Importante é ter sangue bom

 

Por:José Adalberto Ribeiro 

Nova política?! Velha política?! Novelha política?! Zumbis?! Lobos, raposas, lobisomens?! O importante é ter sangue bom.

Há sempre um pouco de novo em cada velho. Há sempre um pouco de velho em cada novo.

Meu guru filosófico Nelson Rodrigues costumava dizer: “Jovens, envelheçam!” Meu sonho de consumo é ser um jovem Matusalém.  

O Império estava velhíssimo em 1889. Os liberais proclamaram a República. Foi golpe, protestaram os monarquistas. Os libertários mataram e esfolaram os jagunços do beato Antônio Conselheiro em nome dos novos ideais republicanos. Foi a maior carnificina na história da nascente República.

Nos idos de 1937 Getúlio Vargas decretou a ditadura do Estado Novo. Veio da República Velha, das oligarquias rurais, chamada de República dos Carcomidos. Ser chamado de carcomido era uma ofensa tipo ser chamado de petista ou comunista, com licença das palavras.

Ah saudades do velhinho Tancredo Neves! Proclamou a Nova República em 1985 depois de ser eleito, via indireta, pelo Colégio Eleitoral. Mas, a vida é uma vela acesa. O velhinho apagou-se. Os marimbondos de fogo de Ribamar Sarney entraram na linha. A Nova República virou Novelha. Ribamar tinha bigodes de vassoura do tamanho do Maranhão. Hoje é uma múmia. O Maranhão é o Egito.

Aqui nesta terra dos altos coqueiros, “Nova Roma de bravos guerreiros”, as torcidas de Arraes e José Múcio Monteiro cantavam o refrão em 1986: “O velho é o novo, o novo é o velho”. Zé Múcio foi rotulado de velhinho na florescência da idade. Arraes rejuvenesceu e ganhou a eleição.

Hoje Zé Múcio é um jovem ministro do Tribunal de Contas da União, cada dia mais jovem e mais rio formoso.

Eu sou um cara da Jovem Guarda. Eu sou um cara seminovo.

A jovem guarda envelheceu? Tô nem aí. Envelheceu para vocês que são uns ingratos, mas permanece vivinha da silva no meu coração juvenil. “Quero que você me aqueça neste inverno e que tudo mais vai pro inferno!”

A palavra Novo é sedutora. O verbo Seduzir também é sedutor. Os tutanos, as tripas das palavras escondem mistérios.

Nova política, novelha política ou velha política?! Ai vareia. Mais importante é saber a natureza da onda, é ter sangue bom. É nóis,  bicho, vamos nessa onda!

Dia do Meio Ambiente, comemorar o que em Parnaíba?

Por:Fernando Gomes(*)

O município de Parnaíba – PI localiza-se na bacia hidrográfica do Rio Parnaíba, este que se divide em vários braços formando o belíssimo Delta do Parnaíba, o único em mar aberto das Américas e o terceiro maior do mundo, só perdendo para o do Nilo, no Egito; e o do Mekong, no sudeste asiático. Uma das cinco barras é o rio Igaraçu, único em solo piauiense, as outras quatro barras: Canárias, Caju, Melancieiras e Tutóia, ficam do lado maranhense.

No que pese a importância da biodiversidade local, seus atrativos naturais, Parnaíba – PI possui muitas potencialidades, além de contar com uma localização geográfica privilegiada. Desponta como uma das mais belas cidades do meio norte do Brasil e com perspectivas de crescimento e destaque em diversas áreas da economia, cultura e meio ambiente.

O município está inserido dentro de uma Unidade de Conservação Federal, a APA Delta do Parnaíba, apesar de tudo isso, a gestão local não tem investido em novas estratégias para o desenvolvimento sustentável. Predomina a velha prática política do compadrio e improvisação!

Mas é preciso vencer essa mácula administrativa que o município enfrentou e enfrenta em sua história, com poucos casos a se excetuar. Parnaíba mergulhou em sucessivos problemas de gestão que se caracterizam por um modelo que mais se assemelha ao mandonismo e coronelismo. Um modo de “fazer política”, de cuidar da “coisa pública”, embasado geralmente na associação estabelecida dos profissionais da política com práticas patrimonialistas, com domínio familiar, com laços de dependência e reciprocidade com o poder central, com resquícios de instrumentos tradicionais de mando político.

O momento atual exige a divisão de competências que deve incluir novos modelos de gestão, com novos componentes nas políticas públicas e relações integradas entre os setores públicos (nas três esferas de poder) e o privado. A participação e o controle social devem ganhar contornos propulsores da governança local, com foco na dimensão socioambiental.

Por isso, Parnaíba carece de intervenção! E a questão ambiental pode ser o eixo norteador da construção de um novo modelo de gestão que se alinhe à sustentabilidade. Esta é o paradigma do mundo moderno que põe em xeque o atual modelo de organização da sociedade que privilegia o aspecto econômico em detrimento do social e do ambiental. Pressupõe um alinhamento entre estas três dimensões de forma a atender uma qualidade de vida às presentes e futuras gerações, enquanto ação ideológica que cuida das pessoas, utiliza os recursos naturais com racionalidade e promove o desenvolvimento econômico. Mas, por que isso não acontece?

Talvez aqui encontremos resposta para muitas perguntas que estrategicamente não são reveladas. A principal delas é entender porque a questão ambiental é vista e, às vezes, defendida pelos governos e governantes como algo da esfera preservacionista, meramente. Ou seja, falar de meio ambiente é cuidar dos bichos, das matas, dos rios, enfim, dos recursos naturais. Gente? Nem se fala!

Sabe-se, no entanto, que falar da questão ambiental é isso e muito mais, é falar também do esgoto que corre a céu aberto nas ruas; da “carne da moita” que é comercializada na cidade; do lixo que às vezes é jogado na rua pelo próprio cidadão e quando coletado, muitas vezes é lançado de forma incorreta na sua disposição final; é falar de um sistema de saúde falido e que não atende a quem precisa de cuidados médicos básicos; é falar de uma educação que não forma para a cidadania, quando muito leva instrução a uns poucos; é falar da representação política que não tem qualidade, que não defende os interesses coletivos; do avanço das drogas, da miséria e da fome, da violência, do desemprego, da aculturação, das discriminações…

Vê-se que falar da questão ambiental enfocando a qualidade de vida humana pode mudar o rumo. Por isso mesmo é “perigoso”! O perigo está na possibilidade de as pessoas perceberem que o que está errado é a forma como estamos (des)organizados e que é possível implantar um modelo diferente. O que levaria a questionar toda a ordem estabelecida e por fim a sua substituição. Utopia? Não. Tarefa difícil sim! Pois o “sistema” bem estruturado oferece resistência que passa pela manutenção da pobreza (alimentando a dependência estratégica da maioria) e pelos processos de corrupção (financiando as atividades ilícitas).

Parnaíba está embasada num conjunto de pressupostos culturais arraigados. Mudando esses pressupostos, muda também o conjunto de possibilidades, com consequências importantes também na esfera social. No dia do meio ambiente vamos pensar na possibilidade de um novo modo de organização social capaz de transformar o conjunto da sociedade, o seu pensar e seu agir frente às questões socioambientais. Vamos comemorar?!

(*) Fernando Gomes, sociólogo, eleitor, cidadão e contribuinte parnaibano.

O dinheiro é emprestado mas a vergonha é de graça

OPINIÃO: MESMO COM VÁRIOS EMPRÉSTIMOS TOMADOS DURANTE SUAS GESTÕES, WELLINGTON DIAS NÃO CONSEGUE ALAVANCAR A INFRAESTRUTURA DO PIAUÍWellington já virou meme por conta de empréstimos (Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica)

Por: Gustavo Almeida

O governador Wellington Dias (PT) já ganhou a fama de tomador de empréstimos. É até motivo de memes e piadas em perfis de humor por conta dessa tomação de dinheiro emprestado. Deve-se deixar claro que um ente federado, estado ou município, pode sim conseguir recursos por meio de operações de crédito. Isso não é feio e nem tampouco sinal de incapacidade. Pelo contrário, esse tipo de operação pode servir e muito.

Tomar dinheiro emprestado acontece até mesmo com um cidadão que, eventualmente, pode precisar de um empréstimo para uma reforma em casa ou para abrir um negócio. Com equilíbrio, eficiência e planejamento, ele consegue quitar tudo e atingir os objetivos. Ocorre que isso não acontece com os empréstimos do Estado. A verdade é que eles têm dado resultados irrisórios e o Piauí segue combalido no tocante à execução de grandes obras.

É provável que muitos discordem dessa constatação, mas se formos analisar o montante de recursos adquiridos nos últimos anos com empréstimos, quase nada de tão impactante foi feito no Piauí. Algumas obras nunca foram terminadas e sempre são citadas quando o Estado alega a necessidade de empréstimos. Até parece que algumas obras nunca são concluídas justamente para que sempre sirvam de argumento para novas operações de crédito.

Se o governo tomasse esse tanto dinheiro emprestado, mas transformasse o Piauí num celeiro de obras em andamento, certamente ninguém criticaria as constantes contratações de empréstimo por parte do governador. É muito provável que ele também não virasse meme por causa desse tema. O problema é que os empréstimos são feitos e os problemas mais recorrentes e visíveis do Piauí continuam existindo e as obras não são terminadas.

Assim como todo empréstimo, esses feitos por Wellington Dias [e os que foram feitos por seus antecessores] terão que ser pagos com juros. A conta será paga pelo povo do Piauí. A maioria, além de não saber que paga essa conta, ainda por cima sofre com um Estado onde os grandes projetos de infraestrutura praticamente não existem. Nosso Piauí vive a passar vergonha em muitos aspectos, vários deles decorrentes justamente da pouca estrutura.

São vergonhas que o Piauí passa de graça enquanto paga por empréstimos que custam caro.

Ação do MP contra empréstimos recebe críticas do governo e da oposição

Por:Zózimo Tavares

Governo e oposição criticaram ontem a ação do Ministério Público do Piauí, através da 44ª Promotoria de Justiça, para que o Governo Estado se abstenha de iniciar ou prosseguir contratação de empréstimos, ou ainda de pagar os contratos em curso dos financiamentos já feitos.

A ação foi impetrada na Vara dos Feitos da Fazenda Pública de Teresina, no último dia 30, pelos promotores Fernando Santos, Mário Alexandre Costa Normando e José William Pereira Luz. 

Eles apontam indícios de irregularidades na aplicação de recursos oriundos de empréstimos já conseguidos pelo Governo do Piauí e pedem o ressarcimento de R$ 128 milhões aos cofres públicos.

Conforme a denúncia, as irregularidades estariam relacionadas à aplicação do FINISA I e II (empréstimos conseguidos junto à Caixa Econômica Federal, no valor total de R$ 600 milhões).

Os promotores apontam indícios de fraude nas licitações, superfaturamento de preços, uso de empresas sem capacidade operacional e de crime de lavagem de dinheiro.

Chegou tarde

Para líderes da oposição, todos esses pontos levantados pelo MP em sua ação já foram ditos e denunciados na Assembleia Legislativa na época em que as supostas irregularidades estariam ocorrendo.

Um líder oposicionista lembrava ontem que esses fatos foram denunciados pelos deputados Rubem Martins (PSB), Robert Rios (PDT), Gustavo Neiva (PSB), Marden Menezes e Juliana Falcão (PSDB).

Segundo ele, o dinheiro foi aplicado em obras eleitoreiras que surtiram o efeito desejado. “O MP recebeu essas denúncias no primeiro momento e só agora toma as providências”, lamentou.

“Agora parece tarde”, assinalava o líder, acrescentando que não acredita em nada que venha corrigir os abusos na utilização dos recursos.

Sem pé nem cabeça

Um líder governista garantiu, por sua vez, que a ação do MP não tem o menor cabimento.

Ele informou que o Relatório de Auditoria realizado pela Diretoria de Fiscalização da Administração Estadual IV Divisão Técnica do Tribunal de Contas do Estado do Piauí, processo TC 025611/2017, no qual o MP se baseou para formular a denúncia, ainda não foi nem levado ao pleno do TCE.

“Essa ação não tem pé nem cabeça. No Tribunal de Contas, o processo nem chegou ainda ao relator”, criticou.

O líder governista encaminhou cópia de certidão fornecida pelo presidente do Tribunal de Contas, conselheiro Abelardo Vilanova, informando que o processo não foi julgado nem passou pelo contraditório, ou seja, ainda não recebeu a defesa do governo.

Para o líder, a denúncia é para “tentar atrasar as coisas no Piauí”, isto é, dificultar que o Estado receba novos recursos oriundos de financiamentos.

Deputada independente

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Por: Murilo Noleto

Não há como deixar de lado as parvoíces publicadas na imprensa piauiense diariamente, não há.

Ontem mesmo, foi um desses dias.

O presidente do Progressistas no Piauí, deputado estadual Júlio Arcoverde, em entrevista ao jornalista Lucas Sousa do Portal AZ, disse que , a deputada estadual Lucy Soares, esposa do prefeito de Teresina Firmino Filho, é uma deputada “independente”.

Ficamos a matutar o que seria essa independência propalada por Júlio Arcoverde em relação à deputada Lucy Soares.

Ah, Júlio Arcoverde também dissera, que desde a sua filiação ao Progressistas, Lucy Soares fez na condição de independente, embora o Partido que preside no Estado, continue e tenha ampliado a sua participação no governo do petista Wellington Dias,

Tudo acima relatado em apenas um jogo de cena, uma pantomima.

O que há de verdade em tudo isso?

Duas semanas atrás, a deputada Lucy Soares, juntamente com outros três deputados, empreendeu, desnecessariamente, uma viagem às cidades de Floriano e Picos, para ver com os próprios olhos um verdadeiro Inferno de Dante-primeira parte- que é o atendimento dispensado aos contribuintes nos hospitais estaduais dessas duas cidades do interior piauiense.

A deputada Lucy Soares, ao constatar as condições deploráveis em que se encontram aquelas “casas de saúde”, ficou estupefacta e num rasgo de sinceridade, comparou o Hospital Tibério Nunes a um matadouro.

Qualquer um, ao contemplar cenas Dantescas, iguais às instalações daquele Hospital, faria a mesma observação.

Tudo isso é passado.

Voltando às declarações de Júlio Arcoverde em relação à ‘independência’ da deputada Lucy Soares, na realidade esse pequeno imbróglio decorre do simples fato do dono do Progressistas no Piauí e presidente nacional do Partido, Senador Ciro Nogueira-eleito por aclamação por seus pares- continuar com influência política no plano nacional, pois preside um partido com expressivas bancadas , tanto na Câmara como no Senado Federal, consequentemente mantendo as mesmas posições no novo mandato de Wellington Dias .

Na prefeitura de Teresina manteve e ampliou os que já detinha na administração do prefeito Firmino Filho.

Não é necessário dizer que Ciro Nogueira continua no jogo da política nacional e por ter alocado e empenhado até 2018 no governo Temer, muito dinheiro para o governo do Estado e para a prefeitura de Teresina, continua dando as cartas na política estadual.

As críticas feitas e as que poderão advir ao Governo de Wellington Dias, feitas pela deputada Lucy Soares, não terão o condão de estremecer as relações políticas locais, já que o governador Wellington Dias, premido pelas circunstâncias da banca rota financeira instalada na máquina pública estadual, é refém mais do que nunca, do prestígio de Ciro Nogueira.

O resto é só diversionismo.

O planeta versus Bolsonaro, que tenta fazer restrições à defesa do meio ambiente

Fernando Gabeira
O Globo

Não me sinto obrigado a escrever sobre meio ambiente nesta semana. Trato do assunto a maior parte do tempo. Este ano, estamos diante de algo histórico para o Brasil e, de uma certa forma, para o planeta. Pela primeira vez, em todo o período democrático, temos um governo que é cético a respeito do aquecimento global e acha que o Brasil tem muito ainda a desmatar.

Os fatos se sucedem em várias frentes. Na mais ampla delas, a do aquecimento, o governo o considera uma invenção do marxismo globalizante.

INSUSTENTÁVEL – Essa associação entre o marxismo e o meio ambiente contribui para retardar a tomada de consciência de muita gente. Não consigo entender como se sustenta. Quem conheceu os países do Leste Europeu, onde o marxismo era a ideologia oficial, percebe que comunismo teve um papel devastador.

Não só aconteceu o desastre de Chernobyl: muitas usinas nucleares do período ainda são um dado preocupante para toda a Europa.

Associar o marxismo à luta ambiental é reduzir sua dimensão. Como correspondente na Europa, cobri uma manifestação dos skin heads em Dresden. Eram simpáticos ao nazismo, mas colocavam o meio ambiente como uma de suas bandeiras, ao lado de expulsar os estrangeiros e outras barbaridades.

TEMA CONSENSUAL – O tema é tão forte que ultrapassa divisões ideológicas e partidárias. No entanto, o governo parece caminhar para essa tese singular de que meio ambiente é algo da esquerda; logo, é preciso desmontar a política ambiental que o Brasil construiu com seus parceiros como a Noruega e a Alemanha.

Para começar, demitiu a direção do Fundo Amazônia, financiado por aqueles dois países. Agora, quer usar dinheiro do Fundo para indenizar proprietários, alguns deles possivelmente grileiros. Se o Fundo não tivesse resultados positivos, os próprios noruegueses e alemães já teriam reclamado. No entanto, estavam satisfeitos.

Bolsonaro insiste também em acabar com a Estacão Ecológica de Tamoios para transformar a região numa Cancún brasileira. Acha que pode fazer isso por decreto. Vai se dar mal, se tentar. É ilegal e, além disso, pateticamente inadequado. Espero que seus eleitores compreendam isto. Angra não é Cancún, o mar é diferente; a geografia, as condições sociais, a presença de usinas nucleares, tudo desaconselha.

MAIOR AMEAÇA – Não temo a destruição do planeta, como nos advertem nos hotéis para evitar troca excessiva de toalhas. O planeta continua, não podemos acabar com ele, mas apenas com as condições para a existência humana.

Ainda não se avaliou o impacto das posições de Bolsonaro em nossa imagem externa. O Brasil está se isolando. Em alguns lugares como Nova York, o prefeito faz campanha contra sua presença.

Em outros, como Dallas, o prefeito, mais ponderado, assim como o presidente do Chile, limita-se a reconhecer que Bolsonaro teve 57 milhões de votos, mas acentua que não concorda com suas ideias.

PÁRIA DO LIBERALISMO – O próprio “Financial Times”, um veículo conservador, levantou a hipótese de Bolsonaro se tornar uma espécie de pária do liberalismo.

Não seria bom para ele nem para nós. As pessoas se acostumaram a contar com o Brasil no esforço de preservação, a senti-lo como uma parte integrante do planeta, decisiva para o futuro comum.

Nesta semana do meio ambiente, os governos de Goiás e Mato Grosso lançam um grande programa de recuperação do Rio Araguaia. Haverá um ato na divisa dos dois estados. Bolsonaro parece que vai comparecer, incluindo, pelo menos, a recuperação de um dos mais importantes rios brasileiros na sua agenda. É uma oportunidade que tem de atenuar sua hostilidade contra o meio ambiente, sua admiração por um tipo de progresso empobrecedor.

PIADAS SEM GRAÇA – Ao compreender a importância das águas, que não podem ser substituídas por Coca-Cola, deveria se dar conta também do absurdo de transformar uma estação ecológica em Cancún.

Ajudaria também a romper o isolamento se ele fosse mais discreto no seu humor. A história de dizer que tudo no Japão é pequeno constrange os mais antigos, que ainda se lembram desse tipo de piada.

Ela pode ter alguma graça entre os frequentadores de uma Cancún construída sobre as frágeis ilhotas de Angra, à sombra das usinas nucleares. Apenas confirma sua fixação no órgão genital masculino e aumenta o medo de que a ignorância realmente vai esmagar o conhecimento humano.

Wellington Dias quer a unanimidade

Por:Zózimo Tavares

Como na canção de Luiz Gonzaga, no Piauí a oposição “é pequeninha, é miudinha, é quase nada”.

Dos três senadores, dois estão fechados com o governador Wellington Dias – Ciro Nogueira (Progressistas) e Marcelo Castro (MDB). O terceiro, Elmano Férrer (Podemos), não é aliado do governador, mas não cria grandes dificuldades para ele. No máximo, uma crítica pontual aqui, outra acolá.

Dos 10 deputados federais, 10 estão com o governador para o que der e vier. Oito foram eleitos com ele, no ano passado, e os outros dois se tornaram governistas por adesão, que ninguém é de ferro.

Dos 30 deputados estaduais, apenas quatro são de oposição – Marden Menezes (PSDB), Gustavo Neiva (PSB), Teresa Brito (PV) e Evaldo Gomes (SDD). Quer dizer, quatro eram de oposição. O último acaba de passar para o lado do governo.

O presidente do Solidariedade no Piauí, deputado Evaldo Gomes, foi recebido no final da tarde de quinta-feira, dia 30, pelo governador Wellington Dias, no Palácio de Karnak, para uma conversa de pé de ouvido.

O encontro acabou por oficializar o acordo para a adesão do partido à base aliada ao governo. Evaldo Gomes informou que reunirá a direção do Solidariedade para concretizar o entendimento com o governo, que prevê apoios político e administrativo. 

Aonde o governador quer chegar?

Os entendimentos do governador com o SDD começaram em Brasília, num encontro de Wellington Dias com a novata deputada federal Marina Santos.

Após o encontro, ela escreveu nas redes sociais: “Agradável encontro com o governador do nosso Piauí, Wellington Dias. Na pauta, ações que irão beneficiar o nosso estado e nossa população”.

O ex-prefeito de Novo Oriente, Marcos Vinicius, esposo da parlamentar e que foi candidato a senador no palanque das oposições, nas eleições passadas, também participou da conversa em Brasília. 

Nos meios políticos, a indagação é uma só: qual é a necessidade que Wellington Dias tem, a estas alturas, de levar o Solidariedade para o seu governo? Aonde o governador quer chegar?

Ele está no quarto mandato, eleito e reeleito sempre no primeiro turno. Governou sempre sem obstáculos no Legislativo.

Então, por que depois de montar novamente uma ampla base de apoio parlamentar, ainda cercou o SDD, um partido que, a rigor, nem cria embaraços para o governo?

O empenho do governador para minar o que resta da oposição é visto com reservas até mesmo em sua própria base, pois ele vai tirar o pão da boca dos petistas e aliados para alimentar os adesistas famintos de cargos.

Nos tempos da ditadura

Nem no tempo do regime militar a oposição foi tão pequena no Piauí.

Naquele período, o governador do Estado não ficava com mais de 70% dos parlamentares com assento na Câmara Federal.

Na Assembleia Legislativa, sempre tinha mais de um terço dos deputados contra.

Das duas, uma: ou o governador Wellington Dias está prevendo um caos ou busca, efetivamente, a unanimidade.

Reflexões sobre “socialistas de Iphone”

Mário Assis Causanilhas

Faz sucesso na internet um artigo atribuído ao jornalista José Roberto Guzzo, da Veja, que escreve também no Instituto Millenium. O texto, que ninguém sabe se é de Guzzo ou não, foi seguimento de uma crônica originalmente publicada pelo empresário e articulista Roberto Rachewsky no site do Instituto Liberal, e que viralizou na internet, sob o título “Socialista de Iphone”. O texto atribuído a Guzzo também desperta reflexões, vale a pena ler.

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INCOERENTE OU HIPÓCRITA

Quando Marcelo Freixo grita aos quatro cantos que é a favor do desarmamento e do fim da Polícia Militar, mas anda em um carro blindado e com seguranças armados, ele está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando Chico Buarque canta verdadeiros hinos contra a ditadura do regime militar, mas se cala e beija as mãos dos ditadores Raul Castro e Maduro, ele está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando o mesmo Chico canta mil versos a favor do Socialismo, se mostra tão devoto dos mais necessitados e cobra quatrocentos reais por um ingresso em seu show, ele está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando os psolistas dizem que cadeia e punição não resolvem nada, mas pedem que justiça e punição severa sejam feitas com os assassinos da vereadora, eles estão sendo incoerentes ou hipócritas?

E MAIS – Quando você que se diz humanista seleciona os mortos assassinados para chorar por eles, você está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando você se escandaliza com o capitalismo, mas ama o Facebook, a Sky, o Whats App e tudo que só ele pode te dar, você está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando você, tão socialista, só compra roupas, bolsas, jóias de griffe, celular da última geração, você está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando você odeia o capitalismo, mas quer fazer intercâmbio nos Estados Unidos, Canadá ou Inglaterra, você está sendo incoerente ou hipócrita?

E AINDA MAIS – Quando seu professor de História da escola com partido se escandaliza com o muro de Trump, mas desconversa quando perguntam a ele qual o propósito do Muro de Berlim, ele está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando você diz que que bandidos são vítimas da Sociedade, mas se nega a dormir onde não se sente seguro, você está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando você pergunta aos pensadores modernos qual o regime de governo de Cuba e eles dão mil voltas e te enrolam, eles estão sendo incoerentes ou hipócritas?

Quando você se diz tão preocupado com a pobreza dos brasileiros e anseia pela justiça social, mas não demonstra a menor indignação pelo assalto à Petrobrás, mensalão, despreza a Lava Jato e diz que eleição sem Lula é golpe, você está sendo incoerente ou hipócrita?

E SE VOCÊ… – Quando você se revolta com a situação dos refugiados e das crianças da Síria, mas acha normal tudo que se passa na Venezuela, você está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando você se diz a favor da escola com partido, da liberdade de expressão, tão intelectualizado, mas tem que seguir a cartilha e doutrina da esquerda à risca, você está sendo incoerente ou hipócrita?

Quando você, universitário, tão adepto das liberdades em todos os sentidos, tão tolerante, faz piquete na entrada do campus obrigando a todos participarem da greve e se revolta, vaia, agride se, por ventura, aparecer alguém por lá com uma camisa de Bolsonaro, você está sendo incoerente ou hipócrita?

ALÉM DISSO TUDO… – Quando Wagner Moura, exemplo maior dos artistas, ícone do Socialismo, trocou o Brasil pelos Estados Unidos, símbolo do capitalismo selvagem, ele foi incoerente ou hipócrita?

Quando você concorda com tudo ou quase tudo que eu falei, mas não vai compartilhar porque tem medo do patrulhamento, você estará sendo incoerente ou hipócrita?

Governadores acampam em Brasília por crédito extra

Por:Fenelon Rocha

Não passa uma semana sem que o governador Wellington Dias (PT) permaneça pelo menos um dia em Brasília. Em geral são dois dias, onde empreende um desfile por gabinetes os mais diversos: de consultores, deputados, senadores, ministros do STF, assessores do governo federal. Toda essa peregrinação tem um motivo principal: a busca de uma saída para a crise financeira do Estado. O detalhe é que tal peregrinação não é exclusiva de Wellington. Inclui a maior parte dos governadores, que nesta semana terão um motivo extra para acampar em Brasília.

No caso do Piauí, o governador Wellington Dias atira para todos os lados. Tenta emplacar um repasse da Eletrobrás pela venda da Cepisa, busca um empréstimo com o Banco Mundial, vislumbra o alongamento da dívida ou – se não tiver outra saída – um empréstimo com bancos privados. Assessores do governo andam alarmados: sem dinheiro extra há risco até de atraso salarial. Daí tanta peregrinação.Governador Wellington Dias: peregrinação em Brasília para garantir fôlego às finanças do governo do estado do Piauí

Nesta semana que começa, os governadores terão atenção aos gabinetes dos senadores, em especial do senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado. É que a Casa parlamentar vota o remanejamento de crédito para o governo federal: sem essa autorização, a União deixa de cumprir compromissos elementares. Os governadores querem atrelar essa aprovação ao socorro aos estados.

Vale notar, são 12 estados correndo atrás de crédito extra, na forma de empréstimos. E outro tanto de pires na mão, sem fôlego financeiro. Juntos, se conseguirem mobilizar suas bancadas, podem ajudar a aprovar tanto o remanejamento nos recurso da União como o crédito extra para os estados. Se isso for alcançado, será um alívio para a União e os Estados.

Sem empréstimo, sem crescimento

O deputado estadual Franzé Silva (PT) é estreante no parlamento. Mas um veterano do poder, com profundo conhecimento da realidade do Estado. E ele não mede palavras: se o Piauí não conseguir os empréstimos que prospecta, o crescimento projetado para o estado (de 2,5%, em 2020) vai para as cucuias. Sem empréstimo, o orçamento será menor e as agruras, bem maiores.

Franzé não descarta nem mesmo a possibilidade de empréstimo junto à banca privada, cujas taxas de juro não são nada suaves. Mas aposta em alternativas melhores, em especial o alongamento da dívida – que de imediato reduziria o repasse mensal com o serviço da dívida – e novo empréstimo junto ao Banco Mundial. O dinheiro (ou o desconto) imediato salvaria a lavoura agora, em 2019. O contrato com o Banco Mundial, salvaria os próximos dois anos.

Neste nada admirável mundo velho, é proibido criticar Congresso e Supremo

Percival Puggina

Não chega a ser novidade. A mudança vem acontecendo de modo gradual. Parcela crescente dos brasileiros que um dia confiaram seus votos à esquerda foi mudando de opinião e essa mudança acabou na grande reviravolta da cena política em outubro de 2018. Há quem morra de saudades.

Vale a pena lembrar, muito especialmente a alguns setores da mídia tradicional (estou falando, entre outros, da Folha de São Paulo, Estadão, Zero Hora, O Globo e demais veículos do seu grupo) certos fatos relacionados àquela eleição. O candidato escolhido pelos partidos que tradicionalmente formavam a maioria do Centrão era Geraldo Alckmin. As nove siglas que se coligaram para elegê-lo compunham mais da metade das cadeiras na Câmara dos Deputados. Contudo, a coligação em torno do tucano acabou obtendo menos de 5% dos votos.

ABANDONO – Foi um claro abandono do comandante da nau tucana por seus marujos, que majoritariamente se transladaram para o barquinho de Bolsonaro

A jogada valeu para assegurar o mandato de muitos. Diploma pendurado na parede é garantia da autonomia e permite a segunda traição. Em três meses os ex-marujos de Alckmin e parceiros de Bolsonaro recompuseram o Centrão e já começavam a reabrir a firma quando a opinião pública reagiu nas redes sociais. Imediatamente deram um passo atrás. Em tom de mágoa, afirmaram tratar-se de um mal entendido. Estavam todos cumprindo seus deveres constitucionais.

Nenhuma das três coisas surpreende. Nem a traição a Alckmin, nem a traição a Bolsonaro, nem a completa traição à verdade contida na afirmação de estarem cumprindo seu dever. Esta última situação só acontece nas raras ocasiões em que o interesse próprio coincide com as exigências do interesse nacional.

ATO BIPOLAR – O que realmente surpreende é a defesa que os veículos de comunicação acima mencionados passaram a fazer do Centrão, confundindo-o com o Congresso Nacional, buscando torná-lo imune a toda crítica, numa atitude tipicamente bipolar.

Num momento transformam a crítica numa conduta revolucionária, autoritária, capaz de acabar com a democracia; noutro, reduzem a gigantesca mobilização social do dia 26, de apoio ao governo e suas reformas, a Sérgio Moro e a Paulo Guedes, às proporções de um comício na esquina do bar do Zé.

Nunca na minha vida percebi esses mesmos veículos interessados em preservar a boa imagem do Congresso Nacional. Subitamente, aparecem tomados de um amor fiel e protetor. Não admitem que se olhe atravessado para seus amados. Dizem estar protegendo as instituições.

E O SUPREMO? – Na mesma linha, comparam a um flerte com o autoritarismo, qualquer crítica a ministros do Supremo, bem crescidinhos, aliás, para se defenderem sozinhos.

Na lógica desse nada admirável mundo velho, as coisas ficam assim:

  • é proibido criticar o Poder Legislativo;
  • é proibido criticar o Poder Judiciário;
  • das fake news às patadas retóricas, estão liberadas as críticas ao Poder Executivo;
  • é proibido criticar a orientação de tais veículos. Quem o fizer será acusado de ser inimigo da liberdade de opinião porque essa é uma das opiniões sem liberdade de expressão. O fato, porém, é que o nada admirável mundo velho já era.

O que o Brasil pode ser

*José Antonio Puppio

A demanda mundial por produtos do agro, sejam alimentos, fibras ou bioenergia ainda vai crescer e são poucos países no mundo serão capazes de atender esse crescimento.

O principal deles certamente é o Brasil, mas para isto precisamos de um novo sistema político baseado em homens com ideais diferentes do passado, onde imperava o toma lá dá cá, ou seja, uma política de votos em troca de favores ou cargos políticos ou qualquer tipo de benesse.

Com a revolução chegando ao campo, o país deverá entrar nesse ambiente da quarta revolução industrial, chegando a nossa oportunidade de assistirmos uma nova onda de crescimento, onde teremos um salto na gestão da produção rural.

A expansão acelerada de tecnologias disruptivas nos países avançados questiona os modelos de produção e serviços construídos pela indústria do século xx, gera mudanças no comportamento dos mercados consumidores e aponta para mudanças econômicas e sociais profundas, incluindo a atividade no campo e a produção de alimentos.

A digitalização, a conectividade e automação acelerada desarticulam indústrias e alteram os padrões de competitividade. Para o Brasil, a diferença entre ser competitivo e permanecer no atraso depende da capacidade de aproveitar as oportunidades abertas pelo ciclo atual.

Se os políticos faltarem, estaremos perdendo mais uma oportunidade de chegar ao nosso futuro. Temos que ficar atentos, uma vez que no nosso país existem no Brasil fazendas de proporções gigantescas, o agronegócio é pauta de discussão obrigatória e, sobretudo, urgente, entre todos os atores envolvidos com o tema. O agronegócio é responsável por 33% do PIB e por 42% das exportações totais do Brasil, gerando cerca de 37% dos empregos em todo o território nacional.

Tendências tecnológicas da agricultura  4.0, máquinas autônomas, inteligência artificial, big data e blockchain, fazem parte da  nossa produção agrícola, que vem alcançando altos índices de produtividade.

Há cerca de uma década, o agronegócio brasileiro tem se consolidado como o principal setor que sustenta a economia do país. A produção brasileira de grãos do período 2018/2019, segundo o 5º levantamento realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgado no dia 12 de fevereiro, deve alcançar 234,1 milhões de toneladas. Se comparado com a safra passada, o crescimento deverá ser de 6,5 milhões de t, o que representa volume 2,8% superior.  Houve incremento de 910,5 mil hectares na área plantada ou 1,5% a mais em relação à safra 2017/18, elevando o total para 62,6 milhões de hectares.

A nossa conclusão é que o Brasil tem tudo para deslanchar, especialmente no agronegócio e que o debate político ganharia muito se deixassem de ideologias do passado para nos concentrarmos nas exigências e oportunidades do nosso século.

*J.A.Puppio é engenheiro, empresário e autor do Livro “Impossível é o que não se tentou”

É possível crescer na crise?

Por:Janguiê Diniz (*)

Períodos de crise econômica costumam ser um pesadelo para empresas e gestores. As contas apertam, os clientes desaparecem, tudo fica mais caro. O cenário parece desalentador. No entanto, com criatividade e organização, é possível atravessar a recessão e até crescer com ela. A crise pode ser, inclusive, uma oportunidade para startups.

Sendo as startups basicamente empresas pequenas, de base tecnológica e que oferecem produtos escaláveis, elas podem se beneficiar dos períodos de depressão econômica. É que, nesses tempos, o setor de tecnologia costuma ser o único não afetado. O motivo é bem simples: as empresas passam a ter que reduzir gastos, enxugar suas estruturas, otimizar a produção. E as soluções tecnológicas chegam como “salvadoras” para os gestores às voltas com as contas que não fecham. Aí reside a oportunidade das startups. É a chance de atender a essas demandas e oferecer produtos ou serviços que solucionem os problemas das companhias que sofrem com as quedas. Independente do setor em que atue, é importante que a startup esteja atenta aos movimentos do mercado e esteja pronta para aproveitar as oportunidades que aparecerem.

Em tempos de economia instável, é essencial para qualquer companhia, seja uma startup ou multinacional, mirar na inovação. Por meio da inovação, é possível se manter competitivo, ainda que em dificuldades. Desenvolver soluções inovadoras, sejam internas ou para fornecer para terceiros, garante fôlego e o sucesso. Para as pequenas empresas, períodos de crise podem ser menos difíceis até por questões técnicas. Acontece que as grandes companhias, por terem estruturas complexas, acabam por ter mais entraves, sem muita flexibilidade; o que não ocorre com as micro e pequenas ou startups: por serem mais simples, são mais maleáveis e conseguem se adaptar melhor à realidade que se apresenta.

O Brasil ainda tem outra vantagem para quem está atento às oportunidades da crise: o baixo índice de competitividade. Apesar de ser um país altamente empreendedor, muitos dos que se aventuram nesta seara o fazem sem preparo ou habilidade, o que é um prato cheio para aqueles que entram no jogo determinados a ganhar. É diferente dos Estados Unidos, por exemplo, em que os mercados são bem saturados e a competição é muito maior. Portanto, vale a regra do “que vença o melhor”.

Acima de tudo, no entanto, para fugir da crise, é necessário saber conviver com ela e não transformá-la em um bicho de sete cabeças. Quem tem competência para trabalhar bem não sofre, pois sempre terá seu público, mesmo que diminuído. Os que se preocupam muito com a recessão, e não falam em outra coisa, acabam por se afundar na lama da crise e não conseguem mais sair dela. O importante é manter a cabeça erguida e enxergar o horizonte à frente, que é sempre promissor.

(*)Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional 

Percepções equivocadas levam Bolsonaro a decisões perigosas para ele e o país

William Waack
Estadão

Jair Bolsonaro é um personagem político dos mais transparentes. Não deixa dúvidas sobre a maneira como percebe o mundo à sua volta – e as percepções mantidas pelos próprios personagens políticos (malucas ou não) são ferramentas úteis para entender as decisões que eles tomam. Bolsonaro se entende como escolhido por Deus para governar o Brasil. Missão que não está conseguindo cumprir, segundo admite, pois é vítima de um “sistema” que não se deixa moralizar, especialmente a esfera política.

Esse tipo de percepção explica a descrição que o presidente faz de compromissos políticos necessários em qualquer regime representativo democrático (como o brasileiro) como sendo “acertos” espúrios, sobretudo em relação ao Legislativo. E o faz colocar o “povo”, que Deus o encarregou de governar, como seu principal instrumento para quebrar de fora para dentro o “sistema” que tornou o País “ingovernável”. Maluca ou não, é uma sequência perfeitamente lógica.

SEM ESTRATÉGIA – Erros políticos ocorrem quando o personagem (no caso, Bolsonaro), conduzido por suas percepções, substitui estratégia por aspirações e acredita dispor de meios (pressão popular por meio de redes sociais, por exemplo) para atingir seus fins (controlar os poderes Legislativo e Judiciário). O chamado às ruas que o presidente implicitamente endossou é um desses erros políticos tão crassos a ponto de suscitar uma pergunta: será que não existiria por detrás uma forte jogada política?

Aparentemente, não. Esse chamado dividiu seus apoiadores e mesmo uma estrondosa manifestação popular no dia 26 não diminui – ao contrário, até amplia – as dificuldades de relacionamento do Executivo com o Legislativo. Menos que estrondosa, e ele sai enfraquecido diretamente.

A não ser que Bolsonaro tenha no recôndito das reuniões de família pensado no impensável, qual seria o próximo passo para tentar “emparedar” um Legislativo que, de fato, avança – ajudado principalmente pela incompetência do governo – na direção de um “parlamentarismo branco”?

VONTADE DIVINA – Visões messiânicas da própria atuação em geral impedem personagens políticos de amenizar relações conflituosas (como a atual entre Executivo e Legislativo), pois isso demandaria formação de consensos, e messiânicos tratam preferencialmente de impor a própria vontade, entendida ou não como divina.

Enxergam uma “revolução conservadora” numa onda disruptiva de transformação composta por múltiplos elementos antagônicos, que se dedicam agora a disputar o poder entre si (alguém acha que desapareceu a luta entre “ideólogos” e a ala militar, por exemplo?).

Se é que alguma vez a teve, o governo Jair Bolsonaro está perdendo o sentido de urgência para o que realmente importa e, no final das contas, vai de fato definir seu sucesso ou fracasso.

RECESSÃO – O rombo fiscal está se agravando, a economia está estagnada, o crescimento não veio ainda, a arrecadação ficou aquém, piorando dificuldades políticas, fechando opções de acomodação de interesses – tudo isso diante do grande quadro de sempre, caracterizado por infraestrutura precária (investimentos?), formação insuficiente de capital humano (produtividade?) e excessivo fechamento do País.

Percepções equivocadas ou fortemente distorcidas da realidade e do próprio papel conduzem personagem políticos a avaliações equivocadas das relações de força e de poder e, por consequência, ao erro. O problema é que não só o personagem em questão acaba sendo punido pelos fatos ou pagando um preço alto em termos de perda de capacidade de conduzir, liderar, governar. O País também.

Manifestações fortalecem Bolsonaro, Moro e Guedes, avalia cientista político

O cientista político Paulo Kramer avalia que o presidente Jair Bolsonaro “turbinou” seu poder de barganha perante o Congresso, com os expressivos atos de apoio que recebeu neste domingo em todo o País, e que os ministros Paulo Guedes (Economia) e Sérgio Moro (Justiça) saíram fortalecidos.

Para ele, o bolsonarismo “exibiu uma face reformista, moderna, civicamente responsável, numa palavra, ‘civilizada’, protagonizando algo raro, para não dizer ‘inédito’ no Brasil e no mundo: manifestações populares a favor de uma agenda altamente impopular (reforma da Previdência)”. Kramer disse que até hoje “eu não tinha visto passeatas com cartazes e faixas em apoio a uma equipe econômica!”.

“Para um Executivo que abriu mão do toma-lá-dá-cá do presidencialismo de coalizão/cooptação/corrupção para se alimentar da seiva da popularidade, foi uma recarga no prazo de validade do seu carisma”, sentencia Kramer, professor de Ciência Política aposentado da Universidade de Brasília (UnB), articulista do Diário  do Poder e comentarista da rádio BandNews FM.

O cientista político considera também ser notável a autonomia cívica do bolsonarismo em relação a grupos organizados que ajudaram a tornar possível essa grande transformação, “mas que decidiram se distanciar da mobilização preparatória às demonstrações de hoje, provavelmente por receio de que a tônica viesse a ser uma pauta antidemocrática e hostil à institucionalidade democrática”. Entre esses grupos ele cita os movimentos MBL, Vem Pra Rua etc. “Felizmente, esse temor foi desfeito pela celebração cívica auriverde num domingo ensolarado de Norte a Sul do País”, celebra.

Mas Kramer pondera que não é possível compreender este domingo nas ruas do Brasil “sem remontar ao arco histórico que começou a ser traçado em junho de 2013, conquistou maturidade no impeachment de Dilma e ganhou musculatura nas eleições do ano passado”.

*Com informações do Diário do Poder

Desigualdade cobra do Brasil corajosa agenda de reformas, diz FMI

Por: Fenelon Rocha

A agenda de reformas no Brasil é muito mais do que uma preocupação fiscal: é, de fato, uma necessidade para superação das graves, gravíssimas diferenças sociais. Quem afirma isso é o Fundo monetário Internacional, que publicou relatório em que aponta para os grandes desafios que o país precisa enfrentar. Segundo o FMI, o Brasil necessita de uma “agenda corajosa” de reformas para reduzir as desigualdades, e a reforma da Previdência é apenas uma delas.

Vale lembrar, somos um dos países mais desiguais do mundo: na América Latina perdemos para quase todos – exceção do Haiti. Nem mesmo a criação de programas distributivos – tipo Bolsa Família – alterou esse desconcertante “vice-campeonato” do Brasil.

O enfoque social da análise feita pelo Fundo não despreza o tradicional viés fiscal adotado pelo órgão: o equilíbrio fiscal é necessário para que a redução das desigualdades seja possível. Nesse sentido, a reforma da Previdência ganha destaque na avaliação feita pelo FMI sobre a realidade brasileira, apontando como necessárias a adoção de novas regras para a aposentadoria.

“Para entregar o ajuste fiscal necessário, o Congresso deve preservar a proposta de aumento da idade mínima e a redução dos relativamente altos benefícios, especialmente os dos trabalhadores do setor público”, ressalta o FMI. Daí, as novas regras na Previdência são consideradas cruciais para estabilizar os gastos e tornar o sistema mais igual.

Média baixa desde 1980
O Fundo Monetário Internacional mostra que o Brasil patina não é de hoje, e os indicadores agregados das últimas décadas evidenciam como o país foi perdendo espaço comparativo. De acordo com o FMI, o PIB brasileiro cresceu uma média de 2,5% desde 1980 – patamar bem abaixo dos países similares. Por outro lado, a dívida pública – que chega a 88% do PIB – é uma das maiores entre os países emergentes. E continua subindo.

O FMI chama atenção para o agravamento da situação desde a brutal recessão de 2015 e 2015. Aí, a coisa só piorou.

Problemas globais agravam situação
Não é só o FMI quem diz: os problemas internos no Brasil são muitos e antigos. Mas o Fundo aponta mais um complicador para a recuperação brasileira: o cenário externo. Os problemas na Europa (caso do Brexit), a guerra comercial EUA-China e a perda de valor das commodities têm impacto negativo no contexto da tividade econômica global. Tudo isso piora particulartmente as perspectivas dos emergentes, e entre eles o Brasil é de longe o mais vulnerável.

Também a recessão argentina é um agravante – o PIB do vizinho despencou cerca de 7% e com ele caem as exportações que o Brasil faz para o principal parceiro do Mercosul. Isso tudo quer dizer o seguinte: não basta o Brasil fazer o dever de casa. É preciso torcer para que a economia mundial volte à bonança da década passada.

Bolsonaro só deu suco de laranja a nordestinos

O presidente Bolsonaro com ministros e parlamentares da Bancada Nordestina

Por: Zózimo Tavares

Os parlamentares que integram a Bancada do Nordeste tomaram o café da manhã, na quarta-feira, com o presidente Jair Bolsonaro em clima de descontração.

Mas, se tinham esperança de arrancar alguma promessa do presidente especificamente para a região, eles saíram do Palácio do Planalto como entraram: de mãos abanando.

O encontro foi articulado pelo coordenador da Bancada Nordestina, deputado federal Júlio César (PSD-PI).

O objetivo dele era abrir um canal de diálogo direto com o presidente, para melhor encaminhar os pleitos da região.

Nesse aspecto, o objetivo foi alcançado. O presidente se mostrou receptivo às reivindicações dos parlamentares e falou das linhas gerais de seu governo.

Investimentos

No encontro, o deputado Julio César defendeu um plano de desenvolvimento para o Nordeste e a recuperação do DNOCS, da Sudene, CODEVASF, Chesf e do Banco do Nordeste.

Conforme o parlamentar, isso já seria um avanço grandioso para os estados nordestinos.

O presidente ouviu e, quando foi falar, respondeu que não apenas o Nordeste, mas todo o país está precisando de obras para vencer a crise econômica e gerar empregos.

De concreto mesmo, o presidente nada ofereceu à bancada nordestina, além de suco de laranja.

Talvez nem precisasse. Os parlamentares se contentariam com as fotos que tiraram no café com o presidente e estão postando abundantemente em suas redes sociais.

Com os governadores

Hoje, Bolsonaro estará pela primeira vez no Nordeste desde a sua posse. Ele participará de uma reunião com os governadores da região em Pernambuco.

É possível que lá anuncie algum investimento de vulto para a região, se não for apenas repetir o chororô do café da manhã com os senadores e deputados federais do Nordeste.

A propósito, o site O Antagonista divulgou ontem que o deputado Júlio César ouviu do presidente Jair Bolsonaro, no café de quarta-feira, que o governo anunciará “brevemente” um projeto que garantirá mais dinheiro do que a reforma da Previdência.

“Não sei o que é, está todo mundo querendo saber”, disse ele ao site.

O site informa também que perguntou por que os deputados não cobraram alguma explicação mais detalhada do presidente e Júlio César respondeu:

“Ele foi a última pessoa a falar. Falou e saiu. E não dava para questionar o presidente.”

A negação do discurso

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Por: Arimatéia Azevedo

O governador Wellington Dias precisa urgentemente mostrar que seu discurso quanto ao que pretende no quarto governo não difere do que põe em prática.

Porque até suplente, que ganhou o mandato de deputado estadual por seu favor, o critica e coloca em dúvida as ações do chefe do governo. Warton Lacerda, de Altos, parece ter inaugurado um estilo diferente de ser suplente: ele questiona, critica e até censura o caso da entrega para outro – e não para ele – do comando da Fundação de Esportes, Fundespi.

Ele diz: “colocaram lá um cara que não conhece de esportes”, sem perceber que o verbo tem que ser conjugado na terceira pessoa do singular, ‘ele colocou’, pois, quem fez a nomeação foi o governador e não várias pessoas ‘colocaram’ Cleminton Queiroz como presidente da entidade, na cota, sim de um detentor de mandato, o deputado Oliveira Jr. O suplente Lacerda questiona um ato daquele que lhe deu o emprego e, se duvidar, graciosamente, porque Wellington Dias não precisaria convocar nenhum parlamentar para compor o secretariado.

E, assim como fez para beneficiar B. Sá, o primeiro suplente e ao próprio Lacerda, como segundo, pela ordem, o governador abriu o governo para agasalhar outros interesses, convenhamos, desnecessariamente. Mas a questão não para aí.

Não bastassem as pressões para fechar o segundo escalão Wellington precisa resolver um assunto de natureza bem doméstica e que diz respeito mais ao Partido Progressistas: não deixar a suplente Belê como peixe fora d’água, à míngua, pois, com o retorno do seu companheiro e presidente da sigla, Júlio Arcoverde, ela  perdeu a boquinha que lhe assegurava o mandato.

E aí surgem as especulações de que um outro deputado será convocado para resolver o problema da suplente, numa clara demonstração de que esses senhores querem, sim, primeiro resolver seus problemas pessoais. O governador diz que ninguém ‘é dono de cargo’, mas por não acreditarem e tampouco levarem tal afirmação a sério, os deputados fazem exatamente o contrário.

Flávio Nogueira Jr por exemplo não muda nem o cenho ao dizer que aceita o ‘sacrifício’, pode voltar e assumir a Secretaria de Turismo que na sua gestão, no terceiro governo, se transformou em órgão mais voltado à construção de calçamento no interior que propriamente cuidar do turismo no Estado. E se voltar ao cargo, será para que se tenha acertada a situação da suplente em questão. Enfim, nesse governo, do discurso à prática, a distância é maior que o trajeto que o irrequieto oftalmologista Raimundinho Santana faz de Teresina a Corrente. De ônibus.

Samba e funk: da favela para Marte

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De João Nogueira a Mumuzinho. De Tati Quebra-Barraco a Valesca Popozuda. A nova e velha geração do samba e do funk saiu dos morros cariocas e viralizou mundo a fora. O funk tem chamado a atenção por sua forte aceitação no cenário internacional. Sua batida contagiante agrada pessoas de diferentes povos, e já ganhou até destaque na Time Square, com a divulgação do single Vai Malandra, da cantora Anitta, promovido pelo Spotify, além de ser escutado na voz de grandes celebridades internacionais, como J-Lo, na música El Anillo, e, em breve, na voz de Madonna, em Faz Gostoso.

Falando em fronteiras, o samba Coisinha do Pai, de Beth Carvalhofoi tocado até mesmo em Marte, com a finalidade de acordar o robô Soujorner, que integrava a missão Mars Pathfinder, criada pela Nasa para explorar a superfície do planeta. Toda essa popularidade se dá, em grande parte, por conta da facilidade gerada pelo surgimento das novas mídias, como YouTube e Spotify. Por outro lado, a disseminação do movimento samba-funk ocorre devido aos fluxos migratórios internos e intensos, principalmente entre as metrópoles e cidades de pequeno e médio porte.

Na visão do professor da Faculdade UNINASSAU Parnaíba, Robert Oliveira, que é Cientista Social e mestre em Antropologia, esses fluxos migratórios permitiram trocas de experiências culturais onde o samba e o funk são emblemáticos. “Deste modo, entende-se como tais ritmos ultrapassam as fronteiras das margens das favelas cariocas e chegam ao Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Por este motivo, também não surpreende quando encontramos escolas e desfiles de samba em cidades médias do Nordeste, assim como bailes funks nas noites das periferias de Manaus”, aponta o professor.

O passado do samba-funk, enquanto movimento artístico, cultural e social, carrega a marca de grupos historicamente colocados à margem da sociedade e se apresenta como marca importante da expressão que representa populações negras e periféricas dos centros urbanos. É um movimento de resistência, que conseguiu se estabelecer nos últimos anos como um dos mais executados no Brasil, tendo até variações em regiões do país, como o funk brega, em Pernambuco.

Entretanto, tal aceitação no Brasil e no exterior se deve ao fato da reformulação de seus conteúdos originais que, se no passado remontavam à criminalidade e às drogas, hoje transformou-se no estilo ostentação e na promoção da autoestima.

Na visão do professor Robert, o funk, principalmente, passou por um intenso processo de embranquecimento para melhor aceitação. “Uma hipótese que sustentou é que, ao sair da favela para o universo social brasileiro, o funk passou por um crivo linguístico, ético e estético que o purga daquilo que desde a década de 80 e 90 é visto como indesejável, vulgar, imoral e marginal”, aponta.

Ainda que sofrendo todo esse processo de alteração em suas origens, fato é que o samba-funk demonstra um movimento cultural de poder estrondoso na cultura brasileira, além de uma vitória para os favelados e um orgulho para os cariocas.

Sobre a falência da Agespisa: ” A antiga joia da coroa”

Por Arimatéia Azevedo

Há fortes suspeitas de que o governo esteja socorrendo a Agespisa, tirando do tesouro o dinheiro destinado ao pagamento de salários de servidores, por uma aparente situação falimentar da empresa. A Agespisa era, no passado, algo distante de 30 anos atrás, uma espécie de joia da coroa. Em matéria de ser o melhor emprego, a melhor empresa para prestar serviços, ela compunha o estrelato disputando espaços com a Telepisa, Cepisa, Universidade Federal, Fundação Cepro e Banco do Estado do Piauí. As grandes famílias que já eram afortunadas, tinham os seus membros bem aquinhoados com o bom salário.

No governo Freitas Neto todos os seus débitos foram absorvidos pelo governo. Enquanto empresa de economia mista ficou zerada, sem débito de qualquer espécie. Quando Mão Santa assumiu em 95, encontrou essa joia fulgurante, mas, infelizmente, a entregou completamente sucateada, endividada e transformada num órgão onde a patifaria com dinheiro público reinava. Na Agespisa aprenderam rapidamente a burlar licitação, fraudar contratos, reajustar salários com produtividade fantasiosa, inventada para calar a boca dos sindicalistas.

Também na Agespisa houve negociata de tudo, até dispensa de contas de consumo de água em troca de votos nos tempos da eleição. Ali, inventavam até pagamentos de bandas, de artistas. Que aliás, foi um dos motivos da cassação de Mão Santa. Hoje, sem a sua maior fonte de Receita, que é Teresina, a Agespisa se transformou numa empresa pior do que era: pois é responsável pelos sistemas de abastecimento de água das cidades quando as grandes cidades querem sair do sistema. Não dá para entender como é que o governo vai continuar mantendo viva uma empresa que está morta há muito tempo, consumindo um dinheiro inexistente. Ali, falta dinheiro e falta trabalho. 

O Golpe da Previdência Piauiense

Por Murilo Noleto

Soa por demais esquisito, aos ouvidos dos barnabés piauienses, o mais recente factoide anunciado pelo governador Wellington Dias. 

Inverossímil sobre todos os aspectos, a pretensão do governador Wellington Dias em tentar obter junto ao Supremo Tribunal Federal, a anuência para que o Estado do Piauí, transfira para o Tesouro Nacional mais de 30 mil aposentados que, até o ano de 1992 eram celetistas, e após essa data, passaram por força de Lei Estadual à condição de estáveis na condição trabalhista de estatutários, numa jogada meramente financeira, já que o Estado do Piauí, a partir de então, deixou de recolher o Fundo de Garantia por Tempo de Serviços (FGTS), de cada servidor.

O Estado do Piauí, segundo a pretensão governamental, se compromete pagar a esses 30 mil barnabés que ganham acima do teto da Previdência Social, que atualmente gira em torno de R$ 5.849,00, um completo salarial que, somando ao que seria pago pelo INSS, equivaleria ao percebido atualmente por cada um dos aposentados que seriam empurrados para o regime geral da Previdência Social do país.

Agora imaginem que a pretensão mais disparatada essa administração estadual, logo agora, que o governo federal tenta diminuir os dispêndios com a Previdência Social através de uma reforma que cortará benefícios, inclusive o Benefício de Prestação Continuada (BPC) correspondente a um salário mínimo, pago a todos os brasileiros que, ao completarem 65 anos e não tendo nenhuma fonte de renda, fazem jus ao BPC. 

Convenhamos, o STF, acolhendo essa “pretensão” do governo estadual e das demais unidades federadas que pleiteiam as mesmas condições junto ao STF, a reforma de Paulo Guedes de economizar R$ 1 trilhão em dez anos, seria transformada ao invés de receita em despesa para o governo federal.

Piada pronta, é isso.