É preciso seguir em frente

POR:BERNARDO SILVA

O primeiro texto que escrevo neste 2019 que se inicia é para agradecer. A Deus, sobre todas as coisas, pelo dom da vida. A Ele e somente a Ele que me permitiu carregar minha cruz e estar aqui, à disposição dEle, para seguir em frente. Porque é preciso seguir. Claro que existem outros agradecimentos a pessoas que me fortaleceram nesta caminhada; que me ajudaram a servir, a ser mais gente. No entanto, é Deus que me faz caminhar por entre espinhos, porque estamos aqui sobre a terra não é para vivermos de prazeres, apenas. Mas principalmente para vivermos de dores e sofrimentos, de forma resignada. Foi duro haver perdido um irmão há um ano atrás, meses após o susto de ter outro irmão por vários dias numa Unidade de Terapia Intensiva, em Fortaleza, entre a vida e a morte. E este ano, um câncer na minha esposa nos impôs mais esta provação…

Mas isso é passado. Deus nos deu forças e vai continuar nos dando para ultrapassarmos outros problemas. Mas eu apelo a Ele que me dê também a sorte de sonhar com a melhoria da humanidade. Onde seja facilitada a convivência pacífica entre todos, sem os ódios dos medíocres e nem a desfaçatez dos insensatos. Que nós nos olhemos como irmãos, sem os fingimentos tão comuns nos dias atuais.

Que Deus nos dê a humildade de continuarmos tentando fazer um jornalismo, através deste blogdobsilva, sem o sensacionalismo apelativo tão comum de alguns outros. E aqui aproveito para agradecer a grande contribuição que recebi no ano que passou, da jornalista Camila Neto, hoje responsável maior por este meio de comunicação e do jornalista e escritor Pádua Marques- os dois são marcas de qualidade.

Claro que desejo que em 2019 todos nós sejamos felizes. Mais felizes. Mas que não esperemos que esta felicidade caia do céu. Que tenhamos o discernimento que é preciso correr atrás de nossas metas e lutar pelos nossos objetivos. Aliás nada cai do céu. E jamais serei feliz se no meu dia a dia não buscar fazer felizes os que estão ao meu lado. E por isso eu quero servir e ajudar mais as pessoas. Esquecer meu egoísmo e dividir mais, abraçar mais, amar mais…

Termos mais 365 dias pela frente e um coração cheio de esperanças, porque temos fé em Deus, acima de tudo. Sim, Deus, este ser tão esquecido nos últimos tempos porque os homens hoje preferem endeusarem-se uns aos outros. Tem até um desses, considerado até bem pouco tempo uma verdadeira divindade, que está na cadeia, um sinal inequívoco de que isso não é correto. É preciso que os homens sejam mais humildes, admitam seus erros, voltem atrás e peçam perdão.

E, para finalizar, sei que para eu ter um feliz 2019 é preciso que eu seja melhor. Que eu corra atrás. Que eu faça acontecer. Do contrário, tudo continuará como antes. Como sei que Deus está conosco, vamos seguir em frente em busca da felicidade. A todos os nossos leitores, anunciantes, apoiadores e parceiros em geral, que as bênçãos de Deus cubram cada um. E vamos à luta!!!

Brasil: O que pode acontecer depois de 1º de janeiro?

Publicada por: Jornalista Milton Atanazio

O que pode acontecer depois de 1º de janeiro nós só vamos saber quando chegar lá. O que chama a atenção é que o presidente eleito está cumprindo o que prometeu em campanha. Não pode ser acusado do contrário. E tudo leva a crer que não teremos um estelionato eleitoral, como assistimos na última campanha eleitoral, com Dilma Rousseff. Bolsonaro foi eleito com um programa e escalou a equipe para executar o tal programa. Isso é um grande avanço.

Governos Estaduais

 A situação de caixa dos governos estaduais é péssima. Mais grave do que da União. É de lamúria. O Governo Federal vem sendo procurado pelos agoniantes futuros governadores em busca de socorro. Alguns receberão o caixa sem um mísero real. A conta é de que pelo menos 11 governadores estarão nessas condições. O certo é que o Governo Federal também enfrenta dificuldades seríssimas do ponto de vista financeiro e o quadro não é muito animador. E não vai poder fazer muita coisa.

Por outro lado, o Congresso acaba de aprovar, através do presidente Rodrigo Maia, que ocupava interinamente a presidência da República, substituindo Michel Temer em viagem ao Uruguai, um afrouxamento da Lei de Responsabilidade Fiscal, que agrava ainda mais.

Os atuais governadores, alguns foram candidatos à reeleição, sabiam que tinham de cumprir a lei de responsabilidade fiscal e não deram bolas. Aumentaram salários, fizeram todas as traquinagens e agora de pires na mão, pedindo, mais uma vez, ajuda da União. Os governadores que estão indo embora, largam compromissos monstruosos e irresponsáveis. Existe uma Lei e as pessoas precisam compreender, que se não cumprirem a Lei, tem de ser responsabilizadas. Essa é a questão dos Estados. A sociedade precisa cobrar o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, que é a mãe de todas as responsabilidades. Chegou a hora de acertar as contas. Quem não cumprir a lei, precisa pagar o seu preço.

Confiança e Otimismo

A situação fiscal do Brasil é séria. Precisamos de um avanço efetivo das reformas, como a da Previdência, que deverá puxar a fila.

As perspectivas para o próximo ano como um todo, também são positivas. A economia deverá crescer mais do que 3% e isso se deve a uma combinação de fatores, como capacidade ociosa, inflação baixa, juros baixos para os padrões brasileiros e situação folgada das reservas internacionais.

O Brasileiro está mais otimista nesta virada de ano. Os índices de confiança de vários seguimentos têm registrado aumento. Há confiança no Consumidor, no empresariado Industrial, de Serviços e da Indústria da Construção. Faltava o Comércio, que agora está retomando o otimismo e encerra 2018 com alta expressiva no quarto trimestre. O Icon (Índice de Confiança do Comércio) da FGV, subiu para o maior valor desde abril de 2013 e as vendas neste natal subiram e foram melhores do que nos últimos três anos. Essa combinação faz com que desperte a esperança da população.

O novo governo terá de ser muito competente. O presidente que assume já escolheu e escalou a sua equipe, que está pronta para começar o jogo. A partida tem data marcada para iniciar no dia 1º e será na Esplanada dos ministérios, com milhares de Brasileiros e Brasileiras prestigiando o acontecimento cívico de maior relevância para a democracia do Brasil, que é a posse do novo presidente da República. O Brasil passa por mudanças. O otimismo toma conta da população. Que venha 2019!

Estrategista, Moro usará sua experiência na Lava Jato para “limpar” a política

Frederico Vasconcelos
Folha

O ex-juiz Sergio Moro, 46 anos, assumirá o Ministério da Justiça de Jair Bolsonaro inspirado em Giovanni Falcone, o magistrado que levou à condenação centenas de mafiosos na Itália. Moro tem experiência no enfrentamento com o crime organizado. Comandou um longo processo contra o traficante Fernandinho Beira-Mar.

Em 2008, publicou artigo sobre essa operação, em que cita Falcone e os métodos invasivos de investigação. A escuta telefônica durante um ano e seis meses possibilitou apreender 753 kg de cocaína e 3,6 toneladas de maconha, reunindo provas contra a cúpula do grupo de Beira-Mar.

PERSPECTIVA – “Ao contar com um órgão de inteligência financeira [Coaf] e a Polícia Federal, Moro pode executar um trabalho de interesse público jamais realizado no Brasil, pois não lhe faltam experiência e honestidade”, diz o desembargador aposentado Wálter Maierovitch, presidente do Instituto Giovanni Falcone.

Segundo o magistrado, Moro tem méritos e sempre foi independente. “Ele poderá revolucionar na área da segurança pública e da Justiça. Foi-lhe dada carta branca por Bolsonaro. Terá de trombar com poderosos”, diz Maierovitch.

Um dos grandes incentivadores da carreira de Moro foi Gilson Dipp, ministro aposentado do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e criador das varas especializadas em lavagem de dinheiro. Dipp lembra que “o Ministério da Justiça não é uma delegacia de polícia ou vara federal”. “É preciso que Moro se cerque de pessoas competentes. Ele exercerá um cargo eminentemente político. Vai conviver com pares altamente comprometidos, enfrentar pressões e não tem o comando da situação”, avalia.

APRENDIZADO – Foi Dipp quem indicou Moro para juiz auxiliar da ministra Rosa Weber, no julgamento do mensalão. A experiência no STF (Supremo Tribunal Federal) foi um aprendizado útil para ele.

O juiz federal Jorge Gustavo Serra de Macêdo Costa, também especializado em lavagem de dinheiro, diz que “Sergio Moro vai trazer para o Ministério da Justiça a expertise da Lava Jato, que teve um juiz vocacionado, reuniu os atores responsáveis pelo combate à corrupção e produziu provas robustas. Ele deverá reproduzir no governo o modelo da vara de Curitiba”.

Moro convidou Vladimir Passos de Freitas, ex-presidente do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), para chefiar a assessoria legislativa do Ministério da Justiça. O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) será comandado por Roberto Leonel, que foi chefe do órgão de inteligência da Receita Federal no Paraná.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Moro é o grande diferencial e o maior avalista do governo Bolsonaro. Sua gestão no Ministério da Justiça está destinada a entrar na História, ao passar a limpo o país, no combate à corrupção. Seu prestígio é tamanho que os próprios semideuses do Supremo se sentirão impotentes e terão de abandonar o protecionismo que impõem aos políticos e empresários de colarinho branco (e mãos emporcalhadas…). Moro é o grande exemplo às novas gerações, ao mostrar que o país é viável. (C.N.)

Banco do Nordeste ganha papel estratégico em 2019

Por: Fenelon Rocha

O czar da economia, Paulo Guedes, ainda não deu a ordem de comando, mas os sinais estão postos: os investimentos regionais terão papel fundamental na estratégia de retomada do desenvolvimento em 2019. No que diz respeito ao Nordeste, o papel mais destacado será cumprido pelo Banco do Nordeste, com investimentos orientados para as atividades produtivas – em especial o setor agrícola, de pequenos, médios e grandes produtores – e também para o fortalecimento da infraestrutura.

O foco na infraestrutura se justifica por vários aspectos. O primeiro, é que o investimento nesse setor tem reflexo imediato na geração de emprego, o grande gargalo da economia brasileiras dos últimos quatro ou cinco anos. Outro fator fundamental é que a infraestrutura produtiva dará horizonte mais largo à economia, com a concretização de negócios no médio e longo prazo.

Instituições como o Banco do Nordeste deverão dar suporte aos investimentos com esse enfoque. Vai ser o fortalecimento da estratégia geral do governo Bolsonaro, que pretende ter na retomada da atividade econômica o principal ponto de sustentação popular no médio e longo prazo.

O setor produtivo será o principal foco dos investimentos do Banco do Nordeste, em 2019, para fortalecimento da economia regional

A diretriz do governo central vai, na prática, dar mais fôlego a uma linha de atuação que o Banco do Nordeste já tinha abraçado este ano com resultados bem positivos. Em 2018, o banco investiu R$ 41 bilhões, uma marca histórica. Desse total, R$ 30 bi foram através do Fundo Constitucional do Nordeste, o FNE, principal fonte de recursos da instituição. Metade disso foi para ações de infraestrutura, foco que deverá ser incrementado com o novo governo.
 

Banco injeta R$ 2 bilhões no Piauí

O incremento dos investimentos do Banco do Nordeste se refletiu no Piauí, que somou R$ 2 bilhões em operações de crédito em 2018. Ao todo, foram contratadas no estado 63 mil operações de crédito com recursos do FNE. Dividido por setor de investimentos, a ações de infraestrutura somaram R$ 673 milhões.

Na divisão por dimensão dos negócios, a distribuição fica assim: R$ 303 milhões para projetos de médio porte; R$ 263 milhões para os pequenos negócios; e R$ 223 milhões para grandes empreendimentos. Por área geográfica, o semiárido piauiense representou mais de 40% do total, com contratos que somaram R$ 870 milhões.

Em termos regionais, o Banco do Nordeste espera superar em 2019 o recorde de investimentos registrados em 2018.

Dois mil e dezoito – Despedida vitoriosa

Por: Benedito Gomes(*)

Há exatamente um ano o mundo inteiro estava em festas – comemoração do nascimento de Jesus, recordando a luta que tiveram seus pais, Maria e José, para protegê-lo da crueldade de Herodes, governador de Judéia, naquela época.

Estamos novamente com orações, preces, amor e fé. Casas, ruas, praças, cidades inteiras enfeitadas, comemorando o aniversário de alguém que está presente em todos os lares e em todo o universo. A expectativa também é grande, com a aproximação e chegada de 2019, que será recebido com festa, queima de fogos e muita esperança.

No momento, entre tudo de bom e festivo que está acontecendo, tem alguém se retirando em silêncio, sem se despedir de ninguém. Estou falando de 2018,que está preparando as malas e no dia 31, a zero hora, partirá em direção ao infinito de onde nunca mais voltará ser calendário na parede de ninguém.

Dois mil e dezoito, estamos juntos há um ano e hoje você está nos deixando. Lembre-se: “o transporte que leva a mudança é o mesmo que leva a saudade”. Leve também lembranças de um universo azul e estrelado; leve com você recordações de um grande país chamado Brasil. Não esqueça que somos o maior produtor de alimentos do mundo e um terço do nosso povo passa fome. Temos centenas de faculdades, milhares de escolas e cinquenta milhões de brasileiros analfabetos.

No período que você esteve conosco aconteceu no Brasil, uma eleição nacional. Você assistiu: velhos políticos prometendo aquilo que nunca cumpriram e políticos novos com velhos costumes. Você está deixando nosso país na mesma situação que encontrou na sua chegada. Milhões de pessoas trabalhando, pagando bilhões em impostos e os gestores executivos e legislativos não cumpre o que prometem e nem o que ordena a Constituição.

Você, 2018, viu também como funciona o nosso judiciário- intocável e protegido pela bela frase: “a justiça é cega”, quer dizer, não vê seus próprios erros. Vamos ficar com seu sucessor. Quando você voltar com mais um número e novo nome, 3018, encontrará com certeza um mundo melhor, sem pobreza, sem corrupção e sem violência. É o que esperamos.

(*)Benedito Gomes

Contador UFPI

Caiu a ficha e enfim se percebe que tudo dependerá da reforma econômica

João Domingos
Estadão

Mesmo que Jair Bolsonaro tenha feito uma campanha sem abordar com profundidade os problemas econômicos do País, hoje não restam dúvidas de que a maior expectativa de todo mundo em relação a seu governo mora na economia. Por isso mesmo, indaga-se tanto a respeito do que o governo vai fazer em primeiro lugar, se a reforma da Previdência ou a reforma tributária, ou as duas. Ou nenhuma. Ao mesmo tempo, buscam-se informações sobre o projeto de privatização, se incluirá a Petrobrás ou parte dela, se chegará aos bancos oficiais ou não, se haverá aumento de impostos, desoneração da folha de pagamentos, e assim por diante.

Em resumo, a pauta econômica superou outros temas de campanha. E o presidente eleito, de repente, já não é só aquele que encarnou a figura do anti-PT. Seu governo está aí para dar um jeito no País. E dar um jeito no País começa por fazer a economia andar e voltar a gerar empregos.

É SÓ ECONOMIA – Nem o tema do combate à corrupção empolga tanto quanto a economia. Bolsonaro nomeou Sérgio Moro para o Ministério da Justiça? Ótimo, é o ministro que o eleitor dele e de outros candidatos pediram. Moro chamou o delegado Y para tal cargo? Também está ótimo. Põe a turma da Lava Jato pra trabalhar. Em reação a críticas do general Hamilton Mourão sobre seu governo, Nicolás Maduro fala em pôr os milicianos da Venezuela em estado de guerra contra o Brasil? Nossa, como esse Maduro é chato. Vamos ao que interessa, a economia.

Então, não há como fugir. A expectativa é em relação à economia, ao crescimento do PIB, quando o superávit primário deixará de ser déficit e voltará a ser superávit, etc. Tudo isso aumenta demais a responsabilidade do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele terá de Bolsonaro as condições para tocar sua proposta de economia? Certamente que do presidente ele as receberá. Mas o presidente terá capacidade para criar essas condições, negociando com deputados e senadores a aprovação de medidas, como a reforma da Previdência? Isso será preciso ver.

Por enquanto, levando-se em consideração as bolas nas costas que o futuro governo tomou do Congresso, as falhas gritantes na articulação política, a falta de experiência dos parlamentares do PSL, alguns mais adeptos da porrada do que do diálogo, não dá para cravar que Bolsonaro montará uma equipe de articuladores capaz de vender o peixe do presidente de forma assim tão fácil.

DO LADO CERTO – Será preciso ralar muito. Primeiro, não escolhendo o lado errado para ficar nas eleições para as presidências da Câmara e do Senado. É melhor fazer parcerias nessa hora do que ir para o enfrentamento e sofrer uma derrota.

Em segundo lugar, uma articulação política não pode nunca ser prepotente. Se Paulo Guedes é, e se ele, pelo menos no início, carregará todas as expectativas em torno do governo, será preciso dar-lhe uma retaguarda para amenizar suas atitudes. Se ele diz o que pensa, e isso desagrada, alguém precisa ajeitar as coisas. Bolsonaro fez isso quando viu que foi necessário.

SEM “PRENSA” – Logo depois de Guedes dizer que era preciso “dar uma prensa” no Congresso para que a reforma da Previdência fosse aprovada, o capitão afirmou que seu economista não tinha o traquejo para lidar com as coisas do Congresso. No fundo, afirmou o presidente eleito, Guedes não quis dizer bem aquilo. E ficou o dito pelo não dito.

Bolsonaro montou uma equipe de auxiliares composta por técnicos, políticos e militares, todos eles determinados a fazer aquilo que o presidente lhes ordenar. Trata-se, de fato, de uma equipe coesa, uma sombra do presidente. Se quiser ter êxito no Congresso, precisa escolher seus articuladores políticos com o mesmo cuidado. Lembrando-se, porém, de que deles será preciso exigir, como pré-requisito, qualidades de negociadores. O que dos ministros não foi preciso.

Os anseios dos brasileiros para 2019

Por:Janguiê Diniz(*)

Recente pesquisa do Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria revela o que a população brasileira considera prioridade para o governo em 2019: melhorar a saúde, gerar mais emprego e combater a corrupção. Reduzir a criminalidade e a violência é a quarta medida principal, seguida de melhora na qualidade da educação.

A pesquisa mostra ainda que a maioria dos entrevistados estão insatisfeitos com o país, mas a maioria, 60%, acredita em um bom ou ótimo desempenho do novo governo. Os índices continuam positivos quando avaliamos o empresariado. A pesquisa “Expectativas do empresariado para o País e os seus negócios”, realizada pela Deloitte, afirma que 97% dos empresários querem investir em 2019 e que 47% deles pretendem gerar novos postos de trabalho.

A Deloitte afirma, ainda, que a reforma tributária, com 93%, como maior prioridade para o fortalecimento no setor. Na sequência aparecem a reforma da Previdência (90%), reforma política (80%), revisão das leis trabalhistas (36%) e a revisão da política de preços de derivados do petróleo (14%).

Independente do seguimento e do otimismo para o novo ano, a verdade é que o Estado existe para prover bens e serviços públicos. Estes, necessariamente, devem ser oferecidos com qualidade para a população e oferecer bens e serviços públicos essenciais talvez seja um dos principais desafios do novo governo. Não é novidade a divulgação de pesquisas que mostram que diversos bens públicos não recebem notas satisfatórias da opinião pública.

Destaco que, infelizmente, hoje o Congresso Nacional, o serviço público, as Polícias e o governo são instituições em que os brasileiros nem sempre confiam. Violência/criminalidade, drogas e desemprego estão entre os principais problemas do país, tendo o último atingido mais de 13 milhões de brasileiros segundo divulgação recente do IBGE

Sabemos que a redução dos índices de criminalidade, o combate ao tráfico de drogas e até o incentivo para que o empresariado crie mais vagas de trabalho dependem do governo. Além disto, é comum aos brasileiros considerar os impostos, no caso a alta carga tributária, como um dos principais problemas do país.  

Friso, ademais, que cada dia temos mais casos de corrupção noticiados. O novo governo assume em meio a uma desconfiança nacional em relação à ética e ao comprometimento dos nossos governantes com o bem-estar da população. E aqui, temos mais um desafio: resgatar a confiança do povo.

O brasileiro deseja um estado menos corrupto e mais eficiente no provimento de bens e serviços públicos. Ele deseja um país melhor. É que o brasileiro, em sua essência, é otimista. Eu sou brasileiro.

(*)Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional 

Fora das grandes cidades, ainda sobrevive um Natal bem brasileiro

Paulo Peres

Imunes à parafernália dos símbolos natalinos europeus de neves, Papai Noel, trenós, renas e pinheiros, algumas regiões brasileiras ainda conseguem fazer um Natal adequado a nossa cultura popular, sob o verão dos trópicos. A tradição natalina dos brasileiros manifesta-se, autenticamente, nos cantos e danças inventados pela imaginação criadora do povo para acrescentar novas informações ao legado de nossos antepassados índios, negros, portugueses.

Bois de pano e couro, cangaceiros, reis, rainhas, palhaços, embaixadoras e pastoras saúdam o nascimento do Menino com fé, ingenuidade e a peculiar alegria brasileira. Uma festa bem diferente das realizadas nos grandes centros de consumo.

CICLO NATALINO – Há vários folguedos no ciclo natalino, que se inicia em 24 de dezembro e se estende até 6 de janeiro, com a Folia de Reis. Cerimônias rituais e coletivas, resultantes da trocas culturais entre os indígenas, africanos e portugueses, são encenadas em todo o país, sempre com peculiaridades locais: reisado, guerreiro, bumba-meu-boi, pastoris e folia de reis ou santos reis.

O bumba-meu-boi aparece em festas Natalinas nos Estados de Pernambuco, Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Já no Maranhão, Piauí, Pará e em alguns municípios do Rio de Janeiro, ele aparece nas festas juninas e, em outras regiões, no carnaval e em eventos próprios, como no Festival de Parintins, no Amazonas com o nome de boi-bumbá. Nota-se que o folguedo tem diferentes denominações por onde passa: boi-bumbá, boi-de-mamão e boizinho, tornando-se mais ou menos rico em figurantes e episódios.

A GRANDE ATRAÇÃO – O boi, no centro da roda, é a atração principal. Um homem escondido sob um arcabouço de taquara, madeira ou arame, recoberto por pano de chita ou veludo, faz a figura mover-se e dançar. A cabeça, esperta em assustar e investir contra as crianças, é de papelão, madeira ou caveira aproveitada de animal. Os figurantes dançam ao ritmo da batucada (pandeiros, sanfonas e violas), instrumentos improvisados conforme o gosto e as condições dos participantes.

O tema consiste num boi que dois vaqueiros guardam e um deles sacrifica em momento de raiva. Outra variante é a presença da mulher Catarina, que tem desejo de comer a língua do boi, geralmente, roubada de um rico fazendeiro, condenando-o assim a morrer. No meio da confusão são requisitadas as presenças do doutor, para salvar o animal e do padre-capelão, para benzer o moribundo.

CRIATIVIDADE – Muitos personagens intervêm, sempre dançando. Marinheiros, soldados, cangaceiros, palhaços, cavalo-marinho (capitão), ema, caipora, alma do outro mundo. Bichos complicados e não identificados, como o jaraguá e o guariba, surgem no meio do espetáculo, fruto da criatividade da imaginação popular.

No decorrer da trama acontecem cenas de todos os tipos, revelando as mais variadas influências, sempre satirizando a vida local. Como tudo é festa, o boi acaba ressuscitando depois de inúmeras peripécias. Só as “damas” e os “galantes” não riem e não dão o troco às diabruras dos personagens que declamam, exclusivamente, “loas” ao Menino Jesus.

REISADOS E GUERREIROS – Os reisados, com características teatrais, têm maior expressão no Nordeste, além de Minas Gerais e São Paulo. Suas origens remontam ao vasto ciclo de representações derivadas das “janeiras” e “reis” portugueses, autos comemorativos da natividade.

Seus integrantes saem às ruas cantando e dançando, ao som da sanfona, tambor e pandeiro. Suas roupas são artisticamente preparadas e muito atraentes: saiotes axadrezados, capas de cetim enfeitadas com galões dourados e prateados, guardas-peito guarnecidos de lantejoulas, contas de aljôfar, espelhinhos brilhantes. Na cabeça, chapéus ornamentados com espelhos redondos, flores e fitas coloridas.

Na “abrição da porta”, um dos rituais do folguedo, pedem para entrar nas casas e tecem louvores aos proprietários. Após as visitas, é hora do teatro, exibido ao público em praça ou local apropriado.

SINCRETISMO – O enredo é um sincretismo entre os “reis” portugueses e as “congadas” de origem africana. O grupo canta, dança e declama. O espetáculo, em forma de revista, dramatiza estórias em que se misturam amor e guerra, religião e história local.

O número e as características dos personagens variam conforme a região em que é representado, sendo mais comuns o rei, a rainha, os embaixadores, os palhaços, além de figuras idealizadas como o lobisomem, o urso, o corcunda, o zabelê e o bumba-meu-boi.

Em 1920, surgiu em Alagoas a festa dos guerreiros, como criação local e variante do reisado, embora mais ricos em trajes e episódios. Com o tempo, as representações praticamente substituíram o auto do reisado, reunindo influências também dos caboclinhos e pastoris, que introduziram novos personagens como a lira e o índio Peri. O Mestre é a figura principal do folguedo.

PASTORINHAS – Sob influência portuguesa, o auto do pastoril ou pastorinhas é praticado na Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Alagoas, mas no Natal aparece em outras regiões do país. As pastoras, geralmente, em número de doze, dividem-se em dois grupos, chamados cordões, um azul e o outro vermelho encarnado, cores que ostentam nas vestes. Sobre a cabeça levam chapéus de palhinha, filó ou diademas e, nas mãos, arcos ou bastões cobertos de flores e fitas coloridas.

As duas primeiras pastoras de cada cordão recebem o nome de mestra (azul) e contramestra (vermelho). Entre os dois cordões dispostos em fila, um ao lado do outro, fica Diana, a mediadora, trajando metade vermelho e metade azul. Todas cantam e dançam.

As “jornadas” têm como tema o nascimento de Jesus Cristo e os desafios entre os dois cordões. Cada grupo procura a melhor forma de exaltar suas pastoras e prestam homenagens às flores, símbolo das cores que ostentam, a rosa e o cravo.

A falsidade do discurso

Por: Arimatéia Azevedo

Vê só como não passa do discurso o apelo dos políticos para que o governador Wellington Dias faça profundos cortes na máquina pública; reduza os órgãos do governo e, enfim, enxugue ao máximo o corpo funcional. Porque, enquanto se tem informações da equipe econômica de que para governar é preciso reduzir o tamanho do Estado, a volúpia por cargos é sentida dentro do partido do próprio governador, o PT.

Esse e aquele deputado (ainda bem que são apenas cinco petistas) estão brigando para manter seu quinhão no governo, embora seja o PT a legenda que tem mais espaços na atual gestão, ocupando a melhores e maiores secretarias, de maior orçamento. Veja só: Secretaria de Fazenda (Rafael Fonteles), Sesapi (Florentino Neto), Seduc (Hélder Jacobina), Segov (Merlong Solano), Seplan (Antônio Neto), Sead (Ricardo Pontes), Sejus (Daniel Oliveira), SDR (Patrícia Lima- indicação deputado Limma), Secult (Fábio Novo) e Seid (Mauro Eduardo). O PT detém ainda o comando de órgãos de segundo escalão, como é o caso da Fundação Cepro, Agência de Desenvolvimento Habitacional (ADH), Fapepi, Fundação Antares, Imepi, Coordenadoria da Juventude (Cojuv), entre outras.

Não é sem sentido se entender que o discurso pelos cortes de órgãos e cargos é pura falácia, a começar da proposta de redução da máquina feita pelo senador Ciro Nogueira 24 horas depois de reeleito, quando seu partido, o Progressistas continua com lagartas penduradas na folha de pagamento do Estado. Francisco Limma, deputado estadual reeleito pelo PT, também finca o pé para manter o domínio de sua capitania hereditária, a Secretaria de Desenvolvimento Rural e, além dela, quer muito mais, dada a sua densidade eleitoral. E, assim, pensam os demais aliados das diversas legendas, o que faz entender que o chefe do governo pouco ou nada avançará na prometida reforma administrativa. O cercam, lobos famintos e vorazes por cargos e poder. 

Com R$ 48,5 mil de média, juízes são os mais bem pagos do mundo

Bernardo Bittar
Correio Braziliense

Tratados como seguro para garantir a independência e a probidade da Justiça, os benefícios dos juízes brasileiros custam muito aos cofres públicos. Fora os salários, que acabam de aumentar R$ 16,3%, cada um dos 18 mil magistrados do país recebe em média aproximadamente R$ 20 mil mensais com os mais variados penduricalhos para suavizar as despesas com casa, comida e escola dos filhos. Esses valores comprometem a transparência dos vencimentos, burlam os tetos salariais e, ainda, são isentos de impostos.

Muitos desses penduricalhos são dos Judiciários estaduais, garantidos por leis locais. Dependem, mais tarde, de anuência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o que, em geral, acontece. Nesta semana, por exemplo, alguns itens foram chancelados.

AUXÍLIO-MORADIA – Nesse valor está incluído o polêmico auxílio-moradia. Esse item foi suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em troca do aumento. Mas foi revalidado pelo CNJ 22 dias mais tarde, na última quarta-feira. As vantagens autorizadas pelos tribunais estaduais também são generosas. Uma delas é o auxílio-alimentação no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), que acaba de ser aumentada, passando para R$ 3.546 por mês.

O auxílio-alimentação dos juízes maranhenses corresponderá a quase quatro vezes o valor do salário mínimo de 2019, fixado em R$ 1.006,00 a partir de janeiro. Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o corregedor nacional de Justiça, Humberto Martins, autorizou o reajuste nesta semana. Ontem, recuou. Quer agora que o plenário do CNJ delibere sobre o assunto. Ele já havia questionado os critérios para a concessão do benefício, que corresponde a 10% dos salários dos magistrados do Maranhão.

Os juízes maranhenses têm o penduricalho garantido por uma lei estadual e já ganharam aumento em 2017, para que o valor fosse equiparado ao dos promotores do estado. Antecessor de Martins, o ex-corregedor João Otávio Noronha vetara a mudança, mantendo R$ 726 fixos, independentemente do salário.

DISPARIDADES – Os benefícios concedidos a juízes estaduais pelo país revelam um quadro de disparidade e distorções nas modalidades e valores de auxílios recebidos. Isso se deve ao forte peso dos legisladores estaduais na definição dessas vantagens. Todos os estados pagam auxílio-alimentação aos juízes, mas os valores diferem bastante.

A disparidade também ocorria com o auxílio-moradia que, no Distrito Federal, está tabelado em pouco mais de R$ 4,3 mil. Em Rondônia, o benefício variava acima do teto, com valores entre R$ 4.964 e R$ 6.094. O penduricalho foi cancelado pelo STF e, depois, restabelecido parcialmente pelo CNJ.

MAIS “AUXÍLIOS” – Na última quarta-feira, um dia depois da aprovação das novas normas para o auxílio-moradia, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) também fixou o auxílio-alimentação em 10% dos salários dos magistrados — que aumentaram em efeito cascata de R$ 33 mil para R$ 39,2 mil. No Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), foram gastos R$ 28,8 milhões com o pagamento de um abono de Natal aos aposentados. O benefício ficou conhecido como “auxílio-peru”. Criado em 2007, é pago apenas aos inativos.

DESPESA MÉDIA – Pelos dados do Justiça em Números 2018 (ano-base 2017), a despesa média do Poder Judiciário por magistrado foi de aproximadamente R$ 48,5 mil, deduzidos os impostos. No ano passado, havia 18.168 magistrados no país, de acordo com o CNJ. Com as mudanças no auxílio-moradia, que foi destituído pelo STF e reformulado pelo CNJ, o máximo a ser recebido por juiz será R$ 4,3 mil. Apenas quem não possui imóvel terá direito ao benefício, por meio de ressarcimento. Para ter o valor depositado em conta, será necessário apresentar comprovante de pagamento de aluguel.

Para o professor de Direito Tributário da Universidade Federal de Goiás (UFG) Osmar do Nascimento, o auxílio-moradia tem caráter de verba indenizatória e é pago, por exemplo, quando um soldado do Exército é deslocado para a fronteira a trabalho. No caso do Judiciário, a situação era outra.

“Era salário indireto. Como não tinha caráter de reparação, era renda. A mudança poderá funcionar nesse sentido, mas é muito ingênuo pensar que alguém com R$ 40 mil de salário não consiga fixar residência. A tendência é que os magistrados deixem de investir em imóveis e continuem abocanhando o benefício”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– É vergonhoso que a Constituição não seja obedecida pelos próprios Tribunais e os juízes brasileiros sejam os mais bem pagos do mundo, com essa média de R$ 48,5 mil.  Há quem pense que Bolsonaro conseguirá eliminar essas distorções, mas é como dizia Johnny Alf, apenas “ilusão à toa”. (C.N.)

No governo Bolsonaro, Piauí perde a primeira

Valdemar Rodrigues: reconhecido nacionalmente pelo trabalho ambiental, foi preterido na indicação à presidência do IBAMA

Por:Fenelon Rocha

O perdeu o primeiro embate para emplacar um nome em função de referência no Governo Bolsonaro, que começa em dez dias. Ontem, o futuro ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, anunciou o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O órgão será comandado pelo procurador federal Eduardo Bim. Havia uma expectativa que o posto pudesse ser ocupado pelo piauiense Valdemar Rodrigues.

Valdemar Rodrigues tem altíssima credencial técnica: é um dos maiores especialistas do país no tema da desertificação. Foi professor da UFPI e ganhou projeção por seus estudos sobre a desertificação na região de Gilbués, garantindo a Valdemar espaço em grandes fóruns internacionais. Atualmente, está no Ministério do Meio Ambiente cuidando exatamente dessa área.

 

A indicação de Valdemar era defendida por diversos interlocutores ligados ao meio ambiente no país e, obviamente, pelos piauienses mais próximos do staff de Bolsonaro. Mas Sales preferiu escolher Bim, que também ocupa espaço dentro do atual governo, ainda que sem as mesmas credenciais técnicas de Valdemar. Neste primeiro embate, o Piauí ficou a ver navios.

Outros cargos em disputa
Mas o Piauí ainda está na disputa por cargos nacionais. E um deles é exatamente um posto que atualmente tem outro piauiense no lugar: a presidência da Codevasf, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba. Atualmente o posto é ocupado por Avelino Neiva. O staff de Bolsonaro tem agora um outro piauiense na lista de cotados para a função.

Vale observar, a Codevasf tem um papel estratégico para o Nordeste. E pode ter uma grande contribuição para a transformação da região e mais ainda do Piauí, tanto no que diz respeito à garantia de abastecimento d’água para comunidades rurais como para o fortalecimento de políticas de segurança hídricas e ações de desenvolvimento regional. Para se ter uma ideia, só uma única cidade do Piauí não está na área de influência da Codevasf – é Cajueiro da Praia. Todas as demais podem ser beneficiadas pelo órgão.

Dois cargos locais já têm donos 
A disputa por espaços não se restringe aos cargos de alcance federal. Longe disso. Na verdade, o que mais interessa aos políticos locais são os cargos federais de atuação no Estado. São quase 30 cargos, mas ainda não se sabe se todos sobreviverão. Dos que permanecem, dois já têm dono.

O senador Elmano Ferrer (PODE) vai manter o comando do DNIT, embora não esteja assegurada a permanência de Ribamar Bastos. No INSS, Ney Ferraz deve ficar onde está, com uma curiosidade: ele chegou ao cargo pelas mãos de Rodrigo Martins (PSB) e, quando Rodrigo rompeu com o governo Temer e entregou o cargo, ele foi mantido através de um novo padrinho, Ciro Nogueira (PP). Agora não terá o aval de Ciro, mas dos bolsonaristas  piauienses.

Jeep Club do Piauí – Confraternização Natalina

Por: Benedito Gomes

O Jeep Club do Piauí, como associação dinâmica, filantrópica e recreativa, está sempre um passo à frente do dia a dia de cada um. Como dinâmica, está sempre criando algo que dê motivação ao grupo; na filantropia, está sempre ao lado dos menos favorecidos e contribui com o necessário, dentro do possível; na recreação se divide em duas: nossas reuniões acontecem todas as quintas-feiras, de janeiro a janeiro. Aproveitamos para diversão e trabalho.

Em um dia qualquer do mês de dezembro nos reunimos para nossa confraternização natalina. Procuramos sempre um local respeitado, saudável e de fino trato. Este ano o local escolhido foi o Restaurante Don Ladino, aprovado antecipadamente por todos os jipeiros e jipeiras. A data escolhida foi 14 de dezembro. Chegada a partir das 20 horas, tempo indeterminado, sem horário para sair.

Um a um, dois a dois, três a três, jipeiros e jipeiras foram chegando, ocupando os assentos reservados para nós e em pouco tempo tudo era festa e alegria.

A noite no Don Ladino foi do Jeep Club. Alegria contagiante, envolvia todos. Em cada rosto um sorriso; em cada aperto de mão, a confiança no amigo e em cada olhar a certeza do dever cumprido. A satisfação era total, até quem não foi convidado apareceu. O famoso “amigo oculto” distribuiu presentes e foi embora. Continuamos com mesas fartas, bebidas, sucos, camarões e salgadinhos. O jantar foi mais um ponto alto: peru suculento, filé ao molho madeira, arroz, salada, e não sei mais o quê, satisfez a todos, até os mais exigentes. Já era madrugada, mesmo com vontade de ficar um pouco mais, o corpo e a consciência nos mostravam a porta de saída e o caminho de volta.

Naquele momento, nos levantamos e de pé agradecemos aqueles gentis e educados funcionários que tão bem nos serviram em nossa confraternização natalina. Na saída nos abraçamos, alegres e felizes por mais uma noite de “companheirismo e aventura” no Jeep Club do Piauí.

(*)Benedito Gomes

Contador-UFPI

Carnaval no Natal

Por:Zózimo Tavares

O ministro Marco Aurélio Melo, do Supremo Tribunal Federal, deu ontem o cavalo de pau no próprio STF e, em decisão monocrática, deferiu liminar determinando a suspensão de execução de pena nas condenações que não tenham transitado em julgado.

A decisão refere-se a sentenciados com pedido de apelação criminal que tenham sido presos antes de seu exame.

De acordo com a decisão, a prisão preventiva só deve ocorrer nos casos enquadráveis no artigo 312 do Código de Processo Penal (CPP) – ou seja, quando for necessária para a garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria.

O ministro salientou que, levando em conta o previsto no artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal, ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.

O ministro Marco Aurélio salientou, ainda, que, embora a concessão de cautelar em ação de controle de constitucionalidade seja medida excepcional, a demora em apreciar o pedido, liberado para pauta em abril de 2018 e com julgamento marcado para abril de 2019, constitui no caso dos autos circunstância a autorizar a excepcional atuação unipessoal do relator.

Facada na Lava Jato

A decisão do minisro Marco Aurléio não durou 24 horas. Depois de ser interpretada como uma porta escancarada para a soltura imediata dos presos condenados em segunda instância, ela foi derrubada ontem mesmo pelo presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, em atendimento a recurso da procuradora-geral da Repúbllica, Raquel Dodge.

O presidente do Supremo afirmou que a decisão de seu colega colocava em risco a ordem pública.Toffoli argumentou também que ela contrariava a “decisão soberana” do plenário do STF sobre a questão da prisão em segunda instância.

Os petistas chegaram a festejar o ato de Marco Aurélio, na suposição de que o ex-presidente Lula fosse passar as festas de fim de ano em casa, pois ele estaria entre os 169 mil beneficiados por esse carnaval fora de época para os 169 mil condenados em segunda instância. Um carnaval em pleno Natal. Uma facada na Lava-Jato.

(Com informações do STF)

Presidente da subseção OAB/Parnaíba fazendo tempestade em copo d`água???

POR: BERNARDO SILVA

Não sei e nem quero saber da intenção do ilustríssimo presidente da subseção da OAB Parnaíba, Sr. José Lima, ao divulgar ontem(17)uma nota, recorrendo indevidamente à lei de imprensa (sic), chamando para si os holofotes, simplesmente porque divulguei sexta-feira passada, na minha página pessoal no facebook, o seguinte comentário:Casamento comunitário na quadra Roland Jacob. Mais um trabalho de elevado alcance social realizado pela SEDESC e parceiros, sob o comando de dona Adalgisa Moraes Souza.”

Fiz isso ali, em tempo real, enquanto o evento acontecia. Fiz sem nenhuma intenção de tirar os méritos de nenhum dos organismos envolvidos, até porque, além da Sedesc, falei dos parceiros. E entendo que o importante não era quem estava realizando o evento, mas o alcance social da ação, a felicidade proporcionada aos casais, que ainda não haviam oficializado sua união por falta das condições que lhes foram proporcionadas pela OAB, Tribunal de Justiça, Cartório Rubenito Furtado, e SEDESC, sim, que colocou toda a sua estrutura a fim de que o evento tivesse o tamanho que teve.

O Dr. Lima estaria vendo visagem quando disse que eu, Bernardo Silva, professor e jornalista, prestei um “desserviço” porque publiquei o comentário acima (em negrito), na minha página pessoal? Sim, porque em todas as matérias divulgadas e assinadas no site da Prefeitura, de autoria de Bruno Santa e noblogdobsilva, de autoria da jornalista Camila Neto, o nome de todos os parceiros foi citado, como das outras vezes em que nenhuma celeuma foi causada. Por que agora o brilhante advogado José Lima se volta contra mim? Qual o seu problema, Excelência?!!!

  Presidente da OAB/Parnaíba José Lima

Não houve, como o Senhor diz em sua nota absurda, nenhuma TENTATIVA de USO POLÍTICO-ELEITORAL da OAB e do projeto CASAMENTO COMUNITÁRIO. A OAB é um órgão importante, que deveria divulgar o que faz, como me foi dito, pelo Excelentíssimo José Lima, que ações importantes estão sendo realizadas com relação ao Abrigo dos Velhos, por exemplo, e que não é dada a devida publicidade. Será porque o Abrigo São José é uma das grandes omissões do governo do Estado em Parna��ba?

E eu nem estava disposto a dar bola para o que foi divulgado, mas, como os blogs de uns abestados aí, ligados ao PT, quiseram maximizar as coisas, resolvi aceitar a provocação. Dizer a eles que não menti (Portal do Bikanca),quando falei do elevado alcance social do casamento comunitário. Mas aproveito para colocar o blogdobsilva à disposição para divulgar as ações realizadas pela atual gestão da subseção OAB Parnaíba, cujo mandato está terminando e desejar sucesso aos que vão assumir. Tenho dito!

Metade dos municípios encerra o ano no vermelho

Por:Fenelon Rocha

A Associação Piauiense dos Municípios, a APPM, elege nesta segunda o presidente da entidade para os próximos dois anos. Não haverá disputa: o atual vice-presidente, Jonas Moura, prefeito de Água Branca, será escolhido para substituir Gil Carlos, prefeito de São João. Jonas vai assumir em um momento crítico para os municípios, e tendo à frente um cenário futuro não muito claro. Cristalino, mesmo, só o aperto nas gestões municipais.

Levantamento da Confederação Nacional dos Municípios aponta a gravidade da situação. Na pesquisa, a CNM ouviu 4.559 dos 5,6 mil prefeitos municipais, um trabalho realizado através das associações estaduais – no caso do Piauí, o levantamento foi realizado pela APPM, através de WhatsApp. Dos 4.559 ouvidos, metade reconhece que tem atraso com fornecedores. Os problemas financeiros não param aí.

As administrações municipais somam cerca de 6 milhões de funcionários, que deveriam receber R$ 22,8 bilhões através do 13º salário. Mas uma boa fatia ou vai receber só a primeira parcela ou, pior, vai ter o abono de final de ano em diversas parcelas. Ainda segundo a CNM, 31,7% dos gestores ouvidos admitiram que enfrentam dificuldades financeiras neste final de ano. Traduzindo: vão apelar para o que na linguagem bodegueira se traduziria com um “dipindura”. Devem, não negam e pagam se (e quando) puderem.

Prefeitos do Piauí vivem aperto
No Piauí o levantamento da APPM mostra que é pequeno o número de municípios em atraso, pelo menos, dos salários. Vírgula: atraso pequeno no caso dos servidores efetivos. Já aqueles em funções gratificadas, o atrasado é grande. Estão nos cargos, em geral, por indicação política. Se reclamam, perdem o lugar para outro. Em sendo assim, ficam calados. A avaliação é que o aperto alcança bem mais que a metade dos prefeitos.

O quadro que Jonas receberá à frente da APPM é, de fato, o mesmo já recebido por Gil Carlos há dois anos. As prefeituras têm problemas sérios. A grande maioria é resultado da falta de recursos para um extenso leque de atribuições. Outra parte menor é fruto da pouca seriedade no trato com a coisa pública. Essa realidade diminuiu, mas segue bem presente.

Muitos prefeitos ainda priorizam ‘o circo’
Nos últimos anos, a APPM até que fez recomendações de controle de gastos. Mas muitos prefeitos não levaram em conta. Fazia especialmente uma recomendação: evitem as festas, se elas comprometem gastos essenciais. Mas as festas seguiram acontecendo em muitos municípios onde o aperto era (e ainda é) óbvio. A tese do “dar pão e circo”.

O resultado é que muitos deixaram de pagar fornecedores, outros esqueceram os terceirizados e há até quem esteja em dívida com o servidor efetivo. Dessa forma, ficou o circo e faltou pão. Outro problema é que a maior parte dos municípios não tem estratégias para gerar receitas independente do setor público – como o incentivo à produção de novos negócios. Nada. A maior parte se preocupa só com os repasses. E, assim, o pires na mão segue sendo a estratégia mais usada.

“Bolsonaro é resposta tosca, mas não ameaça a democracia”, diz Mangabeira

Mangabeira Unger explica a derrota de Ciro Gomes

Carolina Linhares
Folha

Para o filósofo Roberto Mangabeira Unger, a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) é uma resposta tosca a uma aspiração legítima do Brasil profundo de botar para quebrar. O professor da Universidade Harvard (EUA) critica a hegemonia do PT, de Lula. “Como eles vão liderar? Eles se esborracham porque não compreenderam o que o país queria”. Amigo e guru de Ciro Gomes (PDT), ele assume erros na campanha.

Qual o significado da eleição de 2018?
Foi um plebiscito sobre a volta do PT. A maioria decisiva dos brasileiros estava disposta a pagar quase qualquer preço para evitar o retorno do PT. O PT e o Lula deveriam ter tido a grandeza de reconhecer que a maioria dos brasileiros não aceitaria a volta do PT. Não havia qualquer chance de vitória do candidato do PT, mesmo que Lula pudesse ter sido candidato. O natural é que o PT desde o início tivesse apoiado Ciro.

E por que Ciro não venceu?
Ciro e nós, seus aliados, cometemos um erro. Havia dois caminhos. Um era acertar-se com Lula e com o PT. Aceitar ser vice de Lula para depois virar cabeça de chapa. Havia objeções a isso, devido à diferença entre os projetos par o país e à falta de confiança nos acertos do PT, que tem uma longa história de dar rasteiras. Esse caminho tinha uma consistência tática. O outro caminho era romper desde o início com o PT. Deixar clara a diferença de projeto e oferecer-se ao eleitorado como uma alternativa mais confiável do que Bolsonaro. O erro foi ficar no meio termo. Muitos até o final continuaram a achar que o Ciro era um homem de Lula. Isso é que foi fatal.

Ao não declarar apoio a Haddad no segundo turno, Ciro buscou esse afastamento?
Tarde demais para superar os males gerados por essa ambiguidade. Ciro passou muito tempo explicando-se para as classes ilustradas e endinheiradas, que na maioria jamais votariam nele, em vez de buscar o povão.

Qual dos caminhos que o sr. mencionou para Ciro era melhor?
Os dois tinham consistência. Se ele escolhesse o acerto com o PT, não havia nenhum risco de que, no poder, ele se conduziria como instrumento do lulismo. Eu advoguei essa alternativa.

O sr. não disse que tem que correr fora da raia do lulismo?
Você está fazendo confusão. Uma coisa é o caminho tático. Nós não escolhemos as circunstâncias. Se fosse o primeiro caminho, haveria o problema da confusão da população, porque ficaria manifesto que o Ciro tem um outro projeto.

Mas ele seria eleito?
Com grande chances, com o apoio de Lula, mas sendo não-Lula e sendo quem é, inconfundível com poste, teria grandes chances. O [caminho] preferível teria sido começar de lá de trás essa pedagogia da diferença.

O sr. disse que é preciso correr fora da raia do lulismo…
Eu não disse isso, Fernando Haddad atribuiu essa frase a mim, porque ele confundiu duas coisas: a questão tática com a questão de fundo. Sinceramente eu acho que ele, meu amigo, até hoje não compreende a diferença substantiva dos projetos.

Como o sr. explica a ascensão de Bolsonaro?
PSDB e PT juntos, duas cabeças da mesma serpente, conduziram o Brasil por uma lógica da cooptação. Cada parte do país foi comprada, a corrupção foi apenas um dos vários corolários desse sistema. Intuitivamente o Brasil buscava passar da lógica da cooptação para a lógica do empoderamento. E por trás dessa rejeição ao PT havia o repúdio à lógica da cooptação. O modelo que chamamos de nacional consumismo democratizou a economia do lado da demanda e do consumo, não do lado da produção. O agente social mais importante do Brasil, os emergentes, é órfão de projeto político. Não é apenas a pequena burguesia empreendedora mestiça, morena, que vem de baixo. É também uma multidão de trabalhadores pobres que vê nos emergentes a vanguarda. Essa é a cara do Brasil profundo.

A esquerda abandonou essa população?
Chamar de esquerda o PT é muito esquisito. Porque esse nacional consumismo não tinha qualquer projeto de mudança estrutural. A parte social é o açúcar com que se pretendia dourar a pílula do modelo econômico. Esse Brasil profundo quer desesperadamente mais do que açúcar. Quer instrumento e oportunidade. Quer botar pra quebrar, criar, construir, inovar, ser gente. ​Bolsonaro é o beneficiário acidental desse desejo frustrado. Acidental não é para desmerecer o esforço que ele fez durante anos de construir um discurso e canais para esse Brasil desconhecido, que é o agente decisivo hoje.

Bolsonaro teve essa estratégia ou foi sem querer?
Intuitivamente sim [teve estratégia]. Oferece soluções simplistas, mas que no imaginário apelavam para uma ideia de libertação e merecimento. Era a forma simplista e até distorcida e mentirosa de uma aspiração legítima.

Por que o PT não apoiou Ciro?
Tudo indica que preferiam perder o poder à direita a perder a hegemonia na esquerda. Por soberba, sobrevalorizando a sua influência sobre a população e subvalorizando a descoberta pelo povo brasileiro da insuficiência do projeto petista. Um povo farto da lógica da cooptação nacional consumismo e buscando o empoderamento. Isso era o mais difícil de eles aceitarem porque seria uma crítica fundamental a eles mesmos..

Bolsonaro fará um bom governo?
Me parece promissor, e falo como opositor, a ideia de impor o capitalismo aos capitalistas. Nem de longe é condição suficiente para o modelo de desenvolvimento que precisamos, mas é condição preliminar. A radicalização da concorrência, quebra dos cartéis, a destruição dos favores dados aos graúdos pelos bancos públicos. E de oferecer aos emergentes um projeto político que responde às aspirações deles. Considero que a resposta é tosca e que irá frustrar parte da população. Mas é melhor do que nada. O que era intolerável no nosso país é que o agente social mais importante estivesse alienado da política e não se sentisse representado.

Bolsonaro não é o experimentalismo radical?
Não. Não é a ideia de que existe a forma simplista de acabar com a bagunça. A ordem na sala de aula, a força contra crime, é o presidente não comprar os partidos. Não é acabar com a bagunça, é transformá-la numa anarquia criadora. Não vamos impor ao país uma camisa de força. A severidade moralizante, a fórmula pronta, o revólver, a ordem patriarcal. Tudo isso é uma fantasia arcaica, de que há um atalho, uma maneira simples de encontrar esse futuro que queremos. O Brasil vai descobrir que esse atalho não funciona, mesmo assim eu julgo que essa primeira onda será útil ao país e talvez, retrospectivamente, venhamos a pensar que ela foi necessária.

Bolsonaro é uma ameaça à democracia?
Não vejo qualquer indício concreto de ameaça direta à democracia. Em Harvard, meus colegas me abraçam em solidariedade porque passa por lá que Mussolini assumiu o poder. Não é nada disso. O risco que nos ronda não é a ditadura fascista, é a perpetuação da mediocridade. O risco à democracia pode haver depois, por sucessivas frustrações dessas aspirações dos emergentes, de empoderamento.

Como vê Sérgio Moro no Ministério da Justiça?
Outro aspecto positivo de Bolsonaro é a desorganização dos acertos entre oligarquia do poder e oligarquia do dinheiro. Moro pode ser útil nisso. Muito bom para o país. Desde que não caiamos sob o governo dos juízes, que não têm eficácia ou legitimidade para governar. Eles são úteis ao país para abrir o espaço cívico e impedir que ele seja corrompido, mas não para ocupá-lo.

O que acha da política externa de Bolsonaro?
Há duas vozes dominantes na política exterior brasileira. A primeira é a da política exterior como sucursal da UNE. É retórica, nunca foi real. Por exemplo, nos assuntos da Defesa, o Brasil é um protetorado dos EUA e o PT nunca levantou um dedo para mudar isso. A outra voz é a política exterior como sucursal da Fiesp. É um bazar para vender os nossos produtos. O que eu temo é que a política exterior do governo Bolsonaro venha a ser a continuação da mesma coisa, a justaposição dos dois erros. É o simbólico com sinal trocado, em vez de anti-imperialismo é antiglobalismo. Um tão ruim quanto o outro. Justaposto ao pequeno mercantilismo. É um bazar permanente.

E a relação com os EUA?
De um lado, dizemos “vamos ser como eles”. Eles buscam grandeza, nós vamos buscar grandeza. E qual a fórmula da grandeza? É nos subordinar a eles. Isso é algo que não passa, justificado por essa retórica confusa do antiglobalismo. É a ambiguidade do discurso do Bolsonaro. Não está só trocando o sinal, passando de uma política ideológica para outra e não concebendo a política exterior como política de estado. Estão usando a política exterior como se fosse o reino do simbólico. Os astrólogos escolherem chanceleres. Isso só aconteceu na Babilônia há três mil anos.

Cinquenta anos depois do Ato 5, Zuenir Ventura ilumina as trevas do passado

Pedro do Coutto

Autor do livro “1968 – O Ano Que Não Acabou”, em entrevista à repórter Laura Mattos, edição de ontem da Folha de São Paulo, o jornalista Zuenir Ventura relembra no presente o profundo golpe que atingiu a sociedade brasileira na noite trágica de 13 de dezembro. Importante a trajetória histórica de um registro para que fique impresso na memória das gerações de hoje e das gerações que virão no amanhã.

Foi quando a democracia brasileira tombou por completo, a começar pelo escanteio a que foi conduzido o vice-presidente Pedro Aleixo. Por incrível que pareça o deputado udenista Pedro Aleixo era o vice presidente de Costa e Silva. Neste ponto não restava mais dúvida da longa noite de horrores que tornou difícil de respirar tão graves eram os temores que desciam na vida do país. O presidente Costa e Silva, na noite de 13 de dezembro, recebia poderes totais, explodindo o regime democrático.

PRISIONEIRO – Recebeu poderes totais, porém não os exercia por si só, tornara-se prisioneiro do poder militar. Zuenir Ventura, para mim, com seu livro, tornou-se ao mesmo tempo uma das principais testemunhas da história moderna do Brasil. Seu registro sobre 1968 será incorporado à memória nacional e já é objeto, tenho certeza, de pesquisas que estão sendo feitas pelas gerações do futuro.

O comando militar passou a ser exercido em toda sua plenitude e recebeu estranhas adesões por parte de setores que representavam longínqua minoria em face da realidade nacional que fica escrita na história com tintas de sangue e de alucinação.

QUEDA DE JANGO – Houve contradições entre aqueles que apoiaram e até lideraram o Ato nº 1, que marcou a deposição do presidente João Goulart e iniciou um processo em que as liberdades democráticas foram sendo substituídas por restrições do poder militar.

Uma das contradições refere-se ao ex-governador Carlos Lacerda, o principal líder civil do movimento de 1964 e que naquela noite de dezembro foi preso pelo movimento que ele próprio liderou. Ficou claro que o poder militar, que derrubara Jango para livrar o país de um desfecho subversivo, passou a assumir então uma estrada que afastava os civis do comando da Nação.

NA PRISÃO – Testemunha do arbítrio, Zuenir esteve preso durante três meses. Mas deixa para sempre sua visão e sua interpretação dos fatos que marcaram a história moderna do Brasil.

Jornalista, escritor e tradutor da realidade, ele cumpre seu compromisso histórico para consigo mesmo e principalmente para os que vierem depois de nós.

Saúde no Piauí: “Casas de horrores”

Por:Arimatéia Azevedo

Está em grupos de redes sociais a notícia de que um homem fez cirurgia num dedo no hospital Tibério Nunes, na cidade de Floriano, pegou uma bactéria, e está em estado vegetativo. Ele é da cidade de Canto do Buriti, acidentou-se no trabalho, com um corte no dedo e teve que ser levado para Floriano. Lá esperou 14 dias para ser submetido à cirurgia.

No procedimento José Venceslau Cavalcante sofreu uma parada cardíaca que, segundo médicos, teria sido causada por uma alergia à anestesia. Essa versão, entretanto, está sendo contestada por uma irmã do paciente, mas diante de tudo que já se ouviu sobre a saúde pública do Estado, só revela aquilo que já se discutiu à exaustão: os hospitais públicos do Piauí estão se transformando em casas de horrores, lamentavelmente, para quem procura salvar sua própria vida.

Paradoxalmente, já se ouviu da boca até do deputado Assis Carvalho, que nos governos petistas se apresenta como a maior autoridade na Saúde, por deter o poder de mando, de que entre todos os hospitais públicos regionais, o de Floriano seria a melhor referência. Francamente, se isso for verdade, ou melhor, se essa declaração for levada em conta, é razoável adiantar às famílias dos pacientes começarem a adquirir seus lotes para a última morada nos cemitérios de suas cidades. Porque, o leitor há de convir, dá até medo imaginar como andam os outros hospitais mantidos pelo governo.

O desequilíbrio da Corte Suprema e a raiz da vergonha!

Por: Fernando Gomes(*)

No último dia 4 de dezembro, em um voo de São Paulo para Brasília, o advogado Cristiano Caiado Acioli, 39 anos, se dirige a um ilustre passageiro e diz: “Ministro Lewandowski, o Supremo é uma vergonha, viu? Eu tenho vergonha de ser brasileiro quando vejo vocês”. O Ministro chama a Polícia Federal (PF) que o detém e leva-o para a Superintendência da PF em Brasília, onde foi ouvido e depois liberado.

Para o juiz André Augusto Salvador Bezerra, da Associação Juízes para a Democracia, o que justificaria a detenção do passageiro seria o crime de desacato. ” O que deve ser discutido é se houve uma mera liberdade de expressão ou se houve um abuso da liberdade de expressão”, disse. O juiz explica que desacato é quando uma pessoa abusa de sua liberdade de expressão para ofender um agente público.

A imprensa noticiou que o advogado é eleitor de Bolsonaro e por isso o desqualifica na crítica. Esse é um dos males do país, tudo se politiza, fulaniza. As análises são veiculadas com superficialidade, guardados os interesses maiores. Porém, reparada toda e qualquer observação do episódio em si, dever-se-ia (imprensa e sociedade) aproveitar o fato e ir para além das aparentes questões reveladas no caso. Que lições pode-se tirar disso tudo?!

Por que o advogado “desacatou” o ministro? Como se escolhem os Ministros do STF? Como têm sido as decisões de Lewandowski? O STF tem sido justo e mantido o equilíbrio institucional brasileiro? Ou estaria aqui a origem de muitos problemas do país, inclusive o caso reportado?

John Locke, na Inglaterra, em seu “Segundo Tratado sobre o Governo Civil” (1690) expressa sua posição contra o poder absolutista (contexto da época), com argumentos que mostram que o governo emana da sociedade e que, junto com a lei, deve ser usado para o bem comum. Surge a ideia de separação dos poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Mais tarde, formulada mais claramente e aprofundada por Montesquieu, na França, com sua célebre obra “O Espírito das Leis” (1748).

Desde sempre, na história da Humanidade, houve espaço para abusos de autoridade e julgamentos injustos. Por isso é importante o equilíbrio entre os Poderes. A rigorosa divisão entre eles e o mecanismo de freios e contrapesos garantem o controle dos abusos e ao mesmo tempo o exercício das funções com independência e autonomia. Mas como um poder ter autonomia se seus membros são indicados por outro?

O STF é composto por 11 Ministros que são nomeados pelo Presidente da República, após uma sabatina “pro forma” do Senado. É um cargo vitalício cheio de mordomias (cabe um capítulo à parte). São super-heróis que dão a última palavra nas principais decisões e resoluções do país. Os ministros e seus indicadores são: Celso de Mello (Sarney, 1989); Marco Aurélio Mello (Collor, 1990); Gilmar Mendes (FHC, 2002); Cármen Lúcia (Lula, 2006); Ricardo Lewandowski (Lula, 2006); Dias Toffoli (Lula, 2009); Luiz Fux (Dilma, 2011); Rosa Weber (Dilma, 2011); Luís Roberto Barroso (Dilma, 2013); Luiz Edson Fachin (Dilma, 2015); Alexandre de Moraes (Temer, 2017). Como votar contra os interesses de quem o indica?

O STF deixa de se pautar pelo texto constitucional e passa a representar a vontade política de onze indivíduos, com as peculiaridades umbilicais de quem os indicou, em muitos casos. A divisão política entre os ex-presidentes se reflete no STF, onde os ministros votam ao sabor das conveniências ideológicas. Isso enfraquece a autoridade, o prestígio moral das decisões e quebra a uniformidade dos julgados. Uma farra de liminares concedidas monocraticamente por um ministro contraria o devido processo legal que apura e condena corruptos. Muitos criminosos já foram soltos por graça e ordem de Gilmar e Lewandowski.

Usando um exemplo, o caso José Dirceu. No último dia 26 de junho, a 2ª Turma do Supremo decidiu soltá-lo, condenado a mais de 30 anos de prisão por corrupção. O habeas corpus, concedido de ofício, demarcou a trincheira existente hoje entre ministros da 1ª e da 2ª Turma do STF. Na verdade, praticamente uma trincheira entre três ministros – Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski – e o restante do tribunal. Se o caso Dirceu fosse julgado na 1ª Turma ou no plenário do STF, o resultado seria diferente. Ué, a interpretação da Lei Constitucional não deveria ser a mesma?

Uma reforma que toque no processo de escolha e estabeleça um tempo de mandato parece ser uma necessidade premente ao país. Na Itália, por exemplo, a Corte Constitucional é composta por quinze (15) juízes, sendo cinco deles nomeados pelo Presidente da República (poder Executivo), cinco pelo Parlamento em sessão reunida e com votação por maioria qualificada (poder Legislativo) e os cinco restantes nomeados pelas magistraturas superiores (poder Judiciário).

No projeto de “reforma política” votado no ano passado, propunha-se o mandato de 10 (dez) anos para os ministros do STF. Entretanto, foi uma das primeiras pautas retiradas do projeto. Tempos estranhos! Porém, esse debate deve ser colocado em pauta e aberto para toda a sociedade.

Montesquieu temia uma tirania do judiciário, caso cumulasse em si as funções que deveriam ser exercidas pelos demais poderes – “se estivesse unido ao poder legislativo, o poder sobre a vida e a liberdade dos cidadãos seria arbitrário, pois o juiz seria legislador; se estivesse unido ao executivo, o juiz poderia ter a força de um opressor”. Estaria ele antevendo alguma coisa para além do seu tempo?

(*) Fernando Gomes, sociólogo, eleitor, cidadão e contribuinte parnaibano.

Vamos torcer para que Bolsonaro não tente misturar política com religião

Antonio Delfim Netto

Provavelmente, nem a arrogância do mais pretensioso intelectual permita-lhe afirmar que as mais recentes descobertas científicas deem uma resposta aceitável ao problema fundamental que o homem se colocou desde sempre: qual o significado do universo que o cerca e qual o seu papel nele?

Como tinha necessidade intrínseca de encontrá-la, uma vez que a sua própria sobrevivência física dependia da natureza dessa resposta, procurou conforto numa “crença”, numa “religião”, que estabelece a ordem, a estabilidade e a previsibilidade nas relações sociais, produzidas por restrições às ações de cada um, dispostas por um ser divino benevolente que controla a ordem do mundo.

PAPEL DA IGREJA – Trata-se de um sentimento profundo e robusto —isto é, de uma fé— que dispensa qualquer prova material porque conforta e dá esperanças ao seu portador. Foi esse o papel da Igreja Católica durante muitos anos, antes de que ela se “intelectualizasse” e se afastasse do povo.

É preciso — sem preconceitos — reconhecer que seu lugar hoje é ocupado pelas igrejas evangélicas, cujo sucesso é a prova material de que estão mais antenadas com as novas realidades.

O conhecimento “científico” (isto é, a ciência) exige o oposto: a dúvida permanente, a busca interminável de recusar o que se supõe conhecido e aceitá-lo, provisoriamente, enquanto não for negado empiricamente. Como disse Popper, “o homem não pode conhecer, mas apenas conjecturar”.

SEM CONTRADIÇÕES – Não há, necessariamente, nenhuma contradição entre essas atitudes. É possível ser, ao mesmo tempo, um bom católico, um honesto protestante pentecostal ou um gentil muçulmano na vida privada (o que exige humildade) e um brilhante cientista da vida pública (orgulhoso de seus feitos), desde que estas esferas continuem separadas. A confusão entre elas anula as suas virtudes e pode ter consequências desagradáveis.

A ação pública resolve-se no campo da política que procura a solução dos conflitos através do razoável consenso coletivo, do respeito à opinião do “outro” e da recusa a todo abuso de poder que discrimine minorias em resposta ao “pretendido” conhecimento da “vontade da maioria”. O seu instrumento é a construção de uma república democrática sem adjetivos, como a que está implícita na Constituição de 1988.

VIDA PRIVADA – Um exemplo dessa confusão é a intromissão dos evangélicos nas políticas públicas de gênero. É melhor respeitar e deixar cada um a vida privada que mais o conforta.

Bolsonaro foi eleito por um velho movimento cíclico de “mudar tudo o que está aí”, que se repete de tempos em tempos. Torçamos para que o cumpra e não meta a religião na política pública, o que pode desviá-lo de seu objetivo.