Fábio Abreu na Segurança:”Mais do mesmo”

Por:Arimateia Azevedo

Pela segunda vez o capitão-deputado federal Fábio Abreu assumirá o comando da Segurança Pública do Piauí no cargo de secretário de Segurança, no qual pomposamente será empossado hoje, numa solenidade para o qual ele próprio distribuiu convites, através das redes sociais.

Abreu, que mesmo fora do cargo, de abril do ano passado até agora, mantém lá domínio territorial, retorna ao posto com as mãos abanando ou apenas com o projeto de melhorar sua imagem para ser candidato a prefeito de Teresina em 2020. A não ser que a partir da leitura deste texto ele improvise um plano de segurança pública, não é exagerado dizer que seu retorno vai ser mais do mesmo.

O Piauí, sobretudo Teresina, vive uma onda de assaltos, principalmente pequenos assaltos as pessoas que andam de ônibus, transitam na periferia e a polícia, apesar dos esforços de da grande maioria dos policiais civis e militares, encontra-se à beira da UTI. Totalmente sequelada, sem a estrutura mínima até para fazer o policiamento ostensivo (da PM) e o investigativo, da Civil, porque não pagaram o posto de combustíveis.

Ontem mesmo viralizava nas redes sociais um vídeo de uma viatura da policia militar no prego de gasolina e os policiais atrás, empurrando. Estavam todos sentindo ‘vergonha alheia’, pois a culpa daquele descalabro seguramente não é deles, mas do gestor relapso, negligente. E, por existir esse estado de quase calamidade pública no setor de segurança é que já não mais se acredita que esse tipo de prática de política possa resultar em melhora para a sociedade. A segurança pública virou território eleitoral de um dono só e moeda de troca para as acomodações de aliados do governo. Preocupação com o bem da coletividade, nem tanto. 

Se arrependimento matasse, estaríamos assistindo ao velório do ministro Sérgio Moro

Por: Carlos Newton

O ex-juiz Sérgio Moro vive uma terrível fase de inferno astral. Fazia uma carreira esplendorosa, já se tornara uma das personalidades mais importantes do mundo, mas cometeu um gravíssimo erro e agora tudo está desabando sobre sua cabeça. Seu maior inimigo chama-se Rodrigo Maia, que comanda a bancada da corrupção, amplamente majoritária no Congresso Nacional, cujo objetivo é esvaziar a Lava Jato e destruir o que resta do trabalho de Moro e dos demais juízes da Lava Jato, que levaram adiante o esforço concentrado e incessante das forças-tarefas, formadas pela Polícia Federal, Procuradoria e Receita.

Moro cometeu um tremendo erro de avaliação. Julgou que, ao assumir o Ministério da Justiça, poderia fortalecer a Lava Jato, mas isso não aconteceu. O trabalho das forças-tarefas não depende mais de ninguém, passou a se desenvolver automaticamente, embora os governos Dilma Rousseff e Michel Temer tenham tentado bloquear, através do corte de verbas.

GAROTO-PROPAGANDA – Moro entrou para valer na função de ministro e apresentou um moderno e eficiente projeto anticrime, pensando que o governo iria se empenhar pela aprovação. Mas se enganou, sua proposta não é prioridade.

Ao mesmo tempo, passou a ser usado pelo presidente como uma espécie de “garoto-propaganda” do governo. O presidente faz questão de levá-lo em todas as viagens internacionais, quando diz os maiores disparates e fica parecendo que Moro concorda com as barbaridades do suposto “Mito”.

E a situação vai ficando cada vez mais embaraçosa para o líder da chamada República de Curitiba, que se transformou numa espécie de “escudo” para Bolsonaro.

ATAQUES DE MAIA – Mais constrangedor ainda é Moro ser atingido por ataques de Rodrigo Maia, um deputado investigado por receber propinas e caixa 2 de empreiteiras. Como se sabe, há alguns dias o ministro da Justiça se julgou no direito de defender que a Câmara examinasse simultaneamente a reforma da Previdência e o pacote anticrime. Foi o que bastou. O presidente da Câmara simplesmente o esculhambou, dizendo que Moro não entendia da política e acusando o ministro de ter plagiado a proposta de Alexandre de Moraes, do Supremo.

Maia mentiu propositadamente, porque os projetos são muito diferentes. As sugestões de Moraes sequer incluem prisão após decisão de segunda instância. O ponto em comum é um maior rigor nas penas e na progressão, o que é o óbvio ululante tão perseguido por Nelson Rodrigues.

Moro teve de engolir as mentiras de Maia, aceitou um encontro com o senhor dos anéis da Câmara, mas já sabe que seu pacote anticrime não passará, como diria La Passionaria.

ESTRATÉGIA – Regida pelo maestro Maia, a Câmara vai adotar uma estratégia ardilosa, aprovando um projeto híbrido, bastante rigoroso contra os crimes dos narcotraficantes e assemelhados, mas absolutamente omisso quanto a corrupção política.

Como recordar é viver, precisamos lembrar que no início do governo Temer o deputado Rodrigo Maia já presidia a Câmara e pautou de surpresa, numa sessão de segunda-feira à noite (algo verdadeiramente inusitado) a votação de um projeto arranjado às pressas do arquivo, que nem autor conhecido tinha, e essa armação tinha o objetivo de anistiar o caixa 2.

Só não funcionou porque havia dois experientes deputados no plenário, Ivan Valente (PSol-SP) e Miro Teixeira (Rede-RJ), que perceberam e denunciaram o golpe contra a Lava Jato e Maia teve de retroceder.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Por essas e outras, Sergio Moro está arrependidíssimo de ter largado a magistratura e deixado a tranquilidade da República de Curitiba, pois em Brasília é obrigado a conviver com esses cidadãos de terceira classe que infestam a política brasileira. (C.N.)

Empreendedor individual cresce, mas ainda não se organizou

Por: Fenelon Rocha

Visto como tradutor do vigor de uma economia, o pequeno empreendedor vem ganhando espaço no Brasil. Mas esse crescimento no número de empreendedores ainda não está sendo acompanhado de uma substantiva profissionalização. O setor ainda conta com muito improviso. Um dado revelador é que o chamado MEI – sigla para Micro Empreendedor Individual – desconhece noções elementares de finanças.

Em termos numéricos, há uma evolução enorme. Dados do Serasa indicam que no ano passado o Brasil criou 2,5 milhões de empresas. Desse total, 80% foram MEIs. Para ser mais exato: foram 2.064.430 de MEIs formalizados em 2018, crescimento de 19,1% em relação a 2017. A avaliação do Serasa é que esse crescimento tem um pouco a ver com o que chama de “empreendedorismo por necessidade”, que vem a ser a busca de uma saída para a crise que nunca termina.

Ou seja: sem horizonte, o sujeito correu para uma ação de negócio próprio, para “salvar a casa”. O número deixa de ser motivo de tanta festa também diante do pouco preparo da maior parte dos empreendedores. Dados do Sebrae, divulgados no ano passado, revelam que 77% dos MEIs do país nunca tiveram capacitação financeira. Ou seja: desconhecem aspectos elementares de gestão.

Micro Empreendedor: busca de capacitação técnica ainda é limitada e revela alto grau de improviso no setor

O levantamento do Sebrae mostra ainda que metade dos micro empreendedores ainda fazem os registros de movimentação dos negócios em papel – distantes de recursos elementares da era digital. Tem mais: em tempos de maquinhinhas, somente 44% aceitam cartão, o que não deixa de ser um problema porque reduz o alcance do negócio.
 Nordeste tem que avançar mais

Na região Nordeste, os microempreendedores tem um lugar de destaque. É um pouco a tradução das fragilidades econômicas da região, a que mais sofreu com a recessão que se instalaou a partir de 2014. É também onde o improviso está mais presente: se no Brasil a média de desconhecimento sobre finanças chega a 77%, aqui esse índice passa de 80% – o maior do país.

Há ainda outro dado que chama atenção: mais de um quarto das MEIs que são abertas fecham antes de completar 2 anos de funcionamento formal. Na corrida pela qualificação, o Sebrae ganha destaque: quase 90% dos que procuram algum tipo de capacitação buscam lá esse tipo de apoio.

Governo faz oposição a si mesmo

Por: José Adalberto Ribeiro

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Na aeronáutica chamam de tempestade perfeita. A natureza governista das reformas conspira contra o céu de brigadeiro. 

Reforma da Previdência, o governo instalou um bode cheiroso na sala e resolveu fazer oposição a si mesmo. Reina a desinformação no meio da soberba. O governo adotou um bode na sala das reformas.    

Todíssimas as pessoas que eu conheço, as que eu não conheço e as que eu ainda vou conhecer reclamam da falta de comunicação, ou da anticomunicação, do governo Bolsonaro.

Os vermelhos continuam no comando das áreas de comunicação/imprensa dos organismos federais, ministérios, estatais e adjacências. Os parlamentares governistas estão sob a vigilância do Bolsonaro zero 02, ou Bolsonaro zero 03, ou Bolsonaro 007.

Se o zero 2 foi capaz de dar uns cascudos no presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que dirá se ficar invocado com um deputado recruta zero. Vai dar um esculacho. Jornalistas aliados são hostilizados ou ignorados no reino da soberba.  

Dizei-nos, ó deputada super Joice Hasselman, qual a Nova Previdência? A dos militares? A dos príncipes e princesas das castas da República? A do Benefício de Prestação Continuada – BPC de 400 reais? A super Joice fala “simbora!” Para onde?

Já disse 995,5 vezes e repito: Benefício de 400 reais para desvalidos acima de 60 até os 70 anos é matança antecipada de idosos, economia de palitos ou antieconomia, pois gera mais exclusão social.

A Previdência é definida como fábrica de desigualdades e injustiças sociais. E daí? Falta explicar como as engrenagens serão desmontadas, a começar pela Previdência dos militares.  

Na pauta dos militares, o governo aumenta um pouco as alíquotas, estica um pouquinho o tempo de contribuição e concede um aumento generoso nos soldos da caserna.

Desde que vestem a farda, militares garantem o emprego a vida inteira. Assim também nas carreiras de Estado e no serviço público. Na iniciativa privada a regra é a rotatividade no emprego. Se ficar desempregado depois dos 40 anos, é considerado velho e vai sofrer para ser inserido novamente no mercado de trabalho.

Instalaram um bode cheiroso na sala da reforma da Previdência. A líder do governo, super Joice Hasselmann, tenta acalmar os pacientes da reforma: senta, senta que o bode é cheiroso! Até agora não tem nada de cheiroso, é fedorento.

No plenário da Câmara dos Deputados existem 513 touros miúras soltando fogo pelas ventas e dispostos a tourear as reformas.    

A super Joice Hasselmann cumpre a missão de segurar na unha os touros miúras do cordão encarnado e do cordão azul. Os miúras da prole de Bolsonaro são imprevisíveis.

O touro miúra é valente, bate na gente. Segura o rojão, super Joice Hasselmann!

Tiro de misericórdia

Por Arthur Cunha 

Em governo, nada não está tão ruim que não possa piorar. Depois de ver sua popularidade derreter em tempo recorde – é o presidente com aprovação mais baixa no início do primeiro mandato –, Jair Bolsonaro pode levar um tiro de misericórdia já no próximo dia 30 de março, caso estoure outra greve dos caminhoneiros. Isso mesmo, meus amigos. Chamem do que quiserem: inferno astral, karma, Lei de Murphy ou macumba. O fato é que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, que tem, entre outras missões, a de antecipar crises, está monitorando uma articulação via WhatsApp que pode culminar em uma nova paralisação, segundo relatou o Estadão.

Os líderes do movimento argumentam que os principais pontos do acordo que o Governo Temer assumiu com a categoria no ano passado não foram cumpridos. O que ensejaria uma nova greve, daquelas capazes de parar o País e levar o caos novamente aos brasileiros. O que Bolsonaro tem a ver com isso? Tudo! Mesmo não tendo criado o problema – está no cargo há apenas três meses –, o presidente terá de administrá-lo. Mais uma crise pode cair no colo do mandatário cujo desgaste só aumenta.

Como ponto positivo, o Estadão informa que os primeiros relatórios dão conta de que o movimento não tem a mesma força do ocorrido em 2018. Mas há sempre o temor de que os caminhoneiros possam se fortalecer, fazendo a eventual greve ganhar corpo ao ponto de tornar-se irreversível. E a oposição ao presidente (leia-se, sobretudo, PT e os movimentos sociais ligados ao petismo), em uma postura antidemocrática, certamente, vai estimular a paralisação nos bastidores, acirrando ainda mais os ânimos. É, inclusive, parte da estratégia deles.

Junte-se a esse cenário a incapacidade do atual governo de negociar em situações tensas, como temos visto diariamente nas polêmicas envolvendo a reforma da Previdência e o pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro. Com habilidade zero para defender seus pontos de vista, e a disposição gigantesca para brigar e destratar os outros que Bolsonaro e seus filhos apresentam, não precisa ser médium para antever o desastre que esse episódio pode gerar. Vamos torcer para que Deus ilumine a consciência dos caminhoneiros e se chegue a um posicionamento favorável a todos. Se depender das nossas autoridades, já era!

Injeção de recursos federais anima governadores e prefeitos

Por:Cláudia Brandão

Governadores e prefeitos do Brasil vão ter um pequeno refresco nas contas públicas com o repasse de parte dos recursos obtidos pela União com a exploração do petróleo na camada do pré-sal. A estimativa é de que, a partir do próximo ano, o governo federal comece a repassar 17 bilhões para os estados e municípios.

Esse dinheiro vinha sendo aguardado com bastante expectativa pelos gestores públicos que estão administrando orçamentos deficitários, na sua grande maioria. Segundo o Ministro da Economia, Paulo Guedes, é  um “balão de oxigênio” para os estados.

No caso do Piauí, o governador Wellington Dias já adiantou que vai aplicar o dinheiro para cobrir o déficit previdenciário, hoje um dos grandes gargalos da administração pública. A intenção do governo federal é ir aumentando o repasse gradativamente até atingir 70% dos recursos destinados aos estados e municípios, em um prazo de 20 anos. Hoje, 100% do Fundo Social ficam com a União.

Em entrevista concedida à Revista Cidade Verde, o Presidente da Associação dos Prefeitos Piauienses, Jonas Moura, fala da expectativa dos municípios com relação à Cessão Onerosa, que trata justamente dessa questão. Segundo ele, muitos municípios piauienses não arrecadam valor algum e, hoje, vivem basicamente do repasse do Fundo de Participação dos Municípios. Agora, eles passarão a contar com essa fonte extra. Mas, como recomenda o presidente, os prefeitos não podem mais abrir mão de gerar arrecadação própria, do contrário não terão como atender às demandas sociais das suas cidades.

Reforma de Wellington anda na Assembleia

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Por: Zózimo Tavares

As seis mensagens propostas pelo governador Wellington Dias para reduzir em R$ 400 milhões a despesa com a manutenção da máquina administrativa deverão ser votadas esta semana.

Entre as medidas, está a extinção de 19 órgãos, como as Secretarias de Trabalho e Emprego, de Desenvolvimento Rural e de Assistência Social e Cidadania, que darão origem a outras três pastas.

O governo propõe também a extinção de coordenadorias, da Fundação Centro de Pesquisas Econômicas e Sociais do Piauí (Cepro) e do Instituto Superior Antonino Freire. O projeto do fim da Cepro já foi aprovado.

Uma reunião conjunta das comissões técnicas – Constituição e Justiça, Administração Pública e Finanças e Tributação – votará amanhã os pareceres dos relatores das propostas ainda sem relatórios votados. Após aprovados nas comissões, os projetos seguem para votação em Plenário.

Mais obras e serviços

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Themístocles Filho (MDB), informou que amanhã os relatores das mensagens que alteram leis, extinguindo cargos e órgãos públicos, vão ler seus relatórios e submetê-los à votação.

Themístocles Filho reforçou o que o povo piauiense reivindica melhores estradas, mais educação, saúde, segurança e infraestrutura. “Nós devemos trabalhar isso. É isso que o povo reivindica do governador, dos deputados estaduais, federais e senadores do nosso estado”, argumenta.

Impostos

Também será votada amanhã, na reunião conjunta das comissões técnicas da Assembleia, a Mensagem nº 07/2019, do Governo do Estado, que trata da política tributária do Piauí. A proposta busca o incremento na arrecadação do Estado.

A mensagem prevê a redução de 15% do IPVA, em relação ao exercício de 2018, 24% referente ao exercício de 2019, caso seja pago em cota única, e autoriza o governo a estabelecer o percentual de redução do imposto referente ao exercício de 2020, no caso do pagamento antecipado.

A mensagem, que originalmente tratava apenas a respeito da cobrança do IPVA e ICMS, recebeu aditivo tratando da cobrança de ITCMD – imposto que deve ser pago ao adquirir e ou transmitir bens imóveis– em casos de doação ou herança. A alíquota deste imposto varia de acordo com a política tributária de cada estado.

O desconto pode chegar agora a 37,5% para os contribuintes que regularizarem sua situação em relação ao pagamento deste imposto até o dia 30 de abril de 2019.

O deputado Henrique Pires (MDB), relator da Mensagem, adiantou o teor do parecer favorável à proposta:

“O que está sendo feito é uma adequação a legislação atual. E quanto ao desconto na quitação de débitos do ITCMD e do IPVA entendemos que será benéfico para o Estado, que neste momento busca incrementar suas receitas”, justificou o deputado. (Com informações da Alepi)

As trombadas de Rodrigo Maia e Sergio Moro

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Por: Zózimo Tavares

O governo Bolsonaro parece acertar na intenção e errar na ação. Por exemplo, a decisão do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, de rebater o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não ajuda na tramitação dos projetos de interesse do Governo no Congresso.

Na quarta-feira, Rodrigo Maia desqualificou o chamado projeto anticrime apresentado por Sergio Moro. Segundo o deputado, o texto é um “copia e cola” da proposta sobre o mesmo tema que foi apresentada no passado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

O presidente da Câmara mostrou irritação com o ministro da Justiça, ao chamá-lo de “funcionário do presidente Jair Bolsonaro” e dizer que ele “está confundindo as bolas.”

Irritação

Rodrigo Maia se mostrou incomodado com o fato de Sergio Moro ter dito que seu projeto anticrime poderia tramitar ao mesmo tempo  que a reforma Previdência na Câmara. O ministro deu as declarações no lançamento da Frente Parlamentar da Segurança Pública.

Ele disse também esperar que o seu projeto anticrime “tramite regularmente e seja debatido e aprimorado pelo Congresso Nacional com a urgência que o caso requer.”

“Talvez alguns entendam que o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais. Essas questões sempre foram tratadas com respeito e cordialidade com o presidente da Câmara, e espero que o mesmo possa ocorrer com o projeto e com quem o propôs. Não por questões pessoais, mas por respeito ao cargo e ao amplo desejo do povo brasileiro de viver em um país menos corrupto e mais seguro”, declarou o ex-juiz da Lava Jato, em um comunicado enviado pelo Ministério da Justiça.

Não é por aí

O presidente da Câmara é o principal articulador da aprovação da reforma da Previdência no Congresso. Certamente, ele não se sentirá estimulado a prosseguir nas negociações com o ministro da Justiça ou qualquer outro auxiliar do presidente Bolsonaro tentando interferir na agenda da Câmara.

Portanto, o ministro Moro precisa deixar de “confundir as bolas”. Talvez o presidente da Câmara não seja o de seu agrado. Mas é o que o Brasil tem. E não se governa um país democrático sem políticos experientes e bem articulados. Ainda mais em se tratando de um governo como o de Bolsonaro, com precária base parlamentar e com pautas relevantes e urgentes para aprovar no Congresso.

Sergio Moro apenas ofereceu a Rodrigo Maia mais uma oportunidade para ele, Rodrigo, se tornar mais forte na Câmara e ele, Moro, mais fraco no Ministério.

O trovão

 

 

*Pádua Marques

 

Passei o final de semana todo ouvindo conversa sobre medo de trovão. Eu nem era pra ter me ocupado com isso, com essa perda de tempo, mas aquele ocorrido na noite da quinta-feira passada deixou a Parnaíba com cara de gente que perde o ônibus das seis no meio da estrada da Pedra do Sal, quando muita gente já estava batendo as pestanas feito dono de ponto de venda do mercado da Caramuru com a porta de enrolar.

Eu duvido, quero que minha cara vire pras costas, se não teve um filho de Deus aqui na Parnaíba e vizinhança, que não ficou com medo daquele trovão. Não foi um trovão. Foi o trovão. Foi tão forte, mas tão forte que lá na avenida São Sebastião um colega  meu se enrolou, ficou pendurado na varanda da rede, uma rede que havia comprado em Pedro II pra tirar um cochilo. Me disse que agora vai colocar no lugar das correntes, cordas. Tem medo de levar um choque elétrico.

E falando em choque elétrico, um velho lá pros lados de Bom Princípio, desses que guardam dinheiro pra gastar não se sabe com o quê, estava contando as moedas de cinquenta centavos e de um real, no escuro, justo na hora do trovão. Com o papoco a burra rasgou e as moedas se espalharam no quarto fazendo uma zoada tremenda. Aqui na vizinha os meninos pequenos se acordaram tudo mijados. Teve gente se acordando catando sem sucesso um toco de vela.

Estava quar dormindo e pouco tomei conhecimento do ocorrido. Tano eu acordado sei lá pra que lado eu havera de ter corrido! Seu Ribamar, do Pindorama, me disse que o trovão pegou ele justo tirando a dentadura pra dormir. Na hora ela caiu embaixo da cama, rolou e ele e os cachorros só encontraram no outro dia lá embaixo de uma touceira de pé de banana. Nem queira saber o que foi aquilo. Teve panela de pressão que disparou sem nada dentro lá no bairro de Fátima.

Lá pros lados do Catanduvas, onde fica o aeroporto de final de semana, uma dona de casa havia deitado uma galinha com quinze ovos e perto de tirar os pintos. Depois do trovão ela já está contando com apenas uns três porque os doze ficaram gouros. Na avenida São Sebastião, pra onde vai quem gosta de curtir a noite, na hora do trovão teve gente que se engasgou com pizza. Minha cunhada achou até que já estava morrendo.

Dona Genésia, devota de São Benedito, estava naquele cochilo bom debulhando as contas do terço, batendo os beiços e na hora, o trovão foi tão forte que quando ela olhou procurando pelo santo ele estava aqui embaixo segurando no chambre dela, branco de medo e tremendo os beiços. O menino Jesus, que São Benedito leva no colo, foi encontrado debaixo do colchão. Brincadeira não.

Agora imagine se este trovão tivesse sido assim pela manhã com aquele monte de gente se esfregando dentro do Bradesco, da Caixa Econômica e do Banco do Brasil, no Detran?! Havera de ter caído o sistema e até hoje não ter voltado! Igual essas fake news, do Bolsonaro. Foi coisa de daqui a uns cinquenta anos ainda se contar as façanhas. Se ocorrer outro trovão daqueles, a Parnaíba se esbandaia!

  • *Pádua Marques é jornalista e escritor, colabora com o Blogdobsilva. 

Complexo de vira-lata

Por Arthur Cunha – especial para o blog

O jornalista Kennedy Alencar chamou de “complexo de vira-lata” a postura de subserviência do presidente Jair Bolsonaro em relação ao equivalente norte-americano, Donald Trump – a expressão foi cunhada por Nelson Rodrigues para designar a posição de inferioridade que o próprio brasileiro se submete. Acertou na mosca! Mais uma vez Bolsonaro deu mostras de que não faz ideia do tamanho do cargo que exerce. Sua viagem aos Estados Unidos foi outra prova cabal disso.

A tour na terra do Tio Sam começou com Bolsonaro tecendo loas a Olavo de Carvalho, guru-mor da Direita brasileira e do próprio bolsonarismo (se é que podemos dizer que existe um), e a Steve Bannon, estrategista-chefe da Casa Branca demitido por Trump ainda em 2017. Nunca antes na história deste país um “pensador” e um “agente do caos” foram tão venerados por um presidente da República. Em seguida, tivemos Bolsonaro e sua comitiva fazendo uma visita escondida a uma agência de espionagem. Sim, é isso que a famosa CIA é no final das contas. Esqueça os filmes, eles foram responsáveis por golpes de estado e torturas.

Depois, o nosso nobre presidente assinou um decreto autorizando turistas norte-americanos e de outros países a entrarem sem visto no Brasil. Eu te pergunto: Trump fez o mesmo? Não preciso nem responder… Mas tem quem argumente que o presidente de lá foi bonzinho ao defender a entrada do Brasil na OCDE, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Só que para isso nós teremos de abrir mão de participar da lista de países com tratamento diferenciado na Organização Mundial de Comércio.

Por fim, “coroando” a visita, tivemos o encontro entre os dois chefes de Estado das maiores democracias das Américas. A cara do nosso presidente na foto acima diz tudo. Bolsonaro se comportou como um deslumbrado, um borra-botas. Deixou claro que será um capacho de Trump na política externa do Brasil. E voltou para casa envaidecido como muito pouca coisa na bagagem em troca. Oh, boy!

“Carne e unha…” – Essa idolatria toda de Bolsonaro por Trump tem uma explicação até psicológica. Os dois se parecem muito. São frutos de uma guinada à direita no cenário político mundial, sem, necessariamente, terem sido ícones desse pensamento. São rasos, seus governos estão perdidos e eles nutrem uma necessidade quase patológica pela polêmica. Na verdade, se alimentam de brigas – foi assim que construíram as suas respectivas eleições, e dessa forma conduzem as suas presidências.

“… almas gêmeas” – Ambos vivem às turras com a Imprensa, a quem tratam como “inimigos da nação”. Sua comunicação tem como base as redes sociais, notadamente o Twitter. Aliás, quanta besteira os dois presidentes falam no microblog! Transpondo para o “pernambuquês”, Bolsonaro e Trump são dois papangus que deram certo. Best Friends Forever, a dupla BolsoTrump segue à frente das duas maiores potências das Américas; mais unidos do que nunca. “Carne e unha, almas gêmeas”, como diria Fábio Júnior.

Venezuela – Entre as baboseiras proferidas por Jair Bolsonaro nas vezes em que usou o microfone durante sua viagem aos Estados Unidos, estiveram presentes temas como o não à ideologia de gênero e a luta contra o avanço do socialismo. Se fosse só isso… O problema é que Bolsonaro sinalizou que pode apoiar os Estados Unidos, inclusive com homens, em uma eventual intervenção na Venezuela. Em janeiro, o próprio Bolsonaro havia descartado essa possibilidade.

Senador ataca ministro do Supremo

Por:Zózimo Tavares

Brasília está em polvorosa. É que o senador Jorge Kajuru (PSB-GO) deixou o Senado e o Supremo Tribunal Federal em uma saia justa.

Em entrevista a uma emissora de rádio, no domingo, o senador chamou o ministro Gilmar Mendes, do STF, de “bandido, corrupto e canalha”, acusando-o de vender sentença e de ser sócio de réus da Lava-Jato.

As declarações do parlamentar, em tom inflamado, estão correndo as redes sociais. Elas assustariam a qualquer um, se o Brasil não estivesse vivendo em tempos de cólera.

Segundo o senador, o ministro do STF tem um patrimônio de R$ 20 milhões. Ele indaga e responde ao mesmo tempo: “De onde você tirou esse patrimônio? Da Mega Sena? De herança, de quem você tirou, Gilmar Mendes? Foram das sentenças que você vendeu, seu canalha!”, dispara o parlamentar.

CPI da Lava Toga

Kajuru avisa que, sendo relator da CPI da Lava Toga, presidente ou apenas membro, o “primeiro alvo” da Comissão será o ministro Gilmar Mendes. “Depois vamos nos Lewandowskis da vida”, completou.

O pedido de instalação da CPI das Cortes Superiores, também chamada de Lava Toga, foi assinado por 29 Senadores. Eles são de 19 Estados e filiados a 11 partidos.

Mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), ainda não decidiu se vai instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito.

O senador Kajuru espalhou brasa porque as acusações que fez contra o ministro são gravíssimas. Ele está protegido pela imunidade parlamentar, mas certamente será chamado a apresentar provas, independente da instalação da CPI.

Gilmar aciona Supremo

Ontem, o ministro Gilmar Mendes pediu ao presidente do STF, Dias Toffoli, para tomar as providências cabíveis sobre as denúncias do senador.

O pedido foi feito na esteira de uma forte reação do STF contra ataques feitos aos ministros da Corte, inclusive com a abertura de um inquérito por Toffoli para apurar ameaças e notícias falsas que ofendam integrantes do Tribunal.

As relações entre o Senado e o Supremo deverão ficar tensas nos próximos dias, seja por conta das pressões pela instalação da CPI da Lava Toga, seja pelos ataques do senador Kajuru ao ministro Gilmar Mendes.

Fim do Jornal do Brasil impresso provoca demissões de jornalistas

Depois de oito anos desde que circulou pela última vez sob gestão do empresário Nelson Tanure, o Jornal do Brasil voltou às bancas — sobretudo as do Rio de Janeiro — em 25 de fevereiro de 2018. Um ano depois, não há muito o que se comemorar com o projeto. Nesta semana, em meio a movimento grevista por parte da redação, o “novo” JB foi impresso de modo derradeiro. Ação que fez com que os responsáveis pela operação demitissem mais de 20 jornalistas. Houve baixas também em outros setores. Com o fim da edição em papel, a marca jornalística volta a se concentrar no online. As informações são de Anderson Scardoelli no Comunique-se.

Em meio às informações que já davam conta do encerramento da versão impressa, o empresário Omar Catito Peres, que acertou o arrendamento do título em fevereiro de 2017, usou o seu perfil no Facebook para confirmar. O executivo foi enfático ao garantir: o mercado da mídia em papel não tem futuro no país. “O ser humano não quer mais se informar por jornais impressos”, cravou. “O jornal impresso não tem mais a menor importância”, lamentou o dono da marca JB. O discurso, porém, foi bem diferente do de quando relançou o diário no ano passado. Na ocasião, ele almejava o futuro a longo prazo do meio. “Ainda tem mercado relevante”, apostou à época.

No longo texto (íntegra no fim da reportagem) em que publicou na rede social, Omar Catito Peres ignorou o fato de ter demitido dezenas de jornalistas. Preferiu evidenciar, de certo modo, que voltar a fazer o Jornal do Brasil rodar na gráfica careceu de estruturado plano de negócios. O executivo dá a entender, por exemplo, que na base do achismo acreditou que o “novo” JB venderia em média 8 mil exemplares por dia. Isso diante de um cenário em que marcas como O Globo, Estadão e Folha já protagonizavam passaralhos por causa da queda da comercialização em banca. Tirando o sucesso da reestreia, o número sempre ficou abaixo da expectativa, informou.

“Essa premissa, vender 8 mil jornais/dia , nunca se comprovou. No dia do lançamento, vendemos 25 mil exemplares”, começou a relatar. O presidente do JB indicou, ainda, que o fim da versão impressa do Jornal do Brasil só não ocorreu antes por causa da veiculação de propagandas vindas de órgãos públicos. “Nos primeiros seis meses, conseguimos quase equilibrar o orçamento por conta de algumas publicidades de governos”, pontuou. “Mas daí em diante, com o bloqueio judicial equivalente a três folhas de pagamento e com venda de 3 mil exemplares/dia, o prejuízo se tornava insustentável e o leitor, ‘apaixonado’ pelo JB e que pedia um jornal independente’, continuava a ler e se informar gratuitamente pela internet”, lamentou o responsável-mor pela volta da marca às bancas.

Demissões e calotes em jornalistas 
O fim do Jornal do Brasil impresso acontece em meio a problemas que os jornalistas vinham encarando desde o fim do ano passado. De acordo com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, funcionários sofrem com o não pagamento de direitos trabalhistas, além de ficarem com atrasos salariais de até três meses. A situação vinha provocando paralisações. Na última semana de fevereiro, parte da redação aderiu ao movimento grevista. Episódio que se repetiu nesta terça-feira, 13, dois dias antes da confirmação do encerramento do título em papel. Por 24 horas, colaboradores interromperam suas atividades como forma de lutar a fim de receber o que lhes eram de direito.

A greve, contudo, não fez com que os gestores do Jornal do Brasil arcassem de bate e pronto com as reivindicações chanceladas pela entidade da classe de jornalistas. Pelo contrário. Sem a versão impressa, a equipe do JB foi reduzida sumariamente. Informações apuradas pela reportagem do Portal Comunique-se apontam que mais de 20 comunicadores foram demitidos. Número que não é comentado de forma oficial por Omar Catito Peres. Sem salários e benefícios empregatícios em dia, alguns dos demitidos podem levar o caso para o poder Judiciário. Essa é, inclusive, a orientação por parte do sindicato. “Os trabalhadores devem dar ‘baixa’ na carteira e entrar na Justiça para receber as rescisões e os atrasados a que cada um tem direito”, sugere a instituição.

Mesmo para quem permanece no Jornal do Brasil, a situação não é das melhores. Um jornalista que segue na empresa lamenta o clima. “Esta semana, vivemos na redação momentos muito difíceis”, comenta o comunicador, que por razões de segurança não terá o nome revelado. “[Na quinta], o clima foi péssimo e ver os colegas se despedindo e se retirando foi uma cena muito triste”, prossegue. “É lamentável ver bons jornalistas saindo da redação sem o brilho no olhar, esvaziando seus espaços, carregando seus pertences, quase que em fila. Sempre defendi a união entre os jornalistas, mas fico impressionado como isso parece cada vez mais distante”, complementa o colaborador, sugerindo uma autocrítica dos colegas de imprensa.

Futuro online para o Jornal do Brasil 
Com redação reduzida, o “novo” JB seguirá ativo na internet. Sob comando de Gilberto Menezes Côrtes, vice-presidente editorial, o veículo de comunicação foca de vez no online. Para isso, o portal pode passar por reformulações ao decorrer dos próximos meses. Deve-se investir principalmente em colunistas renomados. Omar Catito Peres salienta que buscará nomes gente conhecida. “Lá estará uma maravilhosa turma de jovens jornalistas, comandada por Gilberto Menezes Côrtes e nossos principais colunistas. Vamos, a partir de hoje, convidar mais cronistas de nome nacional para participar de nosso JB que continua vivo”, promete o executivo que, em suma, é o grande responsável pelo retorno e encerramento do “novo” Jornal do Brasil.

Presidente fala sobre o JB daqui para frente 
Abaixo, o Portal Comunique-se reproduz – com eventuais erros gramaticais, ortográficos e pontuação – a íntegra do texto publicado originalmente no perfil de Omar Catito Peres no Facebook.

O JORNAL DO BRASIL ACABOU ?

A RESPOSTA É NÃO !

Quando tomei a iniciativa de trazer de volta às bancas o JB impresso, vários amigos foram contundentes em dizer que eu estava na “contramão da história”, ao relançar um produto que estava “em coma” no mundo todo .

Sabia, claro , dessa realidade. Tanto que escrevi há 15 dias, artigo comemorando um ano do JB nas bancas, onde faço um pequena analise sobre o presente e o futuro da mídia brasileira e, afirmo que dentro de muito pouco tempo os impressos vão acabar, Aqui e em todo o mundo .

O projeto, obviamente, tinha o olho no futuro, ou seja, investir pesado no JB online, com base no impresso e, com o tempo, migrar definitivamente para o jornalismo eletrônico.

Em meu plano de negócios, entendia que o impresso deveria ser nossa principal ferramenta para esse processo de transição. Pessoalmente acreditava que o impresso duraria uns 3 anos até a mudança definitiva para a web. Durou, exatamente, um ano .

Mesmo com amigos dizendo que era uma “loucura” minha iniciativa, diante desse quadro de mercado caótico para os impressos , fui em frente e apostei em uma única possibilidade , a qual , todos os que embarcaram comigo no projeto, também acreditavam : não era o lançamento de um jornal mas, sim, do JORNAL DO BRASIL, que nos traria um número suficiente de leitores para bancar, independente de publicidade (que “não existe mais” para jornais), o JB impresso.

Para atingirmos o ponto de equilíbrio entre receitas e despesas , era necessário a venda de 8 mil exemplares/dia ! Eu pensei e, todos pensaram a mesma coisa: MOLEZA !

Na redação, a aposta mais pessimista era de que venderíamos 10 mil exemplares/dia. Esse era o clima de quem participava da equipe de relançamento.

Fui em frente e relancei o jornal que marcou o Rio e o Brasil. Tínhamos certeza, GIlberto Menezes Cortes, Tereza Cruvinel, Hildegard Angel , Renato Mauricio Prado, Octavio Costa, Rene Garcia Jr., Jan Theophilo e diversos outros “coleguinhas” que, com dedicação , muito suor e amor ao jornal, acreditaram que faríamos recursos suficientes com as vendas em bancas e assinaturas, cujo faturamento nos permitiria não só pagar os custos operacionais mas, também, crescer.

Mas essa premissa, vender 8 mil jornais/dia , NUNCA se comprovou. No dia do lançamento, vendemos 25 mil exemplares.

E, porque isso aconteceu ? POR QUE O SER HUMANO NÃO QUER MAIS SE INFORMAR POR JORNAIS IMPRESSOS ! É simples assim.

Prova disso, é que TODOS os jornais brasileiros somados, vendem , hoje, nos dias da semana, cerca de 500 mil exemplares/dia !!! Me refiro à Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Zero Hora (que já não imprime aos domingos), e outros de menor expressão.

Repito : todos eles, juntos, vendem, durante a semana, cerca de um pouco mais de 500 mil exemplares de jornais/dia, sendo que 90% para assinantes e 10% em bancas.

Pegue esses 500 mil exemplares e divida por 220 milhões de brasileiros. Resultado: o Brasil apresenta um índice PERTO DE ZERO LEITOR de jornal impresso . Um dos piores índices do mundo.

Em outras palavras, o jornal impresso no Brasil NÃO TEM MAIS A MENOR IMPORTANCIA e todos , sem exceção, continuam caindo a tiragem e perdendo leitores.

Mas em nosso caso, acreditávamos que seríamos um sucesso por sermos o JORNAL DO BRASIL, sinônimo da prática de um jornalismo independente , corajoso e combativo, marcas do JB.

E fizemos exatamente isso, dando liberdade absoluta aos editores para escrever e relatar o que era importante para a sociedade. E, neste contexto, publicamos importantes matérias, sendo a mais marcante , sobre o oligopólio dos bancos no Brasil , dentre muitos outras.

Mesmo assim, as vendas não se comprovavam. Nada fazia o leitor que era contra a “mídia hegemônica e que adora e pedia um jornal independente”, comprar e/ou assinar o JB.

Fora isso, ainda tivemos bloqueios judiciais no valor de R$ 600 mil (quase três folhas de pagamento !), por ações trabalhistas , algumas , acreditem, do século passado ! Evidentemente, nenhuma ação de nossa responsabilidade. Esses bloqueios contribuíram, ainda mais, para dificultar a existência do impresso.

Nos primeiros seis meses, conseguimos quase equilibrar o orçamento por conta de algumas publicidades de governos. Mas daí em diante, com o bloqueio judicial equivalente a três folhas de pagamento e com venda de 3 mil exemplares/dia, o prejuízo se tornava insustentável e o leitor “apaixonado pelo JB e que pedia um jornal independente”, continuava a ler e se informar gratuitamente pela internet.

Prova disso é que nosso site deu um salto explosivo de audiência, alcançando 3 milhões de visitantes por mês. Inacreditável !

Se de um lado o site crescia com milhões de visitantes, o impresso morria…, por falta de comprador. Foi e, é, simples assim.

Em resumo, só antecipei o que era previsto : acabar com o JB impresso e continuar investindo no JORNAL DO BRASIL online, cujo site passará por profundas modificações em seu desenho .

Mas lá estará uma maravilhosa turma de jovens jornalistas, comandado por Gilberto Menezes Cortes e nossos principais colunistas.

Vamos, a partir de hoje, convidar mais cronistas de nome nacional para participar de nosso JB que continua vivo.

Estou triste, claro, por ter sido obrigado a antecipar o fim do JB impresso.

Mas o motivo foi um só: O LEITOR QUE NÃO QUER MAIS LER JORNAL IMPRESSO.

Atendemos à essa demanda.

VIVA O JORNAL DO BRASIL, VIVO E PARA SEMPRE.

Globo gasta R$ 8,3 bilhões para fazer TV, mas ganha dinheiro mesmo é com os juros

Daniel Castro
UOL Notícias

Pelo segundo ano consecutivo, a Globo teve em 2018 resultado operacional negativo. Isso quer dizer que os custos de suas novelas, telejornais e demais operações foram superiores ao dinheiro ganho com a venda de publicidade, sua principal fonte de receita. O que salvou a emissora do prejuízo foram os juros de suas aplicações.

Segundo balanço oficial divulgado a investidores ontem (12), a TV Globo fechou 2018 com um resultado operacional líquido de R$ 530 milhões negativos, seis vezes mais do que os R$ 83,4 milhões negativos de 2017. Ou seja, a diferença entre o faturado e o gasto foi de quase meio bilhão de reais no ano passado.

COLCHÃO FINANCEIRO – A Globo só teve lucro graças ao seu “colchão financeiro” e ao seu patrimônio. O dinheiro investido em aplicações financeiras lhe rendeu uma receita de R$ 930 milhões. Assim, graças aos ganhos financeiros e à equivalência patrimonial, a emissora fechou o ano com um lucro líquido de R$ 1,204 bilhão, uma queda de 35% em relação ao R$ 1,851 bilhão de 2017.

As receitas de quase R$ 1 bilhão com aplicações bancárias em 2018 são consequência de uma decisão tomada em 2017, quando o Grupo Globo decidiu reduzir a distribuição de dividendos (lucros) aos sócios. Naquele ano, foram distribuídos apenas R$ 116 milhões, contra R$ 2,5 bilhões em 2016. No ano passado, os sócios da Globo não receberam nada. Esse dinheiro está fazendo a diferença no balanço.

PUBLICIDADE – Apesar da política de redução de gastos, a Globo gastou R$ 695 milhões a mais no ano passado com a produção de teledramaturgia, shows, noticiários e venda de publicidade. Foram R$ 8,353 bilhões, mais R$ 2,252 bilhões de despesas operacionais (administração, comercialização). Contribuíram para esse aumento a maior produção de séries, agora também para o streaming, e os gastos com a Copa da Rússia.

Por outro lado, as vendas de publicidade nos intervalos comerciais voltaram a crescer. Totalizaram R$ 10,060 bilhões no ano passado, a primeira alta desde 2015. Em 2014, melhor ano da década para a Globo, o faturamento foi de R$ 11,890 bilhões. De lá para cá, caiu até atingir R$ 9,779 bilhões em 2017. No ano passado, portanto, cresceu 2,9%.

Os dados acima também incluem as operações de internet do grupo, mas são predominantemente da TV. O balanço inclui informações das operações no mercado musical e com TV por assinatura.

EM QUEDA – Quando considerados todos esses negócios (mas sem veículos impressos), o faturamento do grupo (consolidado) foi de R$ R$ 14,679 bilhões em 2018, R$ 123 milhões a menos do que em 2017. A pequena queda é resultado da retração que o mercado de TV por assinatura vem sofrendo desde 2014, com a perda de mais de 2 milhões de assinantes, 550 mil deles só no ano passado, o que impactou nos resultados da Globosat.

Depois da TV Globo, a Globosat é a maior empresa do grupo. Seu conjunto de canais responde por uma receita de aproximadamente R$ 4,5 bilhões e por mais da metade do lucro do grupo.

Mesmo com Lava Jato, velha política predomina

Por:Fenelon Rocha

Na semana que passou, a Lava Jato sofreu uma dura derrota – a mais expressiva em seus cinco anos de atividade, completados hoje: viu o Supremo Tribunal Federal decidir, em votação apertada, que os crimes de caixa 2 mesmo associados a outros delitos, podem ser julgados pela Justiça Eleitoral. O entendimento da Java Jato é que o caixa 2 é só a ponto de um enorme iceberg chamado corrupção, e que se alimenta da troca do apoio na campanha com as “ajudas” no mandato do eleito.

Ao relegar à condição de simples delito eleitoral, o STF dá a possibilidade de punições mais brandas, onde se esfuma a perspectiva de prisão do envolvido. Os políticos (e não só os “das antigas”) comemoraram.

Esse severo golpe contra a operação ganha contornos mais nítidos com os dados revelados neste final de semana por pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas: a realidade de que as traquinagens nas licitações – caminho para a corrupção – não mudou em quase nada após a Lava Jato. “Posso garantir que, para a imensa maioria das licitações, nada mudou”, declarou a O Globo o pesquisador Carlos Ari Sundfeld, da FGV.

Dito de outra forma: a nova política, que era esperada depois de tanta falcatrua revelada, segue firme e forte. E dando as cartas, sobretudo nos estados e municípios.

Os estudiosos mostram que a Lava Jato conseguiu produzir resultados importantes com a Lei das Estatais, apontada como avanço significativo no combate à corrupção. É um reflexo direto do “Petrolão”, o esquema que sugou dezenas de bilhões de Reais da Petrobrás, que é o centro das revelações da Lava Jato. Mas, fora das estatais, a realidade é quase a mesma de sempre.

Na linguagem popular: segue a prática das licitações com cartas marcadas e troca de favores entre políticos e empresas prestadoras de serviços ao Estado. Ou seja: a velha política é a dona do pedaço. Exatamente como denuncia a Lava Jato há cinco anos.
 

Renovação é de faz-de-conta

Em reportagem especial do final e Semana, o jornal O Globo mostra a presença dos chamados políticos profissionais nas Assembleias Legislativas, Brasil afora. Os piauienses não estranham essa realidade. Aqui a renovação é pequena, e quando acontece é por herdeiros ou políticos de larga trajetória. Entre os “novatos”, temos ex-prefeitos de dois mandatos (Francisco Costa), filho de prefeito (Oliveira Neto) ou primeira-dama de quarto mandato (Lucy Silveira). Confira:

• 9 mandatos: Fernando Monteiro e Themístocles Filho.
• 8 mandatos: Wilson Brandão.
• 5 mandatos: Hélio Isaias, João Madison e Nerinho.
• 4 mandatos: Fábio Novo, Flora Izabel, Gustavo Neiva e Marden Menezes.
• 3 mandatos: Evaldo Gomes e Flávio Nogueira Junior.
• 2 mandatos: Dr. Hélio, Fábio Xavier, Firmino Paulo, Georgiano Neto, Janaína Marques, Júlio Arcoverde, Limma, Pablo Santos,
   Pastor Gessivaldo, Severo Eulálio e Zé Santana.
• 1 mandato: Cel. Carlos Augusto, Dr. Francisco Costa, Franzé Silva, Henrique Pires, Lucy Silveira, Oliveira Neto e Teresa Brito

A importância de inovar nas empresas

Por: Janguiê Diniz

O mundo tem mudado cada vez mais rápido. Acompanhar essas tendências já não é mais opção, é questão de sobrevivência. A lista das empresas que se recusaram a inovar para acompanhar o mercado e acabaram declarando falência não é pequena e desconhecida. Blockbuster, Kodak, Xerox, Yahoo… todos esses nomes fizeram história no mercado mundial e acabaram sendo esquecidas por não entender a necessidade de inovar.

O primeiro passo para entender a inovação nas empresas é não pensar que ela está restrita apenas à uma nova gestão empresarial criativa. Mas, que inovar também está ligado a ofertar serviços diferenciados, melhorar a produção, reinventar a distribuição, proceder a transformação digital em uma empresa já existente. Inovar é avançar com os negócios, é reinventar os processos, é identificar oportunidades, e é, inclusive, ganhar mais, gastando menos.

É um grave erro achar que apenas grandes empresas conseguem inovar. A inovação precisa ser características tanto de pequenos quanto de grandes negócios. Empresas inovadoras pensam de dentro para  fora, criando um capital intelectual, conversando com seus funcionários e enxergando problemas como oportunidades.

Podemos entender o processo de inovação de duas maneiras: emergente e disruptivo. Entendê-los é fácil. A inovação disruptiva está diretamente ligada a fazer algo novo, do zero. É quando um produto, processo ou negócio nunca visto antes é criado e colocado em prática. Já a inovação emergente é aquela que traz a proposta e garantia de melhorias de algo que já existe.

É importante ressaltar que o empreendedor não deve pensar em inovação como um custo para seu negócio. Não importa se a inovação é básica ou radical, o processo gera impactos e muitos resultados positivos além do lucro, propriamente dito. Inovar traz, acima de qualquer coisa, visibilidade para o negócio.

Inovação virou item imprescindível que há rankings de avaliação anuais para identificar as empresas mais inovadoras, como o Ranking Fast Company que reúne as 50 empresas mais inovadoras e, em 2017, elegeu a Amazon como a mais inovadora – a empresa é focada em buscar melhorias na experiência dos clientes nas compras.

Inovar é, acima de qualquer coisa, questionar. A melhor forma de iniciar o processo de inovação é colocar-se no lugar do seu cliente e perguntar o que pode ser feito para melhorar o produto ou serviço oferecido. É desafiar-se a fazer diferente e melhor. É buscar sempre o novo e saber que não há fórmula certa para o sucesso, mas que adicionando-se criatividade com ação  ao processo empreendedor, a inovação será uma constante.

Embromação: “A que vem o Consórcio Nordeste?”

Por:Zózimo Tavares

A criação do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste – ou simplesmente Consórcio Nordeste – está sendo anunciada como a novidade do próximo encontro dos governadores da região, a ser realizado na quinta-feira, em São Luís.

Segundo o governador Wellington Dias, trata-se de uma inciativa para firmar parcerias, otimizar resultados e economizar recursos financeiros.

Conforme seus idealizadores, com o consócio poderão ser feitas, por exemplo, compras compartilhadas entre os Estados, com redução dos custos dos produtos e dos serviços.

Também haverá parcerias em diversas áreas, como desenvolvimento econômico e social, infraestrutura, tecnologia e inovação, segurança pública, administração prisional e proteção do meio ambiente.

Como se diz no interior, a prosa dos governadores sobre este assunto está muito bonita. Mas é preciso conhecer melhor o tal consórcio para saber até onde ele vai. E se vai mesmo.

Palanque

Conhecendo, porém, a geopolítica do Nordeste não fica difícil duvidar da eficácia do consórcio.

Para começar, o Fórum dos Governadores do Nordeste foi inventado, depois da queda da presidente Dilma Rousseff, como forma de constranger o presidente Michel Temer.

O movimento segue agora a pleno vapor, com uma reunião por mês, pois todos os governadores do Nordeste são oposição ao governo Bolsonaro.

E poucos deles são marinheiros de primeira viagem. Quase todos foram reeleitos.

Então, não custa perguntar: será que antes de 2016 o Nordeste já não tinha graves problemas que pudessem ser enfrentados conjuntamente pelos seus governadores?

Ou eles só surgiram depois que o PT caiu do poder, em Brasília?

Segurança

O governador Wellington Dias cita como exemplo das ações do consórcio a recente cooperação dos Estados nordestinos, que se deram as mãos para ajudar o Ceará no enfrentamento dos ataques de violência, com a ajuda do Governo Federal.

Ora, que novidade há nisso? No tempo de Lampião, os Estados nordestinos já se uniam, já faziam força-tarefa, como se diz hoje, para combater o cangaço.

Rota das Emoções

Outra: uma experiência de um consórcio  com a participação de apenas três Estados da região, e com atuação em apenas uma área – o turismo – foi um fracasso total e absoluto.

Refiro-me ao projeto “Rota das Emoções”, lançado em 2005, envolvendo o Ceará, o Piauí e o Maranhão, com o objetivo de explorar de forma integrada os santuários ecológicos do Parque Nacional de Jericoacoara, do Delta do Parnaíba e dos Lençóis Maranhenses.

O consórcio não andou, pois o que se viu depois foi cada Estado vendendo o seu peixe em separado. E e o Piauí levou a pior: o Aeroporto Internacional de Parnaíba, que seria a porta de entrada da “Rota das Emoções” acabou entregue às moscas.

Reformas paradas

Por: Arimatéia Azevedo

O ano no Brasil, diz uma lenda em tom de piada, só começa após o carnaval. É claro que isso não se configura para a maioria das pessoas. Todo mundo trabalha, tem contas a pagar, impostos a recolher, coisas a fazer e assim o ano mal termina e a faina recomeça sem muito intervalo para se respirar. Mas para os que parecem ter todo o tempo do mundo, a pressa não existe. Nesse compasso, seguem os governantes e as casas legislativas.

Aqui como em Brasília, duas reformas estão paradas. No caso local, a paralisação deve deixar de existir nesta semana, com os deputados cordatamente aquiescendo as alterações na estrutura funcional do Estado, mudada pela quarta vez pelo mesmo governador Wellington Dias (PT), que agora, premido pelas circunstâncias fiscais, tem que usar uma faca em vez de uma caneta – o que poderá destravar o governo, já que o chefe do Executivo renovou o mandato, mas não a equipe, que segue sem definição. No âmbito federal, a reforma da Previdência não andou um centímetro na Câmara, simplesmente porque até agora não está instalada a Comissão de Constituição e Justiça, que aprecia a matéria para permitir sua tramitação.

É um detalhe técnico que faz toda diferença: quanto mais tempo passa, mais o governo precisa ceder nas negociações, o que pode fazer com que a reforma sofra alterações que, se forem grandes demais ou fizerem concessões demais, podem simplesmente transformar tudo em somente um puxadinho. Bem ao sabor dos interesses dos políticos.

Medo – Bolsonaro no Planalto

Por Arthur Cunha – especial para o blog

O decano do Jornalismo Político, Bob Woodward, afirma, em seu mais recente livro, intitulado “Medo – Trump na Casa Branca”, que assessores próximos ao presidente norte-americano aplicaram o que ele chamou de Golpe de Estado Administrativo – essa obra, por sinal, já nasceu um best seller, tendo mais de um milhão de exemplares vendidos na primeira semana. Temendo pela sanidade mental do líder da maior potência do planeta, esses funcionários, entre eles alguns equivalentes aos nossos ministros, esconderam memorandos e sonegaram informações de modo a impedir Trump de tomar decisões precipitadas pelas quais os Estados Unidos pagariam um alto preço.

Na prática, o que aconteceu foi um enfraquecimento da vontade do mandatário e de sua autoridade constitucional, afinal, ele foi eleito legitimamente para o cargo. “Um colapso nervoso do Poder executivo do país mais poderoso do mundo”, concluiu Bob Woodward, que já cobriu nove presidentes pelo Washington Post; escreveu 18 livros; ganhou dois prêmios Pulitzer e foi coautor da série de reportagens com Carl Bernstein sobre o caso “Watergate”, ainda nos 70, que culminaram na renúncia do então presidente Richard Nixon.

Se, ao ler esse preâmbulo, você fez um comparativo com o que estamos vivendo no Brasil, parabéns, você está certo. E pode se assustar, viu! É justamente isso, um Golpe de Estado Administrativo – ou mesmo um Impeachment –, que muita gente já defende em Brasília; no Congresso e na Caserna. A constante falta de decoro do presidente e dos seus filhos trapalhões está causando arrepios nos principais grupos que integram a administração: os militares e a turma da economia, ligada ao superministro Paulo Guedes. Inspirado no ídolo Trump, por quem será recebido no próximo dia 19, Bolsonaro parece seguir o mesmo script do norte-americano ao usar as redes sociais para destilar ódios desnecessários e criar polêmicas estapafúrdias que estão acabando, em tempo recorde, com seu próprio capital político. Com isso, ele esquece de governar.

Os fatos da última semana só comprovaram, de forma cabal, o que muitos já tinham certeza: Bolsonaro não faz ideia do que é ser presidente da República. Não tem filtros; não se preparou para exercer o cargo; não tem postura. Na linguagem popular, é um “sem noção”; um papangu que deu certo. A culpa, é preciso se dizer, não é só dele. E menos de quem o elegeu, porque votou nutrido de um sentimento de mudança necessário diante de tanto desgoverno, e mais da classe política – aí eu estou incluindo os principais líderes e partidos dominantes de outrora –, que falhou na missão de conduzir a nação. Agora, é torcer para a divindade (ou como você queira chamar) iluminar a cabeça do nosso presidente sem juízo. Este país não aguenta outro Impeachment. Que Deus nos ajude!

Olavistas x Militares – Não bastasse Bolsonaro, seus filhos trapalhões e seu partido “laranja”, o guru do Bolsonarismo, Olavo de Carvalho, é outro que está jogando contra.

O filósofo, sustentáculo do núcleo ideológico do governo, entrou em guerra declarada contra os militares. Sexta, mandou seus alunos deixarem a administração. Agora, os olavistas estão acusando a turma da caserna de perseguição. Assessor especial do MEC, Silvio Grimaldo disse que o presidente preferiu os “generais positivistas” aos “ativistas intelectuais de Direita”. É uma guerra de egos!

A atual cultura da violência precisa ser substituída pela cultura do cuidado

Leonardo Boff

O ódio e a raiva estão disseminados em nossa sociedade, toda ela dilacerada. Quem nos governa não é bem um presidente mas uma família, cuja característica principal, utilizando as redes sociais, é a linguagem chula, os comportamentos grosseiros, a   difamação, a vontade de destruir biografias, a distorção consciente da realidade e a ironia e a satisfação sobre a desgraça do outro, como no caso da morte do pequeno Arthur, de sete anos, neto do ex-Presidente Lula. Após o carnaval, o próprio presidente postou no twitter material pornográfico escandalizante.

Os sentimentos mais perversos aninhados na alma de seguidores do atual presidente e de sua família, vieram à tona. Os críticos não são vistos com adversários mas como inimigos a quem cabe combater.

ACIMA DA LEI – Os Bolsonaro violam a lei áurea, presente em todas as culturas e religiões: “não faças ao outro o que não queres que te façam a ti”. Como se vive, consoante o eminente jurista Rubens Casara, num Estado pós-democrático, pior ainda, num Estado sem lei, podemos entender o fato de atropelar a Constituição, passar por cima das leis e por fim, anular uma ética mínima que confere coesão a qualquer sociedade. Estamos a um passo de um Estado de terror.

Valem-nos as categorias do conhecido psicanalista inglês Donald Winnicott, um clássico no estudo das relações parentais dos primeiros anos da criança, para entender um pouco o que nos parece ser algo patológico. Segundo ele, a ausência de uma mãe bondosa e a presença de um pai autoritário marcariam em seus familiares, os comportamentos desviantes, violentos e a falta de percepção dos limites. Talvez esta base psicológica subjacente nos esclareceria um pouco sobre a truculência dos filhos e o despudor do próprio presidente ao expor no twitter uma obscenidade sexual. Entretanto, um país não pode ser regido por portadores de semelhantes patologias que geram um generalizada insegurança social, além de reforçar uma cultura da violência, como atualmente.

COM CUIDADO – À esta cultura da violência propomos a cultura do cuidado, um dos eixos estruturadores do citado psicólogo Winnicott. A categoria cuidado (care, concern) comparece como um verdadeiro paradigma. Possui alta ancestralidade, contada pelo escravo Higino, bibliotecário de César Augusto,em sua fábula n. 220. Esse constitui também o núcleo central da obra maior de Martin Heidegger “Ser” e “Tempo”. Em ambos, se afirma que o cuidado é da essência do ser humano. Sem o cuidado de todos os fatores que se combinaram entre si, jamais teria surgido o ser humano. O cuidado é tão essencial que se nossas mães não tivessem tido o infinito cuidado de nos acolher, não teríamos como deixar o berço e buscar o alimento necessário. Morreríamos esfaimados.

Bem escreveu outro psicanalista, este norte-americano, Rollo May:” Na atual confusão de episódios racionalistas e técnicos, perdemos de vista o ser humano. Devemos voltar humildemente ao simples cuidado. É o mito do cuidado, e somente ele que nos permite resistir ao cinismo e à apatia, doenças psicológica de nosso tempo (Eros e repressão, Vozes 1982, p. 340).

É ESSENCIAL – Tudo o que fazemos vem, pois, acompanhado de cuidado. Tudo o que amamos também cuidamos. Tudo o que cuidamos também amamos. O cuidado é tão essencial que é por todos compreendido porque todos o experimentam a cada momento, seja ao atravessar a rua ou ao dirigir o carro e seja com as palavras dirigidas à outra pessoa.

ACOLHIMENTO – Dois sentidos básicos são expressos pelo cuidado. Primeiramente, significa uma relação amorosa, suave, amigável e protetora para com o nosso semelhante. Não é o punho cerrado da violência. É antes a mão estendida para uma aliança de viver e conviver humanamente.

Em segundo lugar, o cuidado é todo tipo de envolvimento com aqueles que nos são próximos e com a ordem e o futuro de nosso pais. Ele implica certa preocupação porque não controlamos o destino dos outros e do país. Quem tem cuidado não dorme, dizia o velho Vieira.

Finamente observou ainda Winnicott, o ser humano é alguém que necessita de ser cuidado, acolhido, valorizado e amado. Simultaneamente é um ser que deseja cuidar como fica claro com nossas mães, ser aceito e ser amado.

MÃE TERRA – Esse cuidado uns pelos outros e de todos por tudo o que nos cerca, a natureza e nossa Casa Comum refreia a violência, não permite a ação devastadora do ódio que ofende e mata e é o fundamento de uma paz duradoura.

A Carta da Terra, assumida pela ONU em 2003, nos oferece uma compreensão das mais verdadeiras da paz:”é aquela plenitude que resulta das relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com o Todo maior do qual somos parte”(n.16,f).

No atual momento de nosso país, atravessado por ódios, palavras ofensivas e exclusões, o cuidado é imperativo. Contrariamente aprofundaremos a crise que nos está assolando e tolhendo nosso horizonte de esperança.

O risco das velhas caras no governo

A Assembléia Legislativa só deve votar o projeto da reforma administrativa no final deste mês, uma vez que o Palácio de Karnak não pressa para implementá-la de imediato. Se quisesse já teria aprovado, bastando para isso que sua bancada aprovasse um requerimento para o projeto tramitar em regime de urgência. No entanto, é interesse do governador Wellington Dias que a tramitação se dê da forma mais lenta para por em prática seu plano de anunciar o secretariado só em abril.

A partir desta segunda-feira (11), as coisas voltam ao normal no Karnak após o retorno de Dias da viagem particular que fez aos Estados Unidos onde passa o período de carnaval. Com o seu retorno, o governador retomará as conversas individuais com os partidos de sua base política, lideranças e deputados. Wellington Dias é conhecido na classe política como um político destituído por completo do sentimento de ansiedade, mas seus companheiros e aliados não o possuem e por isso aguardam ansiosamente.

Estas três semanas que separam março de abril serão uma eternidade para deputados e partidos que vivem a expectativa da definição da participação deles no governo. O problema é que o governador deu reiteradas declarações afirmando que a composição do governo sairá depois da aprovação da reforma administrativa. Ora, independente do projeto, que já é do conhecimento de todos de como ficará a estrutura (não muda quase nada), Dias já devia ter definido a lista completa dos seus auxiliares.

São alguns nomes já estão escolhidos, como é o caso dos secretários de Planejamento, permanecendo Antonio Neto, assim como Rafael Fonteles na Fazenda, e de Osmar Jr. (PC do B) que vai para a pasta de Governo. É praticamente certo que o atual chefe da Secretaria de Governo, Merlong Solano, irá mesmo para a Administração, enquanto a Agricultura, que será desmembrada, ficará uma parte com o PT e outra com o PSD do deputado Júlio César Lima, que vai manter também a Adapi.

Em relação aos aliados, o PP deve manter os cargos que possui hoje, no caso o Detran e a Secretaria de Transporte, esta pleiteada pelo senador Marcelo Castro que tiraria o filho José Dias de Castro Neto do DER para colocá-lo lá. O senador Ciro Nogueira, porém, está resistindo. Ainda não se sabe como será a participação do MDB nos cargos do governo. Sobram pastas como Meio Ambiente, Turismo, Cidades, Desenvolvimento Econômico, Saúde, Assistência Social, que não se sabe quem serão os nomeados.

Wellington Dias bem que poderia aproveitar que a maioria desses órgãos estão sem definição para colocar caras novas mesmo que seja indicação de partidos para não correr o risco de o novo mandato ter seqüência com uma equipe envelhecida. Afinal, esse quarto mandato pode trazer sérios desgastes para sua imagem e para a do governo. Quatro mandatos é muito tempo para um governo manter uma imagem de aprovação. Fazer um governo novo com caras velhas faz lembrar o velho PDS e PFL que de tanto repetir as caras e não se renovar acabou antes do tempo.

CORTE DOS PRÊMIOS

As medidas de controle de gastos do governo do estado alcançaram até o sorteio da Nota Piauiense, feito para premiar os contribuintes que exigem a nota fiscal de compra.

No 42º sorteio da nota o primeiro prêmio, que era de R$ 50 mil, teve um corte de 50% e só pagou R$ 25 mil, enquanto o segundo prêmio, que era de R$ 20 mil agora só paga R$ 10 mil.

Até mesmo número de ganhadores dos prêmios de R$ 1 mil, R$ 500,00, R$ 250,00 e R$ 100,00, caiu pela metade.

DE VOLTA À CASA

O deputado Evaldo Gomes, que trocou o PTC pelo Solidariedade, está praticamente com um pé dentro da prefeitura de Teresina.

Depois de vários encontros e conversas com o prefeito Firmino Filho, Evaldo Gomes acertou a participação de seu grupo político na prefeitura.

Com isso, o deputado deve indicar um nome para ocupar o cargo de presidente da Fundação Cultural Monsenhor Chaves.

E o nome mais cotado é o do suplente de vereador Sheyvan Lima, que foi secretário de Cultura nos 9 meses do governo Zé Filho em 2014.