Eleições 2018: Oligarquia nunca é demais!

Por: Zózimo Tavares

Quando me iniciei no jornalismo político, em 1986, o pecado maior da política piauiense era a oligarquia. Ela era representada, naquele tempo, por dois primos – Hugo Napoleão e Freitas Neto, herdeiros do esquema político do senador Petrônio Portella.

Então, bater pesado na oligarquia tornou-se a principal bandeira da oposição, naquela e em outras campanhas eleitorais do Piauí. Isso rendia voto.

Lembro que nas eleições de 1998, o apelo eleitoral contra a oligarquia ainda era muito forte.

No segundo turno da eleição, o prefeito de Teresina, Firmino Filho, uma liderança emergente, aderiu ao governador Mão Santa (PMDB), que concorria com o senador Hugo Napoleão (PFL). O tucano lançou um slogan que incendiou a campanha:

– Oligarquia nunca mais!

O exemplo que vem de cima

Pois bem! Mão Santa foi reeleito, teve o seu mandato esbulhado na Justiça Eleitoral, em 2001, elegeu-se senador no pleito seguinte e a vida continuou.

O PT, já quase cansado de guerra, chegou enfim ao poder em 2003. Na sua pregação histórica, estavam a defesa da ética na política e o combate sem trégua ao nepotismo.

Com o exemplo vindo de cima, nos três mandatos do governador Wellington Dias nunca se viu tanto parente na política.

Uma nova leva

As convenções encerradas ontem despejaram mais uma leva de parentes na política piauiense. Eles estão tanto no palanque do governo quanto nos palanques da oposição.

O governador Wellington Dias manteve sua esposa Rejane Dias na disputa pela reeleição de deputada federal pelo PT.

O senador Ciro Nogueira, seu principal aliado e que já tem a esposa Iracema Portella como deputada federal, escolheu a própria mãe para a sua suplência.

A vice-governadora Margarete Coelho será candidata a deputada federal e o cunhado Hélio Isaías, como ela também do Progressistas, disputa a reeleição de deputado estadual.

O presidente regional do PSD, deputado federal Julio César, vai novamente para a campanha com o filho Georgiano Neto concorrendo à reeleição de deputado estadual.

O presidente estadual do PDT, Flávio Nogueira, concorrerá outra vez à Câmara Federal e seu filho, Flávio Júnior, disputará reeleição de deputado estadual.

Já o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Themístocles Filho (MDB), sai candidato à reeleição e lança o filho, Marco Aurélio, à Câmara Federal.

A deputada estadual Flora Izabel concorre à reeleição pelo PT e seu primo Jesus Rodrigues, ex-deputado federal, sai candidato a senador pelo PSol. 

Um dos candidatos a suplente do senador Ciro Nogueira é o ex-prefeito de Picos, Gil Paraibano, que tem uma sobrinha concorrendo à Assembleia com o apoio dele, a ex-deputada Belê Medeiros.

Tem mais!

Na oposição, o ex-governador Wilson Martins (PSB) concorrerá novamente ao Senado com um irmão, Rubem, disputando a reeleição de deputado estadual e um sobrinho, Rodrigo, tentando voltar à Câmara Federal.

Os ventos do Norte sopraram a delegada de polícia Cassandra Moraes Souza, filha do prefeito de Parnaíba, Mão Santa (SDD), como candidata a vice-governadora na chapa encabeçada pelo tucano Luciano Nunes.

Ainda na oposição, o candidato a governador Dr. Pessoa (SDD) foi salvo pelo gongo, na última hora.

O filho dele, João Pessoa, o Pessoinha, era candidato a deputado estadual pelo PMN, na vaga do pai, mas foi rifado no último momento pelos aliados, temendo a força eleitoral do pai.

A candidata a vice-governadora na chapa do Dr. Pessoa, Vanessa Tapety, é sobrinha do ex-deputado Mauro Tapety, que busca um novo mandato pelo MDB.Ela é filiada ao PTC.

Por que vereador de Parnaíba se acha “intocável?”

Por: Bernardo Silva

Por que alguns vereadores de Parnaíba se acham tão intocáveis? Pessoas públicas, como eles, jamais deveriam ser assim. Aprovaram, por exemplo, semana passada, uma moção de repúdio contra a minha pessoa, que não vai interferir em nada na minha vida, achando que a mim vão intimidar ou a alguns colegas de imprensa que exercem a profissão com responsabilidade. Alguns dos que aprovaram a tal moção, proposta pelo vereador Geraldinho, tenho certeza que sequer sabiam do que se tratava.

Que tempos são esses em que a mediocridade quer em se sobrepor a tudo? Que tempos são esses em que um reles vereadorzinho de interior acha que só deve receber aplausos, ser idolatrado, como se o poder temporário dado a ele fosse durar a vida inteira?!!! Quantos vereadores já passaram pela Câmara, deixaram-se contaminar pela arrogância e hoje são invisíveis, vivendo no ostracismo?

Se ninguém está acima do bem e do mal, as pessoas públicas menos ainda. Têm sim que ouvir críticas, aprenderem com elas conviver, buscando uma convivência pacífica com a imprensa séria, oferecendo o contraponto, sempre que se acharem injustiçado, neste ou aquele comentário.

E por que esta danação em quererem processar jornalistas, às vezes por besteira, sem uma razão plausível, com diz que vai fazer agora o vereador Geraldinho contra a minha pessoa? Pensam que a justiça não tem o que fazer? E ainda têm a audácia de pedirem indenização por danos morais! E em alguns casos, quem reclama danos morais não tem moral algum! Querem ganhar dinheiro fácil de jornalistas, processando-os, esquecidos que dinheiro se ganha com trabalho honesto.

Ao vereador Geraldinho, autor da moção de repúdio proposta na Câmara, meu repúdio. Ele se arvora de ser um parlamentar de 7 mandatos, o que daria 28 anos de vida pública… a troco do quê? Qual o projeto de relevância por ele apresentado durante esses anos? A cada novo mandato, mais 4 anos e quantos requerimentos e projetos de lei, que justificassem o salário que recebe?

E mais: qual vereador dos mais antigos não sabe o grau de fidelidade de Geraldo Alencar? Quantas vezes não deixou de honrar a palavra empenhada, na hora da votação da mesa diretora da Câmara? Se ele se zangou pelo comentário em que se pergunta se ele vai “dar uma rasteira” no prefeito Mão Santa, não cabe processo. Cabe ele procurar o veículo de comunicação que divulgou a nota e se justificar. Porque só o tempo há de dizer até onde vai esta fidelidade do presidente da Câmara Municipal ao prefeito de Parnaíba.

Mistura heterogênea

Por:Arimatéia Azevedo

A campanha eleitoral começa para valer, com programas de rádio e TV, no dia 16 de agosto. Até lá, os eleitores poderão ter um tempo precioso para entender a confusão em que se converteu a política nos últimos dias e a mistura que reúne no mesmo palanque políticos de partidos com candidatos diferentes nos planos local e nacional.

O palanque do governador do Piauí tem o MDB que apoiou Dilma (Marcelo Castro), a parte da mesma agremiação que está com Temer (Themistocles Filho), o Progressistas que votou pelo impeachment da ex-presidente (Ciro Nogueira) e como um espírito a guia-los todos, o ex-presidente Lula, que protagoniza peças de campanha publicitária. No palanque de Dr. Pessoa, do Solidariedade, apareceu todo cheio de si como protagonista o deputado Evaldo Gomes, do PTC, que era governista até a véspera.

Outro que também deu o ar da graça foi o ex-secretário de Assistência Social, Henrique Rebelo, que já foi do MDB e estava no PT. Nessa mistura toda, em que o contorcionismo para salvar o pescoço é mais importante, tem-se a nítida impressão de que a troca de um palanque pelo outro poderá ser muito facilitada na atual campanha. Bastará que as pesquisas eleitorais indiquem qual o destino onde o político pode obter mais vantagens. Na atual campanha eleitoral no Brasil (Piauí incluído) a definição pode estar na frase do coronel Jarbas Passarinho ante à decretação do AI-5: “Às favas, os escrúpulos”. O coronel estava certo de que havia uma guerra a ser vencida. Os políticos pensam somente em uma eleição.

Incoerência política deixa o eleitor desconfiado

Por: Cláudia Brandão

O senador Elmano  Férrer, do Podemos, surpreendeu a todos, ontem, com a desistência da sua desistência em concorrer ao governo do Estado. Elmano já havia até se licenciado do Senado para, segundo ele, dedicar-se integralmente à campanha eleitoral. Até que, alegando a influência de ‘forças ocultas’, abriu mão da disputa e saiu no cenário.

Ontem, voltou atrás e se lançou candidato por meio da chapa, denominada por ele próprio, de chapa da Resistência, ainda sem candidato a vice. Não se sabe o que aconteceu com as tais forças, se mudaram elas ou se mudou o senador.  As idas e vindas do agora novamente pré-candidato contribuem para criar ainda mais incerteza e desinteresse pela política. Não é a toa que as pesquisas divulgadas até agora registram altos índices de indecisos.

Não é a primeira vez, aliás, que o senador volta atrás em uma decisão anunciada publicamente. Na época da votação do impeachment da então presidente Dilma Rousseff, Elmano divulgou uma carta dizendo que votaria pelo afastamento da presidente. Logo depois, desdisse o que havia dito e votou contra.

A incoerência política abre espaço para a desconfiança na cabeça do eleitor. Sem saber como o candidato vai se manifestar no dia seguinte, não há como avaliar o seu comportamento. Em um cenário de tanta turbulência, o eleitor procura por ideias claras e atitudes firmes, tomadas com convicção por parte de quem pretende comandar o destino do estado.

Francisco de Canindé Correia: cidadão parnaibano de visão terceiro-mundista

Canindé Correia (ao centro), Depaula (plano superior), e Reginaldo Costa (primeiro plano, à esquerda), em entrevista a Vilmar Klein Ferreira.

Reginaldo Costa

No inicio da década de 70, quando oportunizei a condição de morador da cidade do Rio de Janeiro, vivi a plenitude dos primeiros sonhos, embevecido pela imponência daquela arquitetura e os benefícios proporcionados pelo poder da natureza, em que a imensidão do Oceano Atlântico, aconchegando-se em sua orla, desenha, caprichosamente, os contornos da exuberante Baía de Guanabara.

Andar sem compromisso pelo centro e bairros banhados pelo mar, visualizando o conjunto de belezas planetárias inconfundíveis, enchia-me os olhos de encantamento. Tanto que, recortes de imagens inesquecíveis conduzem à recordações nostálgicas da cidade e das pessoas, na época em que a vida era harmonizada pelo caráter solidário dos relacionamentos, a consolidar a identidade de um povo alegre, trabalhador, solidário, amante da liberdade. Referência universal do samba e da bossa nova, a Cidade Maravilhosa foi o berço onde nasceram alguns expoentes da música brasileira, entre eles, Cartola, Noel Rosa, Pixinguinha e Vinicius de Moraes.

Nesse cenário de beleza, vivia-se o inconformismo e as incertezas de um Brasil governado por militares, em que a ditadura mantinha a imprensa amordaçada. Dessa maneira, não se podia tomar conhecimento das prisões, torturas, e assassinatos de ativistas de esquerda. Diferente dos porões, nas rádios, os Novos Baianos dominavam as paradas com “Tinindo Trincando”, “Besta é Tu”, “Preta Pretinha” e “Brasil Pandeiro”, todas do vinil Acabou Chorare, considerado obra-prima da música brasileira, cujo exemplar ainda guardo, com imensa alegria.

Enquanto as estatísticas registravam o aumento da concentração de renda e da desigualdade social, como também, da promoção do sofrimento humano, em grande escala, o parnaibano João Paulo dos Reis Veloso, dos maiores entusiastas do regime de exceção e um dos sócios assíduos do clube dos generais, ocuparia a pasta do planejamento, nas gestões de João Baptista Figueiredo e Ernesto Geisel, contribuindo diretamente para a consolidação do tristemente afamado “milagre econômico”.

Embora sob a vigência de um regime que suprimia direitos constitucionais, entre outros malefícios à sociedade civil, nada abalaria a sensação de liberdade e descontração próprias do carioca, características incorporadas à rotina diária da casa-república, localizada à rua Barão de Pirassununga, nº 55/6, há poucos passos da Praça Saens Peña, no tradicional e simpaticíssimo bairro da Tijuca, onde eu me juntara aos conterrâneos Luís Costa, Umberto Tito Lima, José Alberto Ripardo e Carlos Petrônio de França Rego.

O local, favorecido pelo clima agradável, acolhia vasta quantidade de aves de diferentes espécies que se manifestavam todas as manhãs, pelas janelas da antiga construção, anunciando o novo alvorecer, em panorama semelhante aos longínquos rincões nordestinos, aflorando a saudade das nossas raízes.

Nessa estação de cores e harmonia, vivendo no auge dos primeiros sonhos, foi que conheci Canindé Correia. Na lembrança, o domingo de sol abrasador, daqueles de lotar as praias, coloridas de mulheres exuberantes, sensualizando por amplas passarelas de areia ao frescor das águas oceânicas, enquanto outras, mais ousadas, se expunham ao sol, sem qualquer modéstia, a refletir o brilho dos corpos bronzeados, desproporcionalmente amparados por diminutas tangas, acessório revolucionário de libertação feminina, lançado naquele verão tropical.

Na manhã de um dia recompensado pela sequência do que viria, a colônia parnaibana houvera iniciado as atividades domésticas, contando piadas, conversando qualquer coisa, interagindo de maneira agradável com os ponteiros do relógio, a completar o ciclo diário de transportar para o futuro sensações de momentos indescritíveis.

Seguindo a velocidade do pingue-pongue verbal, audível da sala a área de serviço, alguém sugere feijoada para o cardápio. Repentinamente, uma voz projetada de outro compartimento da casa, propõe uma rodada de caipirinha, certamente na intenção do grupo filtrar as emoções de mais uma semana de compromissos com a vida. Entretanto, da teoria à prática, caberia uma questão de ordem, sobretudo, onde não sobra cascalho. Nesse caso, nada mais eficaz que uma vaquinha, o que foi prontamente realizado.

Espontaneamente, o evento ganharia forma e estilo próprios, incluindo a acomodação em círculo, no aconchegante piso assoalhado da sala, onde todos deveriam compartilhar do cachimbo da paz, na verdade, uma cuia, joia rara, disponibilizada não me lembro por quem, abastecida com a bebida deliciosa. De boca em boca, todos saciariam a sede, instante em que, adentra ao recinto, os visitantes da hora, Canindé Correia e Milton Cherman, este, ex-morador daquele cafofo.

A partir de então, as conversas seriam favorecidas por conteúdo divertidíssimo. Em cena, o piadista nato, Umberto, escrito com “u”, sobressaindo-se na maneira de expor ao ridículo, figuras consideradas folclóricas da vida parnaibana. E não escapavam à lembrança, políticos, jornalistas, animadores culturais, gente do mundo de fantasias das socialites. Para temperar a mistura, não poderia faltar a essência especial do humor parnaibano, na figura do lendário Pacamão, com suas tiradas engraçadíssimas.

Aquele endereço, simples e acolhedor, adequado à visita de gente com energia favorável à harmonia entre as pessoas, tinha como uma de suas referências o cidadão que atendia pelo nome José do Egito da Costa (in memorian), parnaibano que se destacou pela inteligência, bom humor e desprendimento, nitidamente ligado a tudo que é sincero. Dessa maneira, rememorar aprendizagens marcantes nos remete a recordações construtivas do amigo cujas maiores riquezas, a humildade e o companheirismo, o tornam inesquecível. Esses detalhes, invisíveis aos olhos dos que consagram o glamour dos reconhecimentos, muitas vezes circunstanciais, dispensam estátua ou placa de bronze.

Após o encontro agradável, no Rio, voltaria a conversar com Canindé Correia, somente em Parnaíba, no momento em que procurava parcerias para o Jornal Inovação, quando fui visitá-lo no SESI, onde exercia cargo relevante. Entre cordialidades, apresentei-lhe a 3ª edição do nanico, acolhendo em suas mãos com surpreendente entusiasmo. Identificando-se com o conteúdo, assumiu, inicialmente, a condição de assinante. Não demorou, o movimento social ganharia um novo aliado nas lutas por conquista de cidadania, protagonizando uma história diferente das elites conservadoras cultural, social, política e economicamente excludentes; e eu, um amigo inseparável, a compartilhar de inúmeras experiências, dinamizadas por convivência testemunha do respeito e da decência, pautada por interesses exclusivos ao campo das ideias.                     

Convencido de que o sangue a percorrer em nossas veias carregava o DNA da indignação contra o moralismo castrador e no recôndito dos nossos corações, sentíamos o mesmo desejo por mudanças, em março de 1978, se integra, definitivamente, ao Grupo INOVAÇÃO, quando me entrega um manuscrito protegido por capa improvisada em papel almaço, para ser publicado na 5ª edição do jornal. Meticuloso, solicita minha atenção para a leitura do texto.

Pertinaz, sobretudo, na defesa da implantação do Distrito Industrial de Parnaíba, um dos cavalos de batalhas de sua militância no jornalismo, direciona sua produção intelectual para convocar a população e entidades de classe a se envolverem nas discussões pertinentes àquele empreendimento que, aliado à interligação rodoviária do norte do Piauí-Maranhão-Ceará e a definitiva construção do Porto de Luís Correia, consolidaria o desenvolvimento econômico da região norte do Estado do Piauí, assuntos incorporados por INOVAÇÃO, considerando o presente de incertezas e a necessidade de conter o atraso, portanto, reivindicações consideradas de cunho popular, e não de grupos historicamente vinculados à concepção individualista de sociedade, que através de iniciativas burocratizadas se arvoram da autoria de iniciativas mais sem o poder de articulação, para transformar sonhos em realidade.

Contribuindo com o processo de conscientização, Canindé Correia mexia com os brios do leitor, alertando para a necessidade de reflexão sobre a inadiável necessidade de recuperação do poder de influência da cidade como núcleo empreendedor, considerando inoportuno, alimentar a discussão, sustentada pela nostalgia dos tempos em que o apito do trem despertava as comunidades que usufruíam da ferrovia como meio de transporte de cargas e de passageiros ou dos navios que zarpavam do Porto Salgado rumo a Europa, sob o rótulo “Parnahyba Norte do Brasil”.

O que outrora alimentava egos, na atualidade, em razão da mudança radical do perfil da economia brasileira, enriquecia bibliografias específicas de pesquisa, por meio das quais, acadêmicos e pesquisadores poderiam detectar a falta de visão das elites parnaibanas, no que diz respeito aos novos rumos da economia, a partir do momento em que o presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), consolidou as estradas como elemento prioritário para o desenvolvimento nacional, em detrimento do transporte fluvial e ferroviário, incorporados à história como “símbolos do passado”.

Nitidamente contrastando com os que consolidam o conhecimento no egoísmo, Canindé Correia acompanhava a dinâmica dos fatos no âmbito do Jornal INOVAÇÃO, com ousadia. Entusiasta do desenvolvimento econômico e social mantinha o tom elevado do discurso para denunciar as estatísticas preocupantes da miséria, comentando entre amigos que houvera chegado a hora de mudar o perfil da sociedade, cabendo ao movimento popular encaminhar as alternativas de discussão coletiva com a participação popular, as classes dirigentes, e por que não, da Associação Comercial de Parnaíba e da Federação das Indústrias do Estado do Piauí, com sede em Parnaíba, desde a sua criação em 1954, embora a FIEPI, à época, dominada por grupos retrógrados e de onde prosperaria o projeto de desmembramento dos Morros da Mariana do município de Parnaíba, iniciativa que o jornal se insurgiu.

Entretanto, o apelo jornalístico jamais seria digerido no âmbito dessas e de outras entidades, muito provavelmente porque, naquelas circunstâncias, não alcançaram a dimensão das novas fronteiras que poderiam ser alcançadas a partir de campanhas de valorização da autoestima, tendo em vista a superação da incômoda imagem de “cidade do já teve”, lamentável condição em que Parnaíba, nas trevas da ignorância feudal dos líderes políticos, estava inserida.

Com a convivência passei a chamá-lo de “chefe”, em referência ao cargo que ocupava no Serviço Social da Indústria. Por princípios comuns, discordávamos do amor livre e do uso de drogas. Também não morríamos de amores pelo rock’n’roll. Entretanto, a Bossa Nova, através das batidas de Badem Powel, Carlos Lyra e João Gilberto, combinou com nossa personalidade e temperamento. Com o amigo com quem tive relação muito pessoal, convivendo como sujeitos ativos da história, caminhamos e cantamos, seguindo a canção de Vandré, buscando compreender as dores do mundo na expectativa de uma sociedade solidária, alimentando utopias compatíveis à esperança de quem visualizava um Planeta onde seria possível a todos viver em condições de igualdade.   

Espírito eminentemente anticapitalista, Canindé Correia discordava da tendência humana ao consumismo exacerbado, considerando a fragilidade das conquistas relacionadas ao prazer e à felicidade, um reflexo do sistema politico e econômico que se apodera das vontades, utilizando-se da mídia para estimular a cultura do descartável, inclusive, os relacionamentos.

Atendo às necessidades de evolução do movimento social, colocou o único transporte de sua propriedade – uma moto Honda 125 – para servir de suporte às varias atividades do Grupo. No auge da amizade, quando já circulava de automóvel, me visitava em casa todas as manhãs. No silêncio do alvorecer das quatro estações, sua chegada era anunciada ao acionar o freio de mão do seu Corcel II.  Coautores de notinhas, títulos e textos, fidelizávamos agilidade em formular ideias com a habilidade de coordenar e encaixar as palavras nos períodos. Chegar ao consenso, na busca de manchete atraente, compatível ao que gostaríamos, era motivo de alegria.

Politicamente integrado à dinâmica do tempo, Canindé Correia sabia analisar com conteúdo convincente questões eleitorais em nível local, nacional e internacional, nutrindo paixão especial pelos números estatísticos, aos quais se apegava como referência para avaliações que superavam a visão contraditória dos pseudocientistas sociais. Sem reivindicar o título de profeta, construía situações favoráveis para fomentar a avaliação da realidade parnaibana, traçando parâmetros de comparação determinantes das circunstâncias do atraso entre esta e outras cidades com as mesmas características, e que, entretanto, apresentavam desenvolvimento econômico e social satisfatórios.

Pela forma de ver os acontecimentos à sua volta, intuído pela conduta humana irretocável, adotava, como critério de avaliação, valores diferentes do comportamento habitual em que bens materiais são colocados na balança como objeto de valorização do indivíduo. Cauteloso ao escolher amigos, orgulhava-se dos poucos que desfrutavam do seu círculo, preferindo qualidade à quantidade, afirmando gostar de se relacionar com gente inteligente e de caráter. Por herança da genética paterna, preferia a postura de mergulhar na boa leitura, a compartilhar de relações sociais sustentadas pelas aparências.                        

Por suas convicções, a ligação quase umbilical com o movimento popular não comprometeu o vínculo consanguíneo de família tradicional. Em oposição aos laços familiares culturalmente conservadores, revelou-se um parnaibano de visão terceiro-mundista, identificando-se com as nações empobrecidas do Planeta, defendendo, categoricamente, esses redutos de exploração do capital sobre o trabalho, com comentários cortantes, principalmente, contra a grande mídia, em que alguns articulistas direcionavam a notícia, desvirtuando a realidade sobre o enfrentamento dos povos contra a burguesia, nas lutas por alternativas de poder e, difundindo informações distorcidas sobre o acirramento das lutas por liberdade.

Alvo de sua inquietude, as nações que apresentavam os mais baixos índices de expectativa de vida, o fazia vasculhar os catálogos das editoras. Sentindo a necessidade de estar informado sobre o desenrolar dos movimentos de libertação nacional, especialmente na Nicarágua, dos Sandinistas; em Cuba, de Fidel; em Moçambique, de Samora Machel; em Zâmbia, de Kenneth Kaunda; e na África do Sul, de Nelson Mandela, solicitava livros, revistas, assinava jornais, enfim, sabia alcançar o mundo à sua frente.

Imbuído do propósito de plantar as sementes que germinariam a essência do seu discurso humanitário, certa ocasião, foi a meu encontro com uma edição dos “Cadernos do Terceiro Mundo”, uma das melhores publicações editadas no Brasil, fundada em setembro de 1974, por Neiva Moreira, Beatriz Bissio e Pablo Biacentini.

Na opinião de Canindé Correia, o INOVAÇÃO deveria assumir a publicação de textos em solidariedade aos povos do Terceiro Mundo, numa “época em que se vivia uma História em movimento e uma confrontação permanente de pensamentos antagônicos”, assim, o fizemos, embora os conteúdos “comprometedores”, alimentassem a fúria dos opositores do jornal.              

De formação humanitária absolutamente afinada com a evolução do homem, a partir da concepção de novas mentalidades, Canindé Correia absorvia a leitura das obras de Alceu de Amoroso Lima, Carlos Drummond de Andrade, Celso Furtado, Darcy Ribeiro, Frei Beto, Joel Silveira, Nelson Werneck Sodré, Fidel Castro, Dom Pedro Casaldáliga, dos quais compartilhava as ideias, queimando pestanas em horas incessantes de leitura e reflexão. Navegando pelas fronteiras do conhecimento, repassava com entusiasmo, o conteúdo do que lia, analisando de modo breve.

Não há como fugir da lembrança o entardecer do dia em que, embalados por espiritualidade saudável, fomos espairecer na beira-Rio, onde nos acomodamos no “Veleiro”. Chamariz de boêmios, o bar estimulava prolongar a jornada, atravessando tardes e noites vadias. Prazerosamente sentados, aquela brisa agradável na pele, o pôr do sol refletindo seu encanto sobre as água do Igaraçú, e o violão, bem ali, colado ao peito de Edson Rocha, que nos alegrava com a leveza de sua agradável companhia, a deslizar os dedos sobre as cordas do instrumento, emitindo sons que preencheram o ambiente de musicalidade envolvente.

Como num toque de magia, nos entreolhamos, erguemos as taças, brindamos e consumimos de um gole só, a primeira rodada de cerveja. Simultaneamente, o amigo violonista sinalizou com a batida no violão para que eu o acompanhasse, fazendo vibrar o tom da música “O amor em paz”, de Antonio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes. E eu cantei, com alma, coração e muita vibração. Ao ouvir a sentença “o amor é a coisa mais triste quando se desfaz” Canindé Correia, fascinado com a melodia a penetrar-lhe n’alma, tremeu nas bases. Arrebatado emocionalmente para outras dimensões, levanta-se da cadeira, estufa o peito, abre os braços, gesticula para enfatizar o estado de euforia e pronuncia: – Isso é muito lindo! Isso é muito lindo! O pensamento circular desconectou o amigo consciencioso, sobretudo pela apurada sensibilidade de ver as coisas, o mundo e as pessoas. Como diria o poetinha, em “Tomara”, das músicas que compôs sozinho, a coisa mais divina desse mundo é viver cada segundo como nunca mais. É bom lembrar que em nenhuma daquelas ocasiões desperdiçávamos o tempo com conversa miúda ou particularidades inerentes à vida alheia. Os assuntos convergiam, predominantemente, para troca de palavras no âmbito da conjuntura social, politica e econômica. Enfim, a pujança de confraternizações daquela natureza era uma maravilha: o entardecer, a cerveja gelada, o violão, a conversa aflorando descontraída e envolvente.

No momento de colocar em pauta algum tema para ser discutido democraticamente, Canindé Correia, formulava propostas recorrendo à comunicação argumentativa, fundamentando o assunto dialeticamente, articulando com habilidade, sem manipulações, concordando ou mesmo discordando de outras opiniões. Dono de jeito muito pessoal de ser, se habituou a conversar mutilando a substância fina e flexível das folhas de papel, pelos cantos, cujos apêndices, dobrando e desdobrando, como se fora diminutas sanfonas, eram manuseadas em câmera lenta, ao tempo em que raciocinava progressivamente. Sem qualquer constrangimento, o documento acessível sofria o crivo dos dedos habilidosos. A prática repetitiva, em que não havia a intervenção da vontade de danificar documentos, faz parte da coletânea de casos engraçados de José Ciríaco Lima, mestre na arte da imitação, que detalhava, com naturalidade, os mecanismos da atitude de natureza instintiva. Um simples olhar para a demonstração teatral acontecer, e a sensação de riso emergia.

Motorista e fiel escudeiro de outro José, o Hamílton Castelo Branco, Zéciríaco, familiarizado conosco, nos transportou para paradas inolvidáveis, quando batia à minha porta, acompanhado apenas do patrão ou de Canindé Correia, na certeza de que, independente da hora, se com o sol a pino, emergindo no horizonte; ou em plena madrugada, de lua cheia ou na escuridão das noites, o acolhimento teria a mesma afetividade.  Seguramente, no vigor de manifestações de amizade sincera, movidas a muitos brindes, sem trincar cristais, foi que se tornou possível, a saga de INOVAÇÃO. Portanto, sentimentos de natureza humana, revestidos de adjetivos que qualificam atos e ações, constituem a memória invisível, de altíssimo valor.

O tempo passou. Estávamos em 1992, quando o jornal já não existia. Entretanto, de tão importante, fazia parte das nossas histórias. Por isso, juntamente com Canindé Correia, Elmar Carvalho e Vicente de Paula Araújo, o Depaula, elaboramos uma edição extemporânea, estimulados por dois motivos: homenagear o amigo e colaborador Mário dos Santos Carvalho, desencarnado a 25 de novembro de 1991, e mostrar a importância do Distrito de Irrigação Tabuleiros Litorâneos do Piauí, na pessoa do gerente executivo, Vilmar Klein Ferreira, um dos entusiastas do projeto, em entrevista exclusiva, que, ao ser convidado, demostrou indignação com a classe política e a comunidade, por não haverem incorporado, nas suas plataformas de lutas, a permanência do Centro Nacional de Pesquisa Irrigada (CNPAI), único centro do gênero da América do Sul, instalado em Parnaíba, já que a transferência do órgão estava sendo articulada para Teresina.

Enquanto o Jornal INOVAÇÃO retorna às bancas, conservando o entusiasmo e consistência que marcaram a existência do alternativo mais duro na queda do Estado do Piauí, no comando da cidade, a mesma constelação de estrelas ilustres, sem perder a pose, mantinha-se atrelada às glórias do passado, certamente para não comprometer o sistema nervoso dos interesses que se resumiam na necessidade de manutenção do poder pela aparência fútil da vaidade.

Representante da corrente de pensamento em que as ideias avançadas devem ser discutidas construtivamente, Canindé Correia se sobressaiu pelo compromisso de conscientizar pelo poder da palavra e o comportamento ético em tudo que fazia: no trabalho, nas relações sociais e nos compromissos com a sociedade. Parceiro de tudo aquilo que não pode ser objeto de contestação, sem se arvorar de dono da verdade, nos momentos em que as discussões efervesciam, sobretudo quando o assunto fazia referência à Parnaíba, ativada a centelha da paixão pela terra natal, surpreendia pela abundância de argumentos infalivelmente construtivos, despontando, da ave dócil, de timidez proporcional à estatura, o galo de briga indomável.

Identificado com as lutas por democracia, sua contribuição para a sustentação da linha editorial do Jornal INOVAÇÃO e a consolidação do Movimento Popular, pautada pela plenitude do conhecimento, foi de construção do ser humano integrado à vida pela grandeza de seus valores e potencialidades.

Os agostos do Brasil. Alegrias e tristezas.

 

O oitavo mês do ano, Agosto, sempre foi motivo de grande preocupação levada por acontecimentos bons ou ruins e que acabaram alimentando a superstição, como de mau agouro. Coincidência ou não, os grandes fatos ocorreram nesta época do ano no Brasil e já em 1902 o gaúcho Plácido de Castro deu início a uma revolta de brasileiros no distante Acre contra o domínio boliviano.

Em 1903, poucos anos depois de proclamada a República, rebentava no Rio de Janeiro a primeira greve geral de trabalhadores reivindicando jornada de oito horas diárias e melhores condições de trabalho.

No ano seguinte o Banco da República passava a se chamar definitivamente Banco do Brasil. Mais adiante em 1908 nascia no Rio Grande do Sul Ernesto Geisel, que viria a ser presidente da República e em 1908 era aberta no Rio de Janeiro a Exposição Nacional. Em 1909 um crime abalaria a história, o assassinato de Euclides da Cunha pelo aspirante Dilermano de Assis, amante de sua mulher.

Naquele mesmo ano rebentava uma greve na Fábrica São Bento, em Jundiaí, interior de São Paulo, que empregava meninos de sete anos de idade. Nos dois anos seguintes, 1910 e 1911, nasciam Sílvio Frota e Golbery do Couto e Silva, dois generais em que se sustentou a ditadura militar de 1964. Em 1912 nasceram em agosto dois intelectuais, Jorge Amado e Nelson Rodrigues.

Em 1914 quando se avizinhava a Primeira Guerra Mundial, ocorreram no Rio de Janeiro comícios e saques contra a carestia e em São Paulo era fundado o Clube Palestra Itália, o Palmeiras. Em 1917 rebenta uma greve geral em Porto Alegre no Rio Grande do Sul. Em 1918 era fundada a Casa dos Artistas no Rio de Janeiro e coincidentemente nascia o cantor e compositor Jackson do Pandeiro.

No esporte em 1920 o Brasil conquistava medalhas de prata e bronze nas Olimpíadas de Antuérpia e dois anos depois Berta Lutz fundava a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. No ano seguinte era inaugurado no Rio de Janeiro, o Copacabana Palace, um dos mais luxuosos hotéis do mundo. Foi também naquele ano que nasceram a atriz Tonia Carrero e a cantora Emilinha Borba. No futebol o Vasco empatava com o Bangu em 2 a 2 e se tornava campeão carioca.

O ano de 1954 marca o início da derrocada de Getúlio Vargas, quando o jornal Tribuna da Imprensa, de Carlos Lacerda, publica manchete onde diz, “somos um povo honrado governado por ladrões”. Lacerda sofre um atentado na rua Toneleros em Copacabana. As investigações sobre o atentado a Lacerda chegam ao autor, Gregório Fortunato, guarda-costas de Vargas.

O Clube da Aeronáutica agora exige a renúncia do presidente enquanto uma reunião realizada de madrugada aconselha que ele peça uma licença do cargo. Getúlio acaba se suicidando no Palácio do Catete.

No Piauí, mais precisamente em Parnaíba, o presidente Michel Temer, com a popularidade no volume morto, chega para, a exemplo de outros tantos presidentes e ministros, visitar o Distrito de Irrigação dos Tabuleiros Litorâneos, que em mais de trinta anos já consumiu e mostrou pouquíssimos resultados com dinheiro do Governo Federal. * Pádua Marques é jornalista e escritor. Membro da Academia Parnaibana de Letras, do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Parnaíba, Academia de Sete Cidades, Sócio Correspondente da Academia de Artes e Letras de Campo Maior, do Instituto de Artes e Letras de Buriti dos Lopes e do instituto Histórico de Eserantina. Fotos: web. 

Agosto de tempestade

W. Dias: Liso e manso

Por: Arimatéia Azevedo

A união de vários partidos que se juntaram no entorno do governo Wellington Dias parece que procurou utilizar a sombra do poder para apenas sustentar (ou aumentar) os próprios espaços, passando a desconfiança de que  nesta reta final, quando se avizinha a eleição, cada um pode procurar seguir o seu rumo. Pior, alguns desses pretensos aliados encontram-se ainda abrigados no governo, mas sem qualquer voz de comando que possa uni-los na mesma causa.

Wellington Dias, no seu jeito macio, manhoso, liso, tem tentado. Mas o que se tem, de fato, é uma colcha de retalhos, absolutamente esfacelada, a partir da própria decisão da montagem da chapa majoritária. O PT assiste de camarote a guerra quase aberta entre Marcelo Castro e Ciro Nogueira. Aliás, segmentos ainda rançosos com o ‘golpe’ de que acusam Ciro, contra Dilma, não só deixarão de votar, como incentivam o voto a outros candidatos ao Senado. Todos fingem não saber, mas o velho MDB cansado de guerra,  dividiu-se em três partes: a que vai seguir com Wellington Dias e Marcelo Castro (a menor delas); outra que vai acompanhar Luciano Nunes, e uma terceira parcela que seguirá Dr. Pessoa, unindo-se a outros partidos, e indicando o vice e os senadores. João Henrique e Themistocles Filho podem não dizer publicamente, mas não estarão na campanha de Wellington/Marcelo. Daí o risco, porque esses dois são raposas espertas e têm cacife.

Diz-se que Themistocles tem atrás de si um batalhão capaz de provocar uma reviravolta no pleito, porque sabe movimentar a campanha, redirecionar aliados, e fazer aparecer os votos nas urnas. Nesse jogo de interesses e vaidades, não se sabe se Wellington continua enganando os aliados, ou se vai ser enganado por eles. Isto é, o período de tempestades no seio do governo parece que começa neste mês de agosto.

Bem alimentado, Lula terceirizou greve de fome

Por: Josias de Souza

Seis militantes de movimentos sociais iniciam nesta terça-feira, em Brasília, uma greve de fome pela libertação de Lula. Comandante do ”exército do MST”, João Pedro Stédile declarou que o tempo de duração da greve será determinado  pela ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal.

“Ela foi indicada para respeitar a Constituição”, disse Stédile, ao lado dos companheiros que prometem fechar a boca. “Tem dois recursos aguardando julgamento-uma ADC do PCdoB, que consulta se uma pessoa pode ser presa antes do julgamento de todos os recursos; e um outro recurso da OAB, sobre validade da presunção de inocência até o julgamento da última instância. Basta colocar os recursos em plenário para acabar com a greve”.

Em português claro, deseja-se pressionar o Supremo para rever a regra que autorizou o encarceramento de condenados em segunda instância. A questão já foi apreciada pelos ministros da Suprema Corte quatro vezes desde 2016. Na votação mais recente, produziu-se um placar de 6 votos a 5 contra a concessão de um habeas corpus que impediria a prisão de Lula.

Ironicamente, os devotos do líder petista fazem por Lula um sacrifício que ele se abstém de fazer de fazer por si mesmo. Lula desenvolveu uma ojeriza por greves de fome. Em fevereiro de 2010, ainda na pele de presidente, o agora presidiário realizou uma viagem oficial a Cuba. Desembarcou em Havana no dia da morte do dissidente cubano Orlando Zapata Tamoyo, que ficara sem comer por 85 dias.

Instado a comentar a privação alimentar do preso político cubano, Lula declarou: “Lamento profundamente que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome. Eu, depois da minha experiência de greve de fome, pelo amor de Deus, ninguém que queira fazer protesto peça para eu fazer greve de fome que eu não farei mais”.

Na época, o repórter Elio Gaspari rememorou a “experiência” de Lula: “Em 1980, quando penou 31 dias de cadeia que ajudaram-no a embolsar pelo Bolsa Ditadura um capital capaz de gerar mais de R$ 1 milhão, Lula fez quatro dias de greve de fome. Apanhado escondendo guloseimas, reclamou: ‘Como esse cara é xiita! O que é que tem guardarmos duas balinhas, companheiro?’.

” Em março de 2010, já de volta ao Brasil, Lula adicionou ao comentário infeliz que que fizera em Havana uma pitada de escárnio. Em defesa da soberania cubana, o então presidente petista comparou os presos políticos da ditadura dos irmãos Castro com os bandidos comuns esquecidos no interior do sistema carcerário de São Paulo.

Quer dizer: considerando-se os critérios de Lula, condenado a 12 anos e um mês de cadeia por corrupção e lavagem de dinheiro, os militantes que se dispõem a deixar de inserir alimentos por sua libertação deveriam respeitar a “determinação da Justiça” brasileira. Sucede, porém, o oposto.

Bem alimentado, Lula patrocina o surgimento de mais uma excentricidade eleitoral. Depois da candidatura presidencial cenográfica de um ficha-suja, depois da campanha presidencial por correspondência, Lula conduz desde a cela especial de Curitiba um inusitado processo de terceirização de greve de fome.

Novos municípios? Melhor não

Por:Arimatéia Azevedo

Entre as pautas-bomba no Congresso, uma pode abrir a porteira para a criação de mais 300 municípios no país. Um desserviço ao país, porque isso ampliaria os gastos públicos em um momento que a boa governança recomenda é o rigor e a disciplina fiscais como regra de ouro. Seria mais produtivo para o país atuar em favor da redução e não da expansão do número de municípios. Fundir pequenos municípios pode e deve ser considerado como medida de austeridade fiscal. Vejamos: hoje a imensa maioria dessas cidades vive às expensas dos repasses federais. A regra de distribuição da principal fonte de recursos, o FPM, divide as cidades em faixas. A inicial é 0,6 – com até 10 mil habitantes. Ora, isso cria uma distorção em face do festival de municípios criados entre 1989 e 2001 (1.181 cidades novas), porque uma cidade que tenha 9.999 moradores receberá o mesmo valor que outra com menos de dois mil residentes – o que é o caso algumas cidades do Piauí. Isso significa que a transferência per capita de recursos não é a mesma, o que estabelece uma equação de difícil solução, porque uma cidade com mais habitantes terá que prestar serviços para mais pessoas com menos dinheiro que outra na mesma faixa de recebimento do FPM. Assim, parece adequado ao menos discutir a fusão de municípios menores para reduzir os custos administrativos e ampliar as receitas que atenderão diretamente aos moradores. Não há razões para tantas cidades, com seus custos administrativos elevados e retorno duvidoso dos gastos com serviços públicos.

Século XXI: Os desafios do jornalismo e a falta do simancol

A ASCOMPAR (Associação dos Comunicadores Sociais de Parnaíba) reuniu na manhã deste sábado (28), seus membros que compõem a mesa diretora, para discutir e elaborar as atividades referentes à semana da imprensa que acontecerá em setembro.

Entre os pontos discutidos e aprovados uma programação deverá ser divulgada oficialmente nos próximos dias. Mas em particular, também se discutiu a importância do jornalismo ser praticado sem nenhum tipo de barreiras, na cidade mais importante do estado do Piauí depois da capital.

Essa observação, eu fiz para destacar que o verdadeiro jornalismo praticado pelos membros da ASCOMPAR não pode recuar um milímetro, daquilo que já avançou, sobretudo, com todo o entusiasmo do jornalista Bernardo Silva, atual presidente.

O que mais os jornalistas que trabalham com opinião, investigações e cotidiano sentiam falta, era de uma proposta como a que foi apresentada pelo Bernardo Silva, que a partir de agora, deixa os profissionais mais seguros daquilo que fazem.

Uma entidade que vai brigar pelo direito do livre jornalismo, da liberdade de expressão, e de buscar na justiça, a garantia das prerrogativas que o verdadeiro profissional da imprensa precisa contar.

Só para ter uma ideia, ainda é possível ver em Parnaíba o comportamento arcaico de pessoas públicas, que no “alto de seu poder” passageiro, acreditam poder usar da censura contra a imprensa livre. 

Ora, há uma condicional bem aí nessa história, pessoas públicas, naturalmente estão sujeitas ao ingressarem nesse caminho à elogios, como também estão sujeitas à criticas. Mas nem todo mundo que está na vida pública, possui maturidade suficiente para discernir uma coisa da outra.

Por exemplo, o sujeito adora ser elogiado por aquilo que é nada mais do que seu ofício, ou seja, sua obrigação. Mas detesta receber uma crítica, logo não sabem lidar com o contraditório. Em alguns casos, ficam “paridos” pelos ouvidos ao darem créditos para “puxa sacos” em sua volta.

Um ditado popular é bem categórico, quando questiona: “Pode um cego guiar o outro?”. Assim são homens e mulheres que estão na vida pública que precisam fazer essa pergunta a si mesmos. Sob pena, de não agora, mas lá na frente pagarem um preço alto, como já tivemos vários exemplos.

No que depender de mim, já que estou abordando esse assunto, lutarei de maneira incansável para garantir a força do novo jornalismo que nasceu em Parnaíba, e que já abriu os olhos dessa sociedade em diversas ocasiões. Não é nenhuma ameaça aos “lunáticos” que misturam letras com outras atividades profissionais, as vezes nem são autores do que publicam (depois eu conto essa história), mas é uma certeza que eu estou dando, sobre aquilo que defendo ser justo.

É preciso ampliar a sensibilidade de muita gente ainda, pessoas que precisam entender de uma forma ou de outra, que não se faz mais nada nesse mundo, sem uma comunicação verdadeira, formada por profissionais que dedicam suas vidas em busca da transparência dos fatos.

A semana da imprensa vai começar em setembro, mas a nossa luta não vai ficar apenas em uma mesa de reuniões, pelo contrário, caminharemos até onde for necessário para provar que a censura não vai vencer toda uma cidade.

Por: Tiago Mendes

À sombra do passado, a esquerda tenta ressuscitar os showmícios

Charge do Sinovaldo (Jornal VS)

José Casado
O Globo

Três partidos foram ao Supremo Tribunal Federal pedir música na campanha eleitoral. “Não é apenas entretenimento” — argumentam PT, PSOL e PSB na ação (ADI 5970) —, “mas um legítimo e importante instrumento para manifestações de teor político”.

Desejam voltar à era dos showmícios, quando candidatos atraíam o público às praças com a magia musical e, nos intervalos, vendiam alegres utopias, logo desmentidas pela realidade. Quem mais abusou do artifício foi Fernando Collor, na campanha em que derrotou Lula 29 anos atrás.

IMPOTÊNCIA – Na essência, esse bloco partidário que se autodenomina de esquerda protocolou no Supremo uma confissão de impotência para renovar seu projeto, lideranças, meios de se comunicar e a própria mensagem.

O refúgio no túnel do tempo ajuda a dissimular a incapacidade de entender as ansiedades do eleitorado, que não vê uma cisão entre “trabalhadores” e “burguesia”, mas enxerga com nitidez um confronto entre Estado e cidadãos, entre a sociedade e seus governantes — como demonstram pesquisas do PT na periferia de São Paulo.

Em Pernambuco tem-se outro exemplo dessa fuga nostálgica. Partidos e candidatos se transformaram em reféns de dois personagens — um mito e um encarcerado.

ARRAES, ETERNO – Morto há 13 anos, o ex-governador Miguel Arraes paira sobre a cena estadual em que se tornou mítico, depois de dominá-la por mais de cinco décadas. Dois dos três candidatos ao governo estadual disputam sua memória nessa eleição.

De um lado está Paulo Câmara, governador em busca da reeleição pelo PSB. Burocrata do Tribunal de Contas, foi ungido por Eduardo Campos, neto de Arraes, quando deixou o governo em 2014 para se candidatar à Presidência da República (Campos morreu num acidente aéreo).

Na oposição está Marília, 34 anos, neta de Arraes. Vereadora no Recife, rompeu com os primos do PSB e migrou com o sobrenome para o PT. É candidata ao governo contra a vontade da burocracia petista, que deseja sua renúncia. Motivo: uma aliança com o PSB aumentaria em 51% o tempo de propaganda eleitoral do PT (de 171 para 258 minutos).

IMPASSE – Paulo e Marília também cultuam Lula, pernambucano do agreste, há mais de cem dias cumprindo pena em Curitiba por corrupção e lavagem de dinheiro. Ao ritual juntou-se um terceiro candidato a governador, Armando Monteiro (PTB), cuja origem remonta às usinas de açúcar e ao sistema financeiro.

À sombra do mito e do cárcere criou-se um impasse entre o PSB dos Arraes e o PT de Lula. Derivou na imobilização de quatro partidos (PCdoB, PDT, Pros e Rede). No fim de semana, o PT adiou suas convenções no Amazonas, Amapá, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Tocantins e Rondônia.

ABSTRAÇÕES – Outros candidatos também preferem o gueto da ilusão e da saudade. Jair Bolsonaro (PSL) transformou sua campanha presidencial em homenagem à tortura e à matança dos adversários, na efusão de sangue patrocinada pela ditadura militar. É o mesmo regime que o julgou por traição à farda, acusando-o como autor de um plano para explodir quartéis no Rio dos anos 80.

Embriagados de nostalgia, eles se abstraem do debate de alternativas reais às agruras do presente compartilhado por 175 milhões de dependentes da combalida rede pública de saúde, e por 13,5 milhões de desempregados que perambulam no inverno das maiores cidades.

Os caminhos do MDB

Por:Arimateia Azevedo

O deputado João Madison que se tornou uma espécie de porta-voz oficial do presidente da Assembléia Legislativa do Piauí, tem espalhado aos quatro cantos que o MDB ainda não decidiu qual caminho vai tomar nas eleições de outubro, o que significa dizer que o partido pode ficar onde está, ou se aliar a  algum dos oponentes de Wellington Dias. Trocando em miúdos, pode-se imaginar que Themístocles Filho ainda não decidiu  o que e como cobrar por não ter sido escolhido o vice, ou ter sido deixado para trás, já que Marcelo Castro pode ser indicado para a disputa de uma das vagas para o Senado. Magoado (com razão) pela escolha de Wellington ter caído em Regina Souza, Themistocles deixa até mesmo escapar que pode não votar em Castro, ou, até mesmo bater chapa na convenção, e que poderia liderar uma coligação diversa da chapa governista. Nessa hipótese, ressurge o vice-presidente João Henrique Souza, que tentou o voo solo da candidatura própria do partido até meados de abril, quando jogou a toalha, e passou a admitir a coligação com o governo. Mas a posição de João Henrique pode também ter parte (ou ouvidos) com o ex-governador Zé Filho, que hoje está no PSDB, de Luciano Nunes. O certo é que o MDB pode estar dividido entre três partes: a que apoia a decisão do governador, e quer Marcelo Castro no Senado; a que deseja levar o MDB para Luciano Nunes; e um grupo que diz querer apoiar o deputado Dr. Pessoa, do Solidariedade. O grande problema é que o MDB não procurou alternativas para a hipótese de não obter o cargo pretendido no governo que não fosse a vaga de vice. Diz-se que a opção de Marcelo pela vaga de senador teria sido um conchavo dele com Wellington e que pode ser derrubada na convenção se assim quiserem Themistocles, João Madison, João Henrique e outros menos notados, tidos como maioria no partido, cujas lideranças municipais nem todas estão satisfeitas com o governo. 

Paulino Neves, onde um cão é vigia de santo. * Pádua Marques.

 

Dia desses, faz pouco mais de oito dias, fiz uma viagem rápida pra fora de Parnaíba. Fui a convite de uma amiga conhecer Paulino Neves, no Maranhão. É lugar que ainda faz parte das cidades maranhenses aqui pertinho que mandam sua gente todo dia pras bandas de cá em busca de resolver essas coisas de médicos, compras, estudos, aposentadoria e pensões, diabo a quatro.

Paulino Neves é outra coisa. É outro pano. Nem lembra com a Tutóia, Araioses e São Bernardo, onde até parece que ninguém ainda se acordou a uma hora da tarde. Me chamou a atenção seu comércio. Uma rua, a Paulo Ramos, movimentada de dar gosto. Muita casa de material de construção, lanchonetes, pequenas mercearias, lojas de variedades. Ali pelo visto está correndo dinheiro de turismo e de duas usinas de energia eólica

Tem até um boteco tipo pé sujo, o Bar Água na Boca. Som tipo Reginaldo Rossi e Adelino Nascimento, a todo pano e aquela rapaziada lá dentro e na porta com cara de quem passou a noite virando bicho. Ao lado de uma funerária, Funerária Reviver. Calcule só. Funerária com nome de reviver. Andando um pouco mais, acabei dando de cara com uma loja do Paraíba. Por que todo lugar tem que ter uma loja do Paraíba?

Nem que seja com apenas uma porta, um gerente e um vendedor de cara bem feia.  Mas me impressionou mesmo foi o serviço de transportes. São caminhonetes Toyota, adaptadas, cabines abertas. Os mototaxistas, e nesse ponto estão melhores do que os de Parnaíba, andam em cima de quadriciclos. Mas eu nunca vi cidade no mundo pra ter mais Hillux do que Paulino Neves.

Mas tem loja do Paraíba. Como também tem Apae, tem uma academia de ginástica, a World Fitness Academy. Assim mesmo, em inglês. Mas não encontrei nada que lembrasse sua história, uma estátua, edifício antigo, uma igreja antiga. Procurei como quem procura a porta do céu, uma loja, mercearia, bodega, banca de revista que fosse, que vendesse alguma peça de artesanato. Encontrei não.

Mas tem loja do Paraíba. E uma agência minúscula do Bradesco, uma Secretaria de Turismo Sustentável, uma biblioteca, com nome da professora Maria  José dos Reis. Como toda cidade que tem apenas uma rua ou avenida e sendo de comércio, me lembrou muito Tóquio, com todos aqueles letreiros. Bancas de peixes no meio da rua e bancas de DVDs piratas. Tudo pertinho.

Tem duas pontes. Uma de madeira, velha e sem proteção lateral, proibida à passagem pra carros e motos. A outra, de concreto, novinha em folha sobre o silencioso rio Novo, tem passarelas pra pedestres. Aliás, o rio Novo me lembrou muito as Filipinas e a indonésia. Aquela cor da água azulada e a vegetação muito densa. Todo mundo ou quase todo mundo em Paulino Neves mora em sobrado. Acho até que lá todo mundo gosta ou se faz de rico.

Tive necessidade de comprar um par de pilhas pra minha câmera fotográfica. No supermercado, pequeno e cheio de toda sorte de tranqueiras, a moça do caixa tinha no ombro um papagaio que falava. Mas foi na Praça José Rodrigues da Penha, o Zeca Penha, que deve ter sido alguém muito importante, inaugurada no dia de Natal de 1999 pelo prefeito Josemar Oliveira Vieira, que encontrei e guardo uma das melhores impressões de minha viagem, um cachorro vigiando São Sebastião, que está amarrado e quase nu dentro de uma caixa de vidro.* Pádua Marques é jornalista e escritor. Fotos do autor. 

Eleições 2018:Agora ou vai ou racha

Por: Bernardo Silva

Com a oficialização das primeiras candidaturas a cargos eletivos em outubro próximo começa a cair a ficha e a se desenhar o tamanho da responsabilidade de cada um de nós, com relação ao quadro político que aí está: lúgubre, macabro, cheio de marmotas…eles – os palhaços (com as devidas exceções à regra), estão pegando novamente suas fantasias para saírem às ruas com o propósito de mentir, fazerem promessas que nunca cumprirão, enquanto alguns, embasbacados, como se nunca tivessem ouvido as tais lorotas, ensaiam os aplausos, em troca de favorecimentos pessoais.

O quadro é dantesco. Depois de 13 anos de um governo de ladroagem, quando acabaram com as riquezas do país, o bandido barbudo, chefe da quadrilha, que está preso em Curitiba, segundo mostram pesquisas, ainda é merecedor da atenção de muitos. Sim, ainda são muitos os que ficavam debaixo da mesa do Lula e caterva, enquanto eles se banqueteavam. E os bobões/babões davam gritinhos e aplaudiam quando lhes caia algum farelo da mesa nababesca do presidiário, patrocinada pelo suor do povo brasileiro.

No Piauí o rei (Wellington Dias) está nu. Não lhe cabe mais sequer o pepel de lobo em pele de cordeiro. Foi desnudado e hoje, com as vísceras de fora, já não engana mais ninguém. É uma liderança apodrecida, que conseguiu piorar o quadro oligárquico que em 1994 dizem haver sido banido da política piauiense. Wellington Dias e sua trupe conseguiram restaurar o quadro e, de forma piorada, vai apresentá-lo outra vez aos eleitores piauienses.

Não há porque confiar mais no governador que aí está. Eleito em 2002, tinha tudo para aproveitar os 8 anos do Lula, que governo no mesmo período,no booom da economia,  para colocar o Piauí numa posição melhor do ranking nacional. Mas os índices só despencaram, a partir da educação. Saúde – está aí situação dos planos de saúde dos servidores; a segurança, nem se fala. Provou incompetência e hoje vive se lambuzando com o que de pior existe na política do Piauí.

O governador do Piauí brinca no lodo dizendo que faz política. Fala em desenvolvimento mas acabou com as estruturas do Estado em Parnaíba, É só olhar as escolas abandonadas, o Detran, o Iapep, estrada para Pedra do Sal, Ponte Simplício Dias, Complexo do Porto das Barcas…e por aí vai. Se correligionário de Wellington Dias eu teria vergonha de pedir votos pra ele nestas eleições.

Vendo há poucos dias uma fala da ex-senadora Heloísa Helena, ela dizia: “o político que fica rico no poder é ladrão. Porque o salário do político não dá para acumular riqueza. Dá apenas para você melhorar de vida”. Olhe agora como entraram no poder em 2002 o Wellington Dias e caterva; o que possuíam e a fortuna que hoje possuem. Ficaram 8 anos com Wellington; depois mais 4 anos com Wilson Martins, que era vice-governador e Wellington Dias (leia-se PT) ajudou eleger e agora querem mais 8 anos com o mesmo Wellington Dias. Salve-se quem puder!!!

Conheçam as previsões do presidente do Ibope, que é um gênio ou um idiota

Montenegro diz que nenhum dos favoritos se elege

Odilon dos Anjos

Eu entendi mal, ou o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, falou, falou e falou sobre as chances dos principais candidatos, mas concluiu que nenhum deles irá vencer as eleições?
“O Bolsonaro, líder das pesquisas, não se elegerá. Ele perde pra qualquer um no segundo. O voto do Bolsonaro não é ideológico de direita. É como o voto nulo, no Enéas ou no Tiririca”, fulminou…

Quanto a Marina, disse o mago: “O que ela tem hoje é recall das últimas eleições. Quando o horário eleitoral começar, isso se esfacela. Ela vai sumir.”

OS OUTROS – Já para o coronel nordestino sobrou o seguinte: “Ciro Gomes corre o mesmo risco (da Marina), caso não consiga fechar alianças. Mas o maior adversário do Ciro é ele mesmo”!

Com relação ao tucano do Centrão, Montenegro profetizou: “O desempenho de Geraldo Alckmin ainda é um enigma. Há um cansaço brutal com o PSDB. O caso do Aécio Neves foi quase um tiro de misericórdia”.

E OS PETISTAS? – Sobrou, então, o partido do presidiário: “o PT lançará Jaques Wagner, e não Fernando Haddad, mas duvido do potencial de transferência de votos do ex-presidente Lula”, disse o presidente do Ibope.

Uau…! A esta altura dos acontecimentos, os nanicos Amoêdo, Álvaro Dias, Meirelles, Boulos e Manuela devem estar exultantes com as possibilidades que se abrem para eles… O cara do Ibope é um gênio ou um idiota?…

Respostas em outubro de 2018…

Wellington Dias, você falhou até como ser humano!

Por Bernardo Silva

Meu preclaro governador,

Relutei muito em escrever esta matéria, porque estava com medo de não me segurar e não medir as palavras, tendo que partir para a ignorância ao me dirigir a você. Mas, sabendo ser você (permita-me tratá-lo assim) uma pessoa afável, educada, distinta, não me permito passar a você, com palavras, a revolta que sinto diante de tudo o que aí está, provocado por você, por pura incompetência e incapacidade de gerir o Estado com grandeza e dignidade.

Você se apequenou muito, meu caro. Igualou-se aos demais políticos quando cedeu às pressões das velhas raposas deste Estado e começou a meter os pés pelas mãos. Cedeu demais à ganância dos seus aliados e deixou para trás pessoas que, de fato, necessitam do seu governo. Esqueceu que os governos passam e as pessoas ficam.

Não queria dizer mas, minha esposa está necessitando de procedimentos quimio e radioterápicos. Fui a Teresina em busca de atendimento, exatamente segunda-feira(16), no dia em que as clínicas, laboratórios e hospitais deixaram de atender os planos de saúde dos servidores estaduais (Plamta/IASPI), porque o dinheiro que é descontado do nosso contracheque (sou professor inativo do Estado), o senhor deu fim. Fez o quê com ele? Cooptou políticos? Usou para pagar os suplentes de deputado, convocados para a Assembleia Legislativa, sem necessidade, só para aprovar as matérias do seu interesse que vão de encontro às necessidades da população?!!!

Quantos servidores do estado, como eu, neste instante não estão precisando de atendimento médico e só contam com o plano de saúde pelo qual pagaram a vida inteira e que já foi o maior do Estado? O que você fez com o nosso plano de saúde? À falta dele, quantas pessoas vão morrer nas filas do SUS? Quanto sofrimento o senhor está patrocinando?!!!Está feliz com isso? Dorme tranquilo?!!!

Ah, governador, lembrei-me. O senhor não sabe o que é sofrimento de pobre. Lembrei-me do que o senhor faz, a sua indiferença para com as vítimas da tragédia de Algodões… Um dia, lá no seu interior, onde o senhor sonhava ser vaqueiro, você via e tinha uma dimensão do que é pobreza. Hoje não. Homem rico, poderoso, que ilude a todos com conversa mole, no papel de homem educado, vira as costas para quem necessita, para quem precisa do governo.

Quando falo que você, Wellington Dias, falhou até como ser humano – e você se diz um homem religioso – é porque nós sabemos que quando Deus permite que alguém ascenda a este poder terreno temporário, é para ajudar as pessoas. Olhar por quem de fato necessita. E você esqueceu disso e de todos, quando passou apenas a ver a melhor forma de comprar lideranças políticas, prometer em troca de votos e se fortalecer no poder.

Hás de pagar por isso, tenho certeza. Não é a justiça dos homens que o punirá. Será a sua consciência. É a justiça Divina que diz “a cada um segundo as suas obras”. É só você olhar o que está fazendo. Olhar para os seus filhos. Lembrar dos seus pais, da sua infância, do que você era e o que você é, como homem. Aliás, volte a ser o homem honrado que o senhor um dia o foi. O papel que o senhor desempenha agora, neste momento, envergonha.

Que Deus lhe abençoe!!!

Manipulação das pesquisas

Por:José Olímpio
Desorganização, desequilíbrio das contas públicas, dívidas impagáveis, prédios de delegacias e escolas em situação deplorável, hospitais funcionando precariamente, boa parte das estradas intrafegáveis, funcionários públicos desestimulados e frustrados, algumas categorias em greve.

O quadro acima descrito revela a triste situação do Piauí hoje, mas, curiosamente, o senhor Wellington Dias, responsável por esse descalabro todo, continua no topo das pesquisas de intenção de votos.

Não consigo compreender esse fenômeno. Por muito menos, políticos de grande prestígio e campeões de voto foram sepultados pelo eleitorado piauiense e nunca mais se reergueram.
Imagino, às vezes, que o segredo pode está nas pesquisas, mas todos os institutos apresentam os mesmos resultados. Estariam todos manipulando os números de suas consultas? Não creio. Tem estatísticos sérios atuando nesse meio, que não se prestariam a esse papel.
A manipulação, contudo, existe e acontece no momento em que analistas da mídia amestrada, cevada nos cofres públicos, fazem a leitura das pesquisas, omitindo dados importantes, para posterior divulgação para o grande público.
Todos sabemos que não é o Instituto que divulga os resultados, mas o cliente, que o faz de acordo com suas conveniências. Quando as consultas não favorecem quem as encomendou, via de regra são arquivadas.
Por essa singela razão, sou contra a divulgação de resultados de pesquisas pela mídia, pois são utilizadas como uma poderosa arma de convencimento do eleitorado, induzindo-o a optar por este ou aquele candidato.
Isso acontece especialmente com os eleitores indecisos e com “aqueles que só gostam de votar nos vencedores”. Não há como negar essa influência negativa no processo eleitoral.
Pesquisas deveriam servir apenas para o consumo interno dos partidos e candidatos que, baseados nelas, poderiam tomar decisões, mudar o rumo de suas campanhas, melhorar sua propaganda eleitoral e sua comunicação com o eleitor.
Utilizadas como são hoje, induzindo o eleitor a fazer escolhas erradas, não contribuem em nada para fortalecer a democracia. Muito pelo contrário. Contribuem para viciar o processo eleitoral e muitas vezes levar à vitória candidatos que, sem esse artifício, não teriam a menor chance de lograr êxito nas urnas.

É preciso implantar “tolerância zero” às agressões sofridas por professores

Charge do Cícero (Arquivo Google)

Antonio Carlos Fallavena

O problema da educação e do ensino começa e termina em casa. Lamento que a imensa maioria da sociedade ache que a solução nasce e cresce na escola. A culpa é sempre do outro ou dos outros. O individualismo fincou raízes na sociedade e agora, para arrancá-las, teremos de lutar muito, e calar nunca. Acreditem, toda mudança terá de ser feita à força – pela lei, pela fiscalização e pela punição. Somente assim poderemos recomeçar o primeiro processo, a educação. O segundo, do ensino ou escolarização, pode ser mais facilmente resolvido, selecionando melhor os professores e oferecendo remuneração à altura.

Na verdade, queremos uma feijoada educacional da década de 60, mas usamos produtos com outra qualidade e acabamento nos dias atuais. Resultado: temos a feijoada, mas sem o gosto experimentado na década de 60.

NOVAS GERAÇÕES – Assim são as crianças. Décadas atrás, eram educadas pelos pais, notadamente pelas mães. Nos últimos tempos, tudo mudou e as mães são as primeiras a largar seus filhos na escolinha. É dessa forma que moldamos as novas gerações.

Sem perder a noção, não confundamos as coisas – a escola não educa. Embora, erroneamente sejam identificadas como “secretarias de educação” na verdade são “secretarias de ensino”.

Assim, enquanto a educação acabou (ou nem começou) em casa, a escola está sem qualidade para ensinar, não tinha e não tem mais capacidade e condições de educar.

MESMOS ERROS – Quem fez nascer as crianças que se responsabilize por educá-las. Como isso não ocorre, agravam-se os problemas do setor, com a degradação profissional dos professores, que hoje são ameaçados e até agredidos por alunos.

Cada vez mais assistiremos tais absurdos. E não escondamos que pelo menos parte da situação vivida hoje pelos professores foi plantada por uma parcela deles, que defendem a ocupação de escolas, participam de passeatas em defesa de corruptos e ladrões e tantas “coisinhas” mais.

Lamento que muitos professores atuais, na sua maioria, continuem repetindo os mesmos erros daqueles que foram seus professores no passado recente.

AGRESSÕES – Acompanho a escola pública nas últimas três décadas. Vivenciei muitos episódios e suas facetas nos temas educação e ensino. As agressões a todos os segmentos envolvidos (o correto seria comprometidos) demonstram não apenas a queda da qualidade no ensino, mas o desmonte das responsabilidades, das referências positivas e dos resultados produzidos.

Com a experiência  de alguém que sempre defendeu a escola pública e a recuperação da qualidade do ensino, através da valorização do magistério e da participação organizada e qualificada dos pais junto aos filhos, posso afirmar: a escola pública faliu e hoje vive das memórias de um tempo que não existe mais.

Quando um(a) professor(a) é agredido(a) e fica por isto mesmo, é preciso concluir que fracassamos como sociedade, como pais e como pessoas. Como poderemos ter uma escola de qualidade se aqueles que detêm formação e capacidade para escolarizar não conseguem sequer ser respeitados por seus alunos. Para ser respeitado, é preciso se dar ao respeito.

Comunismo só não deu certo porque o homem é o lobo do homem

Francisco Bendl

Li, mas não me lembro onde, que os três maiores avanços que a humanidade teve foram com relação a três notáveis homens pensadores e ativos, ao mesmo tempo: Karl Marx, a respeito das relações capital/trabalho; Sigmund Freud, sobre a Psicanálise; e Charles Darwin, com vistas à evolução, cujo termo grego usado à época queria dizer mudança, adaptação.

Já foi dito na TI inúmeras vezes e até por mim, leigo no assunto, que jamais o comunismo daria certo ou o socialismo, em face do ser humano. A vaidade, a ganância, o egoísmo, a busca pela superioridade sobre as demais pessoas, o exercício do poder, tudo isso impediria que movimentos com vistas à coletividade fossem aceitos, porque o homem seria o seu maior inimigo – o lobo do homem, na visão do filósofo inglês Thomas Hobbes.

CONTRIBUIÇÃO – Teoricamente, Marx e Engels contribuíram e muito para que os trabalhadores tivessem algum direito reconhecido pelos patrões, além de terem criticado o modo como o capitalismo seria cruel para a vida humana, explorador e alimentador de desigualdades sociais.

Dito isso, precisamos lembrar que Cuba se tornou comunista por causa dos americanos. Foi comandada pelo corrupto ditador Fulgêncio Batista, que havia transformado a ilha em cabaré da América, além de esconder o dinheiro da máfia dos Estados Unidos em seus bancos, até que o Movimento 26 de julho, liderado por Fidel Castro, destituiu o criminoso em 1959.

Foi uma das maiores importantes revoltas que o mundo conheceu, de um país se livrar do seu ditador mediante as forças do povo, comandado por um líder verdadeiro e autêntico.

SEM ELEIÇÕES – Fidel teria sido um dos maiores exemplos para o mundo se, após dois, três anos, do término da Revolução, ele tivesse instituído eleições e ter devolvido o poder ao povo.

Tendo optado forçosamente pelo lado soviético, porque os americanos lhe negaram apoio, e precisando de ajuda econômica, Fidel teve de seguir o modo soviético de governar, através da ditadura.

Mais: Emprestou o seu território para que Kruschev instalasse seus foguetes a poucos quilômetros dos Estados Unidos, gerando a famosa Crise dos Mísseis, em 1962, que por um triz quase nos levou à Terceira Guerra Mundial, sem previsibilidade de qual seria o desfecho, mas, certamente, o mundo seria riscado pelas bombas atômicas!

AMO E SENHOR – Fidel adorou o poder, os holofotes, a fama conquistada, e foi permanecendo como amo e senhor do país insular.

Seus dissidentes eram mortos fuzilados no “paredón” ou presos para o resto de suas vidas, e assim controlava o povo e o que acontecia na ilha.

Portanto, há quase sessenta anos, dificilmente Cuba irá alterar a sua Constituição, pois as gerações que lutaram a revolução, que dela fizeram parte, praticamente não existem mais, pois a população de hoje se acostumou a viver com as carências que A ditadura lhe impingiu, a ter direitos cerceados, tanto individuais quanto coletivos.

FALSO HERÓI – Fidel foi o herói que se transformou em um criminoso; um homem brilhante, que se deixou apagar por si mesmo; uma personalidade que deveria ser reconhecida e homenageada mundialmente, porém hoje o mundo o conceitua como um personagem maligno, um verdugo para o seu próprio povo.

Sem liberdade, não pode haver democracia nem justiça social.

Na visão de Divaldo Franco, a inveja é um dos mais graves defeitos humanos00

Charge do Cleverton (Arquivo Google)

Divaldo Franco
A Tarde (Salvador)

Entre as imperfeições do caráter humano, descendente direta do egoísmo, destaca-se a inveja, essa dissolvente manifestação da imperfeição moral. Muitas tragédias que ocorrem na sociedade são frutos espúrios do cultivo dessa conduta execranda.

A existência terrestre possui como finalidade psicossociológica, atendendo ao instinto gregário, a preservação da solidariedade, que se firma no auxílio fraternal que deve existir entre todas as pessoas e reciprocamente.

Nada obstante esse impositivo da sobrevivência, grande número de criaturas humanas opta pelo comportamento competitivo, incapazes de rejubilar-se com as conquistas e alegrias do seu próximo na viagem ascensional.

FUGAZ FELICIDADE – Deixando-se magoar pelos próprios insucessos ou atormentadas pela sede de viver em regime de exclusão, somente a si se permitindo usufruir da fugaz felicidade, as pessoas voltam-se com tenacidade contra todos aqueles que lhes parecem ameaçar o triunfo ou odeiam a glória não conseguida.

Apoiando-se na mesquinhez a que se entregam, elaboram verdadeiros programas de perseguição contra os demais, dando lugar a mentiras e calúnias que habilmente elaboram, assacando flechadas contínuas, envenenadas pelos sentimentos inferiores com os quais se comprazem.

Amigos de ontem que se mantinham em fraternidade, ante o destaque de um deles, o outro, ao invés de regozijar-se, intoxica-se de cólera e transforma-se em verdugo gratuito, escondendo-se em argumentos falsos para dar vazão à frustração que o invade.

EVOLUÇÃO MORAL – Todo processo de evolução moral e especialmente espiritual é realizado mediante a superação dos instintos agressivos, das imperfeições mantidas nas experiências primitivas e transatas.

A inveja consegue disfarçar-se e imiscuir-se no comportamento social e humano com habilidade, manifestando-se com expressões falsas, aparentemente ingênuas, quando não explode intempestivamente em combate viral.

O invejoso, sem dúvida, é muito infeliz, porquanto padece emoções perturbadoras, que a ele mesmo prejudica.

BEM COMUM – Por sua vez, o pensamento emitido faz-se portador de uma onda de energia negativa que, muitas vezes alcança aquele contra o qual é dirigido, desde que sintonize mentalmente em faixa vibratória equivalente.

A terapia de excelente qualidade para a vitória contra a inveja é o esforço que se deve oferecer em favor do bem de todos, auxiliando sem vacilação, de modo a contribuir para a felicidade geral.

(Artigo enviado por Isac Mariano)  http://www.divaldofranco.com.br/mensagens.php