Na tragédia do Museu Nacional, o suicídio de um país que não se preserva


É como se fosse a própria imagem do país sendo destruída

Bernardo Mello Franco
O Globo

A destruição do Museu Nacional é uma tragédia para a cultura, a ciência e a história do Brasil. Infelizmente, uma tragédia anunciada. A instituição científica mais antiga do país foi vítima de décadas de descaso. De 2014 para cá, os cortes passaram a afetar até a verba de manutenção. O museu chegou a fechar as portas por falta de pagamento aos funcionários de limpeza e vigilância.

Em junho, a instituição completou 200 anos sem motivo para comemorar. Muitas salas de exposição estavam fechadas. Uma vaquinha virtual pedia doações para reabrir uma delas, que abrigava um enorme fóssil de baleia. A estrutura de madeira estava consumida por cupins.

SEM CONSERVAÇÃO – Apesar do esforço dos servidores da UFRJ, os visitantes podiam notar o péssimo estado de conservação do palácio na Quinta da Boa Vista. O prédio agonizava: reboco caindo, paredes descascadas, fios elétricos expostos. A causa do incêndio ainda não foi divulgada, mas não era preciso ser bombeiro para ver que os riscos estavam lá.

O edifício consumido pelas chamas era tão valioso quanto seu acervo de 20 milhões de peças, que incluía fósseis de dinossauros, múmias egípcias e o crânio mais antigo das Américas. O Palácio de São Cristóvão foi a residência da família real no Brasil. Depois sediou a primeira Assembleia Constituinte da República, que editou a Carta de 1891.

SEM MEMÓRIA – No livro “1808”, que narra a chegada da Corte portuguesa, Laurentino Gomes descreveu o local como “um prédio descuidado e sem memória”. “É como se nesse local a história tivesse sido apagada de propósito”, resumiu. O texto foi publicado há quatro anos. De lá para cá, a situação só piorou.

Segundo funcionários, o último presidente a pisar no museu foi Juscelino Kubitschek, que deixou o poder há 58 anos. Na festa do bicentenário, nenhum ministro apareceu por lá. Agora todos vão dar declarações de pesar e prometer as verbas que sonegaram em nome do ajuste fiscal.

Um país morre um pouco quando destrói a sua própria história. A tragédia deste domingo é uma espécie de suicídio nacional. Um crime contra o nosso passado e contra as gerações futuras.

 

Veto do TSE a Lula higieniza processo eleitoral

Por:Josias de Sousa

Ao enquadrar Lula na Lei da Ficha Limpa, afastando-o do horário eleitoral e da urna, o Tribunal Superior Eleitoral expurgou da campanha de 2018 um elemento tóxico: o escárnio. Ao determinar ao PT que substitua o candidato, a Corte máxima da Justiça Eleitoral promoveu a higienização da disputa pelo cargo de presidente da República. A presença de um ficha-suja no rol de candidatos era uma nódoa que ameaçava a segurança jurídica e política do processo sucessório.

Do ponto de vista jurídico, a decisão rende homenagens ao princípio segundo o qual todos são iguais perante a lei. Sob a ótica moral, assegurou-se o direito do eleitorado a uma eleição eticamente sustentável. Sob o ângulo político, a desobstrução da cabeça da chapa petista favorece Fernando Haddad, o substituto de Lula. Esta será a campanha mais curta da história: 45 dias. E a ficção do candidato-presidiário tornava a corrida ainda mais curta para Haddad.

Em sua mais recente pesquisa, o Datafolha constatou: 31% dos eleitores declararam que certamente votariam num candidato indicado por Lula. Outros 18% informaram que talvez seguissem a orientação de voto do presidiário. Confirmando-se esses dados, ainda que parcialmente, Haddad saltaria de irrisórios 4% para um patamar qualquer acima dos dois dígitos na pesquisa, aproximando-se do segundo turno.

O PT tem agora a chance de testar o poder de transferência de voto do seu grande líder. No papel de carregador de postes, Lula já revelou uma força de estivador. Fez isso duas vezes com Dilma Rousseff em âmbito nacional. Repetiu o feito com o próprio Haddad, na esfera municipal. Entretanto, não conseguiu reeleger Haddad prefeito de São Paulo. Hoje, para complicar, é um cabo eleitoral preso.

No Brasil, imperativos legais e morais nem sempre são observados. Ao registrar Lula como seu candidato, o PT apostou que conseguiria nadar no charco da frouxidão institucional até 17 de setembro, quando não seria mais tecnicamente possível retirar a foto de Lula da urna, mesmo com a impugnação do registro da candidatura-fantasma. Nessa hipótese, o pedaço menos esclarecido do eleitorado votaria no presidiário sem saber que estaria elegendo Haddad.

Se permitisse que um único eleitor fosse submetido ao logro petista, o TSE seria cúmplice do escárnio. Interrompido o escracho, Haddad pode pedir votos de cara limpa, sem a máscara de Lula. E Manuela D’Ávila (PCdoB) já não precisa desempenhar o constrangedor papel de vice do vice. Higienizou-se o processo eleitoral.

Andando em rua que tem calango

Por: Pádua Marques

No meu tempo de infância, quase todo menino tinha uma baladeira no cós do calção. Pra onde se ia ela ia junto. E a gente quando se juntava e saía aos magotes caçando calangos pelos meios de matos era uma aventura e tanto. Era ver de longe um balançando a cabeça em cima de algum muro, monte de barro ou galho de árvore e a pedra comia! Aí vinha na gente aquela satisfação do caçador, a de ter conseguido derrubar a caça, muitas das vezes com pouca mira ou posicionado em lugar ruim.

Conheci excelentes caçadores de calangos. Não vou aqui dar nomes porque é pra algum que ainda esteja vivo acabe me cobrando autoria de façanhas. E a gente sabe que entre essa gente se gosta muito de se pabular. Mas como disse, voltando à caça de calangos os meninos daquele tempo, raros, eram bons de pontaria pra derrubar calangos. Calanguinhos, calangos cinza, pretos e até os mais birrudos e temidos, os carambolos, que segundo diziam, eram de correr atrás da gente.

E a baladeira tinha que ser boa. Feita de sola, talo de goiabeira e câmara de pneu de bicicleta. Eram afamadas as baladeiras que eram de câmara de pneu de caminhão ou de trator. E havia até quem tivesse baladeira feita de câmara de pneu de avião, as mais difíceis. Vendo o bicho, era esticar o braço, fechar o olho esquerdo, mirar, soltar a pedra e ver o calango ciscando com as pernas pra cima estrebuchando. Servia pra nada depois.

Naquele tempo não tinha esse negócio de ecologia, IBAMA, ICMBio. Nada disso. E se não tinha isso e mais aquilo, como é que havera de ter advogado, defensor de calango? E a gente, nós meninos pobres, sem muito acesso aos brinquedos mais caros da época éramos mais livres, feito os calangos. E é desde esse tempo que me interessei em estudar esses bichos.

Eu até sou de opinião de que deveria ser criada uma disciplina nos cursos de graduação para só estudar os calangos. Deveria ter uma ciência, uma faculdade particular pra isso. Acho um dos bichos da natureza mais interessantes. As reações de comportamento do calango são iguais aos de muita gente, pobres da periferia em época de campanha política, por exemplo. Alguém metido a cientista já disse, eu já ouvi e não sei se procede, que calango só tem no Piauí.

Outro dia estive vendo uns candidatos visitando bairros e fazendo zuada numa rua. Vinham uns assessores à frente entregando santinhos. Outros mais atrás e pelo meio carregando umas bandeiras com o nome e a cara do candidato. E no meio daquele monte de gente vinham eles, sempre achando graça pra tudo e pra todos. Abraçaram velhinhas e meninos barrigudos. Apertaram as bochechas de outro mais à frente e enquanto iam entregando os ditos santinhos. Até cochichando com velhos desdentados e fedendo a cigarro.

E aquela gente pobre, desempregados, mocinhas piolhentas, homens de calções encardidos jogando sinuca num boteco, mulheres com fraldas no ombro e meninos de olhos remelentos estavam ali abismados, balançando a cabeça que nem os calangos em cima do muro. Uns pedem um trocado pra ainda ir à feira.

Outros, um real pra um trago de pinga. E mais lá na frente outros mais cheios de vergonha até deixam o candidato entrar em casa pra, lá dentro, darem uma ferrada maior. Outros, satisfeitos e iludidos com as promessas e os afagos vão balançando a cabeça e acreditando em tudo que os caçadores de votos lhes dizem. Eu acho que aquela gente tem alguma coisa com os calangos. Coisa de sangue, de família.

Polícia só pega ‘piabas’ em megaoperação

Por:Zózimo Tavares

O Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Greco) deflagrou na manhã ontem a ‘Operação Natureza’, para investigar fraude e corrupção em licenciamento ambiental no Piauí.

A polícia caiu em campo para cumprir dez mandados de busca e apreensão e sete de prisões temporárias expedidos pela justiça. Os mandados foram cumpridos em Teresina, Regeneração, Guadalupe e Brasília. 

São investigados na operação servidores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semar) e empresários. O superintendente do Meio Ambiente, Carlos Moura Fé, é um dos presos, juntamente com analistas ambientais da Semar. 

O empresário Tiago Junqueira, dono da Fazenda Chapada Grande, em Regeneração, também foi preso. 

Corrupção

De acordo com nota divulgada pela Secretaria de Segurança, as investigações da operação começaram em 2015, por meio de uma denúncia anônima feita à Polícia Federal e, posteriormente encaminhada ao Greco, visando a apuração de crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, associação criminosa e advocacia administrativa, além de crimes ambientais. 

Segundo a Polícia Civil, o prejuízo chega a mais de R$ 3 milhões e envolve supostamente desvio de verbas públicas, o uso irregular de bens públicos e emissão de licenças ambientais de forma irregular, dentre outros.

Propina

Em entrevista coletiva concedida no final da manhã, os delegados Riedel Batista (geral), Rejane Piauilino (Greco) e Willame Morais (coordenador do Greco) garantiram que presos da operação recebiam propina para expedir licença ambiental no estado.

Na coletiva, os delegados justificaram que não podiam contar detalhes sobre as supostas fraudes e corrupção em licenciamento ambiental, já que a ação ainda está sob sigilo, por determinação da juíza da 4ª Vara Criminal.

A operação contou com o apoio de órgãos fiscalizadores, como o Tribunal de Contas do Estado, o Ministério Público do Piauí e de instituições financeiras.

Surpresa

Há que se esperar, naturalmente, a conclusão das investigações e a versão dos acusados para se fazer juízo do caso. Mas a operação surpreende. O superintendente da Semar, Moura Fé, é um técnico que desfruta de boa reputação profissional. Ele é servidor do Ibama e já serviu a vários governos.

O empresário Tiago Juqueira é um dos poucos que vieram de fora para investir no Piauí e aqui ficaram. Muitos outros deram no pé. Há mais de dez anos, ele implantou no município de Regeneração um megaprojeto de plantação de eucalipto, a Fazenda Chapada Grande.

O projeto, assentado em uma área superior a 20 mil hectares, conta com financiamento do Banco do Nordeste e incentivos fiscais e impulsionou o desenvolvimento do comércio de Regeneração e da região.

Assessoria de Imprensa: Diferenciais significativos em uma entidade de classe

*Vera Lucia Rodrigues

Quando se fala no papel da imprensa em uma entidade de classe há que se pensar na atuação da própria entidade junto aos seus associados, formadores de opinião e governo, incluindo todos os poderes constituídos, que são, em sua maioria, os grandes responsáveis pelas dores e soluções dos setores representados.

Um exemplo no Brasil que envolve praticamente todas as entidades de classe, uma vez que atinge todas as sociedades civis organizadas e empresas instaladas do País, é a questão tributária e a questão dos custos de produção no Brasil. Como que as entidades de classe podem tratar dessa questão junto à opinião pública? Certamente que um esquema bem articulado junto a jornalistas e formadores de opinião pode ajudar muito. Por exemplo, recentemente  saiu uma matéria de capa no jornal Estado de S. Paulo falando de um estudo realizado pela ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos sobre o CUSTO BRASIL.

Como os números levantados foram parar na primeira página desse grande jornal, nas suas páginas de conteúdo, na Globo News, Jovem Pan e inúmeros outros veículos de comunicação, com grande penetração no processo de formação da opinião pública e alcance nas esferas dos poderes constituídos? É uma pergunta que vários gestores de entidades de classe, com números, pleitos e estudos igualmente importantes devem estar se perguntando.

Nesse caso e exatamente nesse sentido que uma assessoria de imprensa bem articulada e experiente com relacionamentos significativos pode ajudar a levar essa e outras questões à opinião pública e dar visibilidade a problemas e questões que normalmente ficam restritas aos gabinetes.

E o que significa aqui capacidade de articulação? Ter contato com os principais veículos de comunicação do País, estabelecendo relacionamentos com os jornalistas que realmente importam dentro da estratégia de cada cliente, oferecendo sempre, de forma personalizada, informações e matérias que possam ocupar espaço editorial e garantir a participação dos problemas da entidade de classe no noticiário.

Aqui devemos ressaltar ainda a necessária formação de porta-vozes para que se desenvolva uma proximidade com a imprensa, tornando-os referência para esses veículos de comunicação.

Existe uma enorme diferença entre assessorar empresas, celebridades e entidades de classe. E não existe fórmula pronta. preciso antes de tudo ter capacidade de entendimento do que o cliente, no caso a entidade de classe necessita. Qual é o problema dela? Representatividade? Expansão associativa? Articulação junto aos poderes constituídos?

E a partir dai sim elaborar um passo a passo, como um alfaiate que desenvolve um terno sob medida, de acordo com a necessidade e conforto do cliente.

Assessoria de imprensa para entidade de classe é uma alfaiataria capaz de elaborar as melhores peças, mas que atendam às necessidades específicas de cada cliente. É sob medida, esse é o grande diferencial capaz de efetivamente gerar resultado e colocar os pleitos das entidades em evidência dentro da melhor abordagem possível.

*Vera Lucia Rodrigues é jornalista, mestre em comunicação social pela Universidade São Paulo e há mais de 37 anos dirige a Vervi Assessoria de Comunicação

Como tomar decisões rápidas

Por:Janguiê Diniz*

Você já perdeu uma oportunidade por que não conseguiu tomar uma decisão a tempo? A maioria de nós já passou por isso. Sempre queremos tempo para analisar as possibilidades, pensar nas consequências, fazer a melhor escolha, mas nem sempre dispomos desse tempo. Principalmente no mundo empresarial, muitas vezes é preciso fazer escolhas em um tempo curto. E como fazer isso de maneira rápida? A resposta para isso é simples e complexa ao mesmo tempo: prática. A prática na tomada de decisões leva você a se aperfeiçoar na técnica e, assim, conseguir escolher mais rapidamente e de maneira mais acertada.
Para tomar decisões de forma rápida e certeira, antes de tudo, você precisa estar em um bom estado físico. Tomar uma decisão cansado, com fome ou com sono não é uma boa ideia, pois sua mente não vai estar em pleno funcionamento. Busque dar atenção às decisões mais importantes sempre nos momentos em que sua cabeça ainda não foi consumida por outros problemas. Assim, a chance de fazer a melhor escolha aumenta.
 
Muita gente pensa que ter menos opções ajuda a tomar uma decisão. De certa forma, isso pode até parecer certo, mas o fato é que, tendo apenas duas opções, por exemplo, você deixa de ter outras possibilidades mais criativas e completas. Entretanto, com três ou quatro alternativas, você tem mais parâmetros para avaliar a situação e mais possibilidades de atuação. Avalie-as de forma prática, separando as que não parecem boas para você. Com o tempo, fica fácil reconhecer padrões nas decisões que você precisa tomar, situações que se repetem, o que abrevia ainda mais o tempo de escolha.
 
Jeff Bezos, Fundador da Amazon, disse certa vez que divide as decisões que precisa tomar em dois grupos: as que podem ser revertidas e as que não podem ser revertidas. Se você pode voltar atrás futuramente em uma decisão, então não há porque gastar tanto tempo pesando prós e contras. Apenas decida e, se necessário, desfaça a escolha. Agora, se você não poderá voltar atrás, é melhor, de fato, dedicar um pouco mais de tempo na avaliação do problema. O problema, ainda segundo Bezos, é que muitas empresas confundem esses dois tipos de decisões, considerando todas como irreversíveis. Isso resulta em lentidão no processo decisório. O contrário, considerar todas as decisões reversíveis, também é nocivo. Portanto, saiba identificar bem o tipo de decisão que precisa tomar.
 
Caro leitor, tenha uma coisa em mente: tomadas de decisões fazem parte da nossa vida pessoal e profissional. São inevitáveis. O que podemos fazer é nos acostumarmos a elas e nos aperfeiçoarmos no processo. Isso só vem com a prática. Quanto mais praticar as decisões rápidas, mais naturalmente isso vai acontecer. Ocasionalmente, você fará escolhas erradas, mas terá que conviver com elas. Ninguém é perfeito. Por isso, não deixe de tomar decisões por medo de errar. Saiba que a indecisão é que mata, não a decisão errada. Portanto, evite ficar nessa de “não sei qual a melhor opção, preciso pensar”. Aja com calma, mesmo nas situações mais imediatistas. Confie no seu talento e no seu instinto.
*Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educaciona

Marcello Silva lança seu novo livro as margens do Porto do Mosquito.

 

 

O dia 25 de agosto parecia um sábado normal na rotina da nossa cidade, porém não foi. Mar. Vento. Poesia. Foi a combinação perfeita para o lançamento do livro Homo Cactus, do chavalense Marcello Silva.

No final da tarde, junto ao por do sol, na barraca Gamboas, no Porto do Mosquito, universitários, adolescentes, crianças, idosos e moradores das cidades circunvizinhas se reuniram para um bate-papo literário sobre as tramas que Marcello desenvolveu em seu livro de contos.

O bate-papo foi mediado pelo escritor parnaibano Pádua Marques, membro da Academia Parnaibana de Letras. Também marcaram presença os escritores Alexandre César, Carvalho Filho e Antonio José Sales.

Durante o bate-papo, o autor nos contou sobre seu processo criativo e a escolha do título da obra. Segundo Marcello, Homo Cactus representa a força, a resistência do povo nordestino, que mesmo diante de toda dificuldade, consegue criar poesia. Cada conto presente no livro, traz a vivencia do autor quando criança, são estórias ouvidas no alpendre de casa, muitas delas narradas pelos avós.

Rasga mortalha, imburana, benzedeira, lobisomem, pau-d’arco, curral, casa de taipa. Cada palavra nos leva ao imaginário popular cearense; cada palavra nos leva para dentro do sertão cantado por Luiz Gonzaga e versado por Patativa; cada palavra reafirma a força cultural do sertanejo, que R.E.S.I.S.T.E  como um Homo cactus. Fonte: Neycikele Sotero.

 

 

 

Uma eleição sem Lava-Jato

Como seria o Brasil de hoje se a Odebrecht e a OAS continuassem dando as cartas?

Ascânio Seleme – O Globo

Se o bombardeio contra a Lava- Jato feito pelo PT e por outros partidos tivesse conseguido destruir a operação, a história desta eleição seria bastante diferente. Apesar da felicidade geral da nação petista, que teria seu Lula livre, o país seria outro. Ou talvez o mesmo de anos atrás. Vamos ver como estaríamos nesse momento caso Moro, Bretas, Dallagnol e suas equipes tivessem sido efetivamente impedidos de prosseguir investigando casos de corrupção e punindo corruptos.

Lula — Estaria em plena campanha eleitoral. Como não poderia viver o papel de vítima, muito provavelmente não teria 37% das intenções de voto. Passaria toda a campanha explicando a corrupção endêmica de seu partido, o desastre do governo de Dilma e as acusações contra ele que não foram adiante com o sepultamento da Lava-Jato. Odebrecht e OAS estariam financiando a campanha pelo caixa 2. Nas folgas da maratona eleitoral, relaxaria no seu tríplex no Guarujá ou no seu sítio de Atibaia.

Dilma — Sem Lava-Jato, o Congresso não teria reunido força política para afastá-la do cargo. Estaria pilotando uma economia agonizante. Seu índice de aprovação seria baixo, mas melhor do que Temer experimenta hoje, porque tem gente que não quer mesmo enxergar. Seguiria no Planalto até se aposentar em 31 de dezembro.

Temer — Teria se desincompatibilizado da vice-presidência para concorrer a uma vaga na Câmara. Como as acusações contra ele não seriam investigadas, muito possivelmente seria eleito na margem de erro.

Antonio Palocci — Esse já estava bastante sujo por falcatruas anteriores à Lava-Jato, mas mesmo assim seria candidato a uma vaga na Câmara. Não seria chamado para ajudar no plano de governo de Lula, muito liberal para este novo PT.

José Dirceu — Cumprida sua pena pelos crimes do mensalão, voltaria a encarnar o papel de guerreiro do povo brasileiro. E muita gente acabaria caindo nessa. Seria, claro, candidato a deputado federal. Não arriscaria uma eleição majoritária.

Eduardo Cunha — Solto, com dezenas de contas milionárias no Brasil e no exterior, continuaria achacando empresas e empresários. Seria o deputado federal mais votado do Rio e financiaria uma bancada gorda com mais de 100 parlamentares em diversos estados. Voltaria a presidir a Câmara.

Sérgio Cabral — Seria o candidato a vice de Lula. Agregaria o perfil do governador pop do Rio, o tempo de TV e o fundo partidário do MDB à campanha petista. Nas folgas de campanha descansaria com a serelepe Adriana Anselmo na sua casa de Mangaratiba cercado de quadros de Romero Brito e garrafas de vinho de US$ 2 mil a unidade.

Aécio Neves — Como Temer não teria sido presidente, a série de eventos provocados pelas gravações de Joesley não ocorreria. Aécio não teria sido flagrado chafurdando nos cofres dos Batistas e seria, portanto, o candidato do PSDB a presidente. O “bom moço” de Minas chegaria embalado pelo enorme recall de 2014 com chances de ir para o segundo turno.

Gleisi Hoffmann — Seria coadjuvante no cenário nacional. Mas certamente se candidataria mais uma vez ao governo do Paraná.

Lindbergh Farias — Não se conheceria o seu lado aloprado e não teria a visibilidade que ganhou com o impeachment de Dilma e a prisão de Lula. Por isso, suas chances de sucesso na reeleição seriam menores.

Marcelo Odebrecht — Estaria hoje um pouco mais pesado, já que não teria passado dois anos na cadeia sem nada para fazer a não ser ginástica. Teria mantido o Departamento de Operações Estruturadas de sua empresa e continuaria jorrando dinheiro desviado do público para campanhas privadas. Todos os outros empreiteiros estariam muito bem, obrigado.

Léo Pinheiro — Já teria sido chamado para fazer algumas reformas e ajustes no tríplex dos Lula da Silva no Guarujá.

Petrobras — Não teria recuperado os R$ 2,5 bilhões com a Lava-Jato. A sangria continuaria em curso.

Pedro Barusco — Não seria conhecida a medida monetária em que um Barusco equivale a 100 milhões de reais.

Alberto Youssef — Com o dólar a R$ 4, estaria nadando de braçada.

Tesoureiros — Todos os do PT estariam bem e felizes. Nenhum teria sido preso.

Marqueteiros — João Santana e Mônica Moura estariam cuidando da campanha de Lula. Duda Mendonça continuaria no mercado.

Advogados — Alguns dos maiores do Brasil teriam dezenas de milhões de reais a menos em suas contas. E Zanin… que Zanin? Ninguém conheceria Cristiano Zanin.

Governo atrasa repasses para 94 hospitais

A crise nos hospitais de Campo Maior e de Castelo do Piauí ocupou o noticiário da semana passada. A situação foi exposta a partir de áudios de seus diretores que vazaram através das redes sociais, nas quais relataram a falta de insumos para o funcionamento dos hospitais.

O secretário de Saúde, Florentino Neto, também se pronunciou, negando a crise. Ele garantiu até que o Hospital de Campo Maior, por exemplo, tem R$ 500 mil sobrando em caixa e créditos a receber.

O Hospital de Batalha é um dos 94 que não recebem repasses da Saúde 

O vazamento dos áudios resultou na exoneração dos diretores dos dois hospitais e repercutiu amplamente também nos meios políticos.

Estado deve a hospitais

A penúria dos hospitais, negada pelo secretário de Saúde, não se resume, porém, a esses dois. A situação da saúde no interior é dramática.

Conforme o Conselho Estadual de Secretários Municipais de Saúde, estão atrasados os repasses para os 94 Hospitais de Pequeno Porte (HPP). Esse atraso já chega a 10 meses.

São quatro meses do Governo Zé Filho e os demais do Governo Wellington Dias.

O Cosems informou que houve gestões junto à Secretaria de Saúde, intermediadas pela APPM e pelo próprio Conselho, para acertar os pagamentos, mas os vários acordos firmados ao longo do tempo não foram cumpridos.

Mais atraso

O Conselho Estadual de Secretários Municipais de Saúde informou ainda que estão atrasados também os repasses dos recursos do cofinanciamento do Sus. Esse atraso chega a 12 meses de atraso.

O Governo do Estado deve repassar esses recursos para os municípios com o objetivo de fortalecer a atenção básica no interior. Aí estão incluídas as ações do Programa de Saúde da Família (PSF).

O município com 10 mil habitantes deve receber R$ 9 mil por mês. O que tem 20 mil habitantes tem direito a um repasse mensal de R$ 19 mil para o confinanciamento da atenção básica.O repasse desses recursos está atrasado para os 224 municípios do Piauí.

O Cosems não soube informar o valor da dívida. Só o município de Teresina tem R$ 15 milhões a receber.

Justiça

Agora, os prefeitos começam a buscar a via judicial para resolver o problema, ou seja, para receber os pagamentos em atraso.

Eles alegam que não têm condição de continuar bancando as despesas com a saúde sem a contrapartida obrigatória do governo.

Por: Zózimo Tavares

As mentiras sobre o azeite de coco e a campanha política no Brasil. * Pádua Marques.

 

 

Andava eu escacaviando ontem na internet e me veio notícia de que uma epidemiologista alemã de nome Karin Michel, presidente de um tal  de Instituto para a Prevenção e Epidemiologia de Tumores, na Universidade de Freiburg e pesquisadora da Universidade de Harvard que andou descobrindo coisas horríveis sobre o nosso tão querido e gostoso óleo de coco. Disse poucas e boas.

Disse pra uma pá de gente pelo mundo que o óleo de coco é mais perigoso que a banha porque contém quase que exclusivamente ácidos graxos saturados que aumentam os níveis de colesterol, o bom e o ruim, o que pode entupir as artérias. Portanto, na opinião dela, o óleo de coco é um veneno. Quem sou eu que não sou médico nem nada pra discutir com tão alta autoridade?

Óleo de coco. Sim, aquele mesmo que até outro dia era usado e abusado na nossa cozinha, agora passou a ser espinho de garganta! Qual é o filho de Deus aqui no Nordeste que não conhece? Qual é o cristão aqui em cima da terra que já morreu porque havera de ter comido um capitão de feijão temperado com azeite de coco, uma manjubinha frita, um mandi, um feijão verde, me diga? Conversa mais besta essa, dizer agora que azeite de coco causa alguma doença!

Desde que me entendo por gente, e quando e quando ainda não tinha por aqui esse tal de óleo de soja, que no interior, aqui do Bom Princípio, Cocal, Buriti dos Lopes, Marruás, Brejinho, que se tempera comida com azeite de coco ou banha de porco. E vem um e diz uma coisa e vem outro e desmente ou acrescenta mais! E em quem se pode acreditar numa hora dessas, meu Deus do Céu! Aonde é que inventaram mais essa, botando culpa no azeite de coco?

Azeite de coco que servia até pra passar no cabelo das meninas. A gente via no final de tarde nas portas das casas, as mães sentadas com as filhas menores entre as pernas, catando piolho. E aquele pente fino ia tirando os piolhos e as lêndeas que iam caindo aos montes num pano encardido. Horas e mais horas naquela arrumação besta na porta de casa. Uma coisa sem fim. Se pegava piolho que nem nuvem. Depois vinha o banho de azeite de coco. Shampoo era coisa de astronauta!

Aquelas meninas com olhinhos de bribas, reclamando às vezes de algum puxão mais duro. Era ocasião pra duas, três mulheres ficarem na porta de casa falando da vida alheia ou delas próprias. Se pabulando disso ou daquilo. Estava ali mais uma serventia do azeite de coco. E a mãe ali, matando piolho com aquela sensação de pegador de jacaré, com aquela faca no cós da calça, pronto pra rasgar a goela do bicho.

Tudo assim sem pestanejar e sem muita conversa. Depois o jacaré ia ferver na panela ou frito com azeite de coco. Agora mais essa de dizer que faz mal. Faz mal e muito é neste tempo de pouca confiança os políticos andarem na rua prometendo isso e aquilo. Dizendo que vão fazer porto, ponte, dar luz e água de graça, escola, aumento de salário pra professor e hospital de primeiro mundo. Isso é que faz mal. Queria ver era essa pesquisadora subir no coqueiro e ir derrubando coco pra tirar azeite.  *Pádua Marques, jornalista e escritor.

Caos na saúde do Piauí

Por:Arimateia Azevedo

Quem ouve os candidatos ao governo do Piauí – e também outros para o Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa – fica sabendo que entre as suas propostas, eles elencam vários projetos para o setor da saúde. Parece que esse setor virou o epicentro de todas as denúncias fazendo crer que a crise dos hospitais regionais do estado pode ter chegado a um ponto tal que as denúncias se multiplicam através das redes sociais.

Se ouve, por exemplo, um áudio onde se imagina que seja a diretora falando do caos no hospital regional de Campo Maior. E, assim, servidores de hospitais de outros municípios já não conseguem mais se calar diante de tantas dificuldades.  Diz-se, que no Hospital Regional de Campo Maior, os médicos vão deixar de atender e que serão fechados 30 leitos, pois na unidade falta de tudo, sem medicamentos, sem alimentação e sem salários. Seguramente, os doentes de maior urgência e casos de maior complexidade serão todos transferidos para outras cidades, preferencialmente Teresina.

Pelo exemplo de Campo Maior dá para se ter uma ideia do que acontece nos outros hospitais, nos mais distantes interiores do Piauí, a começar pelo atraso de salários – em alguns, há mais de quatro meses, como se denuncia no caso do hospital regional de Picos. Em um período em que as doenças endêmicas recomeçam e se tornam mais necessárias ações preventivas e ações de restabelecimento da saúde das pessoas, torna-se impossível buscar alternativas imediatas que não seja a pronta intervenção do governo no setor, já que os médicos não querem mais atender nos hospitais pela absoluta carência de meios para fazê-lo, e, com isso, a população é quem termina sendo prejudicada, numa demonstração evidente do caos completo no setor.

Eleições 2018: É preciso um olhar isento sobre Parnaíba

POR:BERNARDO SILVA

Parnaíba precisa ser olhada de uma forma livre, sem nenhum resquício de partidarismo, porque ela é maior que todo e qualquer sentimento limitado. Nós que hoje habitamos a cidade vamos passar, todos. E ela ficará, para nossos filhos, netos, filhos e netos de nossos familiares e amigos. E neste contexto cabe uma reflexão: o que estamos fazendo para tornar nossa cidade mais agradável, mais gostosa de se viver?!!!

Olhando as discussões políticas nas redes sociais o que se vê é um amontado de bobagens, idiossincrasias, diarreia verbal. Uns achando que o prefeito é ridículo, faz uma administração medíocre e que todos os que fazem hoje a administração municipal são suspeitos. Suposições que se baseiam em quê? Mão Santa é o prefeito, quer queiram ou não. Eleito democraticamente pela vontade popular, a mesma a que vai se submeter quando terminar o mandato, caso queira a reeleição. E ninguém votou nele enganado. Todos o conheciam de velhas eleições. Ele sempre foi do jeito que é.

Não vamos tentar santificar ou demonizar quem está ou quem esteve no poder. A discussão é mais ampla, mais abrangente. Qual o saldo positivo, concreto, dos que passaram e o que se pode vislumbrar dos que aí estão?

Sobre Mão Santa, que se espere até 2020 para retirá-lo ou não do poder. Que as críticas aconteçam, para aperfeiçoar a administração. Isso é válido. Mas invalidemos o deboche, a tentativa de ridicularizar a autoridade legitimamente constituída.

Se tão insignificante fosse Mão Santa, como a oposição tenta pintar, por que tantos pré-candidatos ao governo do Estado teriam vindo buscam seu aconselhamento? Todos estariam fora da caixinha, como acham que o prefeito de Parnaíba está?! E em que somam os deboches, as mentiras, os factoides… enquanto isso o inimigo da cidade ronda, em busca de mais 4 anos de poder.

Estamos numa campanha eleitoral, com candidatos velhos, de métodos carcomidos, que sufocam o progresso e envergonham a população, com suas práticas indecentes. O que vamos fazer para nos livrar disso? Sabe-se que o mal vence na ausência do bem. E onde está o bem? Onde estão os bons, que podem nos tirar do lamaçal a que nos relegou este governador Wellington Dias?!

Desde que me entendo por gente nesta cidade ouço falar de uma tal “união pela Parnaíba”, que nunca vem.Por exemplo: quem protestou na Assembleia Legislativa contra o deboche do governador Wellington Dias contra as coisas de Parnaíba? Quem em Brasília se lembra da cidade na hora das emendas parlamentares, nas quais se sustentam alguns investimentos que ocorrem nos municípios do Estado? Sim, porque o Fundo de participação só dá – e mal – para a folha de pagamento e o Piauí não tem indústrias, não tem grandes empreendimentos por omissão do atual governante que, ao invés de pedir pelo menos a conclusão das obras dos Tabuleiros , e/ou outra obra estruturante, se preocupou em puxar o saco de Lula e Dilma, quando no poder, e agora de Lula, quando atrás das grades. É esta a visão do primeiro mandatário do estado: ser subserviente para receber de Lula a alcunha de “índio mais sabido do Brasil”.

O que de prático existe em Parnaíba, do governo do Estado, funcionando a contento? E por que votar em um governante que deu as costas para a educação e agora tem seu governo envolvido em escândalo, sob suspeita de roubalheira na Secretaria, que era comandada pela 1ª dama do Estado? Reflita-se sobre isso, porque o assunto é muito sério. voltaremos ao assunto

 

Polícia na política

Por:Zózimo Tavares

Capitão, sargento, soldado, coronel, tenente, delegado… Pelo menos 746 postulantes às eleições deste ano carregarão consigo, para as urnas, as instituições às quais estão ou foram vinculados.

Mais de um quarto deles (199) vai concorrer pelo PSL, do deputado e presidenciável Jair Bolsonaro.

Levantamento do site Congresso em Foco mostra que pelo menos 19 patentes e cargos relacionados a forças policiais, militares e armadas serão utilizados por candidatos nas eleições de outubro.

O levantamento aponta que a maioria desses candidatos com patente no nome vai concorrer a vagas nos legislativos estaduais e federal em 23 estados e no Distrito Federal.

Bolsonaro puxa candidatos

O número de candidatos pelo PSL disparou com a candidatura do capitão Bolsonaro.

Nem todos, porém, levam a patente ou a instituição à qual pertencem no nome, como o próprio Bolsonaro, um capitão da reserva do Exército.

O TSE indica em seu site que 889 pessoas declararam à  Justiça Eeitoral serem membros das instituições militares (bombeiros, policiais e militares reformados) neste ano. Entre eles, o próprio presidenciável.

O número é quase idêntico ao de 2014, quando 888 pessoas se autodeclararam militares. O que muda é o maior uso da patente na propaganda dos candidatos.

Representação

Ao todo, são 430 postulantes a deputado estadual, 19 a distrital e 262 a federal.

Na lista aparecem, ainda, oito candidatos a governador, oito a vice, um a presidente, o Cabo Daciôlo (Patriota), e um a vice-presidente, o General Mourão (PRTB), que faz chapa com Bolsonaro.

Para esses candidatos, a população tem buscado nas forças policiais referências para levar para a política.

Não existe qualquer dado mostrando que a representação política tenha melhorado com a maior participação de policiais na política.

Além de não apresentarem propostas inovadoras e consequentes para os graves problemas do país, em geral eles têm feito mais do mesmo que muitos dos políticos profissionais fazem: demagogia, fisiologismo e carreirismo.

O Lucro da Petrobras e a greve dos caminhoneiros

Reinaldo Moura*

Lucro não é pecado. Pecado é o lucro a qualquer preço. Uma empresa estatal, por exemplo,que não reduzir o preço de seu principal produto, a ponto de provocar uma paralização geral em nosso País, como a recente greve dos caminhoneiros, é fruto de  uma insensibilidade de uma péssima gestão pública.

Sabemos que a gestão corporativa tem o foco no negócio e visa lucro, mas o governo tem, ou melhor, deveria ter uma visão mais holística para tomar decisões mais inteligentes. É sempre bom deixar claro que a gestão privada é diferente da gestão pública, e muitos setores por natureza são deficitários. Inúmeras ferrovias no mundo têm custos maiores do que suas receitas, porque precisam promover o desenvolvimento regional.

Ainda não conhecemos o prejuízo total desta paralização e seu impacto real na queda do PIB, mas com certeza foi maior que o lucro declarado de R$ 10 bilhões no primeiro semestre.

Em síntese, enquanto não se privatiza a Petrobras e o mercado não é aberto à livre concorrência, não deveríamos  arcar com as penalidades de uma péssima gestão? Não podemos mais deixar o Brasil inteiro refém de uma empresa e seus interesses particulares. E vale destacar que há sempre muitas especulações sobre a gestão da petrolífera. Haviam acusações de analistas, como a do falecido jornalista Paulo Francis, de que a empresa teria sido usada historicamente como uma espécie de usurpadora de boa parte dos ganhos do povo brasileiro para manter privilégios de alguns poucos beneficiados.

Segundo aquele comentarista, haveria superfaturamentos em profusão em muitas operações. O jornalista acabou processado na justiça norte-americana por suas colocações radicais. Mas de fato, o que todos brasileiros acabaram vendo a seguir, depois de décadas, foi que houve realmente uma gigantesca sangria de recursos por seus dutos, que acabaram finalmente devastando a companhia.

Hoje, ela está com uma imagem mundial e nacional muito chamuscada e desgastada por conta desses desvios criminosos, que são verdadeiras fortunas até para xeiques árabes. E a greve caminhoneira só contribuiu.

Os brasileiros de esquerda continuam defendendo o modelo getuliano estatal de 1953, mas a esmagadora maioria do empresariado nacional acredita que é preciso mudar esta sociedade de economia mista para o bem geral do País. Não é mais possível deixá-la como está.

Como empresa estatal na sua fundação, a Petrobras teve um papel importante e estratégico ao longo dos anos. No entanto, hoje o mundo sofre mudanças radicais e a matriz energética está sendo trocada em muitos segmentos.  Na área automotiva, por exemplo, será uma questão de algumas poucas décadas para os veículos elétricos se firmarem como o de uso padrão.

Talvez, no futuro, surjam também novas pesquisas para substituição dos polímeros, que é um dos subprodutos do petróleo mais usuais, por opções mais sustentáveis. O chamado ‘plástico verde’, que nada mais é do que o polietileno extraído a partir do álcool etílico (etanol) da cana-de-açúcar, é uma fonte renovável de grande potencial e para viabilizá-la será preciso mais pesquisas, visando a redução dos custos, que hoje ainda não alcançou o patamar indicado economicamente.

É preciso também pensar em outras alternativas para desconcentrar o transporte rodoviário brasileiro, grande consumidor de diesel e óleos lubrificantes, originários do petróleo.  O uso do caminhão continua sendo uma das modalidades mais caras e os Estados Unidos é um bom exemplo de como é possível diversificar a logística. A rede ferroviária norte americana tem mais de 230 mil km de extensão e é mais extensa do planeta. Qual seria a razão desse interesse norte-americano nos trens?

Com as mudanças vindouras, a Petrobras seguramente terá que se redesenhar de um jeito ou de outro. O que não se pode mais concordar é que a companhia continue sendo uma superorganização supranacional, inalcançável, inatingível, olhando apenas para seu próprio umbigo e interesses corporativos, em detrimento de todos os brasileiros.

*Reinado A. Moura é engenheiro e fundador do Grupo IMAM 

Artigo: Como desenvolver a coragem

Por: Janguiê Diniz (*)

Muitos até preferem negar, para parecerem mais corajosos, mas a verdade é que todo mundo já sentiu medo em alguma situação. Medo de agir, medo de falar, medo de se arriscar em algum empreendimento. O medo é natural e inerente à natureza humana. Ele é até bom, pois nos faz agir com cautela. O que não podemos deixar é que ele nos impeça de agir. Ele não pode ser maior que sua vontade de seguir em frente. Para vencer o medo, é preciso coragem.
 
A coragem não é a total ausência de medo, mas é não ceder ao medo, é manter-se em movimento mesmo na insegurança. É se libertar das amarras que lhe prendem no lugar. É conseguir agir apesar do medo. Tentar fugir do medo, ou disfarçá-lo, só o torna mais forte.
 
Nossa cultura nos ensina que demonstrar emoções é sinal de fraqueza. O efeito prático, no entanto, é justamente o contrário: o medo e essas emoções são potencializados. Não dê tempo ao seu cérebro para criar esses argumentos. Em alguma situação que você sabe que pode ter medo, procure não pensar muito e apenas agir. Quanto mais você pensa, mais tempo o medo tem para tomar conta do seu pensamento e lhe deixar em estado de paralisia.
 
Para desenvolver a coragem, você precisa, antes de tudo, se conhecer. Saber quais são suas limitações e suas habilidades, além de pensar no que é realmente importante para você, ajuda a criar coragem para assumir posturas diante das situações da vida. Uma boa estratégia é tentar entender seus medos, de onde eles vêm, porque acontecem e porque lhe impedem de seguir. Conhecendo-os, fica mais fácil de lutar contra eles. O mais importante é mudar de atitude. Reveja seus erros, suas fraquezas e gere mudanças.
 
É muito comum termos medo em nossas carreiras profissionais. Medo de mudar de emprego, medo de abrir um negócio próprio, medo de errar, medo até de assumir uma posição superior no trabalho. Mas ele não pode impedir seu progresso e seu desenvolvimento profissional. Se você recebe uma proposta profissional ou tem um desejo, é porque você tem qualidades que chamam atenção da pessoa ou organização que lhe fez o convite.
 
Para lutar contra o medo, é importante ter uma mudança de pensamento. Pare de pensar no que tem a perder, no que pode dar errado, e comece a focar nos benefícios que terá como resultado. Você precisa avaliar se os prós são maiores que os contras de uma decisão. Se forem, de fato, mais vantajosos, é hora de vencer esse medo e seguir em frente.
 
Depois de mudar o pensamento, você precisa mudar suas ações. Vá vencendo seus pequenos medos, aquelas situações mais simples do dia a dia, que, aos poucos, você se tornará mais corajoso e, enfim, se sentirá apto a vencer seus maiores medos. A coragem não é algo que se cria da noite para o dia, mas um processo de autodescobrimento que vai lhe tornar melhor.
(*) Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional

Sem porto marítimo e sem a ferrovia Transnordestina, ZPEs do Piauí serão inviáveis!!

Por: Tomaz Teixeira

Faz pena a falta de conhecimento na condução do projeto da ZPE de Parnaíba. Sem porto de mar e sem ferrovia ligando Itaqui/MA e Pecem/CE, pela ferrovia que liga Teresina a Parnaíba, que há muito cobra a sua recuperação para ligar a capital a Luiz Correia. Mas, infelizmente, os políticos do Piauí não viabilizam projetos consistentes de desenvolvimento e sequer, têm propostas direcionadas ao progresso do Piauí, em cima de planejamento de resultados.

A ZPE de Fortaleza, encravada dentro do Porto de Pecém, é o grande entrave para a ZPE do Piauí, onde pela lógica, exige apenas dois fretes das montadoras que preferem o Ceará, exigindo apenas um frete de vinda e outro de volta. Enquanto isso, a ZPE do Piauí, localizada em Parnaíba, cidade litorânea, mas, isolada no norte do estado, por falta da ferrovia e do Porto de Luiz Correia, já descartado pela Secretaria Nacional de Portos, como inviável, devido o assoreamento da área portuária, sem condições de viabilidade técnica, se constituindo no grande entrave da ZPE do Piauí. Daí, o fracasso do projeto da ZPE de Parnaíba. Em Teresina, esse projeto encravado na margem da ferrovia que liga a capital do Piauí aos estados do Ceará e Maranhão, seria mais viável.

Mas, falta aos políticos do estado, competência, visão empreendedora e maturidade, com visão de estadista para que projetos como esses sejam priorizados, pelas emendas de bancadas e projetos de viabilidade técnica e econômica, na busca por investidores que tenham interesse no aproveitamento desse projeto da ZPE do Litoral.

Competência gente! Competência! Mas, falta planejamento de resultados direcionado ao desenvolvimento do estado com sustentabilidade, quando, a ZPE, se tivesse a recuperação do trecho ferroviário ligando Teresina ao litoral, com a ligação ferroviária de Teresina com o porto de Pecém/CE e Itaqui/MA, o projeto se viabilizaria, diminuindo a incidência de 3 fretes de vinda e 3 de volta. Ora, 6 fretes? Sim, um frete do país de origem, até aos portos do CE ou MA, de trem até Teresina e de Teresina para Parnaíba, de carreta!! Qual montadora deixaria de optar pela ZPE de Pecém, CE, que permite apenas 2 fretes, sendo um de vinda e outro de volta, para as montadoras que há muito estão chegando e optando pelo Ceará. Daí, ser a ZPE de Fortaleza, a mais viável entre todas que o então Presidente José Sarney premiou os estados nordestinos. Pelo tempo, serve para mensurar que nossa classe política é neófita, despreparada e não têm interesse no progresso e muito menos no desenvolvimento do estado.

O Piauí precisa melhorar o nível de sua classe política pelo menos contratando consultorias, que orientem os políticos a dotarem o estado de projetos consistentes e factíveis de desenvolvimento. Mas, quem são esses políticos com essa mente fértil? Você conhece? Falta cultura empreendedora aospolíticos do estado. Daí, se comentar e opinar em rodas de pessoas lúcidas, de que o Piauí precisa e com urgência, ser governado por jovens empresários de visão empreendedora como aconteceu no vizinho estado do Ceará, com a arrancada promovida pelo grande Governador Tasso Jereissati.

Mas, Conversando com o Diretor Técnico da ZPE de Parnaíba, Dinarte Cavalcante Porto, esse está otimista, com a conclusão da adutora principal dos tabuleiros litorâneos, que poderá ajudar na viabilidade de exportação da MEGA produção de frutos e seus derivados, o que poderá ocorrer muito breve.

Entretanto, as ZPEs existentes no mundo, têm a filosofia diferente, que é, de atrair grandes montadoras de máquinas, automóveis, eletroeletrônicos e empreendimentos outros, visando geração de empregos, gerando renda com sustentabilidade, e viabilizando o comércio de exportação das montadoras, bem como, aumentando o percentual permitido para a venda interna, ou seja, dentro do Brasil. Isso, já acontece,  com sustentabilidade na Zona Franca de Manaus. Para que esse sucesso venha acontecer, necessário se faz agilizar a recuperação da ferrovia, ou torcer, para que o Projeto do Complexo Industrial e Portuário do Vale do Timonha aconteça, como existe uma nobre proposta ainda não do conhecimento dos neófitos políticos do Piauí, que tomarão um susto, quando a bomba explodir em pleno Vale do Timonha, local do mais importante porto marítimo do nordeste. Com um calado que vai assustar os neófitos, incomPTentes despreparados políticos do nosso estado.

É o nosso duro e sério comentário de hoje, doa a quem doer!!!

 

 

Falido como partido, PT tenta a sorte como igreja

Por: Josias de Sousa

Impossibilitado de apresentar o seu candidato no debate presidencial da TV Bandeirantes, o PT decidiu realizar um evento paralelo. Transmitiu no mesmo horário, pela internet, o “Debate com Lula”. O nome não faz jus à iniciativa, pois Lula, preso em Curitiba, não deu as caras. E não houve um debate, mas uma espécie de culto de adoração à divindade petista.

Em comunicado divulgado na tarde desta quinta-feira, o PT anotou: “Lula prometeu e, enquanto é mantido injustamente como preso político, sua voz segue ecoando por milhões de outras vozes espalhadas por todo o Brasil. E nesta quinta-feira, quem terá a missão de falar em nome do ex-presidente, durante debate transmitido em suas redes sociais, a partir das 22h, será a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann; o porta-voz de Lula, Fernando Haddad; um dos coordenadores do Plano Lula de governo, Sérgio Gabrielli; e Manuela D’Ávila.”

Se o texto do Partido dos Trabalhadores significa alguma coisa, é o seguinte: a legenda não tem medo da morte. Mais: acredita em vida depois da morte. Melhor: a nota passa impressão de que a legenda de Lula já alcançou o paraíso. Após fenecer como partido, o PT ressurge na forma de uma religião. E tenta a sorte como igreja.

Missionários dos novos tempos, Gleisi, Haddad, Gabrielli e até a pecedobê Manuela se dispõem a arrastar as correntes do seu líder messiânico na internet porque são movidos por uma fé de inspiração cristã. O ingrediente da dúvida não faz parte do credo lulista. Seus devotos se alimentam da certeza de que a divindade presa é uma potência moral, que não deve contas senão à sua própria noção de superioridade.

Preso, Lula está em toda parte, menos no debate da TV Bandeirantes. Ali, a lei dos homens não permite que um condenado por corrupção e lavagem de dinheiro se apresente ao eleitorado pagão como um novo Messias.

Respeitem a imprensa!

 

Por: Camila Neto

O jornalismo me escolheu e não foi fácil escolher esta profissão. Até hoje não tem sido fácil exercer a profissão e ainda mais sendo mulher. Ai é que fica muito mais difícil, numa cidade como Parnaíba.

Tenho feito o meu trabalho nesta cidade sempre pautado no respeito a todos, independente de lado politico, porque tenho a convicção de que o politico e a politica sempre passam.

Depois que eu decidi pedir minha exoneração da Câmara Municipal, onde tinha feito meu trabalho de forma autônoma, sem vínculo partidário, resolvi trilhar outro caminho. E se não trabalho para grupos políticos, não é por falta de convite, mas porque eu sei que posso fazer um jornalismo imparcial e essa tem sido a minha pauta, o meu foco diário.

Eu tenho respeito a todos os que tem visto meu trabalho de forma honrada e tenho recebido elogios, pela forma como eu tenho me conduzido. E o segredo não está em grandes matérias ou matérias exclusivas, mas está na minha postura de ouvir e escrever, com credibilidade, tudo o que a mim foi relatado, por meio da confiança.

Quando meu amigo Bernardo Silva me convidou para assumir seu blog devo confessar que tive receio,pelo o posicionamento politico dele ser bastante forte. Mas ele me deixou bem à vontade com meu posicionamento e tudo tem sido conduzido com muito respeito para ambos. Hoje conseguimos conviver de forma harmônica e hoje somos grandes amigos. Tenho aprendido muito com meu querido amigo e é uma grande troca de experiências que quero levar para vida.

Agora, quero deixar claro meu apoio e meu carinho ao amigo e jornalista Bernardo Silva. E devido esse apoio tenho visto que algumas pessoas já estão querendo boicotar meu trabalho.  Essas pessoas deveriam estar preocupadas com a sua postura e popularidade, porque ambas andam de mal a pior.

Então, por favor, RESPEITO à imprensa

Agosto é mês pra achar graça. *Por Pádua Marques.

 

 

Já foi o tempo em que se costumava dizer que agosto era mês quando tudo de ruim, tragédia, calamidade, crimes, acidentes, coisas ruins faziam e aconteciam sem escolher cara e condição de quem havera de ter dinheiro no banco. Lembro que quando criança as pessoas se benziam e até passavam o mês inteiro escutando rádio e procurando saber os acontecidos.

Mas nos últimos anos as coisas e os governos ficaram tão medíocres, mas tão medíocres e ruins, as coisas ruins ganharam a rotina, a violência, roubo de celular, corrupção, surra em mulher, viadagem, dança da novinha, silicone na bunda, relação sexual, troca de sexo, casamento de pessoas do mesmo sexo, tudo em quanto não presta foi pra dentro da casa da gente e saindo pela televisão que coisa ruim ninguém nem mais se espanta.

Essa semana passada aqui na Parnaíba se deu um dos maiores momentos desta nova fase da história moderna, o chamado Agosto Vermelho. Vermelho porque a gente fica com a cara vermelha de tanto achar graça de tanta coisa que acontece, que se for colocar na caderneta uma em cima da outra há de perder a conta.  Mas tudo está documentado e visto pela nossa imprensa.

Temer saiu de Brasília e veio de cretado até o aeroporto lá no Catanduvas só dizer que estava deixando pro Mão Santa uns trocados, coisa de uns míseros 54 milhões de reais pros seculares Tabuleiros Litorâneos. Voltou no mesmo rastro e dizendo que Mão Santa não se avexe e não se acanhe quando precisar de alguma coisa. Tem carta branca e nem precisa enfrentar fila na porta do Planalto, sem necessidade de senha. Prometeu como se fosse ficar mais uns dez anos no poder.

Voltou no mesmo rastro. Agora aqui eu fico imaginando que talvez tudo isso não seja mais uma enganação. Temer está em final de mandato e de carreira. Corre agora e dentro de mais alguns meses o risco de ser processado e até preso, dependendo da visão da justiça. Não tem mais lá muito poder e muito menos condições de andar dando dinheiro a quem quer que seja. Até porque não se tem esse dinheiro todo.

A outra da semana vem da Câmara Municipal como protagonista. Geraldo Alencar Filho, o vereador de sete mandatos e, portanto vinte e oito anos de casa, com grandes projetos e serviços prestados à cidade na vereança, encasquetou com um artigo do Bernardo Silva. Disse que vai processar e pedir reparos por danos morais ao superintendente de comunicação da prefeitura. Fez os seus colegas votarem uma moção de repúdio e tudo o mais. Calculem só vossas excelências.

Se a gente acreditasse em feitiço havera de dizer que foi coisa feita do Codó pra uma banda, do Maranhão pra dentro. Mal Geraldinho fechou a boca dizendo que vai processar o Bernardo Silva e já na segunda-feira dois vereadores, Reinaldinho Santos e Bernardo Lima estavam usando um elevador, que nem ainda foi inaugurado, e pelo que se sabe custou um caminhão de dinheiro, o bicho deu enguiço. Estava junto o repórter Hudson Veras, da TV Delta. Depois de muita reza e muito medo todos saíram rezando o Pai Nosso e o Creio em Deus Padre.

E olhe que ainda estamos no início do mês! Pelo visto ainda vai acontecer muita coisa pra gente achar graça. Ainda bem que Mão Santa não chamou o Temer pra visitar a Câmara Municipal e andar de elevador. Deus sabe o que faz! Tanto sabe o que faz que enviou o Emanuel na hora do desespero. Emanuel vai ser condecorado com a Ordem Nacional do Mérito da Chave de Fenda. * Pádua Marques é jornalista e escritor, cronista e membro da Academia Parnaibana de Letras. 

O VEREADOR E A CRÍTICA JORNALISTICA

Texto de Antonio Gallas

Teve grande repercussão, de forma negativa evidentemente, a atitude do vereador presidente da Câmara, em reunir a edilidade parnaibana para propor uma Moção de Repúdio contra o Jornalista Bernardo Silva, superintendente de comunicação da Prefeitura Municipal e  atual presidente da Associação dos Comunicadores de Parnaíba –  ASCOMPAR.

Naturalmente que o vereador presidente da Câmara sentiu-se ofendido em sua honra quando o jornalista Bernardo Silva colocou à opinião pública parnaibana a seguinte indagação: “Vereador Geraldinho vai dar uma rasteira no Mão Santa?”

Um dos textos  da matéria jornalística que fizeram com que o chefe dos edis parnaibanos se sentisse ofendido foi este:  “ Há rumores de que o presidente da Câmara Municipal estaria se preparando para dar uma rasteira no prefeito Mão Santa em 2020.

Sempre muito elogiado pelo prefeito como sendo um político de primeira grandeza, estaria se preparando para se lançar carreira solo, deixando de apoiar uma possível candidatura do atual gestor e se lançando ele mesmo candidato a prefeito.”

Ora, jornalistas não podem mais fazer especulações?  Qual o medo de Geraldinho que essa história pudesse chegar aos ouvidos do prefeito? Antes de sair no jornal a história já estava sendo especulada nas rodas de bate-papo, na Banca do Louro, em diversos lugares… Com certeza teve um certo indício.

Outro assunto que não agradou o presidente da Câmara, foi o jornalista B. Silva ter feito outro questionamento sobre o fato de vereadores parnaibanos escolherem candidatos de fora e não os de Parnaíba para a campanha  de Deputado, quando a cidade tem candidatos próprios, filhos ou radicados aqui, que poderão nos trazer muitos mais benefícios do que candidatos de outras localidades.

A sociedade sabe que o Jornalista Bernardo Silva atua no ramo há mais de quarenta anos, e com brilhantismo, sendo uma das penas abalizadas do jornalismo parnaibano.  Sua opinião é respeitada e reflete na sociedade. Talvez por esta razão muitos temem as suas palavras ou críticas.  Pelo seu trabalho na imprensa, atuou no rádio, jornal e televisão,  recebeu elogios e méritos os mais diversos.  Uma delas foi o título de Cidadão Parnaibano que lhe foi outorgado pela própria Câmara Municipal. Na atual administração o prefeito Mão Santa também o homenageou com a Medalha e o Diploma do Mérito Municipal. É reconhecido o valor do jornalista Bernardo Silva que inclusive já foi assessor parlamentar na Câmara Municipal quando da presidência da vereadora Neta Castelo Branco.

O homem público seja vereador, prefeito, governador ou que exerça qualquer outro cargo está sujeito a críticas próprias da liberdade de expressão, de comunicação e de opinião, tanto pública quanto da imprensa.  Entretanto, muitos que assumem esses cargos se acham “intocáveis” invulneráveis, mas na maioria das vezes procedem de forma vulgar até certo ponto.

Acredito que se o vereador presidente da Câmara tivesse pedido ao jornalista Bernardo Silva o direito de resposta,  e usado a imprensa para desmentir a especulação, a coisa teria sido mais elegante, e não fazer ameaças dizendo que vai mover uma ação por danos morais e calúnia contra o jornalista.

Não sou advogado, mas não vejo nas palavras do jornalista Bernardo Silva um animus difamandi, muito menos uma crítica, mas apenas uma especulação de um fato que poderá acontecer.

Vivemos hoje em uma democracia e temos a nossa liberdade de expressão, de comunicação. O tempo das amarras já passou. O homem público deve estar preparado para receber críticas, caso contrário ele não está preparado para exercer o cargo. Tenho dito.