O deputado petista, em 2018, foi mencionado em reportagens publicadas na mídia local e nacional por ter recebido dinheiro da empresa JBS. O caso ganhou destaque no portal Cidadeverde.com (Confira AQUI). De acordo com as informações da época, o parlamentar do PT teria recebido cerca de R$ 3,1 mil da empresa investigada em escândalos nacionais de corrupção para sua campanha eleitoral daquele ano. Ele negou que o dinheiro tenha sido repassado diretamente para ele. Foi encaminhado para o partido e somente depois repassado a ele em forma de despesas com material gráfico (Leia matéria). Outros políticos receberam valores iguais e até maiores. Somente estes, para os petistas, é que praticam ilegalidades por se envolver com a JBS. Detentores do monopólio da moralidade, os petistas entendem esse tipo de benefício como algo totalmente legal. E moral.
Vários elementos foram beneficiados. Não são artistas. Não teriam, a princípio, nenhuma relação direta com a Lei Aldir Blanc. Cínthia Lages, da TV Meio Norte, recebeu R$ 10 mil, segundo o portal O Piauiense. O apresentador de televisão Ieltson Vasconcelos, que já figura em outros procedimentos questionáveis envolvendo o governo do PT, aparece com uma participação de R$ 200 mil. A Fundação Walter Alencar, presidida pelo ex-deputado João Henrique Ferreira de Alencar Pires Rebelo, teria sido contemplada. A cantora Dandinha, para uma live show, recebeu R$ 100 mil. O vereador Leilivan da Silva Martins, de Valença, contou com um pequeno incentivo de R$ 10 mil para o grupo Turma da Alegria. Os questionamentos são muitos. Um detalhe importante de ser anotado é que a Secult começou a pagar este auxílio emergencial aos artistas piauienses durante a campanha eleitoral deste (Leia matéria da CCOM). O secretário era candidato a prefeito. Alguém estava guardando sua vaga na Secretaria, onde (público e notório) as coisas continuavam a girar em torno dos seus interesses. Tanto que logo depois da eleição ele foi novamente nomeado para o cargo pelo governador Wellington Dias (PT) – sempre ele.
A pianista e produtora cultural Carla Ramos, reclamou: “Fábio Novo diz que o edital foi feito de forma transparente, ou seja ninguém viu!! e que só favoreceu quem precisa, como Cintia Lages, Rivanildo Feitosa e Ieldson Vasconcelos, totalizando R$ 240 mil, além de vereadores e a Fundação Walter Alencar. Com certeza, isso é uma forma indireta de repassar recursos para a TV Meio Norte. A lei Aldir Blanc seria para artistas que estão sem renda e sem trabalhar. Imaginem a quantidade que está em dificuldades que nem aparece na imprensa! O edital deve ser renovado e aprovado honestamente para os que mais precisarem, sem favorecimento político.”
Safira Bengell, atriz e produtora, também reclama. Afirma que nunca teve qualquer oportunidade apesar dos muitos projetos apresentados. Existe um direcionamento, no seu entender, para garantir beneficiamento de pessoas ligadas ao secretário e ao partido. “É uma lástima”, disse nesta segunda-feira. “Irei ao Ministério Público reivindicar meus direitos como artista.” Outras implicações envolvem o deputado Fábio Novo no comando da cultura piauiense. Foi noticiado em 25 de novembro seu desapego pela preservação do Theatro 4 de Setembro, que oferece riscos aos frequentadores (Matéria de O PIAUIENSE). Um relatório do TCE/PI (Tribunal de Contas do Estado) datado de 2018 mostra implicações muito sérias na aplicação dos recursos da cultura. Novamente, ninguém fez nada. E ele persiste (Veja aqui o RELATÓRIO TCE/PI). Tomamos conhecimento há pouco de que o deputado teria anunciado uma revisão de alguns benefícios, especialmente aqueles considerados mais abusivos. Mesmo assim, o estrago está feito. A cultura do estado, que já era sofrível com a utilização excessiva dos recursos para autopromoção do secretário, agora aparece como escândalo. Era só o que faltava! (Toni Rodrigues)