Piauí tem a 4ª maior taxa de mortalidade infantil do país

Por: Cláudia Brandão

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – divulgou ontem dados desanimadores para os piauienses, especialmente com relação à taxa de mortalidade infantil, que diz respeito à  probabilidade de um recém-nascido não completar o primeiro ano de vida. Enquanto a taxa brasileira é de 12,8 óbitos para cada 1000 nascimentos, a do Piauí é de 18,5 para 1000 nascidos vivos.

Nos países desenvolvidos, como Japão e Finlândia, essa taxa é de 1,9 óbitos para cada 1000 nascimentos. A comparação mostra o quanto estamos distantes de ser uma nação que trata bem a saúde materno-infantil. A falta de investimentos em saneamento básico é uma prova disso. Dados da Organização Mundial de Saúde revelam que para cada R$1 investido em saneamento são economizados R$ 4 em saúde. Mas os gestores públicos insistem em continuar invertendo a lógica de investimentos, resultando em um prejuízo irreparável para a vida da população.

O Piauí apresentou, ainda de acordo com o IBGE, a quarta maior taxa de mortalidade infantil do país. O descaso com que vem sendo tratada a Maternidade Dona Evangelina Rosa é outro motivo que contribui para elevar essa mórbida estatística que envergonha os piauienses. Só no mês de outubro, 29 bebês morreram naquela casa, que deveria ser lugar de vida e não de morte.

Ou passamos a tratar a saúde pública como prioridade ou continuaremos a enterrar nossos bebês. Não é a toa que o Piauí apresenta a segunda pior taxa de expectativa de vida do Brasil.

O futuro depende de que?

Por: Clemente Ganz Lúcio(*)

O que se conhece como emprego, ocupação, direitos sociais e trabalhistas e Estado está mudando e se transformará radicalmente nos próximos anos. O que virá é completamente desconhecido. Organizada a partir do mundo do trabalho, a luta por direitos, pela liberdade, democracia, igualdade e justiça terá que ser reinventada.

Crianças e jovens de hoje serão os construtores do novo mundo, por meio do trabalho. Somente eles, que participarão desta construção, poderão achar as respostas para problemas, desafios, conflitos e contradições que surgirão, e serão inéditos. Para esse mundo que romperá com as atuais referências, será necessário criar adequadas formas de organização, de mobilização e de luta. A luta social e sindical terá que ser profundamente modificada.

E quais serão essas mudanças todas? A organização do sistema produtivo capitalista, oriundo das três revoluções industriais, está ficando para o passado. Há novos paradigmas produtivos irrompendo no cotidiano no mundo da produção e do consumo, alterando todas as dimensões do mundo do trabalho. A riqueza financeira, reunida em fundos de investimento e articulada pelos bancos, está comprando as empresas nacionais e multinacionais e a riqueza natural. O objetivo é gerar o máximo lucro para distribuir resultados trimestrais para os acionistas. As estratégias e funções econômicas e sociais dessas organizações são outras.

Verdadeiros tsunamis de inovação tecnológica visam incrementar a produtividade e passam a substituir intensivamente o trabalho humano na indústria, na agricultura, no comércio e nos serviços. As mais variadas máquinas tomam o lugar do homem na força de trabalho e, de maneira acelerada, ampliam as possibilidades de substituir a inteligência humana em amplas áreas de conhecimento e profissões. Os efeitos disruptivos sobre as ocupações, os empregos e as profissões já são, e serão cada vez mais surpreendentes, e, muitas vezes, devastadores.

São transformações por dentro do sistema capitalista de produção, de consumo e de distribuição, que agora se defrontam com as potencialidades e o poder das máquinas; com o desemprego estrutural de massas excluídas; com o aumento da desigualdade, sem precedentes; com os problemas ambientais (as mais diversas formas de poluição, a mudança climática e o aquecimento global); com as múltiplas formas de guerra, inclusive a nuclear; com a escalada da violência, das drogas, do tráfico. Ou seja, a quantidade (quase incontável), a complexidade e a escala dos problemas afetarão de maneira radical diversas dimensões do mundo do trabalho.

Essas transformações promoverão rupturas em todo o sistema produtivo. Os agentes econômicos já viabilizam a máxima flexibilidade para promover, atuar e reagir a essa transformação, sem resistência e com segurança. As mudanças institucionais (reforma trabalhista, por exemplo) preparam e entregam esse ambiente. As reformas dos Estados, privatizações e venda de recursos naturais oferecem ao mercado ampliadas oportunidades de negócio. Está claro para a elite que as democracias devem ser controladas, para não gerar insegurança (a chamada confiança do investidor), e orientadas para aguentar as mudanças. Onde não for possível ou houver resistência, as democracias podem ser sacrificadas!

O Brasil, com as riquezas e o sistema produtivo, é um dos maiores jogadores nesse mundo e faz parte desse tsunami transformador.

O sindicalismo tem o desafio de mergulhar na reflexão sobre o futuro, prospectar os desafios, articular a compreensão da complexidade e enunciar lutas inovadoras para essa nova etapa histórica. O sindicalismo tem, mais uma vez, a tarefa de trazer para o jogo social o trabalhador como sujeito coletivo, como classe, como ator político que constrói a história de todos, das nações, dos países e, hoje, do planeta.

É preciso pensar 10, 20, 30 anos para a frente. Por isso, os principais protagonistas desse movimento são os jovens trabalhadores. Serão eles que estarão produzindo, revelando as contradições da nova produção e distribuição desse outro sistema capitalista. É esse mundo, que será nosso também, mas produzido pelos jovens, que deve instruir o debate. Serão os jovens de hoje que terão que imaginar e criar outras formas de luta a partir do mundo do trabalho. São eles que terão que se colocar em movimento. Nós seremos seus companheiros de luta e estaremos juntos, para o que der e vier, enquanto estivermos vivos!

(*)Clemente Ganz Lúcio é  Sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e do Grupo Reindustrialização

Segurança Pública:”A crise que assombra”

Por:Arimatéia Azevedo

A crise da segurança pública do Piauí está em via de chegar ao descalabro de um estado sem controle, com os primeiros sinais da violência desmedida chegando em passos largos e por repetidas ações da barbárie. Os carros da polícia estão sem combustível, e , em muitos casos, os policiais rodando no próprio veículo e com o combustível saindo dos próprios bolsos, o que é, há de se convir, um absurdo.

No interior, a situação beira a irresponsabilidade, porque nada está funcionando na polícia civil do Piauí. Ou seja, o sinal de que a violência pode chegar de uma forma bem mais rigorosa na capital foi dado ontem, com o retorno dos assaltos aos carros fortes, com violência e ousadia, como se viu em São João da Varjota, bem no centro do Piauí, nos moldes do que aconteceu três dias antes, em Bacabal, no Maranhão. Se o governador Wellington Dias diz que precisa reduzir urgentemente as despesas em pelo menos R$ 150 milhões, tão importante quanto isso é que os primeiros passos para fazer a máquina funcionar sejam visíveis ainda este ano, especialmente porque, nas proximidades do Natal, aumenta o número de assaltos, de assassinatos, de roubos e crimes de toda espécie. Ou a polícia age para inibir os ladrões, ou a população será vítima indefesa de uma polícia sem ação e sem meios.

Chega a ser desrespeitoso até para o eleitor se ouvir o e ex e futuro secretário de segurança mais preocupado no momento em falar em candidatura à prefeitura numa eleição que só ocorrerá daqui a dois anos.

O Brasil vai mudar

Por:José Antonio Puppio (*)

As eleições para presidência, governos estaduais, deputados federais e estaduais e senadores mostraram que não há mais espaço para a mesmice. É preciso renovar, inovar e governar com os olhos no povo brasileiro e não nas próximas eleições. O novo governo brasileiro, que inicia sua gestão em janeiro de 2019 já mostra força e garra para mudar tudo o que é necessário dentro do Brasil e inovar o que for necessário para garantir a governabilidade .

Com indicações de ministros e corpo técnico baseadas em sua comprovada experiência e não em acordos políticos,  traz para o povo brasileiro a esperança de que teremos um trabalho sério e competente, com vistas a eliminar nossos problemas que se estendem há anos.

Logo de início,  o novo governo mostra que o país não precisa de 29 ministérios, os quais poderão ser reduzidos para 16 ou 17, valendo lembrar que Brasília tinha 16 ministérios no mandato de Juscelino Kubitschek  em 1960. Deve se  ressaltar ainda que o número de ministros praticamente triplicou nos últimos 24 anos, uma vez que no governo Collor, primeiro presidente eleito depois do período militar, eram 12 ministérios.

O novo governo mostra força também quando decide acabar com a sustentação de programa que somente alimentava a ditadura de Cuba o programa de “Mais Médicos”,  o qual somente oferece boas coisas para a ditadura do “Castro”.

Pelas medias anunciadas e pelo início das movimentações, podemos prever o país crescendo, acima do que vinha crescendo, pois, aliadas às boas medidas já anunciadas, temos a certeza que os ministérios estarão em boas mãos. Os ��ltimos  governos , que deixaram  o pais de quatro, finalmente foram afastados pelo poder do voto de milhões de brasileiros que legitimamente elegeram um governo que,  por tudo que estamos vendo,  acertaram na última eleição. O Brasil foi roubado por uma quadrilha “monstro” que deixou o país em uma recessão sem precedentes.

 Mas por tudo que estamos vendo, fica a convicção que “Acertamos” na última eleição.

(*)J.A.Puppio é empresário e autor do livro “Impossível é o que não se tentou”

Produção de conteúdo ou Fake News?

Por:Reinaldo Moura(*)

Quando as livrarias passaram a ocupar amplos espaços de lojas próprias ou em shoppings centers, com uma decoração de fazer inveja para criar ponto de encontros, sofás e pufes à disposição dos leitores, tudo isto regado a um café ou refrigerantes em um ambiente mais confortável que as praças de alimentação, estavam na legítima busca da inovação.

Mas, antes mesmo desta crise que o mercado editorial vem sentindo, a cadeia de livros já estava enfrentando há mais de dez anos outras inovações como o Wikipédia, YouTube, Google entre tantas outras fontes de conhecimento.

Verificava-se já uma fuga em massa dos consulentes de bibliotecas, onde encontravam restrições para reproduzir uma página de um livro, armazenamento de informações e etc.

Hoje, qual a motivação de um autor investir na busca de conhecimentos específicos e escrever um livro, sabendo que este conteúdo em questões de segundos pode estar gratuitamente nas mãos de milhares de pessoas? Somente marketing? Sim, importante, mas se o autor desconhecido depender do ganho financeiro da venda do livro: esqueça!

Os paradigmas mudaram…

Quantos livros são distribuídos gratuitamente no lançamento? Os descontos no preço de capa, distribuidoras, correio etc.

E ainda veio a Amazon com toda a sua agressividade em transformar o acesso a qualquer coisa em uma facilidade cada vez maior!

Quem perde ou ganha com tudo isto? O cliente, consumidor final de um livro seja técnico, ficção, ou não ficção enfim qualquer obra literária.

Enquanto se mudam os paradigmas, algumas gerações já estão se desencantando em colocar seus conhecimentos no papel e distribuí-los para aqueles que tanto precisam ler… O desafio cada vez maior, daqui para a frente, será separar o “joio do trigo”, os conteúdos de qualidade das “fake” ou apenas “marketing” news.

(*)Reinado Moura é engenheiro e mestre em Ciências e Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e fundador do Grupo IMAM, que há mais de 30 anos atua na área editorial, de consultoria e treinamento em logística

 

A lagarta e as formigas. *Pádua Marques

 

Nesta manhã de domingo eu estava acabando de regar as plantas de nosso jardim, quando de repente, olhando pra o chão de cimento encontrei uma lagarta ainda viva se debatendo, se bulindo, coberta por um monte de formigas. Uma cena deprimente e que logo depois me inspirou a escrever sobre o destino das coisas e das pessoas. Principalmente aquelas que estão de certa forma no serviço público.

Alguém de casa, que até pode ter sido eu, pisou sem ver a lagarta enquanto ela tentava com sua lentidão contumaz atravessar o pátio em direção às plantas do jardim de minhas irmãs. Lá certamente encontraria o sossego e o alimento pra sua vida toda, aquela lagarta estranha e que agora quase morta lutava contra a força de centenas de agitadas e pequeninas formigas vermelhas, quase pretas.

Conheço o jardim de minha casa. Sei onde moram aquelas formigas e sei também que até hoje não houve quem fizesse acabar com aquela moradia delas, incômoda entre as lajes do pátio. Vez por outra eu fico a observar as formigas trabalhando. Vão e voltam várias e várias vezes. Entram e saem carregando pedaços triturados de folhas pra dentro do buraco.

De cá de onde estou olho e vejo as mais habilidosas e gentis ajudando outras quando o pedaço de folha é muito grande e não dá pra entrar no formigueiro. Feito pobre entrando com o guarda roupa em casa pequena em dia de mudança. As formigas trabalham muito. Nem sei e nunca procurei saber se dormem direito, se têm direito a férias, décimo terceiro, insalubridade, à licença maternidade, se assistem televisão. Se fazem crochê, jogam videogame ou conversam com os parentes pelo whatsapp.

A vida das formigas deve ser muito dura. Devem viver trocando de formigueiro tão logo se sentem ameaçadas por uma pisada de chinelo, um esguicho de água, uma vassoura, essas coisas que as donas de casa fazem todos os dias sem olharem a quem estão incomodando. Mas voltando ao jardim, às formigas e à lagarta quase morta tentando se livrar da morte certa dentro de um túnel escuro, fico pensando como deve ser triste a vida das lagartas de prefeituras e câmaras de vereadores.

Essas lagartas, fantasmas, esses funcionários de cargos comissionados, amigos de prefeitos, cabos eleitorais de vereadores, puxa sacos de toda linha, gente sem experiência, estudo, qualificação nenhuma que está ali ganhando um bom salário e em algumas situações nunca colocam ou colocaram o pé dentro da repartição. Até porque o cargo pro qual estão nomeadas nem sequer existe.

E assim eles ficam quatro anos seguidos. Se tiverem sorte do patrão ser reeleito serão oito anos de vida fácil. Carro do ano todo ano, viagens pra dentro e pra fora do Brasil, bons colégios pros filhos, rodada de cerveja e uísque pra quem quiser.  Enquanto isso as formigas estão lá dando o sangue pra que as atividades do serviço público sejam o menos deficientes. Até que um dia alguém pisa a lagarta por descuido e então ela vai servir de comida pra formigas. *Pádua Marques, jornalista e escritor. 

Com cubano ou brasileiro é preciso parar de brincar de saúde!

Por: Fernando Gomes (*)

A decisão do Governo de Cuba em romper o contrato dos profissionais médicos que serviam ao governo brasileiro está recheada de críticas, de parte a parte. Tivemos nos últimos dias verdadeiras avalanches de comentários sobre os fatos impulsionados pelas declarações do Presidente eleito.

O governo de Cuba anunciou no último dia 14 de novembro que abandonou o Programa Mais Médicos (PMM) devido as declarações feitas pelo presidente eleito: “Condicionamos à continuidade do Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinado à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente Cuba não aceitou”, declarou Jair Bolsonaro (PSL).

Em 2013, foi instituído o PMM com recrutamento de mais de 18 mil profissionais em razão da escassez de médicos na atenção básica, sobretudo para as áreas mais vulneráveis do país. A baixa oferta de médicos em locais remotos e desfavorecidos é um obstáculo ao acesso universal e à garantia da qualidade do cuidado em saúde. Poucos médicos brasileiros querem atuar nessas regiões. O Programa tem 18.240 profissionais – sendo 8.332 cubanos, segundo dados do Ministério da Saúde. De acordo com Cuba, seus médicos atuam em 4.058 municípios, cobrindo 73% das cidades brasileiras.

Houve uma enxurrada de comentários sobre a saída dos cubanos. Uns atacando Bolsonaro, outros ao governo de Cuba. Porém, a discussão aprofundada sobre a qualidade do sistema de saúde passou distante. Não interessa discutir tão necessária política pública, a politicagem domina a cena. Fica claro que, especialmente os simpatizantes do PSL e do PT, ainda não desceram do palanque. Atribuir a responsabilidade pelo descaso com o SUS à simples falta de médicos é jogar areia nos olhos do povo desprotegido! Lamentável que os “representantes do povo”, a imprensa e a própria sociedade desviam o olhar. Fica a impressão de que a saúde só vai piorar porque os cubanos vão embora. E o povo engole isso!

A saúde no Brasil padece de muitos males, dentre os quais se destacam três: falta de dinheiro, gerenciamento incompetente e corrupção. Impossível levar a sério qualquer programa que não enfrente ao mesmo tempo esses três desafios. Investir apenas na organização é tão insuficiente quanto alocar mais recursos para um sistema perdulário, contaminado pela corrupção e por interesses políticos da pior espécie.

As iniquidades em saúde entre grupos e indivíduos, ou seja, aquelas desigualdades de saúde que além de sistemáticas e relevantes são também evitáveis, injustas e desnecessárias são traços marcantes da situação de precariedade da saúde no Brasil, no Piauí e na Parnaíba!

Corrupção e falta de gerenciamento é a combinação do quadro atual. As políticas públicas (in)existentes a nível municipal, estadual e federal carecem de um choque de gestão. Ter médico no Posto de Saúde é apenas um número de uma equação não resolvida! Não se pode brincar com a vida das pessoas. Nas três esferas, temos um histórico de políticas sem planejamento, com força de trabalho em saúde pouco eficazes e submetidas aos interesses privados, em especial na atenção básica.

Nenhum profissional médico, seja ele cubano ou brasileiro, tem a capacidade de resolver os problemas complexos do atual sistema de saúde (tripartite), que precisa ser administrado sem corrupção ou ingerências políticas. Sem equipes treinadas, laboratórios de análises, imagens, centros cirúrgicos, acesso a medicamentos e a hospitais de referência para encaminhar os casos mais graves não se faz assistência médica digna. Estamos vergonhosamente despreparados para atender à demanda das enfermidades responsáveis pela maioria dos óbitos: ataques cardíacos, câncer, diabetes, obesidade, derrames cerebrais, acidentes de trânsito, tabagismo, doenças pulmonares.

Parnaíba também recebeu médicos cubanos, mas não teve mágica! Cadê a UPA do bairro Piauí? Para construí-la, quanto se gastou? É, mas foi o governo federal que fez. Logo o estado e o município não têm nada a ver. Nem inaugurada foi, abandonada, já precisa de mais recursos para recuperá-la. Outro fato da saúde local: pertencentes ou defensores do atual governo municipal na campanha eleitoral denunciavam que centenas de pessoas diariamente dormiam nas calçadas dos Postos de Saúde da cidade em busca de uma marcação de consulta, exame ou remédio. Pra não dizer que nada mudou nesse quesito: quem antes denunciava a situação, hoje cala! Conveniência, subserviência e incompetência, tudo rima!

No âmbito estadual, lambança: o recente escândalo da Maternidade Evangelina Rosa, em Teresina, interditada parcialmente depois que mais de 200 (duzentas) crianças morreram só este ano por infecção hospitalar parece não sensibilizar as autoridades que ainda festejam a eleição do governador para um quarto mandato!

É triste constatar que pouco há de se esperar desses gestores, pela vileza, pela disputa ideológica ignóbil, somada à prática política de compadrio e à corrupção endêmica. Fica o grito: parem de brincar com a vida!

(*) Fernando Gomes, sociólogo, eleitor, cidadão e contribuinte parnaibano.

O voo da barata tonta

Por: Arimatéia Azevedo

Setores governistas se apressaram ontem em classificar como fake news a informação sobre a licitação para registro de preços destinada À aquisição de 222.200 km de voo em um jato biturbinado e de 4.320 horas de voo de um helicóptero monoturbinado potência mínima de 700 SHP. O valor da licitação é uma fortuna: R$ 26.277.681,48 e seu objetivo, um escárnio: “Atender a uma necessidade de locomoção do Exmo. Senhor governador do estado do Piauí, de seus familiares e de outras autoridades”. Ao desmentir a informação, assessores próximos do governador disseram que Gabinete Militar, que cuida do transporte e logística do mandatário, desconhecia o procedimento licitatório. Assessores civis também se esfalfaram nos desmentidos. Só esqueceram de consultar a edição de 19 de novembro do Diário Oficial do Estado, em sua página 17, e o Mural de Licitações do Tribunal de Contas, onde estão o aviso da licitação, o edital e o anexo respectivo. Lá podem ser encontradas todas as informações sobre uma ação que um governo sensato jamais faria, sobretudo, em meio a uma crise financeira e fiscal de grande monta, com o estado sem pagar fornecedores e em agudeza de problemas em hospitais, como a interditada Maternidade Evangelina Rosa.  O episódio da tentativa de escamotear uma informação verdadeira e da admissão que o entorno do governador desconhecia a tal licitação da mordomia aérea podem ser um indicativo de que, depois de três mandatos como governador, Wellington Dias ainda tem dificuldade de governar o governo, que funciona como um arquipélago no qual as ilhas estão todas umas de costa para outras. E, naturalmente, seus donatários pouco interessados que as coisas andem republicanamente.

De repente, o Lula fortão deu lugar ao fraquinho

Por:Josias de Souza

Na Presidência, Lula se definiu como uma “metamorfose ambulante”. Pois opera-se neste exato momento uma dessas transformações capazes de virar o personagem do avesso. Aquele Lula fortão da campanha eleitoral, que se imaginava investido do privilégio de negar ao Judiciário a prerrogativa constitucional de condená-lo por corrupção, deu lugar a um Lula fraquinho, que sente o peso da cadeia longeva.

Na mais recente visita dos companheiros Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann, Lula fez um pedido: “Não fica dizendo que eu estou muito bem, senão o povo acredita.” Depois, numa entrevista de porta de cadeia, Haddad disse aos jornalistas: “Ninguém passa incólume 230 dias” na prisão (assista lá embaixo). Na véspera, a Comissão de Direitos Humanos do Senado havia aprovado, sem alarde, um requerimento inusitado.

De autoria do senador Paulo Rocha, do PT, o requerimento prevê a formação de um grupo de senadores para visitar Lula na cadeia com o propósito de avaliar as suas  condições físicas e psicológicas. Alega-se que Lula estava abatido na audiência em que foi inquirido pela juíza Gabrierla Hardt no processo sobre o sítio de Atibaia. Por sorte, a audiência foi gravada. E as imagens mostraram um Lula em ótima forma.

Lépido, Lula tentou transformar a audiência num comício. Mas a substituta de Sergio Moro cortou suas divagações, lembrando o que estava em jogo no caso do sítio: corrupção e lavagem de dinheiro. O único distúrbio que atormenta Lula é a síndrome das condenações que ainda estão por vir.

A conversão do fortão em fortinho é prenúncio de um pedido de abertura da cela por razões humanitárias. Manipulam-se os fatos com tão desenvoltura que Lula terá de recitar o CPF e o RG diariamente diante do espelho para ter a certeza de que é ele mesmo quem está preso em Curitiba, não um impostor.

Passada anestesia do Mais Médicos, vem a dor

Por: Josias de Souza

Alguém já disse, não me lembro quem, que se o Brasil fosse um deserto, já estaria importando areia. Mal comparando, é mais ou menos isso o que aconteceu no caso dos médicos. Sobram médicos no Brasil como sobra areia no Saara. Mas o país decidiu importar médicos estrangeiros em 2013, sob Dilma Rousseff. Tratou anestesia como solução. Passado o efeito do sedativo, vem a dor.

Nos próximos dias, o noticiário será inundado por dramas de pacientes que perderam seus médicos do dia para a noite. Doentes sem diagnóstico, diagnosticados sem tratamento, grávidas submetidas à interrupção abrupta do pré-natal, o diabo. Isso não é previsão. Já está acontecendo em vários municípios, que perderam seus médicos. Num estalar de dedos da ditadura de Cuba, os cubanos estão voltando para Havana.

O curto-circuito que a chegada de Jair Bolsonaro provocou no Mais Médicos revela que a ideologia é mesmo o caminho mais longo entre um projeto e sua realização. Ao receber um xeque-mate de Cuba, o Brasil faz por pressão o que deixou de fazer por opção. Sem planejamento, o Ministério da Saúde abriu 8.500 vagas para médicos brasileiros. O site de recrutamento entrou em pane no primeiro dia. Tudo é correria e improviso.

Estudo feito pela Faculdade de Medicina da USP revelou que há no Brasil 452 mil médicos. Seria mais do que suficiente. Mas 63% deles estão nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. E 55%, encontram-se nas capitais. Num aperto, uma parte desse contingente pode até se deslocar para os fundões do Brasil, de onde estão saindo os cubanos. Mas o improviso não é o melhor estímulo para que eles fiquem lá.

O replay de Wellington Dias

Por: Arimatéia Azevedo

O Piauí já deu quatro vezes um mandato de governador para o senhor Wellington Dias – que com 26 anos de vida pública carrega em si alguns ineditismos, como o próprio fato de ser governador quatro vezes, ser o único a vencer a eleição em primeiro turno, nunca ter repetido um candidato a vice nas quatro campanhas vitoriosas para o Palácio de Karnak.

Mas se por um lado é impor, por outro o governador é de uma recorrência de causar enfado. Eis aí um problema para ele. Agora mesmo, vai montar um secretariado. Não há nenhuma palavra saída da boca dele indicando que fará algo realmente inovador. O que parece haver é a indicação de um mais do mesmo, de prato feito, de rotina administrativa assentada não no mérito e na técnica, mas na acomodação de aliados. Haveria a sinalização de que o mandatário petista repetiria no comando da Secretaria da Educação a esposa, Rejane Dias, enquanto na Segurança traria de volta o capitão Fabio Abreu.

Também não estaria disposto a mexer na estrutura hipertrofiada e cheia de órgãos com atribuições superpostas, fazendo obras, sobretudo viárias, a criar uma miríade de gestores comandando estruturas organizacionais que cuidam menos do que deveriam e mais do que outros órgãos podem fazer com mais competência e acuidade. Se resolver ao menos mexer um pouco no chafurdo em que se converteu a administração estadual sob seu comando, Wellington Dias, de fato, estará fazendo um novo mandato. Se não… Bem, deixa para lá.

A “Velha Política” e a escravidão em nova roupagem!

Por: Fernando Gomes(*)

Esses dias assisti um documentário na Globo News muito esclarecedor sobre as verdades sobre a escravidão que a história oficial brasileira camuflou. O modelo de exploração daquela página triste de nossa história e as suas consequências nefastas ao povo desprotegido se assemelham ao que é hoje promovido pelo sistema político em voga.

Esclareço. Nos tempos atuais as elites que controlam os poderes dominantes se comparam aos senhores do café e açúcar dos séculos passados. A prática de exploração e manutenção dos mecanismos de controle social é manejada para que não haja mobilidade social. Escravidão em nova roupagem: indivíduos sem educação, sem saúde, sem trabalho e sem moradia ficam reféns de um sistema que os mantém acorrentados a favores espúrios, muitas vezes negociados no voto!

A favela é o grande quilombo! Pretos e brancos sem dignidade e sem voz nas periferias das cidades revelam a magnitude da perversidade da exclusão social imposta pelo modelo político oligárquico que se impõe ainda em nossos dias. Prova de que a escravidão persiste. A abolição é uma farsa!

A periferia é uma festa, assim como era o quilombo. Apesar de tantos “nãos”, de tanta dor que os invade, os moradores humildes fazem a alegria da cidade. Distraem-se com suas novelas, o futebol e o carnaval. Por isso, o “pão e o circo” funcionam tão bem!

Pode ser uma comparação esdrúxula, mas o fato é que experimentamos uma tragédia inspirada nos moldes do regime escravocrata que imperou durantes séculos em nosso país. O que está ocorrendo nos dias de hoje é igualmente um massacre: crianças famintas com o seu desenvolvimento comprometido, jovens sem perspectivas, velhos desamparados, exploração da força de trabalho, violência, drogas e prostituição como fuga para o drama social imposto a essas pessoas invisíveis ao poder público.

A cultura da escravidão expõe: negros que ficavam na margem da sociedade para servir os senhores que estavam no centro. A cultura política dominante: pobres pretos e brancos que vivem sob condições análogas à escravidão para servir à elite que controla o poder. Como sair da margem?!

A lógica do poder e dos mecanismos de controle naturalizam no imaginário social que os pobres precisam de proteção. E quem pode protegê-los? O Estado. Quem representa o Estado? As elites dominantes. O fim dessa história já é conhecido: mais exclusão e concentração de poder familiar.

A gravidade do problema a ser enfrentado precisa encontrar caminhos de mobilização. Foi assim nos anos de luta pelo fim da escravidão. Participar do privilegiado espaço social que toma as decisões políticas é algo distante a quem não pertence à “Casa Grande”. O poder permanece cercado por muros que excluem os que não estão alinhados aos Senhores. Porém, nada é intransponível.

Todo político é beneficiário deste modelo concentrador e excludente, mas nem todos os políticos são signatários desse modelo. É preciso então, que esses políticos não signatários se envolvam num projeto de “abolição” do povo parnaibano. Primeiro a liberdade, nada sem a liberdade, tudo pela a liberdade!

Parnaíba precisa romper os laços escravocratas que aprisionam as mentes e as liberdades! Onde estão os “abolicionistas”? Quem se atreve?! A situação de crise em que vivemos pode revelar novos atores políticos que não os ditos tradicionais, mas que não estão conectados com a liberdade da sociedade.

Alguns instrumentos legais apoiados na Constituição Federal de 1988 apontam para a democratização, mas não basta a norma, é preciso que as pessoas se apropriem da causa e derrubem o sistema que os escraviza, que os atrasa, que os oprime! Nada mudou, é preciso mudar. Carecemos de reparar os erros. Igualmente no período em que a escravidão era “legal” algumas leis foram sancionadas, mas não pegaram: Lei Feijó de 7 de novembro de 1831, que decretou a extinção do tráfico de escravos e devolução à África dos negros que entrassem no Brasil a partir daquela data; A “Lei do Ventre Livre” nunca pegou.

Outro aspecto importante e que não se pode negligenciar ao refletir sobre este tema é a forma de intervenção externa que a Parnaíba sofre. Teresina influencia e decide muito os rumos políticos da cidade. Igualmente, as decisões tomadas na Corte Imperial tinham repercussão e influência direta nas vilas, nas fazendas de café e açúcar. Quando muito, apenas os “Coronéis” eram consultados sobre as questões que iriam definir a vida de todos. A elite política do estado impõe seus interesses à Parnaíba! Pode soar duro, mas os parnaibanos não decidem os rumos da Parnaíba!

Este é um modelo sofisticado de escravizar as pessoas que ainda persiste. Ruy Barbosa (1884) pontificou: “A emancipação é um princípio de interesse universal, e a existência do elemento servil, uma abominação moral, um núcleo de corrupção na vida política e doméstica”.

A Casa Grande já surta quando a Senzala aprende a ler, imagine quando tomar o poder!

(*) Fernando Gomes, sociólogo, eleitor, cidadão e contribuinte parnaibano.

Troque o medo por esperança

Por:Cláudia Brandão

O diagnóstico do câncer costuma ser assustador para quem o recebe. Muito desse sentimento de medo está relacionado ao estigma criado em torno da doença e, também, à falta de conhecimento sobre as formas de tratamento e chances de cura. Sim, é verdade que os números de casos de câncer vêm aumentando ao longo dos anos, em razão do aumento da longevidade e da mudança de hábitos imposta pelo estilo de vida moderna. Mas é verdade também que houve avanços consideráveis no tratamento da doença que, antes, era tida como incurável.

Para ajudar a vencer o preconceito ainda existente, um grupo de oncologistas de Teresina irá realizar uma manhã de esclarecimento com a população no próximo dia 25 de novembro, na praça do 25 BC, chamada Troque o Medo por Esperança. A ideia é trocar informações para ajudar pacientes e familiares a vencer o pavor que normalmente acompanha a notícia de que a pessoas está com câncer.

De acordo com as estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 600mil novos casos da doença, por ano, em 2018 e 2019. Entre eles, os mais incidentes são o de próstata, pulmão, mama feminina, cólon e reto. Só o câncer de próstata, alvo da campanha Novembro Azul, deve afetar 68 mil homens.

Diante de uma incidência tão alta,o melhor a fazer é cercar-se de informações confiáveis sobre prevenção, tratamento e enfrentamento da doença. Com novos tratamentos, como imunoterapia e medicina de precisão, a ciência já apresenta respostas positivas em muitos casos. Estar preparado para encarar a realidade, sem medo e com esperança, é um bom início para começar a virar o jogo.

Votei em Jair Bolsonaro e acho péssimas as suas escolhas (com raras exceções)


É certo que Bolsonaro vem escolhendo as pessoas erradas

Armando Temperani Pereira

Sempre me vi na esquerda! Nasci em berço getulista e de pai professor de economia e um dos maiores conhecedores da obra de Marx. Nunca esposou paixão política em aula, fato de que se orgulhava. Como dizia ele, sua obrigação era ensinar e traduzir as versões dos clássicos seja de que tendência fossem. O conhecimento não pode sofrer preconceitos e tabus. Para ter raízes, o conhecimento precisa ter profundidade e universalidade. Assim, sempre convivi bem com aqueles que pensam de forma adversa.

O idealismo é sempre bom, seja de que lado for, forma o pensamento dinâmico. Já as doutrinas criam paixões e formam dogmas estáticos e cruéis.

ATRASO MACARTHISTA – Digo isto porque mesmo de esquerda e tendo sofrido no golpe militar de 1964 com prisão, com cassação e tortura na família e nos amigos, vi a estupidez da pretensão militar no atraso da doutrina macartista do pós guerra e xenófobos degenerados e antissociais.

Negar a ditadura militar e seus atropelos e roubalheiras é desconhecimento histórico. E apoiar suas torturas é ignorância humana e desequilíbrio mental.

Votei em Bolsonaro. Mas por uma causa melhor. Acabar com a esquerda de merda que se apresentou após a abertura. Lula surgiu como um meteoro nos espaços sindicais consentido e apoiado por inteligência militar. Não tenho dúvidas!

APARELHAMENTO – Como continuar com um Estado que não instrui doutrina e está aparelhando um partido que quer se perpetuar no poder às custas de um povo cada dia mais ignorante e pedinte Os programas do PT, não tem um que não seja para cargos, distribuir dinheiro aos seus sectos e a escravizar seus militantes a troco de pouco troco como esmola.

Um partido de trabalhadores que desprezava e despreza Getúlio Vargas. Um partido de gente sem qualificação e degenerados sociais, formado por grupos de complexados e despeitados.

Acredite, o racismo negro é oficializado com as cotas raciais. Os sem terra ganharam diploma de vandalismo, mas não a reforma agrária. Os Índios conseguiram enormes reservas para permitir o extrativismo das riquezas nacionais em roubalheiras ainda não apuradas.

LULOPETISMO – Nunca fui e nunca serei petista. Tenho muitos amigos nesta “agremiação”, mas sempre soube de seu pecado original ou pecado mortal de ser filho biológico do SNI e filho do engano paterno de um povo engando e amargurado. Que não quer acreditar na verdade!

Não sou contra Bolsonaro, ele faz o que prometeu. Sou oposição às idéias dele. Sou inimigo dos traidores da esquerda, do petismo e da prepotência medíocre.

Bolsonaro acredita que governará com homens que têm a mesma ideia retrógrada de Estado e que governam acreditando em milagres. Mas suas escolhas tem sido péssimas, com raras exceções.

A palidez e a superficialidade da política parnaibana!

Por: Fernando Gomes (*)

O ano de 2019 promete! Grande já é a movimentação do mundo político na Parnaíba. A fragilidade da (des)organização dos partidos políticos, os “donos” destes e a forma de controle do poder, além dos interesses pessoais e uma série de outras considerações levarão a cidade à uma verdadeira panaceia.

O Prefeito Mão Santa, certamente vai pleitear o segundo mandato, por direito. Concorrentes não lhe faltam. Há candidato que se inflama ao reconhecer “humildemente” que na cidade não tem ninguém mais preparado e mais dedicado à cidade do que ele para esta missão. Outros novos (nem tão novos assim) se arvoram a resolver todos os problemas da cidade. Será?!

Mas, o fato é que assistimos nas últimas três décadas, aqui em Parnaíba, a disputa às vezes camuflada, outras vezes escancarada, de um debate ignóbil. Os mandatários e os que operam a política com intenção de chegar ao poder municipal disputam espaço, com poucas exceções, demonstrando apego ao poder e usando estratégias nada convencionais para conseguirem o seu intento. No imaginário social, o discurso da “obediência em função da dependência”, é pregado de tal forma que a abordagem parece justificar a vida miserável dos indivíduos em nossa sociedade.

Em voga a arte da enganação. Politicagem que eles dominam muito bem!

Entre os que estão no poder, os que já passaram por lá e alguns que sonham com isso, novamente com poucas exceções, veem-se estilos que aparentam diferenças, mas que têm a mesma motivação (manter-se ou chegar ao poder). Usam as mesmas ferramentas: perseguem, usam o público como privado, mantêm subservientes com recursos públicos, afastam-se dos interesses coletivos. Tudo em nome do poder, do seu poder. Oligarcas, ditadores e pouco afeitos à transparência, participação e controle social, eles vão se dando bem na vida. Muitos (até profissionais qualificados) que abandonaram suas vestes para se tornarem políticos profissionais.

O sociólogo alemão Max Weber em 1919, portanto há quase cem anos, já diferenciava dois tipos essenciais de políticos: os que vivem para a política e os que vivem da política. O que vive da política é aquele que possui recursos materiais para a sua subsistência provinda da própria atividade política. Já o político que vive para a política representaria o tipo ideal no âmbito de atributos do político vocacionado, pois sua independência diante da remuneração própria da atividade política significa, também, uma independência de seus objetivos no decorrer da vida pública.

A hora exige uma reflexão apurada disso tudo! Visto que somente uma casta se perpetua no poder. Num poder intocável, inquestionável, imutável, e pôr isso mesmo inócuo. É interessante perceber (pense nisso) que há um pacto entre essa própria casta, onde mesmo existindo “inimigos” (conforme a conveniência, pois em dado momento esquecem as brigas, acusações, etc) eles fazem um acordo de não permitir que ninguém mais entre no elitizado processo político. Criam, com muita competência, o dogma da sujeira, elaborando no imaginário social, a ideia de que o espaço político não deve ser destinado ao cidadão digno. Ouvimos constantemente frases famosas, como: “Não acredito que o Fulano vá se meter em política, uma pessoa de bem, isto é coisa para bandido”.

Essa “tática” de tentar afastar as pessoas de bem desse espaço, banalizando a ação política, não tem mais lugar, está ultrapassada.  Pois, de um lado, o sistema começa a ruir devido à incompetência dos maus políticos, que só pensaram em interesses próprios; e do outro, experimentamos avanços nas conquistas sociais, onde o cidadão inicia, ainda que de forma tímida, a questionar e a se interessar pelas questões que afligem toda a sociedade, exigindo uma política diferente do que aí está.

Há, necessariamente, que existir num domínio racional-jurídico: administrador e administrados; e não dominador e dominados.

A palidez e a superficialidade com que alguns olham a política assustam! Porém, tudo parece justificado, pois tem a sua razão de ser: antes, existe o interesse pessoal! A mudança que Parnaíba precisa não é a mudança de cabeça de uma pessoa, um salvador da pátria, é preciso que se tenha uma junção de ideias, um projeto! Precisamos de alguém com nova energia que, inclusive, reúna em torno de si outras pessoas com o mesmo foco: pensar o município com responsabilidade coletiva, com decência.

Será bom para a cidade ter um gestor que compreenda a missão de servir, que perceba a honra e o extraordinário privilégio que é administrar em favor das pessoas, contribuindo para o bem estar social da grande maioria desassistida historicamente. Quiçá 2020 nos brinde com a verdadeira mudança!

 (*) Fernando Gomes, sociólogo, eleitor, cidadão e contribuinte parnaibano

Reforma administrativa

Por: Arimateia Azevedo

Wellington Dias (PT), em janeiro inicia seu quarto mandato de governador do Piauí, e admite passar uma faca na estrutura administrativa que ele próprio fermentou. Há órgãos demais e o que poderia ser uma descentralização mais se parece com bagunça pura e simplesmente q ele perdeu o controle.

Exemplo dessa balbúrdia administrativa é que um decreto do governador expandiu para praticamente toda a administração pública a possibilidade de fazer obras de mobilidade urbana, também conhecidas como calçamento e asfalto. Somente pôr fim a essa farra já seria um enorme passo. Mas o governo precisa ir além. Cortar pela metade, pelo menos, o número de órgãos executivos, com orçamentos próprios, já seria de boa monta, ou seja, determinar que cada macaco esteja no seu galho. Se as despesas de investimentos do Estado forem concentradas em organismos que melhor cuidam disso, como as secretarias responsáveis por infraestrutura, logística e transporte, as despesas de capital certamente poderão ter melhores resultados na relação custo-benefício. Mas sem dúvida a reforma mais eficiente que o governador pode fazer é acabar com o padrão feudal que tem sido a marca de seu governo, em que cada político tem um naco de poder e nele age conforme suas regras e interesses.

Se deseja mesmo fazer uma reforma administrativa digna de nota, o governador poderia começar tendo um governo mais técnico e menos, mas muito menos político, além de seguir aquele conselho antigo de Tancredo Neves, para quem não se deve nomear quem não se pode ou não se consegue demitir.

Um ano turbulento que termina com esperanças

Por:* Valéria Vilela

No Brasil as eleições trouxeram uma euforia ao mercado financeiro a  equipe do novo governo tem pela frente desafios como a reforma da previdência. As escolhas anunciadas de ministros, especialmente a de Sérgio Moro, ajudaram a moeda americana a perder força. Com relação aos negócios do café os fundos e as estratégias   com o produtor comercializado ainda em sua grande maioria como commodities houve reações no mercado financeiro de futuro.  Os valores pagos no mercado físico ainda são distantes dos desejados pelos cafeicultores que precisam cobrir os custos com a produção, mas já ficaram otimistas com a leves altas logo nos primeiros dias após o segundo turno.

A reação positiva do mercado físico também ocorreu no mercado financeiro em Londres e em Nova Iorque, bolsas que negociam grandes volumes dos cafés arábicas produzidos no sul de Minas.

As posições do governo Americano com relação a China também favoreceram o agronegócio brasileiro e pode sinalizar uma outra direção nas negociações nos próximos meses.

Ao olharmos para 2019, podemos perceber que os negócios com o café, que estiveram  muito estáticos em 2018, vão ter dias diferentes principalmente com divulgação de que Colômbia, América Central e a Ásia não vão conseguir colocar no mercado a produção que esperavam.

As eleições americanas e a criação de postos de trabalhos nos Estados Unidos em setembro foram notícias que ajudam a entender melhor como vão ser as propostas comerciais e as negociações do mercado físico para a cafeicultura de bebidas, inclusive os cafés especiais.

Grãos de alta qualidade vem sendo encontrado nas lavouras de altitudes do sul de Minas e sendo destaque nos concursos que aumentam as disputas pelas sacas de bebidas especiais e e exóticas. Os compradores descobriram um filão para agregar mais ao comércio de café e o produtor entendeu que encontrar os talhões diferentes faz muita diferença no bolso.

A Semana Internacional do Café em Belo Horizonte se consolidou como o encontro do mercado comprador e o produtor diminuindo as distancias entre quem planta e quem toma o café mineiro no mundo.

O amor e o afeto das cozinhas das nossas avós está mais presente que nunca na hora de tomar um bom café e as cafeicultoras estão mostrando que o café gerenciando com batom tem nuances de ações sociais que mudam realidades. Vencemos 2018 que chegue 2019 um ano estamos esperando com muita esperança e desejos de bons negócios.

* Valéria Vilela, jornalista, escreve há 8 anos sobre café semanalmente como colaboradora em veículos do agronegócio

Alguns pensamentos budistas, em palavras atribuídas ao próprio Sidarta Gautama

Antonio Rocha

“Alguns Pensamentos Budistas” – este é o subtítulo do ótimo livro “A Conquista da  Felicidade”, de Kodo Matsunami, tradução do engenheiro Murilo Nunes de Azevedo, grande estudioso brasileiro, já falecido, presidente da antiga Sociedade Teosófica no Brasil e da primeira Loja Budista, fundada em 1923, no Catete, bairro do Rio de Janeiro. Dr. Murilo, como amigavelmente nós o chamávamos, era monge plenamente iniciado e ordenado nas linhagens Zen, Terra Pura e Shingon (o chamado Budismo Esotérico).

A edição brasileira desta importante obra esteve a cargo da Editora Teosófica. No total, 156 páginas de elevadas reflexões.

PALAVRAS DE BUDA – Mestre Kodo, formado pela Universidade Budista Taisho, de Tóquio, era um graduado monge da linhagem Jodo Shu (Terra Pura).

O livro em questão foi inspirado no famoso Hammapada (palavras atribuídas ao próprio Sidarta Gautama, o Buda) e, de forma bem atual, o venerável Matsunami para cada capítulo traz uma frase de estímulo, de apoio, de entusiasmo, de conforto, de desafio.

Uma boa forma de meditação é ler e refletir cada frase ao longo de um dia e no final, repetir a dose, de modo que vamos fixando mais ainda em nossa mente a mensagem. Em cada frase o autor faz um desdobramento, mas vamos ficar só nas frases.

CAPÍTULO 1 – SOMOS O QUE PENSAMOS

1 – A felicidade depende da nossa atitude mental.
2 – A vingança não é solução.
3 – Busque mais a alegria que o prazer.
4 – Seja rico em contentamento e não apenas exteriormente.
5 – Não busque recompensa.
6 – Querer é poder.
7 – Dedique-se a uma tarefa.
8 – Nunca desista.
9 – Perceba o vazio dos prazeres.
10 – Dedique-se entusiasticamente à sua tarefa.
11 – Conheça os méritos daquilo que é real.
12 – Seja generoso.
13 – Não fique apegado às coisas materiais.

CAPÍTULO 2 – OBSERVE-SE CUIDADOSAMENTE.

14 – O dinheiro não é tudo na vida.
15 – Não permita que aquilo que você possui se transforme em pérolas 
jogadas aos porcos.
16 – Realize as suas tarefas até o fim.
17 – Partilhe com os outros.
18 – Não fique contente demais com as condições favoráveis e não desanime diante da adversidade.
19 – Não siga cegamente a opinião dos outros.
20 – Ter curiosidade é o segredo da juventude.
21 – Transcenda o prazer e o sofrimento.
22 – Seja tranquilo em tudo.
23 – Recupere a sua presença de espírito.
24 – Prefira a sinceridade à lógica. 
25 – Controle a si mesmo em vez de querer ser melhor que os outros.

Parecem salmos. Boas meditações. Tenham um pouco de paciência, o tema continuará. E viva a TI = Tribuna da “Impermanência”, de que o Buda falava tanto, porque tudo muda, nada é permanente.

Alberto Silva 100 anos

Por: Paulo Fontenele

Se vivo estivesse, neste sábado, 10, o ex-governador Alberto Silva estaria completando 100 anos de idade. Silva é, de fato, um personagem da história do Piauí por sua atuação na vida política e administrativa do estado, deixando um legado de obras que até hoje constituem um marco na estrutura econômica e social. Os 100 anos do nascimento de Alberto Silva foram lembrados numa solenidade do governo estadual quinta-feira (08) à noite com homenagens a pessoas que de alguma forma tiveram vínculo pessoal, político, social e administrativo a ele.

Alberto Silva entrou na vida pública em 1948, quando elegeu-se prefeito de Parnaíba e logo em seguida deputado estadual. Voltou à prefeitura em 1955 e permaneceu até 1959. Só voltaria a exercer um cargo executivo em 1971 quando foi escolhido pelo militares para governar o estado, por influência de caciques políticos do Ceará com prestígio junto ao regime. Contrariando as expectativas do esquema oligárquico local, Silva fez um governo revolucionário, construiu imagem de realizador e se popularizou.

A imagem de realizador ofuscou o lado autoritário que ele exercia inspirado no próprio regime a que servia e era duro nas decisões que tomava mas conquistou o apoio da população. Quem viveu o período de Alberto Silva nos dois períodos em que governou o estado percebe que há uma grande diferença entre o primeiro (71/75) e o segundo (87/91). Enquanto no primeiro ele saiu como um ídolo da maioria dos piauienses, no segundo a imagem de vilão durou um tempo mas depois foi esquecida.

Em seu primeiro governo, Silva integrou o Piauí por rodovia de norte a sul, ou de Parnaíba a Cristalândia, assim como estradas para Picos e Paulistana, além de Floriano a São Raimundo Nonato. Antes não havia estrada com asfalto. Com ele, a imagem do estado ganhou destaque nacional através do futebol com a construção do estádio que levou seu nome (Albertão) e a formação de um clube (Tiradentes). A educação e a saúde ganharam expansão com a construção de escolas e hospitais.

Sua motivação para a instalação da universidade no Piauí levou, enfim, a execução desse antigo projeto. No primeiro governo Silva levou a termo a idéia de que o estado é o indutor do desenvolvimento. Não é preciso lembrar que neste seu primeiro mandato, a composição da equipe foi um fator determinante para o sucesso de sua gestão. Muitos técnicos foram recrutados para a tarefa e o planejamento e a pesquisa foram importantes para tirar o Piauí do estado de atraso para o de avanços.

O governo de 1971 a 1975 é o que sustenta a imagem positiva de Alberto Silva como o grande realizador, contrastando com os atropelos que marcaram o segundo período, de 1987 a 1991. O principal deles foi, sem dúvida, o fechamento do Banco do Estado do Piauí (BEP). Diferente do outro período, o segundo governo a imprensa era menos controlada, o que facilitou a transformação dos problemas em escândalos. Os danos causados à imagem foram poucos, tanto que Silva teve êxito nas eleições seguintes.

De qualquer sorte, pela quantidade de seguidores que conquistou ao longo de toda a sua carreira política, Silva nunca mudou o discurso na defesa daquilo que idealizava e pregava. Talvez por isso, ainda hoje o seu nome está associado a um período de transformação do Piauí.

Depois da eleição, precisamos voltar a inovar

Por: Janguiê Diniz

O Brasil ficou parado acompanhando a corrida presidencial, uma das mais disputadas – nos melhores e piores sentidos. Agora, com o resultado final sobre quem ocupará a vaga no Planalto, outros assuntos virão à tona. Será hora de pensar nos rumos do País. Uma das coisas mais importantes a se debater são os investimentos em inovação. Embora sejamos destaque no empreendedorismo, ainda pecamos na inovação – o que parece até contraditório.

Entre 2017 e 2018, o Brasil subiu cinco posições no Índice Global de Inovação, passando da 69ª para a 64ª posição de 126 países ranqueados. Um avanço, visto que estávamos estagnados naquela posição há dois anos. Ainda assim, a marca mostra o quanto temos a melhorar. Hoje, o líder em inovação da América Latina continua sendo o Chile, na 47ª colocação. Ainda estão à nossa frente, na região, Costa Rica (54ª), México (56ª), Uruguai (62ª) e Colômbia (63ª). Os números nos mostram o quanto ainda precisamos melhorar – o que só será possível com investimentos massivos.

Independente de quem venceu a eleição, é necessário que o futuro presidente do Brasil volte o olhar à inovação – entre os tantos outros problemas por que passamos, claro. A inovação vem do investimento em pesquisa e desenvolvimento, mas também é promovida com a criação de um ambiente propício para as empresas se desenvolverem. Estamos em um mundo globalizado e digital, em que inovar é uma poderosa arma que as corporações têm como diferencial competitivo. Mais que isso, hoje, é uma necessidade, uma obrigação para quem não quer ficar para trás.

Importante lembrar, também, que não só o presidente precisa se preocupar com a criação de um ambiente mais inovador no país. É até mais importante que essa consciência parta do Congresso Nacional, responsável pelas principais decisões sobre os rumos do país. Se queremos que o Brasil volte a crescer e se desenvolver, precisamos estimular, cada vez mais, as mentes inovadoras, que vão criar os produtos e serviços do futuro e ajudar a devolver a força à nossa economia.

(*)Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional