrir que país é este, qual a sua vocação.

Somos um país liberal, uma democracia, uma sociedade livre? Esta é uma pergunta que nos fazemos constantemente, diante dos sobressaltos e solavancos a que somos submetidos com frequência. É bem verdade que, comparados aos países europeus, nossa história ainda é recente. Mas a identidade de uma nação precisa ser construída e cultivada com cuidado ao longo dos anos.

Na eleição presidencial passada, os brasileiros elegeram um governo que se anunciou como liberal, acendendo uma chama de esperança no setor empresarial, já cansado de tanta intervenção desastrosa na economia. O ministro da economia, Paulo Guedes, foi anunciado como o Posto Ipiranga da nova gestão.

Mas, nem mesmo completou os 100 primeiros dias de gestão, o governo já começou a mostrar a fragilidade do seu programa. Enquanto o ministro tentava vender uma nova imagem do Brasil, como uma livre economia de mercado, o Presidente, cedendo à velha prática populista, entrava em cena para desautorizar o aumento no preço do litro de óleo diesel, concedido pela Petrobrás. Nem precisamos repetir o sacolejo provocado nas bolsas e na cabeça dos investidores, que voltaram a ficar receosos em investir em um país cuja economia é tocada de improviso, de acordo com o humor do presidente.

Ao mesmo tempo, o Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição, rasgava o artigo 5º da Carta Magna do país, ao impor de volta a censura a um meio de comunicação, simplesmente porque o presidente da Suprema Corte não gostou de ter sido citado em uma reportagem, embora não fosse acusado de coisa alguma.

Que democracia é essa, então? Como a instituição responsável por preservar nossos direitos é a primeira a desrespeitá-los? Que Nação estamos construindo 519 anos depois de sermos “descobertos”? Não podemos perder de vista o país que queremos ser.

Começo de governo

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Por Arimatéia Azevedo

Se mantidas as afirmações sobre a montagem do “novo” governo de Wellington Dias, em seu quarto mandato, esta semana pós-páscoa deverá selar o início de uma gestão com equipe escalada, não tão nova assim, mas obrigada a enfrentar uma realidade que se apresenta tanto nova quanto difícil, de um aperto fiscal sem precedentes, com pouco dinheiro para investimentos e a obrigação de administrar uma recorrente escassez no custeio – aquele dinheiro para manter o dia-a-dia das máquinas administrativas na repartição quase feudal que se faz da administração pública estadual.

Não há o que se comentar, com efeito, do time que Wellington Dias vai colocar em campo, porque é mais do mesmo, com um desenho que é bastante conhecido de seus governos anteriores.

Assim sendo, o que se pode esperar é a possibilidade de que compreendam os gestores sobre a necessidade de se fazer algo realmente inovador, de se buscar resultados dentro de um cenário de absoluta dificuldade, o que requer maior cuidado na elaboração e execução de projetos, a busca de recursos externos que demandem o mínimo de contrapartida.

Que os indicados entendam que antes de servirem para serem operadores de dinheiro escuso, se prestem aos afazeres de interesse da população, que zelem pelos investimentos em favor da maioria, para produzir mais riqueza, menos enriquecimento ilícito e menos votos em currais eleitorais.

Oposição e governo fazem contas diferentes

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Por: Zózimo Tavares

A oposição e o Governo do Estado estão fazendo contas diferentes sobre a situação financeira do Piauí.

No meio da semana passada, o presidente regional do PSDB, ex-deputado Luciano Nunes, candidato derrotado ao governo nas eleições de 2018, informou que o Estado deve R$ 1 bilhão e 300 milhões a empreiteiros, fornecedores e prestadores de serviço.

Conforme o tucano, essas dívidas estão inscritas em “Restos a pagar”, ou seja, correspondem às despesas que foram efetuadas e não pagas dentro do exercício financeiro de 2018.

Ele destacou que os dados sobre a dívida eram oficiais, pois estão no Balanço Geral do Estado, divulgado há poucos dias pelo governo.

O ex-parlamentar sustenta que se trata da maior “pedalada fiscal” do Estado e enfatiza que as dívidas não pagas quebraram empresas e muitos trabalhadores perderam o emprego no Piauí.

Frente de obras

O Governo do Estado mostra, porém, uma situação bem diferente dessa política de terra arrasada apontada pela oposição.

O governador Wellington Dias anunciou, depois de uma reunião técnica com auxiliares, a execução de um conjunto de obras previstas no contrato do empréstimo Finisa II, contraído junto à Caixa Econômica Federal.

“Estas obras já estão em andamento. No momento, são R$ 22 milhões que se somarão aos R$ 315 milhões do Finisa I. Já estamos com a programação ajustada para investir, por todo o Estado, em obras de estradas, pontes, o Centro de Convenções, a Adutora do Litoral, dentre outras”, adiantou o governador.

Duplicação

Wellington disse que esse novo programa de obras começa pela retomada dos serviços de duplicação das BR-343 e 316, nos acessos a Teresina, agora depois da Semana Santa.

No início deste mês, o superintendente regional do Dnit, Ribamar Bastos, informou que as obras de alargamento dos acessos a Teresina estavam paralisadas e sem contrato.

As duas empreiteiras que trabalhavam nos trechos romperam os contratos com o Governo do Estado e abandonaram os serviços por falta de pagamento.

A Construtora Copa, que trabalhava na BR-343, saiu no final do ano passado. A Construtora Sucesso deixou a BR-316 no começo de abril.

Dinheiro em caixa

Segundo Wellington Dias, o governo possui cerca de R$100 milhões em caixa para tocar e concluir esses serviços.

As empresas colocadas na licitação depois das que abandonaram as obras estão sendo chamadas para retomar os serviços.

“Este valor é o suficiente para as duas obras. Com isso, iremos viabilizar geração de emprego e de atividade econômica, dando solução com o alargamento na saída de Teresina, o que permitirá o maior conforto dos motoristas, além de ter uma rodovia bem melhor que se soma ao rodoanel”, afirmou.

O anúncio oficial da retomada da duplicação das BRs, além das outras obras enumeradas pelo governador, é uma indicação de que a situação financeira do Piauí já deve ser outra diferente da apresentada no Balanço Geral do Estado.

Aqui ninguém precisa de esmola somos ricos/ – Acoorrrda  q’uistão  nos rrruuubaaanndo!

 

Por Antonio Gallas Pimentel.

Anos 1960. Semana Santa em Tutóia cidade do litoral maranhense.  Nessa época os chamados dias grandes eram guardados com todo respeito. Era pecado tomar-se banho na Sexta-Feira da Paixão, ou receber dinheiro pela comercialização de algum produto.

Diziam que o Expedito Gonçalves, um cabo da Marinha que serviu na Capitania dos Portos em Tutóia, ficara com o corpo cheio de cabelos porque tinha tomado banho numa Sexta-Feira  Santa. Na nossa infãncia conhecemos o  Mola Deu, um mendigo que tinha dificuldade em pronunciar a expressão uma esmola pelo amor de Deus. Também comentavam  que a causa disso é  porque cometera  uma atrocidade durante a Semana Santa.  Tudo mito!

Mas mito ou verdade, tinha-se grande respeito pelos dias santificados. Música? Som alto? Nem pensar. As rádios transmitiam apenas músicas clássicas ou religiosas.  E somente  orquestradas.

A fartura imperava! A troca de bolo, de jejuns, muitas vezes chamadas deesmolas,  entre pessoas amigas, era uma tradição.

Dona Zila Galas minha mãe adotiva fazia bolos como ninguém. Seus bolos eram bastante apreciados e por isso nessa época muita gente levava jejuns para nossa casa  com objetivo de receberem os saborosos bolos que ela fazia. Deu que, certa vez, durante esse período de Semana Santa, bateram palmas no portão e eu fui atender.  Eu deveria ter entre nove e dez anos de idade. Encontro duas crianças mais velhas que eu, segurando uma bandeja de alumínio contendo cinco espigas de milho (descascadas) e um mói (*) de feijão verde. Ao me verem  disseram: – viemos aqui deixar essa esmola que a mamãe mandou. Eu prontamente respondi: – aqui ningém precisa de esmola não, nós somos ricos!  Quanta ingenuidade! Quanta inocência na cabeça de uma criança!

As crianças, meio encabuladas  já iam dando meia-volta quando dona Zila apareceu e contornou a situação. Mas de uma coisa eu tinha certeza: podia preparar as costas para as chibatadas no Sábado. Teria que aprender a ter humilde diante das pessoas.

Mas a expectativa de toda a criançada e também de muitos adultos era  o Domingo da Ressurreição  com a malhação e queima do Judas.

O Judas era confeccionado na sexta-feira ou no sábado,  e escondido em algum lugar para que não fosse roubado,  e até porque,  tinha o desafio da procura no dia seguinte com mérito para quem o encontrasse.

Nesse dia os irmãos Reubem e Tufy, filhos do Nagib, com a ajuda do primo  Maurício ( o conhecido braço de radiola) filho do Fuad, confeccionaram o Judas e resolveram esconde-lo na alcova  do casal Marta e Felipe Zeidan que o povo chamava de carcamanos.

A família Zeidan veio da Siria, um dos dezenove países que hoje formam o Mundo Árabe.

Trabalhadores, prosperaram em Tutóia,  construíram uma grande prole e pelos seus méritos,  fazem parte da história daquele município.  Eram conhecidos como os carcamanos . Todavia, é errado se dizer que os árabes,  quer sejam   sírios,  libaneses, ou de outro país desse bloco são  carcamanos,  tendo em vista que esta expressão é de origem italiana, pois foram  os italianos os primeiros imigrantes a chegar em São Paulo.

Mas voltando ao Judas escondido na casa  do casal Marta e Felipe Zeidan, vazou a informação e alguém da minha turma, não lembro quem, foi roubar o tal Judas. Sorrateiramente entrou no quarto, apoderou-se do dito cujo colocando-o sobre o ombro e rumou para dar o fora da casa. Na saída, por causa do escuro do quarto (energia elétrica só até as 22 horas e quando tinha!) e da pressa, o pseudo ladrão  tropeçou num  pinico esmaltado provocando um barulho infernal. Apressado em  deixar o quarto, e talvez  pelo mais  puro azar,  esbarrou na rede de dona Marta acordando a distinta senhora.  Foi quando se  ouviu  num português arrastado e bem alto a seguinte frase  :  – Acoorrrda Feliiipa q’uistão  nos rrruuubaaanndo!

Aí não teve jeito: jogou o Judas no chão e pernas pra que te quero!

 

(*) Mói é uma contração utilizada no nordeste  para “molho”, significando uma certa quantidade.

Texto: Antonio Gallas

Ilustração: Foto da WEB modificada do aplicativo “Pencil Sketch (play store)

Censura: confusão no país

Episódio de censura revela a perigosa confusão existente no país. Personagens mudam de posição a cada momento e todos os gatos parecem pardos

André Singer – Folha de S.Paulo

De que lado está Antonio Dias Toffoli? De parte com Lula, de quem foi auxiliar, ou dos que atacaram Lula, como Gilmar Mendes, de quem se tornou amigo? 

Ao constranger a liberdade de um veículo de direita, Alexandre de Moraes, que também é de direita, encontra-se em que posição? 

Quando utilizam o arbítrio para coibir ataques, quiçá também arbitrários, os meritíssimos do STF (Supremo Tribunal Federal) ajudam a quem?

episódio da “censura” encerrado quinta (18), com a liberação da reportagem da revista Crusoé, revela a perigosa confusão em que nos encontramos. No terreno pantanoso, em que personagens mudam de posição a cada momento, todos os gatos parecem pardos, estimulando o golpismo. 

E contumazes adversários da imprensa, como o presidente Bolsonaro, aproveitam para pescar em águas turvas, declarando que, sem a mídia, “a chama da democracia se apaga”. 

Em tais momentos, convém baixar a bola e recomeçar a jogada desde atrás. O estopim do golpismo veio da Operação Lava Jato. A partir de 2014, “prisões alongadas”, na expressão de um dos atores acima citados, começaram a ser executadas ao bel-prazer de promotores, delegados e juízes. Na época, o impacto das revelações escandalosas —e pelo menos em parte reais— atordoou a consciência do que se passava.

Aos poucos ficou claro que se instalava um poder paralelo e parcial. Visava, sobretudo, embora não exclusivamente, destruir o PT e o lulismo. A ofensiva teve papel decisivo no impeachment de Dilma. 

Após o impedimento, setores que tinham feito vista grossa aos desmandos do “tenentismo togado”, certeiro nome sugerido pelo sociólogo Luiz Werneck Vianna, começaram a lhe opor resistência. Talvez por cálculo, uma vez que agora o MDB e o PSDB entravam na mira. Pouco importa.

Os torquemadas retrucaram com a melhor arma de que dispõem: novas e críveis denúncias de corrupção. O episódio Joesley Batista, que quase levou Michel Temer pelo mesmo caminho que Rousseff, foi emblemático do confronto em curso. O ex-presidente sobreviveu graças ao Congresso. Depois, a eleição de Bolsonaro 

 

No desmonte, até a Chesf

João Henrique aceita convite do governador Ibaneis e vai dirigir o Sebrae-DF (Foto: Ascom)

Por: Arimatéia Azevedo

Com a defenestração do ex-ministro João Henrique Souza da presidência do Sebrae, o Piauí perde em questão de meses, dois importantes órgãos: A Codevasf, que era presidida por Avelino Neiva e , agora, o Sebrae. João Henrique foi substituído, por birra do ministro da Economia Paulo Guedes. Que colocou no lugar o candidato que João Henrique derrotou.

Pois bem, como político do Piauí só briga por cargos e emendas – aquelas que fazem prefeitos e pequenos empreiteiros sorrirem, e eles também – vai daqui a informação de que até a Chesf vai passar a existir aqui somente através de suas torres de transmissão. Diz-se que o diretor de operação da Chesf, João Henrique de Araújo Franklin Neto, já autorizou os testes de transferência das atividades do Centro Regional de Operação de Teresina para o Centro Regional de Operação de Fortaleza, cujo processo deverá ser implantado a partir do dia primeiro de maio. E, aí, a pessoa que passou essa informação pergunta: “E a classe política do Piauí aceitará esse capricho do João Henrique de Araújo Franklin Neto sem reação”? Aceitando ou não, se vê mais um órgão federal reduzindo suas atividades no Estado e, no caso da Chesf, como se sua atuação não fosse mais tão importante como foi até então.

Enquanto isso, os congressistas – os dez deputados federais e três senadores – que não votaram em Bolsonaro correm atrás dos carguinhos para emplacar seus apadrinhados nos órgãos federais restantes.

Maré grande faz estragos na Pedra do Sal. Moradores pedem socorro.

*Por Antonio Gallas

  A  ressaca da maré provocada pela força da Lua que será  cheia nesse sábado, dia 20,  vem provocando grandes estragos em bares e restaurantes situados na orla marítima da Praia da Pedra do Sal, o ponto turístico mais atraente e encantador da cidade de Parnaíba.

Pedra do Sal, situada apenas a 13 quilômetros do centro,   ligada através de uma estrada “asfaltada”  cheia de buracos, deveria ser olhada com mais atenção pelas autoridades do Estado e do Município.   A reforma da ponte Simplício Dias que liga a Ilha Grande de Santa Izabel ao continente  demorou cerca de dois anos.

Foi aberta ao público há uns dois ou três meses, mas  a obra não foi concluída em sua totalidade. Na passarela para pedestres, o corrimão com madeira pobre oferece risco aos transeuntes, inclusive em alguns lugares não existe mais esse corrimão e a estrada apresenta trechos intrafegáveis.

Na madrugada desta quinta feira, 18 as ondas foram devastadoras destruindo bares e casas da orla marítima.  Um dos bares mais atingidos foi o conhecidíssimo Ana Barque ficou totalmente destruído causando um enorme prejuízo à sua proprietária.

Não é a primeira vez que a ressaca do mar  cusa danos aos proprietários de bares e restaurantes na Pedra do Sal. Os moradores da localidade revoltados com o descaso das autoridades para com um dos cartões postais de Parnaíba,  e principal ponto turístico da cidade, preparam um movimento de protesto para esta tarde,  com objetivo de chamar a atenção das autoridades para encontrarem uma solução para o problema , como também ajudarem às pessoas prejudicadas, pois em sua maioria são trabalhadores que tiram desses bares e restaurantes o sustento para suas família.

Fica então o nosso apelo para as autoridades de um modo geral, principalmente para  os políticos  que não se lembrem de Pedra do Sal apenas em épocas de campanha, mas também nesses momentos de agonia e aflição por qual passam seus habitantes. *Antonio Gallas Pimentel é jornalista e escritor. Fotos: JornaldaParnaíba/Raimundo Passinho.

A gente não quer só comida

Daqui de casa fico só acompanhando essa solidariedade arroz e feijão parnaibana pelos desabrigados das chuvas. Chegam as carradas de mantimentos e depois o candidato a vereador, deputado federal, governador e prefeito, enfim, toda a fauna dos mesmos animais á procura de votos, desce do veículo com aquele sorriso de gesso e passa a abraçar e beijar quem vai encontrando pela frente.

Como os políticos de carreira dessa Parnaíba carcomida pela traça do mesmismo são cara de pau! Passam o tempo todo dentro de gabinetes ou ali na praça da Graça maquinando, fazendo manobras e acordos nada éticos pra troca de partidos, pra derrubarem e dificultarem a vida dos adversários, votando títulos de cidadania pra parentes, aderentes e gente insignificante.

Políticos, claro que temos exceções, que numa hora de dificuldades de parte da população acham de dar uma cesta básica, composta por arroz, lata de sardinha 88, feijão, lata de óleo, macarrão Fortaleza, açúcar, dois ou três pacotes de biscoitos Maria, duas cabeças de alho, corante, enfim, alguma coisa pra botar no fundo da panela misturada com um mercado de galinha ou carne comprada na feira da Caramuru.

Se bem que seria bom darem um percentual de verba de gabinete pra ajuda aos desabrigados. Ganham bem pra isso. E me ocorre aqui ficar assuntando porque passa ano e vem ano e, somente pra dar um exemplo, esse problema de alagamentos não tem solução. Principalmente este mais localizado no bairro Piauí, aquele que se transformou em umbigo do mundo e que não tem engenharia da Escola Politécnica da USP que dê jeito.

Não é só comida que esta gente humilde necessita agora neste momento. Essa gente perdeu tudo o que tinha dentro de casa. A começar pela casa, veio, a geladeira, fogão, cama, colchão, as panelas, as roupas, a mochila do menino que iria pra escola, as sandálias pra ir domingo à missa na Santana.

Até agora não tomei conhecimento de nenhum vereador, deputado estadual, federal, governador, candidato que fosse, oferecer ajuda com um milheiro de tijolos, telhas, vaso sanitário, cal, tinta, ripas, caibros, grades, janelas, portas. Ou no mínimo discutir e aprovar projeto destinando terrenos para a fixação desses moradores em lugar mais seguro. Se teve eu não tenho conhecimento.

Aquela gente pobre e esquecida de quatro em quatro anos de janeiro a julho em ano de eleição, não quer só comida em cesta básica. Aquela gente quer de seus vereadores, deputados, senadores, uma atitude pra um destino que coloque suas vidas em ordem. Porque se se der apenas comida, vai ser tanta, mais tanta, que daqui a pouco vai ter gente abrindo supermercado. Pádua Marques, jornalista e escritor.

Censura nunca mais

Por:Magno Martins

A abertura de um inquérito pelo Supremo para apurar fakes news, redundando na suspensão de algumas figuras notáveis nas redes sociais, entre as quais um general da reserva, gerou um pandemônio em Brasília. Em consequência, o ministro Alexandre de Moraes censurou o site Crusoé, por trazer uma informação comprometendo o presidente da STF, Dias Toffoli, na operação Lava Jato.

Ontem, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu o arquivamento do inquérito e a anulação de todos os atos praticados no âmbito da investigação, como buscas e apreensões e a censura a sites. No documento divulgado pela Procuradoria Geral da República, o órgão informa sobre o arquivamento do inquérito por considerar a investigação ilegal. Mas o inquérito, polêmico desde a instalação, foi aberto pelo Supremo sem participação da PGR. Por isso, a decisão sobre o arquivamento ou não caberá ao próprio STF.

O corregedor do Conselho Nacional do Ministério Público, Orlando Rochadel, determinou abertura de reclamação disciplinar para apurar o vazamento de trecho de delação do empresário Marcelo Odebrecht e que cita Dias Toffoli. Ele atendeu a pedido do conselheiro Luiz Fernando Bandeira de Mello, que solicitou que a Corregedoria verifique se algum integrante do MP está envolvido na divulgação de informações sigilosas.

Segundo reportagem publicada na quinta (11) pela revista Crusoé, a defesa do empresário Marcelo Odebrecht juntou em um dos processos contra ele na Justiça Federal em Curitiba um documento no qual esclareceu que um personagem mencionado em e-mail, o “amigo do amigo do meu pai”, era Dias Toffoli, que, na época, era advogado-geral da União.

Desde a ditadura militar não se via tamanho absurdo de censura. Os 11 ministros do Supremo se julgam deuses intocáveis, se acostumaram a meter a sua colher em tudo. Tiraram, por exemplo, várias atribuições do Congresso, interferindo em decisões polêmicas do parlamento. Se julga, igualmente, blindado. Tanto que interferiu e impediu a instalação de uma CPI no Senado para investigar o comportamento nada republicano de alguns dos ministros daquela corte.

Gilmar Mendes, por exemplo, é acusado pelo senador Jorge Kajuru (PSB-GO) de vender sentenças. Ofendido, o ministro abriu um processo criminal contra o político alagoano. Raquel Dodge não conseguiu arquivar o inquérito, sendo derrotada pelo próprio ministro Alexandre de Moraes. Não podemos permitir igual retrocesso no País. Censura nunca mais.

Cara de pau – Raquel Dodge pediu o arquivamento do inquérito por considerar a investigação ilegal. Mas o processo foi aberto pelo Supremo, sem participação da PGR, e a decisão sobre o arquivamento ou não caberá ao próprio STF. Na decisão de quatro páginas, o ministro Alexandre de Moraes, que negou o arquivamento, afirma que tal procedimento, como desejava a procuradoria, “não encontra qualquer respaldo legal, além de ser intempestivo, e, se baseando em premissas absolutamente equivocadas, pretender, inconstitucional e ilegalmente, interpretar o regimento da Corte”.

Supremo parte para a censura

Por:Zózimo Tavares

O Supremo Tribunal Federal (STF) protagonizou ontem um grande e grave retrocesso, ao impor censura à revista “Crusoé” e ao site “O Antagonista”.

O ministro Alexandre de Moraes determinou que a revista e o site retirassem do ar reportagens e notas que citam o presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli.

Alexandre de Moraes estipulou multa diária de R$ 100 mil e mandou a Polícia Federal ouvir os responsáveis pelo site e pela revista em até 72 horas. A primeira multa foi aplicada ontem mesmo.

Alexandre de Moraes decidiu sobre a questão porque é relator de um inquérito aberto no mês passado para apurar notícias fraudulentas que possam ferir a honra dos ministros ou vazamentos de informações sobre integrantes da Corte.

Quem é

Segundo reportagem publicada pela revista, na quinta (11), a defesa do empresário Marcelo Odebrecht juntou em um dos processos contra ele, na Justiça Federal, em Curitiba, um documento no qual esclareceu que um personagem mencionado em e-mail, o “amigo do amigo do meu pai”, era Dias Toffoli, que, na época, exercia o cargo de advogado-geral da União.

Não há menção a dinheiro ou a pagamentos de nenhuma espécie no e-mail.

Conforme a revista, o conteúdo foi enviado à Procuradoria Geral da República para esta analisar se vai ou não investigar o fato.

Em nota oficial divulgada na sexta, a PGR afirmou que não recebeu nenhum material e não comentou o conteúdo da reportagem.

A reação de Toffoli

Na própria sexta, segundo a decisão de Alexandre de Moraes, Toffoli mandou mensagem pedindo apuração, com o seguinte teor:

“Permita-me o uso desse meio para uma formalização, haja vista estar fora do Brasil. Diante de mentiras e ataques e da nota ora divulgada pela PGR que encaminho abaixo, requeiro a V. Exa. Autorizando transformar em termo está mensagem, a devida apuração das mentiras recém divulgadas por pessoas e sites ignóbeis que querem atingir as instituições brasileiras”, afirmou o presidente do Supremo.

Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes cita que o esclarecimento feito pela PGR “tornam falsas as afirmações veiculadas na matéria “O amigo do amigo de meu pai”, em tópico exemplo de fake news – o que exige a intervenção do Poder Judiciário”.

Sem censura

Segundo a assessoria de imprensa do Supremo Tribunal Federal, não se trata de censura prévia – proibida pela Constituição – mas sim de responsabilização pela publicação de material supostamente criminoso e ilegal.

Se o caso ainda não foi julgado, nem sequer investigado, como se sabe que ele é supostamente criminoso ou ilegal?

Protesto

Em nota conjunta, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) protestaram contra a censura imposta pelo STF à revista e ao site.

Para as entidades, a decisão configura “claramente censura, vedada pela Constituição”.

O resumo da ópera é que o Supremo se apequenou com a decisão de ontem. A citação ao ministro Toffoli não é uma fake news.

A referência ao presidente do Supremo foi retirada dos autos de um processo. Se o delator mentiu, aí é outra história. Muitas outras autoridades foram citadas por delatores, nesses processos da Lava Jato, e estão sendo investigadas por isso.

Erro e nervosismo

O STF também cometeu um erro estratégico e primário de comunicação. Quem não havia tomado conhecimento nem da revista nem do site, muito menos da reportagem, correu atrás.

Ou seja, o próprio STF deu à reportagem e aos veículos uma repercussão que jamais alcançariam sem esse empurrão supremo.  

Mas a decisão é preocupante, pois, além de mostrar que o STF está nervoso, indica que a Suprema Corte se mostra disposta a qualquer coisa para defender a cara de seus ministros, mesmo que eles nem precisem disso.

O jurista Rui Barbosa, que foi também jornalista militante, alertava, no seu tempo, que “A pior ditadura é a do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer”.

Fica difícil acreditar, portanto, em uma democracia na qual a instituição que deveria garantir o acesso à informção, assegurada na Constituição, é a primeira a lançar mão da censura. E para supostamente se autoproteger. 

O fim do ‘Vossa Excelência’

Para viger a partir de primeiro de maio, o presidente Jair Bolsonaro assinou decreto tornando mais simples, ou tornando mais banalizada a relação de tratamento entre agentes públicos. Ou da parte da população para com os gestores com os quais não precisará usar de formalismo numa correspondência porque, pelo decreto não mais serão permitidas as expressões específicas de tratamento. Ou seja, não se pode ou deve endereçar uma correspondência ao ministro chamando-o de “Vossa Excelência”. Basta tão somente a palavra ‘Senhor’. Ou senhora, se a carta for endereçada a uma mulher, por exemplo.

Ficam, pois, abolidas, as expressões; Vossa Excelência ou Excelentíssimo; Vossa Senhoria, Vossa Magnissência, Doutor, Ilustre ou ilustríssimo, digno ou digníssimo e ‘respeitável’. Num país em que a língua culta foi pro brejo  nos 12 anos de gestão do PT, onde o próprio Ministério da Educação considerou admitir como tolerável, e, portanto, aceitável o sujeito pronunciar “a gente vamos”, ou “Nós faz”, ou mais precisamente ‘o povo vão’  e os neologismos abreviados pq (por que) e o próprio filho do atual presidente o corrige publicamente na pronuncia equivocada da palavra privilégio, não se pode mais esperar nada.

Não custa lembrar, Jânio Quadros (que renunciou aos sete meses de mandato) baixou decreto proibindo briga de galo, uso de biquínis na praia. E tudo continua em uso. 

Previdência, vermelho-hemorragia

Por: José Adalberto Ribeiro

MONTANHAS DA JAQUEIRA – A Previdência Social vivencia um estado pré-falimentar, esta é a constatação irrecusável. Como estancar a sangria desatada, é o Xis da questão. Ao longo de décadas a Previdência funcionou como usina geradora de privilégios em favor das castas, príncipes e princesas da realeza republicana. E tem sido permissiva para as fraudes e a sonegação dos grandes devedores.

Os privilégios são mantidos pela dinâmica da inércia. Hay que reverter essa dinâmica perversa, pero sem castigar os mais pobres para não aguçar ainda mais as injustiças sociais.   

O vermelho-hemorragia, o déficit, está na faixa dos bilhões de denários, extrapola ideologias.

O futuro a Zeus pertence. E também pertence à Previdência Social. Deus proteja os aposentados do Funrural! Deus proteja os macróbios do Benefício da Prestação Continuada – BPC!

O Funrural e o Benefício da Prestação Continuada – BPC não fazem parte da Previdência Social. São políticas de assistência social, tipo o Bolsa Família, independem de contribuições, e deveriam ser consideradas cláusulas pétreas, feito os privilégios das castas.

Neste Brazil do desemprego, do subemprego e da informalidade, os beneficiários do Funrural e do BPC na maioria são arrimos de família, operam o milagre da multiplicação de migalhas. O Funrural evita o êxodo rural.

Se for restabelecido o ciclo virtuoso na economia – investimentos,  prosperidade, empregos – , haverá um refrigério nas contas públicas e será estancada ou revertida a sangria desatada na Previdência. Mas, se mantidos os privilégios das realezas, as riquezas continuarão a ser apropriadas pelos goelas e não haverá salvação.

Benefícios do Funrural e BPC entram diretamente nas artérias e veias da economia e retornam para o governo, ao menos metade, sob a forma de impostos.  

A título de livre pensar, lembremos que o famigerado Fundo Partidário irá abocanhar este ano 927 milhões e serve apenas para ninar raposas políticas dependentes das glândulas mamárias do governo. É o Benefício dos vivaldinos.

Se é para falar em austeridade, que tal zerar as benesses dos cartões corporativos do governo?! Este é o BPC das realezas republicanas.   

Ser presidente, ministro, deputado, senador, ser um príncipe da República é padecer no paraíso. Ganham super salários e desfrutam de mil mordomias. É um serviço maneiro. Por acaso já passou pela cabeça de um potentado, ao menos de raspão, a ideia de reduzir os próprios salários, digamos, em 10 por cento, para transmitir uma imagem de austeridade e dar um suspiro nos cofres públicos?! Seria gesto didático e magnânimo, exemplo maravilhoso. Mas, eu estou apenas sonhando.

A importância do curso profissionalizante contra o desemprego

*Alexandre Farhan

Recentemente ocorreu em São Paulo o mutirão pelo emprego, organizado pelo Sindicato dos Comerciários. O resultado dessa ação foi uma impressionante fila de 15 mil pessoas, que esperavam pacientemente, algumas desde a madrugada, por uma chance de recolocação profissional frente a pelo menos 6 mil ofertas de vagas.  Diante dessa cena melancólica e do abatimento dos desempregados, um dos grandes problemas constatados, por especialistas, foi que muitos que lá estavam poderiam já estar plenamente inseridos na força de trabalho se tivessem feito sua capacitação em cursos profissionalizantes. É notória que essa alternativa de treinamento gera muito mais possibilidades de empregos, e proporciona uma formação específica, formal, sistematizada, permanente e sólida, além de uma série de outros benefícios.

Independentemente de alinhamento político-ideológico ou não, o presidente Bolsonaro já havia tocado nesse tema, enaltecendo a importância da educação profissional para os brasileiros. O próprio mandatário havia falado da obsessão dos brasileiros pelo diploma de curso superior e que seria melhor se muitos deles buscassem o ensino profissionalizante para atuar, por exemplo, em consertos de eletrodomésticos ou mecânica de automóvel. Isso, por sinal, é o que ocorre em países desenvolvidos.

Ele admitiu que no período em que ainda era tenente fez curso de manutenção de máquina de lavar roupa e de geladeira. O líder do Executivo disse ainda que se quisesse viver desses trabalhos ganharia no mínimo uns R$ 12 mil por mês. É fato, que se formos procurar exemplos de trabalhadores bem-sucedidos, como por exemplo, cabelereiros, cozinheiros, mecânicos de autos, funileiros, pedreiros, marceneiros e outros, encontraremos em abundância casos de sucesso financeiro e pessoal.

O que o governante falou de fato não é novidade para muitos brasileiros, que no momento têm seu sustento e bem remunerado por meio de seus respeitados ofícios. É fácil perceber que há muita falta de mão-de-obra capacitada em vários setores e isso ocorre em todos os segmentos da economia. Em boa parte, no Brasil, operários de ‘chão-de-fábrica’ não têm formação profissional para às vezes operar máquinas que custam milhões de reais como é o caso da indústria do plástico.

Por sua vez, empresários e executivos ficam receosos de contratar empregados sem a mínima competência para comandar máquinas, que lhes exigiram grandes investimentos. Há também a questão da segurança, pois alguém mal instruído pode até gerar incêndios ou outras tragédias semelhantes. Vale citar aquela história em que ninguém gostaria que qualquer um comandasse o avião se fosse passageiro. Se é assim, o empresariado mais exigente também não vai deixar qualquer um dos seus empregados ter nas mãos um patrimônio tão valioso e custoso, inclusive na manutenção.

O sistema ‘S’ tem fornecido boa quantidade de artífices para o mercado profissional, assim como algumas ótimas escolas particulares isoladas. Mas parece que por influência de uma cultura tradicional de valorização da universidade, a juventude prefere buscar o tão almejado curso superior, tornando-se muitas vezes uma fixação social de toda a família, especialmente aquelas mais humildes. Inúmeros brasileiros enxergam a faculdade e o jovem, com seu canudo nas mãos, como a solução de todos os seus problemas, isto é, a remuneração digna, o respeito da sociedade, e até um pretenso atestado de inteligência, o que na prática naturalmente não é verdade.

A realidade é que o diploma superior em mãos não significa sempre grandes ganhos financeiros ou mesmo muitas oportunidades de trabalho. Sabe-se hoje que há carreiras do terceiro grau que são extremamente fechadas e até inacessíveis aos formados, e as escolas superiores acabam se tornando verdadeiras fábricas de desempregados diplomados.

Já os cursos profissionalizantes respondem à vontade direta das indústrias, comércios e serviços, sem meias palavras, burocracias acadêmicas ou pieguices. Nós representantes da educação profissional no Brasil temos orgulho de atuar com um compromisso único, o de produzir trabalhadores, operadores ou operários, cada vez mais capacitados para realizar seu trabalho com grande qualidade em benefício de toda a sociedade.

*Alexandre Farhan é diretor-técnico da Escola LF de cursos profissionalizantes em plásticos

Fizeram a festa e esqueceram os músicos

Por: Pádua Marques, jornalista e escritor.

Tenho um colega de longa data em Minas Gerais. E um dia desses, ele me contava que na sua terra, cidade pequena à época, pouco mais de três mil cabeças, os mais ricos de lá, pra comemorarem a vitória de um neto que havia ganhado as eleições pra prefeito, organizaram uma festa. Festa com muita comida, bebida no balde, presente pra todo mundo, coisa de dar no meio da canela da vaca que dá mais leite.

E à noite iria ter uma festa com banda, vinda do interior da Bahia, dessas que empestam e aparecem feito mosca varejeira na época do carnaval e são doidas pra comerem dinheiro de prefeituras. Porque em Minas, se não for procissão, é procissão. E voltando pra festa, muita gente veio de povoados pra se encostar no muro da igreja esperando o que iria acontecer. Porque disseram que teria uma banda afamada.

Lavaram as escadas da igreja e da prefeitura, deram uma mão de cal no meio fio das calçadas, apararam os troncos das árvores. Deixaram a cidade um brinco. E foi tanta a movimentação dessa gente que os donos esqueceram ou deixaram pra cima da hora a contratação da banda. E na hora, já adiantada ainda andavam procurando quem poderia fazer o discurso do prefeito vitorioso.

Quando se deram conta já estava adiantada a hora e ninguém havia tomado uma providência.  E chegam as moças, os rapazes, os casais convidados, as velhas aposentadas com seus vestidos de seda e com cheiro de água de colônia. O juiz e o chefe da agência do INSS já estavam há tempos numa conversa sem fim e mais adiante o prefeito que deixava o cargo ainda se debatia com o atraso da mulher em se arrumar.

E ninguém se lembrou dos músicos. O certo é que não teve quem desse conta e só em cima da hora é que descobriram a falta de organização. É dessa forma que fiquei sabendo de uma reunião que houve essa semana aqui em Parnaíba com assessores e superintendentes do prefeito Mão Santa para o setor de turismo.

Lendo as notícias verifiquei que entre os presentes não tomei conhecimento de ninguém do setor privado. Se é que tem alguém que faça parte desse conselho. Como é que tem um conselho de turismo, atividade essencialmente própria da iniciativa privada, e não tem neste conselho um representante? Pelo que li apenas pessoas com perfil de consultoria, mas sem nenhuma experiência bem sucedida.

E a velha discussão da viabilidade econômica pelo turismo da praia da Pedra do Sal, o aeroporto de final de semana, a inveja contida de Jericoacoara, no Ceará, essas coisas antigas e repetidas. Ainda vai levar bastante tempo pra essa gente leiga e aventureira perceber que desenvolvimento do turismo não se faz dentro de gabinete de governador ou de prefeito. Antes de decidir em fazer uma festa é preciso saber se tem banda de música.

W. Dias:100 dias em brancas nuvens

Por: Zózimo Tavares

Ou o governador Wellington Dias não tem efetivamente o que mostrar ou, agora, no começo do quarto mandato, já se cansou dessas bossas.

O fato é que passou em brancas nuvens, ontem, o transcurso dos primeiros 100 dias de seu novo mandato. O governo não deu um pio sobre o assunto.

Diante do silêncio do governo, que sempre foi fanfarrão nessas ocasiões, a oposição aproveitou para dar o seu recado.

O presidente regional do PSDB, Luciano Nunes, que foi candidato a governador no ano passado, postou um vídeo nas redes sociais afirmando que Wellington nada tem a apresentar. “Não tem sequer secretário”, criticou. E acrescentou: “Acumula dívidas e obras paradas”.

Conforme ainda o tucano, “O governo está amarrado aos compromissos políticos assumidos na eleição”. Assim, em 110 dias, apenas pagou a folha de salários. “E o povo fica sem educação, saúde, segurança, assistência e infraestrutura. Sem respeito e sem dignidade”.

Luciano Nunes disse ainda que, em 100 idas, o governo fez propaganda do que não fez, as dívidas crescem e o Piauí já não conta com o aval de Brasília para os empréstimos”. E concluiu:

“Os terceirizados não recebem há meses, os fornecedores não são pagos, hospitais são interditados, a polícia para e o crime domina. Em 100 dias,

o governador tirou férias e fez duas viagens ao exterior. O Piauí sangra. Nada temos a comemorar.”

POIS É!

Tiro pela culatra

Os governadores do Nordeste, que formaram uma frente antibolsonaro, parece que ainda não aprenderam uma regra simples da matemática política: essa posição deles afasta os investidores da região.

Ninguém vai querer montar um negócio em um Estado que vive às turras com o governo federal.

Sintonia

Quando há harmonia entre os três níveis de poder as coisas são difíceis, para os empreendedores, imagine quando se estabelece entre eles, os governos, o conflito político, que arrasta para si todos os demais.

A estas alturas, Bolsonaro deve estar dando é boas gargalhadas.

Balanço

A oposição está no seu papel de malhar o governo, de cobrar ação e fiscalizar seus atos.

As críticas dela ao governador Wellington Dias, pela passagem dos primeiros 100 dias do novo mandato, não levam em conta ações positivas como a reforma administrativa.

E a reforma?

A reforma não foi um passo curto, para um governo que sempre fez todo tipo de malabarismo para acomodar os aliados, sem preocupação com o tamanho, o peso e a eficácia da máquina administrativa.

A propósito, essa reforma foi reiteradamente pedida pela oposição.

A nova economia e as relações de consumo na era da inovação

Por:Janguiê Diniz(*)

O termo “nova economia” foi utilizado pela primeira vez em 1996, pela revista norte-americana BusinessWeek e fala da transição de uma economia baseada na indústria para uma economia baseada nos serviços. Apesar de já se terem transcorrido 23 anos, a expressão se mantém atual, pois o cenário econômico mundial tem se renovado, e cada vez mais rapidamente. Com o desenvolvimento das novas tecnologias, a economia de serviços ganha força e impulsiona o crescimento das startups.

Nesse cenário, a inovação e a disrupção são as palavras de ordem. O foco deixa de ser o ambiente físico para ser o virtual. E é assim que surgem as grandes empresas nascidas em garagens, as startups que explodem criando soluções que mudam paradigmas e facilitam a vida das pessoas. Essa nova economia é composta por quatro tipos de negócios: os criativos, os sociais ou de impacto, os inovadores e os escaláveis.

A disrupção é sempre presente na realidade da nova economia. Se, antes, uma empresa dependia das demandas do mercado, hoje ela própria cria uma necessidade. Imagine que, 15 anos atrás, os smartphones nem existiam e todo mundo vivia muito bem sem eles. Hoje, é quase impensável para muitas pessoas sair de casa sem seu aparelho. Acontece que rompeu-se um paradigma de mercado com o surgimento de um novo nicho, mais moderno e tecnológico. Isso é disrupção.

Na era da nova economia, empresas que não trabalham com disrupção correm grande risco de ficar para trás na competição pela clientela. Afinal, estamos permanentemente conectados e o ambiente digital tornou-se parte do dia a dia. Quem não se utiliza desse meio de infinitas possibilidades acaba se restringindo e não consegue alcançar o público que poderia.

Essa característica volátil e mutável do mercado se reflete na forma como as empresas se comportam atualmente. Estima-se que os negócios tenham tempos de vida mais curtos – de três a cinco anos. Se isso significa que estão fadados à morte? De jeito nenhum, caso consigam se reinventar e adaptar às novas realidades que se apresentam a cada momento. É um trabalho árduo e complicado, que requer muita atenção ao mercado e ao público, mas necessário para quem quer sobreviver. Em suma, a nova economia exige muito mais dedicação dos empreendedores e empresários para que suas companhias se mantenham sempre competitivas.

(*)Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional